PROTEÇÃO

Devoção popular em França, a imagem de Nossa Senhora do Aconchego mostra Maria muito jovem, protegendo o seu Filho com olhar amoroso. É invocada em muitos sítios como protetora dos recém-nascidos. O título original remete ao termo "aconchego", mas pode ser também traduzido como doce carinho, proteção materna ou ternura.

ORAÇÃO:

O vosso olhar amoroso de Mãe envolve e acolhe o Menino, que em vossos braços dorme tranquilo. Dirigi a cada um de nós o mesmo olhar de ternura e carinho, envolvendo-nos na vossa maternal proteção e aconchego, querida Mãe. Ámen.

«Tu deves dedicar a mim uma capela neste lugar.» Este foi o pedido repetido por três vezes ao alemão Hendrik Busman von Geldern, que rezava diante de uma cruz. A sua esposa, nessa mesma noite do ano 1641, sonhou com uma pequena igreja iluminada. Prontamente construíram uma capela no local, com a imagem de Nossa Senhora dos Aflitos. Hoje, cerca de 500 mil devotos visitam o santuário todos os anos.

No Alentejo é famosa a pequena igreja de Elvas, com azulejos do século XVII que sobem até à cúpula, e no Algarve as mulheres costumam rezar pela segurança dos pescadores, durante as tempestades, na Igreja de Nossa Senhora dos Aflitos de Olhão.

ORAÇÃO:

Consoladora de todos os aflitos, Santíssima Virgem Maria, Mãe amorosíssima, contemplai piedosamente as pessoas aflitas! Com a vossa poderosa mediação, intercedei por elas junto do trono da divina misericórdia! Por elas, para que sejam libertadas das suas duras penas e dores atrozes, oferecei ao misericordioso Deus: a vida, a paixão, a morte e o preciosíssimo Sangue de Jesus; os sacrifícios, as comunhões, as orações, as esmolas e as boas obras de todos nós! Fazei com que as criaturas aflitas sejam santificadas junto da divina Justiça e cada vez mais lembradas e sufragadas nas nossas orações. Ámen.  

Acredita-se que a devoção a Nossa Senhora da Agonia está ligada ao poema do século XIII que Jacopone de Todi dedicou à Mãe de Jesus. Stabat Mater Dolorosa é um poema de 20 estrofes, no qual o autor canta a agonia de Nossa Senhora diante do sofrimento, da luta e da morte de seu Filho, Jesus. Em Viana do Castelo existe um santuário a ela dedicado, um edifício romanesco dos meados do século XVIII. É invocada especialmente pelos pescadores, que lhe confiam as suas "agonias" ou lutas travadas com o mar bravio dessa região.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Senhora da Agonia, que permanecestes de pé junto à cruz do vosso Divino Filho Jesus. As palavras de Cristo - «Mulher, eis o teu filho», «Filho, eis a tua Mãe» - fizeram de vós a nossa Mãe. Acolhei, com bondade, a nossa prece filial.

Assim como o discípulo vos acolheu em sua casa, também nós queremos abrir-vos as portas dos nossos corações e dos nossos lares, consagrado-vos toda a nossa vida passada, presente e futura.

Vinde, ó Mãe, em socorro das nossas angústias, não permitindo que nos desviemos do caminho do bem, da verdade e do amor! Conduzi a nossa vida ao porto seguro da salvação que é Jesus! Ousando somar as nossas agonias às vossas, diante desta dificuldade (fazer o pedido) recorremos à vossa maternal proteção, com a confiança de que não ficaremos dececionados nas nossas súplicas. Ámen.   

Uma antiga tradição diz que, quando os mouros invadiram a região de Alvito, foram escondidas diversas imagens. De entre elas uma chamada Nossa Senhora de Aires, ou Ares. Séculos mais tarde (no século XVII), a imagem foi encontrada em Viana do Castelo, próximo de Évora, onde foi construído o atual santuário barroco. A festa e a feira de Nossa Senhora de Aires são famosas desde o século XVIII.

