MILITAR

Em Portugal sempre foi tradição os soldados e marinheiros homenagearem a Virgem, invocando a sua ajuda. Várias naus eram colocadas sob a proteção de Nossa Senhora da Ajuda, talvez devido à pequena ermida, existente em Lisboa, na praia do Restelo, que abrigava uma milagrosa imagem aí encontrada. É também a principal devoção mariana das Ilhas Maurício, um arquipélago localizado no litoral leste de África. Às vezes é também chamada Nossa Senhora do Socorro, da Boa Ajuda e do Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima da Ajuda, Virgem pura e imaculada, ouvi como especial advogada os nossos clamores. Mostrai-nos o vosso poder profundo. O céu e a terra, o mundo inteiro vos venera, até o inferno a vós se rende, ó Senhora! Procuramos o vosso abrigo como filhos miseráveis, pois são admiráveis os vossos prodígios. Queremos, Senhora, seguir os vossos passos. Sede sempre nossa protetora e advogada, socorrei-nos e às nossas famílias, alcançai para todos as graças que vos pedimos, e enfim a eterna felicidade do Céu. Abençoai-nos e protegei-nos, ó Virgem Mãe Santíssima. Ámen.  

Famoso pelo grande saber dos seus frades, pertencentes à Ordem de São Bernardo (cistercienses), o mosteiro de Alcobaça foi dedicado a Nossa Senhora e chama-se Real Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. É a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português, construída a partir de 1178, por doação de D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval, em cumprimento da promessa feita por ocasião da conquista de Santarém.

ORAÇÃO:

Santa Maria de Alcobaça, dedicada Mãe que sempre acompanhastes os milhares de monges que ali viveram em contínuo louvor a Deus, fazei com que tenhamos a mesma dedicação dos monges cistercienses na tarefa de conhecer e viver o Evangelho de Cristo, a fim de sermos merecedores da participação no Reino de Deus. Ámen.  

No ano de 712, um rei espanhol foi derrotado pelos muçulmanos, que dominaram Toledo e quase toda a Península Ibérica. Madrid era uma pequena vila, desconhecida na época, mas, por ser um ponto estratégico, os muçulmanos resolveram edificar ali uma fortaleza. Sabendo de tais planos, o povo de Madrid reuniu-se para pedir proteção à Virgem e pensou em proteger a imagem, trazida de Jerusalém no ano 38 por um discípulo de São Tiago.

Em 1058, com a retomada de Madrid pelo rei Afonso VI, resolveram procurar a imagem. Após novena e romaria em honra da Virgem, caiu em frente à multidão um muro e atrás dele surgiu a imagem. Foi então resgatada e levada para a paróquia, onde começou a ser denominada Almudena, porque foi encontrada no lugar chamado pelos mouros "almudin" (depósito de trigo). Nossa Senhora de Almudena é a padroeira de Madrid.

ORAÇÃO:

Ó Maria, que permanecestes ao lado do povo madrileno durante o período de ameça à fé, às tradições e à própria vida, acompanhai cada um de nós que procura viver intensamente a fé em vosso Filho. Que o vosso olhar amoroso nunca se afaste de nós nem da nossa família. Ámen.  

Padroeira de Aljezur, no Algarve, Nossa Senhora de Alva é celebrada com uma grande festa. A origem da devoção está ligada à tomada daquelas terras aos mouros na madrugada de 24 de junho de 1242.

ORAÇÃO:

Venerada Senhora Nossa, sempre presente nas nossas lutas e sempre forte em proteger-nos, livrai-nos hoje de todos os perigos, assim como defendestes no passado o povo que declarou o seu amor por vós. Acolhei todas as nossas limitações e imperfeições, ajudando-nos a superar todas as dificuldades que a vida nos reserva. Ámen.  

No século XIV, a catedral de Sevilha, em Espanha, foi reconstruída. A imagem de Nossa Senhora do primeiro templo, porém, foi conservada, vindo a chamar-se Santa Maria, a Antiga, em referência à imagem da antiga catedral.

