VIRTUDES

Em Portugal sempre foi tradição os soldados e marinheiros homenagearem a Virgem, invocando a sua ajuda. Várias naus eram colocadas sob a proteção de Nossa Senhora da Ajuda, talvez devido à pequena ermida, existente em Lisboa, na praia do Restelo, que abrigava uma milagrosa imagem aí encontrada. É também a principal devoção mariana das Ilhas Maurício, um arquipélago localizado no litoral leste de África. Às vezes é também chamada Nossa Senhora do Socorro, da Boa Ajuda e do Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima da Ajuda, Virgem pura e imaculada, ouvi como especial advogada os nossos clamores. Mostrai-nos o vosso poder profundo. O céu e a terra, o mundo inteiro vos venera, até o inferno a vós se rende, ó Senhora! Procuramos o vosso abrigo como filhos miseráveis, pois são admiráveis os vossos prodígios. Queremos, Senhora, seguir os vossos passos. Sede sempre nossa protetora e advogada, socorrei-nos e às nossas famílias, alcançai para todos as graças que vos pedimos, e enfim a eterna felicidade do Céu. Abençoai-nos e protegei-nos, ó Virgem Mãe Santíssima. Ámen.  

Diversas igrejas pelo mundo são dedicadas a Nossa Senhora da Alegria. É a Mãe que se alegra com o seu Filho, Jesus, e com os sinais positivos da Humanidade. Este título, no entanto, é mais conhecido pelas aparições a Gianna Talone Sullivan, de Emmitsburg, EUA. Nas suas diversas mensagens, a Virgem pede principalmente a conversão e a humildade diante de Deus. «É tempo, meus pequenos, de começardes a viver na unidade. Há demasiadas pessoas a viver nos caminhos da divisão e da crueldade, pela falta de bondade. Por favor, retornai a Deus. Rezai de coração e Ele vos guiará para viverdes na unidade através do amor. Por favor, por favor, por favor, amai-vos uns aos outros.» Nas suas aparições pediu que se difundisse a seguinte consagração, a ser rezada três vezes ao dia. As aparições ocorrem desde 1993, mas não foram oficialmente reconhecidas pela Igreja. Na diocese de Braga é popular uma imagem de Maria a tocar um instrumento musical chamado cavaquinho. Esta imagem é chamada Nossa Senhora do Cavaquinho ou Nossa Senhora da Alegria.

CONSAGRAÇÃO:

Sagrado Coração de Jesus, eu Vos consagro a minha mente ( na testa), as minhas palavras (✞ nos lábios), o meu corpo (✞ no centro do peito), o meu coração (✞ abaixo do ombro esquerdo) e a minha alma (✞ abaixo do ombro direito), para que a vossa vontade seja feita através de mim neste dia. Ámen.

Desde o início do Cristianismo, Nossa Senhora foi invocada como protetora e "amparo" dos cristãos. A tradição de se colocar sob os cuidados da Virgem, de pedir o seu amparo, remonta ao momento em que Jesus, na cruz, nomeia sua Mãe como Mãe da Humanidade. Desse momento em diante, todos os cristãos buscam na Mãe o amparo necessário para vencer as dificuldades do dia a dia. Diversas imagens representam o "amparo" de Maria: a Virgem cobrindo com o seu manto os devotos; Maria sentada, com o Menino, a abençoar o povo; ou de pé, com Jesus deitado sobre o seu braço esquerdo e com a mão direita a afagar-Lhe o rosto. Por todo o Portugal encontramos a devoção e diversas imagens.

ORAÇÃO:

Ó dulcíssima Soberana do Amparo, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos venerar neste vale de lágrimas. Mas sabemos que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria. Em meio à vossa glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais para connosco. Do alto do trono em que reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos!

Vede quantas tempestades e perigos nos afligem sem cessar, expostos, até ao fim da nossa vida. Pelos merecimentos da vossa fé, da confiança e santa perseverança, vos pedimos que um dia possamos beijar os vossos pés e unir as nossas vozes às dos espíritos celestes, para vos louvar e para cantar as vossas glórias eternamente no céu. Assim seja.  