ORAÇÃO:

Braço sempre pronto a carregar-nos, mãos sempre dispostas a sustentar-nos, olhos sempre brilhantes a observar-nos... Assim sois vós, querida Mãe, e por isso a vós recorremos nos momentos de especial necessidade. Olhai hoje por cada um de nós e ajudai-nos a superar as dificuldades da vida. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Em Portugal sempre foi tradição os soldados e marinheiros homenagearem a Virgem, invocando a sua ajuda. Várias naus eram colocadas sob a proteção de Nossa Senhora da Ajuda, talvez devido à pequena ermida, existente em Lisboa, na praia do Restelo, que abrigava uma milagrosa imagem aí encontrada. É também a principal devoção mariana das Ilhas Maurício, um arquipélago localizado no litoral leste de África. Às vezes é também chamada Nossa Senhora do Socorro, da Boa Ajuda e do Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima da Ajuda, Virgem pura e imaculada, ouvi como especial advogada os nossos clamores. Mostrai-nos o vosso poder profundo. O céu e a terra, o mundo inteiro vos venera, até o inferno a vós se rende, ó Senhora! Procuramos o vosso abrigo como filhos miseráveis, pois são admiráveis os vossos prodígios. Queremos, Senhora, seguir os vossos passos. Sede sempre nossa protetora e advogada, socorrei-nos e às nossas famílias, alcançai para todos as graças que vos pedimos, e enfim a eterna felicidade do Céu. Abençoai-nos e protegei-nos, ó Virgem Mãe Santíssima. Ámen.  

Em 1924, após o primeiro voo Lisboa-Macau, um grupo de aviadores portugueses, liderado pelo major Cilka Duarte, desejava encontrar uma imagem de Nossa Senhora do Ar para ser a sua padroeira, apesar de a padroeira universal da aviação ser a Nossa Senhora do Loreto. A autorização foi concedida pelo então cardeal-patriarca Dom António Mendes Belo e confirmada pelo Papa João XXIII em 15 de janeiro de 1960. A imagem original está na Base Aérea de Sintra e mostra Maria com os braços levantados para o céu, semelhante à sua Assunção.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Rainha do Céu, gloriosa Padroeira da Aviação, ergue-se até vós a nossa súplica. Somos pilotos e aviadores do mundo inteiro; e, arrojados aos caminhos do espaço, unindo em laços de solidariedade as nações e os continentes, queremos ser instrumentos vigilantes e responsáveis da paz e do progresso para as nossas pátrias. Em vós depositamos a nossa confiança. Sabemos a quantos perigos se expõe a nossa vida; velai por nós, Mãe piedosa, durante os nossos voos. Protegei-nos no cumprimento do árduo dever quotidiano, inspirai-nos os vigorosos pensamentos da virtude e fazei com que nos mantenhamos fiéis aos nossos compromissos de homens e de cristãos. Reacendei em nosso coração o anelo dos bens celestiais, vós que sois a Porta do Céu; e guiai-nos, agora e sempre, nas asas da fé, da esperança e do amor. Ámen.  

Nossa Senhora foi constantemente invocada para proteger e auxiliar os soldados cristãos nas batalhas. No ano 626, no cerco de Constantinopla pelos persas, o patriarca Sérgio invocou o nome da Virgem Maria e ao 11.º dia de batalha, o vulto de uma senhora saiu da cidade em direção ao acampamento inimigo. Pouco tempo depois, os persas desistiram da batalha.

Os cristãos atribuíram o feito à intervenção de Nossa Senhora, que vem sempre em auxílio do povo. A devoção difundiu-se, porém, no século XIX, por iniciativa de Dom Bosco e das congregações salesianas por ele fundadas. Às vezes é chamada Nossa Senhora do Auxílio ou Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem poderosa, grande e ilustre defensora da Igreja, auxílio maravilhoso dos cristãos, terrível como exército ordenado em batalha. Vós, que destruístes toda a heresia em todo o mundo, nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defendei-nos do inimigo; e na hora da morte, acolhei a nossa alma no paraíso. Ámen.  

Apesar de parecer uma variação do título da Nossa Senhora da Cabeça, a devoção a Nossa Senhora da Cabeça Inclinada tem uma origem bem diferente. Conta a tradição que no ano de 1610, o padre Domingos de Jesus Maria encontrou um quadro da Virgem da Graça. Numa das suas orações diante do quadro, a Virgem sorriu ao padre e fez um gesto de agradecimento inclinando a cabeça, daí originando o nome da devoção.