Esta devoção foi a primeira a chegar ao Panamá, em 1510. Estabeleceu-se primeiro no povoado de Darién, com a chegada de Vasco Nunes de Balboa e Martin Fernandez de Enciso.

Tinham prometido à Virgem dar o seu nome ao povoado se saíssem com vida de uma feroz batalha que tiveram com os nativos. Assim, após a vitória, o povoado do Cacique Cémaco recebeu o nome de Santa Maria a Antiga. Em 9 de setembro de 1513, o Papa Leão X criou em Santa Maria a Antiga a primeira diocese do país e a capela da Virgem foi elevada a catedral. Em 1524, a diocese de Santa Maria a Antiga foi trasladada para a recém-fundada Cidade do Panamá, actual capital. É a padroeira do Panamá.

ORAÇÃO:

Ó querida Mãe, padroeira do Panamá, que desde o início da colonização da América acompanhastes os vossos diletos filhos, intercedei por nós junto do vosso Filho. Dai-nos sempre amparo, luz e segurança. Ámen.  

Em 1924, após o primeiro voo Lisboa-Macau, um grupo de aviadores portugueses, liderado pelo major Cilka Duarte, desejava encontrar uma imagem de Nossa Senhora do Ar para ser a sua padroeira, apesar de a padroeira universal da aviação ser a Nossa Senhora do Loreto. A autorização foi concedida pelo então cardeal-patriarca Dom António Mendes Belo e confirmada pelo Papa João XXIII em 15 de janeiro de 1960. A imagem original está na Base Aérea de Sintra e mostra Maria com os braços levantados para o céu, semelhante à sua Assunção.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Rainha do Céu, gloriosa Padroeira da Aviação, ergue-se até vós a nossa súplica. Somos pilotos e aviadores do mundo inteiro; e, arrojados aos caminhos do espaço, unindo em laços de solidariedade as nações e os continentes, queremos ser instrumentos vigilantes e responsáveis da paz e do progresso para as nossas pátrias. Em vós depositamos a nossa confiança. Sabemos a quantos perigos se expõe a nossa vida; velai por nós, Mãe piedosa, durante os nossos voos. Protegei-nos no cumprimento do árduo dever quotidiano, inspirai-nos os vigorosos pensamentos da virtude e fazei com que nos mantenhamos fiéis aos nossos compromissos de homens e de cristãos. Reacendei em nosso coração o anelo dos bens celestiais, vós que sois a Porta do Céu; e guiai-nos, agora e sempre, nas asas da fé, da esperança e do amor. Ámen.  

Durante as invasões muçulmanas em Espanha, uma imagem de Maria Teotókos (Mãe de Deus) desapareceu. Não se sabia se fora escondida ou profanada pelos invasores. Depois de muita procura, Gracian Ramirez encontrou a imagem no meio de uma plantação de "atochas", gramínea medicinal e também muito utilizada no fabrico de cestas, esteiras e cordas. Alegres com o facto, quiseram levá-la de volta à igreja, mas não conseguiram removê-la do "atochal".

Vendo a aglomeração, o chefe militar muçulmano pensou ser uma revolta popular e atacou, mas foi derrotado. O povo não falava de outra coisa a não ser da espectacular vitória atribuída a Nossa Senhora da Atocha. A devoção espalhou-se e os Reis da Espanha escolheram-na como padroeira da nação, depois de o Rei Afonso VI ter reconquistado Madrid definitivamente.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, protetora dos fracos e humildes, combatei ao nosso lado contra os inimigos que nos oprimem. Certos de que nos acompanhais, seremos mais fortes e confiantes em nossas ações. Ámen.  

Nossa Senhora foi constantemente invocada para proteger e auxiliar os soldados cristãos nas batalhas. No ano 626, no cerco de Constantinopla pelos persas, o patriarca Sérgio invocou o nome da Virgem Maria e ao 11.º dia de batalha, o vulto de uma senhora saiu da cidade em direção ao acampamento inimigo. Pouco tempo depois, os persas desistiram da batalha.

