OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
Um mês com Nossa Senhora, o preparei
dos escritos de Santo Afonso, não apenas para o mês de Maio, o mês
de Maria. Desejo que seja lido sempre e aconselho aos meus leitores e
lhe peço por amor de Jesus e de Maria, leiam e releiam sempre as
páginas do belo e admirável livro de Santo Afonso: "Glórias de
Maria".
Cada mês de Maio, uma leitura meditada
destas considerações e, escolher um mês no ano além do mês Maria
para se consagrar de novo a Nossa Senhora e meditar as suas glórias
e misericórdias. Isto muito nos pode afervorar na devoção a Maria.
Servem também estas meditações para
o mês do Rosário, Outubro. Rogo aos Superiores e Superioras de
Comunidades religiosas e Colégios, a caridade de mandarem ler no
Refeitório ou na Capela estas páginas, não só nos meses de Maio e
Outubro, como em outras épocas. Enfim o meu desejo ardente é ver
Santo Afonso o Doutor de Maria, muito lido e propagado.
Muitos Santos Doutores escreveram sobre
Maria Santíssima, cantaram os louvores e glórias da Mãe de Deus.
São Bernardo não foi chamado a Cítara da Virgem? Que belos
pensamentos e cheios de unção, os que saíram da pena do Seráfico
doutor São Boaventura ao escrever sobre Maria. Que riqueza e
facúndia de estilo, e que sublimidade, a de um Santo Agostinho nos
louvores da Mãe Celeste! Quanta joia preciosa e bela na literatura
patrística, nos escritos dos Santos Doutores em torno deste
inesgotável tema: as glórias de Maria!
Pois, não é exagero nem ousadia
afirmar: Santo Afonso a todos excedeu nas suas Glórias de Maria. Não
pelo seu estilo, ou arroubos de eloquência, ou sublimidade e
sutileza de ideias. Simplesmente por isto: foi o Santo Doutor, abelha
diligentíssima, que de modo genial sintetizou e colheu na Tradição
e nas escolas teológicas e na literatura religiosa de todas as
épocas, tudo quanto se escreveu de mais belo, de mais útil, de mais
precioso e consolador sobre as glórias e a devoção de Maria
Santíssima. Podemos chamá-lo o Doutor de Maria.
A Mariologia alfonsiana é de uma
segurança doutrinária e de uma beleza inexcedíveis. Santo Afonso
recebeu do céu o dom de escrever sobre Maria com uma unção e um
encanto e uma sublime singeleza, se assim me posso exprimir, como
nenhum outro Doutor ou escritor sacro. Que gênio o deste Santo
admirável! Tudo quanto à tradição nos legou de mais belo,
edificante e consolador, através de tantos séculos, Afonso
sintetizou nas Glórias de Maria. Naquele estilo singelo, naquela
simplicidade tocante e quase ingênua de exemplos e comparações,
meu Deus, que mundo, que oceano de ideais e que consoladores e
confortantes pensamentos! Não tenho medo de contestação na
história da Mariologia não há melhor nem maior doutor de Maria que
Santo Afonso.
"O livro de Santo Afonso é
riquíssimo em citações"
É com palavras de outros que descreve
a grande misericórdia, o extraordinário poder de Maria. Como ele
mesmo confessa, passou dez anos colhendo citações nos livros de
numerosos autores, tirando deles os trechos mais belos, mais
tocantes, mais convincentes sobre a Mãe de Deus.
Formou assim um colar de pérolas que
se estende pelas páginas afora da obra. Reuniu as vozes dos Santos
Padres, dispersas pelos escritos, e delas fez uma sinfonia em honra
da Virgem. Santo Afonso vive baleando no caudal da tradição e por
isso há tanto ouro nas citações que faz. Cita com agudez de juízo
e com fineza de inteligência. Recolhe, mas como operosa abelha, e
apresenta-nos favos saborosos.
O estilo de Santo Afonso tem mais uma
particularidade. É simples, singelo, humilde. O sábio teólogo, o
afamado advogado, o admirável pregador, estão ocultos na modéstia
da frase. O santo nota-se, a cada passo esconde a luz da sua
inteligência sob a repetição de frases simples.
Por isso, também seu estilo fala ao
coração. É cordial, é recordativo de toda a pessoa do Santo.