Numa outra manifestação, a Virgem disse: «Eu ouvirei os pedidos e concederei muitas graças a todos aqueles que recorrerem á minha proteção, honrando-me devotamente por meio deste quadro; mas atenderei principalmente às orações pelo alívio e salvação das almas do Purgatório.» O quadro foi transportado para outra igreja dos carmelitas, em Roma, e algumas cópias difundiram-se pela Europa.

ORAÇÃO:

Ó amada Mãe, que inclinais a cabeça em agradecimento às nossas orações, que nunca nos faltem fervor e fé. Atendei sempre os pedidos que humildemente vos dirigimos e socorrei todas as almas, conduzindo-as ao paraíso. Ámen.  

Joaneta Vacchi, moradora de Caravágio, em Itália, demonstrava grande fé e levava uma vida honrada e simples, mas era muito maltratada pelo marido. A 26 de maio de 1432, quando ia buscar pasto para tratar dos animais, teve uma visão de Nossa Senhora, que lhe disse: «Não tenhas medo, filha. Sou eu. Põe-te de joelhos para começar a rezar. (…) Quero que digas a todos que, em honra de meu Filho, todas as sextas-feiras jejuem a pão e água e que em minha honra celebrem a tarde de sábado».

Depois de voltar à cidade e relatar os factos, os moradores acreditaram. No lugar da aparição, onde hoje está um santuário, surgiu uma fonte de água que curava os doentes que dela bebiam. Os imigrantes italianos levaram a devoção a diversos países.

ORAÇÃO:

Lembrai-vos ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado.

Animado eu, pois, com igual confiança em vós, Virgem entre todas singular, como a minha Mãe recorro, de vós me valho e, gemendo sob o peso de meus pecados, me prosto a vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Ámen.  

No século XII, um grupo de eremitas retirados no monte Carmelo, na Palestina, deu início a uma ordem contemplativa, sob a proteção de Maria, Mãe de Deus. A Virgem passou a ser invocada sob o título de Nossa Senhora do Carmo. No período da perseguição pelos muçulmanos, os frades carmelitas invocaram de modo especial a Virgem do Carmo. São Simão Stock, primeiro-superior geral da ordem, pediu um sinal de proteção de Maria e recebeu das suas mãos o "escapulário", com a promessa de eterna salvação a todos os que o usassem: «Eis aqui um sinal de minha aliança.» Era 16 de julho de 1251.

ORAÇÃO:

Ó bendita e imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo! Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário, olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto da vossa maternal proteção. Fortificai a minha fraqueza com o vosso poder, iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Ornai a minha alma com a graça e as virtudes que a tornem agradável ao vosso divino Filho. Assisti-me durante a vida, consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como o vosso Filho e servo dedicado; e lá no céu eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade. Nossa Senhora do Carmo, libertai as almas do purgatório. Ámen.  

Em 1526, uma tempestade provocou diversos estragos na região de Pollutri, em Itália. Após a tempestade, Alexandre Mutii foi ver como estavam os seus campos. Ia a rezar pelo caminho quando viu uma imagem de Nossa Senhora. A Virgem disse-lhe que o granizo da noite anterior se devia aos pecados do povo da cidade. Para evitar novos desastres, deveriam respeitar o preceito dos dias santos. Todos os dias 11 de Junho a capela recebe uma multidão de peregrinos vindos principalmente de Abruzos, Molise e Pulla. Muitos dormem no santuário, aguardando receber mensagens santas nos seus sonhos.

ORAÇÃO:

Ó amada Mãe, protegei-nos de todas as catástrofes naturais, livrando-nos da destruição e do perigo de qualquer espécie. Se cometemos algum ato contra os mandamentos de Deus, mostrai-nos o caminho da conversão e do seguimento do Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ámen.

Casaluce é uma vila na Sicília, onde se encontra o castelo que abrigava o rei Carlos II, no século XIII. Em 1295, o castelo e os seus pertences foram doados aos padres Celestinos. Aí se encontrava uma imagem da Virgem Maria que, segundo a lenda, foi pintada por São Lucas.