Os cristãos atribuíram o feito à intervenção de Nossa Senhora, que vem sempre em auxílio do povo. A devoção difundiu-se, porém, no século XIX, por iniciativa de Dom Bosco e das congregações salesianas por ele fundadas. Às vezes é chamada Nossa Senhora do Auxílio ou Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem poderosa, grande e ilustre defensora da Igreja, auxílio maravilhoso dos cristãos, terrível como exército ordenado em batalha. Vós, que destruístes toda a heresia em todo o mundo, nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defendei-nos do inimigo; e na hora da morte, acolhei a nossa alma no paraíso. Ámen.  

Este título já é bastante antigo, mas a maior devoção está ligada à batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1383. A batalha contra os espanhóis foi vencida pelos portugueses liderados por Nuno Álveres Pereira, que depois consagrou a sua vida como monge carmelita. D. João I construiu o mosteiro da Batalha em agradecimento a Deus pela vitória e para cumprir o voto feito a Nossa Senhora. Consagrou o mosteiro a Nossa Senhora da Vitória, mas desde cedo nasceu ali a devoção à Nossa Senhora da Batalha. No Porto havia uma igreja do século XV dedicada a Nossa Senhora da Batalha que foi destruída.

ORAÇÃO:

Poderosa Senhora, fortaleza e inspiração nos momentos difíceis da nossa vida, assim como acompanhastes os cristãos nas suas batalhas no passado, vinde em nosso auxílio e ajudai-nos a vencer todas as batalhas que hoje travamos contra o mal que existe no mundo. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Maria deu à luz o Filho de Deus, o Verbo Encarnado, como nos diz São João de maneira muito bela no início do seu evangelho. Maria é, assim, a portadora da Boa Nova, aquela que trouxe no seu ventre a Palavra Viva. Desde os primórdios do Cristianismo, Nossa Senhora é reconhecida por tal ação e não tardou a surgir o culto a Nossa Senhora da Boa Nova. Outra tradição liga este culto à Anunciação: anúncio do nascimento de Jesus (a Boa Nova) pelo anjo Gabriel.

Em Portugal a devoção é muito difundida, especialmente nas dioceses de Braga e Porto. No Alandroal, no Alentejo, há um santuário do século XIV com paredes e tetos cobertos com frescos de 1706. Veja também Nossa Senhora das Boas Novas.

ORAÇÃO:

Ao ouvirdes, Senhora, o anúncio do anjo Gabriel de que seríeis a Mãe do Salvador, não hesitastes em dizer "sim". Ajudai-nos hoje a também dizermos "sim" ao anúncio da Boa Nova do Reino, aceitando e vivendo intensamente a mensagem do Verbo Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ámen.  

O título de Nossa Senhora da Conquista está associado às cruzadas e ao período da colonização. Os portugueses e outros povos europeus levavam consigo a imagem da Virgem nas batalhas e expedições, a fim de os proteger na conquista de novas terras. A devoção foi levada para o Brasil pelos primeiros jesuítas que lá chegaram para a criação das "reduções", uma espécie de aldeias com infraestruturas avançadas para a época, com o fim de organizar, proteger e catequizar os índios. É conhecida a história do padre jesuíta Roque González, que em 1626, com a imagem de Nossa Senhora da Conquista nas mãos, atravessou o rio Uruguai em direção a Rio Grande do Sul, fundando a redução de São Nicolau. Acabou por ser martirizado pelos índios guaranis em 1628, juntamente com o padre Afonso Rodrígues.

ORAÇÃO:

Ó Maria, que acompanhastes os soldados que lutaram em nome da fé, acompanhai cada um de nós hoje na busca da nossa realização pessoal e na conquista dos nossos sonhos e ideais, sempre fundados no Evangelho. Ámen.   

A invocação de Nossa Senhora da Defesa é outra devoção com origem militar, em tempos de guerra. Conta-se que em 1410, durante a invasão do exército godo à bacia de Ampezzano, em Itália, os habitantes invocaram a Virgem para os ajudar na defesa das suas terras. Ela apareceu num trono, sobre nuvens, com uma espada na mão. Quando o exército atacou, Nossa Senhora da Defesa desceu sobre a vila e as nuvens confundiram os soldados adversários, que se atacaram entre si. Na imagem venerada atualmente, Maria segura o Menino Jesus no braço esquerdo e sustenta uma espada erguida na mão direita.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu pego no vosso manto santo e refugio-me debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demónios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Ámen.  