Nossa Senhora foi constantemente invocada para proteger e auxiliar os soldados cristãos nas batalhas. No ano 626, no cerco de Constantinopla pelos persas, o patriarca Sérgio invocou o nome da Virgem Maria e ao 11.º dia de batalha, o vulto de uma senhora saiu da cidade em direção ao acampamento inimigo. Pouco tempo depois, os persas desistiram da batalha.

Os cristãos atribuíram o feito à intervenção de Nossa Senhora, que vem sempre em auxílio do povo. A devoção difundiu-se, porém, no século XIX, por iniciativa de Dom Bosco e das congregações salesianas por ele fundadas. Às vezes é chamada Nossa Senhora do Auxílio ou Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem poderosa, grande e ilustre defensora da Igreja, auxílio maravilhoso dos cristãos, terrível como exército ordenado em batalha. Vós, que destruístes toda a heresia em todo o mundo, nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defendei-nos do inimigo; e na hora da morte, acolhei a nossa alma no paraíso. Ámen.  

Desde quando era seminarista, o Papa João XXIII dirigia as suas orações a Nossa Senhora da Confiança, padroeira do Seminário Romano Maior, onde estudou. Conta-se que foi o apoio da Virgem da Confiança que o levou à organização e realização do Concílio Vaticano II, um grande marco na vida da Igreja.

Uma das grandes divulgadoras desta devoção foi a Irmã Alice Marie Senise. Ela restaurou uma antiga imagem abandonada. No peito da Virgem pôs o emblema da Confiança: Fé, Esperança e Caridade; na face, 33 pedras preciosas indicam os anos que Cristo passou na terra. Há diversas capelas a ela dedicadas em Portugal.

ORAÇÃO:

Minha Mãe, uni-me cada vez mais a vós e uni-vos cada vez mais a mim. Eu agradeço-vos a graça da confiança, mas peço-vos que a torneis cada vez mais intensa diante de cada fraqueza que eu sinta.

Nossa Senhora da Confiança, dai-me forças! Peço-vos, ó Mãe, que do alto do céu desçam as vossas bênçãos maternais sobre os vossos filhos, transpondo suave e vitoriosamente as espessas camadas do pecado.

Como os discípulos de Emaús ao Divino Redentor, nós vos pedimos que essas bênçãos fiquem connosco, porque se faz noite sobre o mundo. A cada instante, a cada angústia, a cada necessidade, ajudem-nos elas a manter a mais inteira e filial confiança em vós. Ámen.  

A invocação de Nossa Senhora da Defesa é outra devoção com origem militar, em tempos de guerra. Conta-se que em 1410, durante a invasão do exército godo à bacia de Ampezzano, em Itália, os habitantes invocaram a Virgem para os ajudar na defesa das suas terras. Ela apareceu num trono, sobre nuvens, com uma espada na mão. Quando o exército atacou, Nossa Senhora da Defesa desceu sobre a vila e as nuvens confundiram os soldados adversários, que se atacaram entre si. Na imagem venerada atualmente, Maria segura o Menino Jesus no braço esquerdo e sustenta uma espada erguida na mão direita.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu pego no vosso manto santo e refugio-me debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demónios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Ámen.  

Presente desde o início do Cristianismo, esta devoção foi oficialmente reconhecida em 656, no Concílio de Toledo. Em França existe o santuário mais antigo a ela dedicado, construido no ano 930.

De Espanha, o culto chegou a Portugal, onde se popularizou durante o período das grandes navegações. Os marinheiros invocavam a Virgem da Esperança para que os protegesse dos perigos nos mares desconhecidos. Na primeira missa celebrada no Brasil, em 26 de abril de 1500, havia sobre o altar uma imagem de Nossa Senhora da Esperança, que acompanhava a expedição de Pedro Álvares Cabral, levada no navio por Frei Henrique de Coimbra. Diz-se que esta imagem é a que hoje se encontra na Igreja da Sagrada Família, em Belmonte.