Afonso repete-se, repete sentenças sobre o poder, sobre a
misericórdia de Maria. Que fazer? Nisso está o "tema iterativo"
do seu hino em honra da excelsa Mãe de Deus.
Já velho e cansado, Afonso fez sem o
querer o melhor elogio da sua obra. Um dia pediu ao Irmão leigo que
o servia, que lhe lesse algum livro sobre Nossa Senhora. O Irmão
pôs-se a ler as Glórias de Maria. O Santo o interrompeu logo depois
admirado e comovido:
"Meu Irmão, quem teria escrito um
livro deste, tão belo, sobre as glórias de Maria?"
O Irmão simplesmente leu o nome do
autor: Afonso de Ligório. Muito desapontado o Santo mudou logo de
assunto. O elogio, porém estava feito e, espontaneamente, partido do
coração que tanto amava à Virgem Santíssima. Realmente, Glórias
de Maria é um livro incomparável, a mais bela e rica joia da
Mariologia, porque é um tesouro de citações e de doutrinas
consoladoras. Santo Afonso foi o pregador da Mediação de Maria, da
Assunção gloriosa, da Imaculada Conceição, muito tempo ante
proclamada esta, como dogma de fé. A Mariologia Alfonsiana é segura
e muitíssimo consoladora.
O que encanta em Santo Afonso é a
unção, é a beleza das suas orações. Que orações
verdadeiramente seráficas! Um Serafim não poderia rezar a Maria com
expressões mais candentes e com maior ternura.
A preocupação deste Doutor útil, na
expressão do Pe. Desurmoto é dar às almas meios seguros de
salvação. — Nenhum meio acha melhor Afonso que o recurso a Maria.
Na vida espiritual o ascetismo alfonsiano se baseia em cinco
princípios muito seguros: A lei da oração: "quem reza se salva
quem não reza se condena"; a lei da Divina Misericórdia, a lei do
culto de Maria, a lei da perseverança ou zelo pela perseverança
final, e a fuga das ocasiões.
Quanto à devoção a Maria, o Santo
Doutor parece esgotar todos os recursos do seu gênio e do seu amor
para traduzir de mil formas quanto é ela importante e necessária a
todos os cristãos.
Estou certo que, se no tempo de Santo
Afonso se celebrasse o mês de Maria, por certo da pena do Santo
Devoto da Virgem, teria brotado um Mês de Maria. Pois, tive a
ousadia de compor um mês de Maria segundo Santo Afonso, a águia dos
Evangelistas de Maria. O meu trabalho aqui foi apenas de compilador.
Reuni tudo quanto achei de melhor e
mais consolador e belo nas "Glórias de Maria". Dispus tudo em
ordem dos trinta e um dias do mês de Maria. Acrescentei alguns
exemplos novos e aproveitei quanto possível os exemplos das Glórias
de Maria.
Aí está o Mês de Maria segundo
Afonso. E para terminar quero fazer minhas, as expressões de meu
querido Santo Afonso:
"Ó Maria, bem sabeis quanto tenho
buscado exaltar-vos sempre e em toda parte, em público e em
particular, a todos insinuando a doce e salutar devoção para
convosco. E tudo isso no empenho de ver-vos amada pelo mundo inteiro,
como o mereceis. Assim procedo para também de algum modo mostrar meu
agradecimento pelos insignes benefícios que a mim tendes dispensado.
Ó minha caríssima Rainha, espero que
esta minha oferta — inferior embora ao vosso merecimento — seja
benignamente acolhida por vosso sempre grato coração, sendo, como
é, um obséquio de amor.
Estendei, portanto, essa tão benigna
mão que me libertou do mundo e do inferno. Aceitai este livro e
protegei-o como propriedade vossa. Mas ficai cientes que por este
pequeno obséquio exijo uma recompensa: a de amar-vos doravante mais
do que pelo passado, e que cada um daqueles, em cujas mãos for parar
este livro, fique abrasado no vosso amor. Que nele de repente se
aumente o desejo de amar-vos e de amada vos ver por todo o mundo. Que
de todo o coração se ocupe em espalhar e promover vossos louvores e
a confiança em vossa poderosíssima intercessão. Assim espero.
Assim seja.
Vosso amantíssimo, embora indigníssimo
servo"
Mons. Ascânio Brandão