No dia 25 de outubro de 1147, o monarca português Dom Afonso Henriques, com o auxílio dos cruzados, venceu a batalha contra os mouros e conquistou a cidade de Lisboa. Logo após a vitória, o rei cumpriu a promessa que tinha feito à Virgem ao pedir a sua proteção no combate: construiu um santuário. Como foi erguido no local onde foram sepultados os soldados mortos em combate e considerados mártires, o templo foi dedicado a Nossa Senhora dos Mártires. A nova devoção foi reconhecida oficialmente pelo Papa Urbano VI, fixando a sua festa no dia 13 de maio. A imagem da basílica é a mesma que acompanhou os soldados na famosa batalha.

ORAÇÃO:

Sob vossos pés jazem em paz todos os mártires de Lisboa, soldados que doaram a vida para defender a fé, e todos os mártires do mundo. Conduzi-os a todos ao Reino eterno e guiai cada um de nós na hora da nossa morte para o caminho da luz. Antes, porém, ajudai-nos a viver plenamente o Evangelho do vosso Filho e realizar o bem e a justiça para merecermos a herança eterna. Ámen.  

A origem desta devoção é incerta. Uma tradição diz que a palavra "mileu" significa milagre na língua Alarave. Outra diz que o nome surgiu na época das guerras contra os mouros. Em minoria, os exércitos cristãos invocavam Nossa Senhora e gritavam: "para mil,eu" (Mil-eu). Existem também as variações Nossa Senhora de Melides ("Ide e vencei, mil ides") e de Milum ("para mil, um") que apontam para a mesma tradição. A Virgem fortalecia os soldados, dando a cada um a força de mil inimigos. Reza a lenda que em determinada luta doze cavaleiros cristãos enfrentaram doze mil soldados mouros e venceram-nos, aumentando assim a veneração à Virgem do Mileu, ou Milum.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima, Nossa Senhora do Mileu, fortalecei-nos nas nossas batalhas contra o mal e auxiliai-nos nas várias atividades que iremos realizar ao longo do dia de hoje. Com o vosso apoio e fortaleza seremos invencíveis, justos e dignos. Permanecei sempre ao nosso lado, especialmente nos momentos em que sentimos maior fraqueza ou desilusão, aumentando mil vezes a nossa coragem e fé. Ámen.

Esta devoção, muito forte entre pescadores e marinheiros, surgiu na Idade Média, no tempo das cruzadas. Ao cruzar o mar Mediterrâneo, em direção à Terra Santa, os guerreiros invocavam a proteção de Maria. A mesma invocação esteve presente na época dos grandes descobrimentos marítimos. Portugueses e espanhóis que se aventuravam pelos oceanos pediam proteção a Nossa Senhora dos Navegantes. Hoje ela é muito invocada por pescadores e marinheiros. A sua festa, celebrada no dia 2 de fevereiro, é marcada pela dupla procissão com a imagem: por terra e pelas águas.

ORAÇÃO:

Senhora dos Navegantes, sois ideal e estímulo para uma vida perseverante de amor a Deus e de bondade para com o próximo. Sois a "mais alta realização do Evangelho e o modelo perfeito do cristão". Sois a "cheia de graça e bendita entre as mulheres". Todas as gerações vos proclamam bem-aventurada, porque vos fizestes a serva do Senhor. Dai-nos sempre vontade decidida de melhor buscar, conhecer e seguir a Jesus Cristo, vosso Filho. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora do Patrocínio remonta ao século XVI, em Espanha, invadida pelos muçulmanos. A sofrer com as invasões, os espanhóis confiaram as suas vidas ao patrocínio – proteção, amparo, auxílio – de Nossa Senhora. Após a vitória, a devoção aumentou e a Virgem passou a ser invocada pelo exército e por todas as famílias cristãs. Em 1656, a pedido do rei Felipe IV, o Papa Alexandre VII estabeleceu em Espanha a festa dedicada ao Patrocínio de Maria.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, vinde em nosso auxílio. No vosso patrocínio confiamos nos momentos de fraqueza; no vosso amparo confiamos nos momentos de angústia; na vossa proteção confiamos contra os perigos; em vós encontramos sempre abrigo seguro e o auxílio necessário para todas as situações. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora da Paz nasceu na cidade de Toledo, em Espanha, no século XI. Ocupada pelo império árabe, Toledo teve o seu templo mariano transformado em mesquita e as imagens da Virgem profanadas. Após os cristãos, liderados pelo monarca Afonso, retomarem Toledo, a igreja continuou a ser mesquita dos mouros como parte de um acordo feito com o rei. Indignados, os cristãos saíram ás ruas para protestar e receberam o apoio da rainha. Correndo o risco de serem penalizados por desobediência ao rei, pediram à Virgem que lhe abrandasse o coração. Os próprios mouros suplicaram ao rei que perdoasse à rainha e ao arcebispo. O soberano atendeu ao pedido. Uma procissão rendeu graças à Virgem por ter trazido a paz a Toledo. Nesta ocasião foi instituída a festa de Nossa Senhora da Paz.

Em 1966, Nossa Senhora da Paz foi proclamada padroeira de El Salvador. Várias lendas cercam a imagem que hoje é venerada na cidade de São Miguel. A mais importante delas diz que, durante a guerra civil do século XVII, os soldados encontraram uma caixa perto do campo de batalha. Ao abri-la, viram uma imagem da Virgem em tamanho natural. Comovidos, os soldados abandonaram as lutas. Conta-se também que em 1833, após vencer o combate, o coronel Benitez, ao invés de punir os seus rivais, apenas se ajoelhou diante da imagem de Nossa Senhora da Paz, em São Miguel, e rezou. Depois deste episódio, a paz reinou na região.

ORAÇÃO:

Ó Maria, intercedei por nós a fim de que gozemos a paz com Deus e com o nosso próximo. Mostrai-nos o Salvador e colocai-O no nosso coração. Afastai para longe de nós os sentimentos de amor-próprio, inveja, maledicência e discórdia. Fazei-nos humildes na fartura, fortes nos sofrimentos, firmes na paciência e caridade e confiantes na divina Providência. Abençoai-nos, dirigindo os nossos passos no caminho da paz, da união e da mútua caridade, para que, formando aqui a vossa família, possamos no céu bendizer-vos e ao vosso divino Filho, por toda a eternidade. Assim seja.  

Na paróquia de Santa Cruz, em Limache, no Chile, encontra-se o santuário de Nossa Senhora das Quarentas Horas. A Virgem recebeu este título porque o santuário, construído em 1652, recebeu a sua imagem quando os fiéis adoravam a Jesus Eucarístico durante quarenta horas. A festa é celebrada no último domingo de fevereiro, quando por aí passam cerca de quarenta mil devotos.

ORAÇÃO:

Ó puríssima Virgem das Quarentas Horas, Mãe de Deus e nossa Mãe, com humildade e confiança vos pedimos que intercedais por nós, socorrendo-nos nas nossas necessidades. Ámen.  

Na Idade Média, os vassalos ofereciam coroas de flores aos soberanos em sinal de submissão. Os cristãos adotaram esse costume para homenagear Maria, oferecendo-lhe a tríplice coroa de rosas que recorda as suas alegrias, dores e glórias ao lado do seu Filho, Jesus. Hoje acrescenta-se a coroa das "luzes". Durante o período das cruzadas, Nossa Senhora do Rosário passou a ser a protetora nas batalhas. Um dos maiores feitos a ela atribuídos é a proteção na batalha de Lepanto, em 1571. Espanha, Veneza e a Igreja combateram as tropas muçulmanas. A vitória foi atribuída a Nossa Senhora do Rosário. O dia 7 de outubro foi marcado para festejar a vitória.