Objeto de grande veneração, a imagem era levada com os padres quando se afastavam de Casaluce: durante o verão mudavam-se para Aversa, a fim de fugir da malária. A peregrinação constante da imagem entre as duas vilas gerou conflitos com os moradores: todos queriam a imagem da Virgem para a sua igreja. O impasse permanece até hoje e a imagem fica seis meses em cada cidade.

ORAÇÃO:

Ó Nossa Senhora de Casaluce, que sempre protegestes o vosso povo, volvei benigna o vosso olhar sobre nós que invocamos o vosso auxílio. Quantos perigos, ó Mãe, nos ameaçam! Quantas desgraças nos amedrontam! Quantos inimigos nos assaltam de todos os lados! No entanto, vós que sois poderosa e piedosa, vós que sempre estais no meio de nós, homenageada qual Rainha, invocada com sentimentos de ternura, como Mãe, sorri para nós e protegei-nos.

Quando vos invocámos e não fomos por vós atendidos? Virgem Santa de Casaluce, connosco, que somos o vosso povo escolhido e favorecido, mostrai-vos sempre Mãe; protegei todos os que estão perto de vós, lembrai-vos daqueles que moram longe e a vós elevam a sua prece. Nós colocamos em vós toda a nossa confiança. Socorrei-nos na vida e na morte, sede na eternidade a nossa alegria. Assim seja.

Em 1716, na freguesia de Valongo, no Porto, foi construído o santuário a Nossa Senhora de Chans (ou Chãs). A construção deveu-se à promessa feita por um grupo de náufragos. Salvos, resolveram edificar uma ermida no alto da serra, com o título de Chans. Desde a sua origem foi tida como protectora dos navegantes.

ORAÇÃO:

Pelas águas agitadas conduzi-nos, Rainha do Mar, e nas tempestades da vida confortai-nos. A vós consagramos a nossa vida, na certeza de que sempre nos auxiliais e conduzis para o porto mais seguro. Ámen.

Há muitos séculos que é venerada na Polónia um ícone de Nossa Senhora Negra. A tradição diz que foi pintado pelo evangelista São Lucas. Em 1430, os hussitas assaltaram o mosteiro onde se encontrava o ícone e profanaram-no, deixando muitas marcas de destruição e dois cortes de espada na face, hoje marca característica da imagem.

Em 1717, foi completamente restaurado, por iniciativa do Papa Clemente XI, e Nossa Senhora Negra começou a ser venerada como padroeira da Polónia. O seu santuário, na colina de Jasna Gora, em Czestochowa, é um dos mais visitados do mundo e serviu como centro da fé e de resistência do povo polaco durante a ditadura comunista. A sua festa é celebrada no dia 26 de agosto.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora de Czestochowa, cheia de graça, bondade e piedade, eu consagro-vos todos os meus pensamentos, palavras e ações, o meu corpo e a minha alma. Suplico as vossas bênçãos e rogo especialmente pela minha salvação. Hoje, consagro-me totalmente a vós, boa Mãe, com o meu corpo e alma no meio da alegria e do sofrimento para obter as vossas bênçãos aqui na terra e a vida eterna no céu. Ámen.

A invocação de Nossa Senhora da Defesa é outra devoção com origem militar, em tempos de guerra. Conta-se que em 1410, durante a invasão do exército godo à bacia de Ampezzano, em Itália, os habitantes invocaram a Virgem para os ajudar na defesa das suas terras. Ela apareceu num trono, sobre nuvens, com uma espada na mão. Quando o exército atacou, Nossa Senhora da Defesa desceu sobre a vila e as nuvens confundiram os soldados adversários, que se atacaram entre si. Na imagem venerada atualmente, Maria segura o Menino Jesus no braço esquerdo e sustenta uma espada erguida na mão direita.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu pego no vosso manto santo e refugio-me debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demónios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Ámen.  

A cidade espanhola de Valência tem como padroeira Nossa Senhora dos Desamparados. O título, juntamente com a imagem, foi criado em 1409 pelo padre Jofre. Ao andar pela cidade de Valência, o padre Jofre presenciou uma cena de grande violência contra um menino de rua. Decidiu naquele momento iniciar uma confraria para cuidar dos desamparados. Construiu um abrigo e uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados. A imagem foi esculpida por dois peregrinos e não tardou a aparecer sinais de milagres a ela associados.