ORAÇÃO:

Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria, Senhora da Esperança, vós sois a nossa advogada perante Deus. Na minha fraqueza e no meu desânimo, apelo para os tesouros da vossa misericórdia e bondade. A vós recorro, cheio de esperança, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Abençoai as nossas famílias, protegei os nossos jovens, adultos e crianças. Amparai a nossa Pátria. Dai-nos saúde de corpo e alma e alcançai-nos a graça de que tanto necessitamos […].

Aumentai a nossa fé, esperança e caridade, para sermos dignos das promessas de Cristo. Ámen.  

Devoção medieval, proveniente de França e da Bélgica. Relembra que a vida da Virgem foi um contínuo "ato de fé". No concelho de Vieira do Minho, diocese de Braga, existe um santuário a ela dedicado e ali é conhecida como "a mais querida taumaturga dos povos de Vieira".

ORAÇÃO:

Maria, Nossa Senhora da Fé, assim como os Apóstolos disseram a Jesus «aumenta a nossa fé» (Lc 17,5) renovamos o pedido para que, por vossa intercessão, a nossa fé seja ao menos como o grão de mostarda e possamos merecer as graças de vos amar e convosco amar a Deus e servi-l´O para sempre. Ámen.

Uma das grandes virtudes de Maria é a humildade. Foi humilde ao aceitar a missão de dar à luz o Filho de Deus, foi humilde ao servir a sua prima Isabel, ao educar Jesus, ao acompanhar a missão d´Ele, ao sofrer com Ele as dores da paixão redentora. A humildade de Maria é modelo para todos os cristãos, por isso ela é denominada Nossa Senhora dos Humildes, ou da Humildade.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora dos Humildes, que inspirais todos os cristãos na vivência da humildade e da entrega pessoal, ajudai-me a realizar a minha missão em vosso nome. Quero seguir o vosso exemplo de dedicação, doação e humildade. Inspirai-me cada dia para que eu não me desvie deste caminho. Ámen.

No século XVI, a cidade de Salins, em França, sofria com os ataques dos huguenotes e com as ameaças de outros hereges. Para afastar os males da cidade e pedir a proteção da Virgem, Pedro Marmet iniciou a construção de uma capela dedicada à Mãe de Deus. Conta-se que num dos ataques à cidade, Maria expulsou os invasores e apareceu a alguns moradores, que declararam: «A Virgem, nossa libertadora, está a pôr em fuga os inimigos.» Logo que a construção ficou pronta, recebeu o nome de santuário de Nossa Senhora Libertadora.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem Libertadora, assim com expulsastes de Salins os invasores, libertai-nos de todos os nossos inimigos e afastai-nos do mal. Dai-nos força e proteção nas batalhas que diariamente travamos contra o mal. Ámen.  

O título Mãe de Misericórdia foi atribuído a Nossa Senhora pelo Papa Pio VII. Após o cativeiro imposto por Napoleão I, Pio VII coroou solenemente, com uma coroa de ouro, a Virgem Maria sob o título de Mater Misericordiae. A devoção difundiu-se posteriormente com a sua festa a ser celebrada no sábado antes do quarto domingo de julho. Este título é também invocado na oração da "Salva Rainha".

ORAÇÃO:

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. Por vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro nos mostrais Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente! Ó piedosa! Ó doce Virgem Maria!

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.

Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Um dos principais ensinamentos evangélicos é a partilha, a caridade, a doação do que se tem em prol do bem-estar do próximo. É um dos valores que devem orientar a nossa vida. Daí o título de Nossa Senhora da Partilha. Aprendamos com Maria, que sempre se mostrou caridosa, a partilhar a nossa vida, os nossos dons e os nossos bens.

ORAÇÃO:

Tudo o que tenho é vosso, amada Senhora. Por isso, ajudai-me a partilhar os meus bens e os meus dons. Que eu saiba ser generoso com os meus irmãos menos favorecidos. Que eu seja caridoso com todos os excluídos e marginalizados. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora da Paz nasceu na cidade de Toledo, em Espanha, no século XI. Ocupada pelo império árabe, Toledo teve o seu templo mariano transformado em mesquita e as imagens da Virgem profanadas. Após os cristãos, liderados pelo monarca Afonso, retomarem Toledo, a igreja continuou a ser mesquita dos mouros como parte de um acordo feito com o rei. Indignados, os cristãos saíram ás ruas para protestar e receberam o apoio da rainha. Correndo o risco de serem penalizados por desobediência ao rei, pediram à Virgem que lhe abrandasse o coração. Os próprios mouros suplicaram ao rei que perdoasse à rainha e ao arcebispo. O soberano atendeu ao pedido. Uma procissão rendeu graças à Virgem por ter trazido a paz a Toledo. Nesta ocasião foi instituída a festa de Nossa Senhora da Paz.

