Fundador da Congregação de Jesus e de
Maria, atualmente conhecida pelo nome de Congregação dos Eudistas,
São João Eudes consagrou sua vida a suscitar e desenvolver a
devoção aos dois Corações que abraçava no mesmo amor, o do Filho
de Deus e o de sua Bem-aventurada Mãe, tão estreitamente unidos no
mistério da Encarnação.
Nascido em Rye, na diocese de Séez,
João Eudes manifestou, desde a mais tenra infância, uma piedade tão
pura e uma humildade tão profunda que, a fim de perfazer a sua
formação espiritual, entrou muito jovem ainda para a Congregação
do Oratório. Sob a direção do Padre de Bérule, cuja elevadíssima
estima logo conquistou, a tal ponto aperfeiçoou o seu talento da
palavra que lhe confiaram certas missões importantes, antes mesmo de
receber as sagradas Ordens.
Sua pregação inflamada, tão segura
de doutrina quanto prática nas exortações murais, suscitou grande
entusiasmo na Normandia. Em 1636, os Superiores o designaram chefe
das missões; em 1640, tornava-se Superior da Casa do Oratório de
Caen. Mas em 1643, deixava os Oratorianos para fundar a Congregação
chamada dos Eudistas, cujo desenvolvimento conheceu, desde o início,
considerável extensão. Votados à educação dos jovens clérigos
nos seminários e à conversão dos fiéis nas missões, os Eudistas
estabeleceram suas Casas em todas as dioceses da Normandia. Formavam
um corpo de eclesiásticos seculares, sem votos monásticos,
praticando o retiro e seguindo com regularidade os exercícios de uma
alta perfeição sacerdotal.
Todavia, sérias dificuldades vieram
contrariar o zelo de João Eudes; graças a proteção da Rainha Mãe,
ele terminou por superar os obstáculos, e a Santa Sé autorizou a
ereção em Ordem religiosa, de sua comunidade de Nossa Senhora da
Caridade.
Faleceu em Caen, em 1660, deixando
grande número de obras; as principais são:
– Exercícios de Piedade para Viver
Cristã e Santamente (1636)
– A Vida e o Reino de Jesus (1637)
– A Vida do Cristão (1641)
– O Contrato do Homem com Deus pelo
Batismo (1654)
As páginas aqui apresentadas são
extraídas do capítulo X de uma obra que compôs no fim de sua vida,
obra que tem por título "O Coração admirável da sacratíssima
Mãe de Deus", e na qual trata detalhadamente das razões de ser da
devoção ao Coração de Maria. Mas o capítulo em questão, no qual
comenta o Magnificat e canta as maravilhas da "Virgem fiel", foi
terminado algumas semanas antes de sua morte.
"Hoje, vinte e cinco de julho de
1660, escreve ele, Deus me fez a graça de terminar o meu livro"
Falecia a 19 de agosto seguinte, no
seminário de Caen, com sentimentos de uma profunda e de uma
confiança sem limites na misericórdia de Jesus e de Maria.
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