ORAÇÃO:

Querida Senhora, que acolheis os pobres desamparados no calor do vosso abrigo e a todos confortais com o vosso cuidado materno, fazei que eu seja mais desprendido e sempre solidário com as necessitados e excluídos. Ámen.  

Em 1740, quando voltava para Roma, um peregrino foi surpreendido por alguns cães raivosos. Cercado, o homem vê no alto de uma torre a imagem de Nossa Senhora – a Virgem sentada no trono real, com o Menino Jesus ao colo: uma pomba desce sobre ela como símbolo do Espírito Santo, o Divino Amor. O pobre homem pede-lhe ajuda. No mesmo instante os cães acalmam-se e vão-se embora.

Logo que o miraculado chegou a Roma e contou o facto, iniciaram-se peregrinações ao castelo onde a Virgem se manifestara, a cerca de 15 km da cidade. No dia 4 de Junho de 1944, quando os aliados chegavam perto de Roma, o Papa Pio XII rezou, pedindo que Nossa Senhora do Divino Amor livrasse a cidade de bombardeamentos. Nessa mesma noite as resistências nazis caíram e os alemães deixaram Roma sem combate com os aliados. O Papa agradeceu a Nossa Senhora e proclamou-a "Salvadora de Roma".

ORAÇÃO:

Ó Maria, Mãe do Divino Amor, a vós elevamos as nossas súplicas e esperamos alcançar as graças de que necessitamos. Concedei a paz ao mundo, fazei triunfar o vosso amor, protegei o Papa, reuni na unidade perfeita todos os cristãos, iluminai com a luz do Evangelho todos os que ainda não creem, convertei os pecadores. Dai-nos a coragem do arrependimento constante e força para vencer as tentações, iluminai a nossa mente para seguirmos sempre o caminho do bem. Finalmente, quando Deus nos chamar, abri-nos as portas do céu. Que o nosso coração arda sempre no amor de Deus nesta vida, para gozarmos eternamente convosco no céu. Ámen.  

Durante a Primeira Grande Guerra, o Papa Bento XV pediu aos católicos que rezassem a Nossa Senhora a pedir pelo fim dos conflitos. Logo depois, uma aparição da Virgem confirmou que ela não abandona o seu povo. No dia 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu na Cova da Iria, em Fátima, aos jovens pastorinhos: Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos) e aos seus primos, Francisco (nove anos) e Jacinta Marto (sete anos). «Uma mulher muito linda e brilhante apareceu sobre um pé de azinheira», declararam.

As aparições sucederam-se por seis meses, todos os dias 13. O seu único pedido era que rezassem o Terço com sinceridade de coração. Uma grande multidão começou a peregrinar ao local para ver a Virgem, mas apenas as três crianças eram capazes de a ver e ouvir. Somente no mês de outubro, com quase 70 mil pessoas reunidas, Nossa Senhora deu um sinal a todos: puderam ver o sol a fazer malabarismos no céu.

Nossa Senhora de Fátima revelou três segredos que chocaram o mundo e criaram uma expectativa por muitos anos. O primeiro foi a projeção do inferno. Os pastorinhos puderam ver a dor e o sofrimento dos que não se salvam sendo arrastados por um rio de fogo. O segundo segredo revelou o fim da Primeira Guerra Mundial, mas com a advertência de que uma nova batalha se iniciaria se os seus pedidos não fossem ouvidos. Quando os conflitos da Segunda Guerra Mundial começaram, a população lembrou-se logo de Fátima.

O terceiro segredo ficou desconhecido até ao ano 2000. Todos pensavam que se tratava de uma grande catástrofe que abalaria o mundo e geraria pânico, por isso não podia ser revelado. Ficou sob os cuidados de Lúcia e dos Papas que antecederam João Paulo II, visto que Francisco faleceu em 19 19 e Jacinta em 1920. A revelação deu-se no dia 13 de maio de 2000, no Vaticano: «A visão de um bispo branco caindo ao chão aparentemente morto, atingido por uma arma de fogo.» A visão foi associada ao atentado contra João Paulo II no dia 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro. Os tiros quase mataram o Papa, que atribuiu a sua sobrevivência à proteção da Virgem de Fátima.