Inicialmente chamada Festa de Santa Maria da Vitória (instituída por Pio V, em 1571), foi mudada por Gregório XIII, em 1573, para Festa de Nossa Senhora do Rosário. É uma das devoções mais difundidas em Portugal.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora do Rosário, dai a todos os cristãos a graça de compreender a grandiosidade da devoção do Santo Rosário, na qual, à recitação da Ave-Maria se junta a profunda meditação dos santos mistérios da vida, morte e Ressurreição de Jesus, vosso Filho e nosso Redentor. São Domingos, apóstolo do Rosário, acompanhai-nos com a vossa bênção, na recitação do Terço, para que, por meio desta devoção a Maria, cheguemos mais depressa a Jesus e, como na batalha de Lepanto, Nossa Senhora do Rosário nos leve à vitória em todas as lutas da vida. Por seu Filho, Jesus Cristo, na unidade do Pai e do Espírito Santo. Ámen.

MISTÉRIOS DO ROSÁRIO:

MISTÉRIOS DA ALEGRIA: (segunda-feira e sábado)

Recordam o nascimento do Menino Jesus e a sua infância: 1. Anunciação do anjo Gabriel a Maria (Lc 1,26-39); 2. Visita de Maria a sua prima Isabel (Lc 1,39-56); 3. Nascimento de Jesus em Belém (Lc 2,1-15); 4. Apresentação de Jesus no templo (Lc 2,22-33); 5. Encontro do Menino Jesus no templo, entre os doutores (Lc 2,42-52).

MISTÉRIOS DA LUZ: (quinta-feira)

Recordam a vida e as ações de Jesus no meio do povo: 1. Jesus é batizado no rio Jordão (Mt 3,13-16); 2. Revelação de Jesus nas bodas de Caná (Jo 2,1-12); 3. Jesus anuncia o Reino de Deus (Mc 1,14-21); 4. Transfiguração de Jesus no monte Tabor (Lc 9,28-36); 5. Jesus institui a Eucaristia (Mt 26,26-29).

MISTÉRIOS DA DOR: (terça e sexta-feira)

Recordam os momentos de dor e sofrimento de Jesus ao ser preso e condenado: 1. Oração e agonia de Jesus no jardim das Oliveiras (Mc 14,32-43); 2. Flagelação de Jesus (Jo 18,38-40); 3. Jesus é coroado de espinhos (Mt 27,27-32); 4. Jesus carrega a cruz para o Calvário (Lc 23,20-32); 5. Crucificação e morte de Jesus (Lc 23,33-47).

MISTÉRIOS DA GLÓRIA: (quarta-feira e domingo)

Celebram a salvação e a alegria, a vida nova que Jesus nos dá: 1. Ressurreição de Jesus (Mc 16,1-8); 2. Ascensão de Jesus ao céu (At 1,4-11); 3. Descida do Espírito Santo (At 2,1-3); 4. Assunção de Maria ao céu; 5. A coroação de Nossa Senhora.

No século XVIII foi construída no povoado uruguaio de Pintado uma capela, na qual se colocou, proveniente do Paraguai, uma pequena imagem de Nossa Senhora subindo aos céus. Mais tarde, com a expulsão do jesuítas, a imagem foi transladada para La Florida.

Em 19 de abril de 1825, trinta e três homens comandados pelo general António Lavalleja desembarcaram na praia da Agraciada com o objetivo de libertar a pátria uruguaia. O seu lema era: "liberdade ou morte". Ao dirigir-se a La Florida, estabeleceram ali acampamento e fizeram uma consagração a Nossa Senhora, deixando sob a sua proteção o futuro do Uruguai. No dia 25 de agosto do mesmo ano foi proclamada a independência. Desde então, o povo proclamou Nossa Senhora dos Trinta e Três padroeira da nação, oficializada em 1961 pelo Papa João XXIII

ORAÇÃO:

Santíssima Virgem Maria, diante da vossa imagem inclinam a bandeira e dobram os joelhos os fundadores da nossa Pátria. Protegei sempre este povo nascido à vossa sombra benfeitora. Fazei, ó Mãe, que nos nossos lares floresçam a religião e todas as virtudes cristãs. Fazei que vejamos crescer o reinado de Cristo, que é a verdade e a justiça. Alcançai-nos a eterna salvação, trazida para todos pelo vosso Filho, Jesus Cristo, que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos. Ámen.  