Em 1966, Nossa Senhora da Paz foi proclamada padroeira de El Salvador. Várias lendas cercam a imagem que hoje é venerada na cidade de São Miguel. A mais importante delas diz que, durante a guerra civil do século XVII, os soldados encontraram uma caixa perto do campo de batalha. Ao abri-la, viram uma imagem da Virgem em tamanho natural. Comovidos, os soldados abandonaram as lutas. Conta-se também que em 1833, após vencer o combate, o coronel Benitez, ao invés de punir os seus rivais, apenas se ajoelhou diante da imagem de Nossa Senhora da Paz, em São Miguel, e rezou. Depois deste episódio, a paz reinou na região.

ORAÇÃO:

Ó Maria, intercedei por nós a fim de que gozemos a paz com Deus e com o nosso próximo. Mostrai-nos o Salvador e colocai-O no nosso coração. Afastai para longe de nós os sentimentos de amor-próprio, inveja, maledicência e discórdia. Fazei-nos humildes na fartura, fortes nos sofrimentos, firmes na paciência e caridade e confiantes na divina Providência. Abençoai-nos, dirigindo os nossos passos no caminho da paz, da união e da mútua caridade, para que, formando aqui a vossa família, possamos no céu bendizer-vos e ao vosso divino Filho, por toda a eternidade. Assim seja.  

Diz-se que a primeira igreja de Leiria, após a expulsão dos mouros, foi dedicada a Nossa Senhora da Pena, mandada construir por D. Afonso Henriques, no centro do castelo. A rainha D. Isabel também ali rezou muitas vezes. Com o passar do tempo, a igreja reuniu muitas relíquias e todos os que por ali passavam paravam para rezar uma Ave-Maria.

Em Sintra também é muito popular esta devoção. Teve início com uma capela sobre o monte onde posteriormente foi construído um mosteiro hieronimita, no século XV. Sobre as ruínas deste mosteiro foi edificado, no século XIX, o fabuloso Palácio da Pena, cuja capela é dedicada a esta Senhora. Por vezes esta devoção confunde-se com Nossa Senhora da Penha e Nossa Senhora da Peninha, mas normalmente é representada com uma pena na mão, como se estivesse pronta a escrever. Daí ser padroeira dos escritores, cientistas e pesquisadores.

ORAÇÃO:

Ir à Senhora da Pena e não ver o seu andor é como subir ao céu e não ver Nosso Senhor.

Olha a Senhora da Pena, onde fez sua morada, lá no alto de Sequeiros, no meio da carvalhada.

Nossa Senhora da Pena pelo ar anda subida, para ensinar o caminho à gente que anda perdida.

Adeus, Senhora da Pena, inda cá hei de voltar. Deixo cá meu lenço branco, dobrado no teu altar.

Esta antiquíssima devoção marcou fortemente a fé de vários nobres, principalmente a rainha D. Leonor e os infantes D. Fernando e D. Duarte. O infante D. Duarte construiu um mosteiro dedicado a esta Senhora. Nossa Senhora das Virtudes era tão popular na Idade Média que o professor Avelino de Jesus Costa a chamou "Fátima do século XV", devido às grandes romarias. Nãe é difícil identificarmos a origem da devoção, visto as inúmeras virtudes de Maria.

ORAÇÃO:

Ó Maria, modelo de virtude, que por tão grande graça fostes coroada Rainha do Céu e da Terra, ajudai-nos a imitar-vos na vivência das virtudes e dos valores. Orientados por vós seremos capazes de manifestar e desenvolver todos os nossos dons, de viver uma vida virtuosa e santa e assim poder um dia participar do Reino. Ámen.