ORAÇÃO:

Santíssima Virgem Maria, que na serra d´Aire, na Cova da Iria, vos dignastes a aparecer a três humildes pastorinhos e lhes revelastes os tesouros de graças contidas na reza do Terço, infundi profundamente na nossa alma o devido apreço que devemos ter por esta devoção, a fim de que, meditando os mistérios da nossa redenção, aproveitemos dos seus preciosos frutos e alcancemos as graças que vos pedimos nesta devoção, se forem para maior glória de Deus, honra vossa e salvação das almas. Ámen.  

Em tempos de grande conflito entre os indígenas e os colonizadores europeus que chegavam à América, Nossa Senhora apareceu ao índio asteca Juan Diego, mostrando ser ela também protetora dos indígenas e da nova terra. Era o ano 1531. Os missionários espanhóis iniciavam o seu trabalho de evangelização. Quando se dirigia à missa, Juan Diego ouviu uma voz que o chamava. Viu então a imagem da Virgem iluminada, com roupas e traços do povo Asteca. Maria pediu-lhe que fosse dizer ao bispo que construísse ali um santuário em sua honra.

Diante da incredulidade do bispo, a Virgem realizou alguns milagres: curou o tio de Juan Diego e fez brotar rosas na colina de Tepyac, onde apareceu. Pediu ao indígena para levar as flores ao bispo. Ao entregar as rosas, Juan Diego abriu o manto (tilma) que carregava e nele, como que impressa, apareceu a mesma imagem presenciada no monte.

Nossa Senhora de Guadalupe tem os traços da América e representa a resistência da cultura nativa diante da colonização europeia. Por isso, todo o povo latino-americano se identifica com ela e a venera. Foi proclamada padroeira da América Latina e a sua festa é celebrada a 12 de dezembro.

ORAÇÃO:

Virgem Santíssima, Nossa Senhora de Guadalupe! Nós vos pedimos, ó Mãe do céu, abençoai e protegei os povos da América Latina, para que todos nós, envolvidos pelo vosso carinho maternal, nos sintamos mais perto de Deus, nosso Pai. Nossa Senhora de Guadalupe, abençoados por vós e amparados pelo vosso Filho, Jesus, teremos força para alcançar a nossa libertação. Seremos libertados da superstição, dos vícios, dos pecados e também da injustiça e da opressão que sofremos da parte dos prepotentes que exploram e dominam os seus semelhantes. Ó Mãe de Jesus, nosso Salvador, atendei benigna à nossa oração.

Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, rogai por nós.

Nossa Senhora sempre foi invocada pelos cristãos para lhes garantir proteção diante dos perigos. Muitos esperam dela a segurança e vivem sob a sua "guarda". Por isso não tardou em aparecer este título: Nossa Senhora da Guarda.

A Virgem é assim invocada especialmente em Marselha, segunda maior cidade de França. Aí existe um grande santuário de frente para o porto da cidade, construído em 1214. No alto da sua grande torre está a imagem que guarda a cidade e o porto e pode ser vista de muito longe.

Muitos navegantes deixam aí miniaturas de barcos, com pedidos de proteção para as suas viagens. Até ao século XVIII, todos os navios que regressavam a Marselha, ao chegar ao seu porto, costumavam saudar Nossa Senhora com um tiro de canhão, enquanto os marinheiros se ajoelhavam no convés e oravam.

ORAÇÃO:

Guardai-nos, Senhora nossa, contra todos os perigos. Colocai sob a vossa proteção os nossos sentimentos, os nossos anseios, os nossos desejos, a nossa fé e todas as nossas ações. Sob a vossa guarda nos sentiremos fortes e revigorados. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora de Madhu nasceu no Norte do Sri Lanka há mais de 450 anos. Foi especialmente cara durante o tempo da guerra civil que assolou o país há poucos anos. A imagem da Virgem e o seu santuário foram um forte símbolo de paz e união, servindo para agregar o povo a fim de acabar com os conflitos e para dar força nos momentos de maior dor e medo. Na promoção da paz e da reconciliação, os bispos iniciaram uma peregrinação da imagem pelo país. Todos os povos do Sri Lanka, unidos pela fé em Nossa Senhora de Madhu, perceberam que a comunhão é possível.