Devoção particularmente cara a Nuno Álvares Pereira. Em 1389, São Nuno começou a construir, com recursos próprios, o convento do Carmo (hoje em ruínas), em Lisboa, dedicado a Nossa Senhora do Vencimento. A construção deve-se provavelmente ao pagamento de um voto feito na batalha de Aljubarrota, ou em Valverde, mas certo é que foi uma homenagem à Virgem por sempre o acompanhar nas suas vitórias.

ORAÇÃO:

Ó Maria, fonte de paz e de alegria, auxílio dos cristãos, confiança dos que morrem e esperança dos desesperados, a vós elevo a minha prece. Convertei-me e ajudai-me a vencer todas as batalhas da vida, hoje e sempre. Com o vosso apoio nenhum inimigo me amedrontará e nenhum mal temerei. Ámen.  

Em tempos de guerra e conflitos, Nossa Senhora era frequentemente invocada a fim de auxiliar o exército a alcançar a vitória. Daí surgir este título.

Em Portugal há diversas igrejas e um famoso mosteiro dedicado a esta devoção: o mosteiro da Batalha (ou mosteiro de Santa Maria da Vitória), construído no século XIV devido ao voto feito por D. João I, quando da batalha de Aljubarrota, contra os castelhanos.

No século XV, durante os conflitos com os mouros em Espanha, os frades penitentes Bernardino da Cropalati e Giacomo L´Espervier foram enviados para fortalecer e acalmar o rei que lutava para retomar Granada, último bastião ibérico ainda sob o domínio mouro. Três dias após a chegada dos missionários, os inimigos foram vencidos e expulsos do país. Era o dia 18 de agosto de 1487. Em ação de graças, o rei Fernando construiu uma capela em honra de Nossa Senhora da Vitória. Ao mesmo tempo, os dois religiosos receberam o nome de frades da Vitória.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Vitória, se o vosso nome nos lembra a guerra, a discórdia e a desunião, a vossa vida enche-nos de esperança e de paz! Nossa Senhora da Vitória, no nosso mundo há tantas lutas! Os homens lutam por ideias, por bens, por fama, por ganância, por ódio e por ambição. Lutam sem saber porque lutam.

Mas vós, Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, que vivestes o silêncio de Nazaré; que vivestes a incerteza de Belém; que vivestes a angústia do desterro no Egito; que buscastes o vosso Filho entre os doutores no templo; que permanecestes de pé junto à cruz do Filho; que, no cenáculo, aguardastes a vinda do Espírito Santo; ensinai-nos a trabalhar pela paz. Ensina-nos a não retribuir o mal com o mal ou a violência. Ensina-nos, enfim, ó Virgem Maria, a perdoar. Ámen.  

A Virgem venerada em França sob o título "das Vitórias" teve origem no século XVII, no porto de La Rochelle. Na época havia ali um importante reduto protestante, apoiado por Inglaterra. O rei Luís XIII tentou tomar o local em 1627, pedido a todas as igrejas francesas que rezassem pelaa vitória.

Após a rendição dos protestantes, o rei construiu em Paris uma igreja dedicada a Nossa Senhora das Vitórias. Segundo a tradição, nesta igreja foram feitas novenas durante dez meses para que Deus enviasse um herdeiro à rainha de França, já sem esperanças devido à idade. Em 1638 nasceu o menino que seria o rei Luís XIV, um dos mais importantes de França.

ORAÇÃO:

Em todas as batalhas, protegei-nos, ó Senhora das Vitórias. Sede a nossa força contra todos os inimigos e guiai-nos no caminho do sucesso e do êxito. Não queremos lutas armadas, mas sim a luta diária pela felicidade e pela construção do Reino de Deus, que é Reino de paz e amor. Ámen.