ORAÇÃO:

De vós nos vem a paz e a fraternidade, querida Mãe. Assim como o povo do Sri Lanka, reunido no vosso santuário e sob a vossa proteção, Ámenizou o seu sofrimento durante a guerra, queremos nós hoje buscar em vós auxílio para viver em harmonia e paz na nossa comunidade e em todo o nosso país. Ámen.  

A imagem de Nossa Senhora com um grande manto, sob o qual abriga os seres humanos, começou a aparecer em diversos vitrais, pinturas e esculturas da Europa, principalmente na Alemanha, Áustria e Suiça. Não tardou que a imagem fosse conhecida como Nossa Senhora do Manto Santo e fosse invocada em situações de risco e perigo.

ORAÇÃO:

Sob o vosso Santo Manto abrigais a Humanidade toda, querida Mãe. Ali encontramos a proteção e a segurança de que necessitamos para viver verdadeiramente como discípulos de Cristo, enquanto esperamos a chegada definitiva do Reino. Acolhei hoje todas as nossas limitações, os nossos medos, as nossas imperfeições e especialmente este pedido (fazer o pedido). Ámen.  

A 27 de novembro de 1830, na capela das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a jovem noviça Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora: estava de pé sobre um globo, a segurar com as duas mãos outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruz de ouro. Em cada dedo das mãos havia um anel com pedras preciosas e dela partiam raios luminosos em todas as direções. Num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo a Deus. «Este globo que vês representa o mundo inteiro […] e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem. […] Fazei cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem ao pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem de coração confiante», disse a Virgem a Catarina.

O arcebispo de Paris, Dom Quelen, autorizou a cunhagem da medalha com a imagem da Virgem a derramar graças; no verso a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo da letra M os corações de Jesus e da Mãe Santíssima; a contornar o quadro, uma coroa de doze estrelas.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, por ter Santa Catarina Labouré ouvido, no princípio da visão, as palavras: «Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para todos.»

SÚPLICA:

O Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa, ao contemplar-vos de braços abertos a derramar graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa das nossas inúmeras culpas, aqui vimos para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior glória de Deus, engrandecimento do vosso nome e o bem de todos nós. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado. Dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. Ámen. (Rezar três Ave-Marias)

ORAÇÃO FINAL:

Santíssima Virgem, eu creio e confesso a vossa Santa e Imaculada Conceição, pura e sem mancha. Ó puríssima Virgem Maria, pela vossa Conceição Imaculada e gloriosa prerrogativa de Mãe de Deus, alcançai-me do vosso amado Filho a humildade, a caridade, a obediência, a santa pureza de coração, de corpo e espírito, a perseverança na prática do bem, a castidade, uma santa vida e uma boa morte. Ámen.

Em 1426, a Virgem Maria apareceu a uma senhora que rezava no Monte Bérico, em Vicência, Itália. Nossa Senhora prometeu proteger a cidade contra a terrível epidemia que se alastrava pela Europa. Apenas dois anos depois, após uma nova aparição da Virgem, o povo construiu uma igreja no monte, palco de uma série de milagres e numerosas peregrinações que continuam até hoje.

ORAÇÃO:

Para mostrar o vosso materno amor, ó Maria, aparecestes no Monte Bérico, prometendo o fim das epidemias na cidade. Julgai-nos hoje dignos da vossa proteção: manifestai-vos na nossa vida e dai-nos os sinais de cura de que necessitamos. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora do Patrocínio remonta ao século XVI, em Espanha, invadida pelos muçulmanos. A sofrer com as invasões, os espanhóis confiaram as suas vidas ao patrocínio – proteção, amparo, auxílio – de Nossa Senhora. Após a vitória, a devoção aumentou e a Virgem passou a ser invocada pelo exército e por todas as famílias cristãs. Em 1656, a pedido do rei Felipe IV, o Papa Alexandre VII estabeleceu em Espanha a festa dedicada ao Patrocínio de Maria.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, vinde em nosso auxílio. No vosso patrocínio confiamos nos momentos de fraqueza; no vosso amparo confiamos nos momentos de angústia; na vossa proteção confiamos contra os perigos; em vós encontramos sempre abrigo seguro e o auxílio necessário para todas as situações. Ámen.