LETRA P

Devoção citada por diversos escritores e muito popular em Portugal. A principal igreja a ela dedicada, em Lisboa, foi destruída pelo de terramoto de 1755. Em Espanha existe um famoso Forte de Nossa Senhora da Palma, também chamado Castelo de La Palma; e em Salvador, no Brasil, existe uma igreja edificada em 1630 pelo português Bernardino da Cruz Arraes, factos que demonstram a grande difusão desta invocação mariana.

ORAÇÃO:

Maria, nossa terna Mãe, abrigai-nos sob o vosso manto e socorrei-nos em todas as nossas necessidades espirituais e temporais, obtendo-nos a salvação. Intercedei por nós junto do vosso Filho bendito para que vos imitemos e nunca deixemos de vos honrar como mereceis. Assisti-nos na vida e sobretudo na hora da nossa morte. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora do Pampa é recente. Surgiu da iniciativa de uma comunidade carmelita argentina, de Rosário. Os religiosos desejavam um título e uma imagem que aproximasse Maria do povo dos pampas argentinos, daí os traços indígenas e espanhóis da Virgem, que traja um poncho característico, símbolo forte da proteção da Virgem ao povo da região.

ORAÇÃO:

A vós que sois Mãe tão cheia de ternura, aqui vimos oferecer as nossas vidas e dizer que vos amamos, que somos vossos filhos e que confiamos no poder da vossa proteção. Conduzi-nos para o Menino que descansa nos vossos braços. Consolai-nos na aflição, fortalecei-nos frente às tentações. Fazei-nos crescer na fé e na esperança e particularmente no amor a Deus e aos irmãos. Conservai no nosso interior a alegria de sermos filhos da Igreja. Impulsionai-nos para que sejamos evangelizadores entusiasmados do Reino. Que a vossa bênção nos acompanhe, Mãe, até podermos contemplar no céu a formosura de Deus. Ámen.

A imagem do paraíso sempre foi forte no imaginário cristão. Os textos bíblicos e a tradição cristã, principalmente na arte, alimentaram esta imagem do local perfeito onde todos os cristãos viverão a eternidade. A devoção mariana também associou ao paraíso a presença de Maria. Daí surgiu o título de Nossa Senhora do Paraíso, com diversas igrejas e conventos a ela dedicados.

ORAÇÃO:

Ave-Maria, cheia de graça, pela assunção entrastes no paraíso em corpo e alma. Conduzi-nos na hora da nossa morte para junto de vós, a fim de que desfrutemos eternamente da glória de Deus no paraíso, na vossa companhia. Ámen

Desde o século IV existia em Paris uma igreja dedicada a Nossa Senhora. No local da antiga capela foi edificada, em 1163, a atual catedral. É o grande símbolo do amor dos franceses à Mãe Maria. A imagem aí venerada recebeu o nome de Nossa Senhora (Notre Dame) de Paris, seguindo a tradição de dar à Virgem o nome do local da veneração.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora de Paris, Mãe e protetora dos franceses, acolhei a cada um de nós com o mesmo amor e ternura com que gerastes e educastes o Menino Jesus. Abençoai as nossas famílias, assim como abençoais os parisienses há tantos séculos. Ámen.

Um dos principais ensinamentos evangélicos é a partilha, a caridade, a doação do que se tem em prol do bem-estar do próximo. É um dos valores que devem orientar a nossa vida. Daí o título de Nossa Senhora da Partilha. Aprendamos com Maria, que sempre se mostrou caridosa, a partilhar a nossa vida, os nossos dons e os nossos bens.

ORAÇÃO:

Tudo o que tenho é vosso, amada Senhora. Por isso, ajudai-me a partilhar os meus bens e os meus dons. Que eu saiba ser generoso com os meus irmãos menos favorecidos. Que eu seja caridoso com todos os excluídos e marginalizados. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora do Patrocínio remonta ao século XVI, em Espanha, invadida pelos muçulmanos. A sofrer com as invasões, os espanhóis confiaram as suas vidas ao patrocínio – proteção, amparo, auxílio – de Nossa Senhora. Após a vitória, a devoção aumentou e a Virgem passou a ser invocada pelo exército e por todas as famílias cristãs. Em 1656, a pedido do rei Felipe IV, o Papa Alexandre VII estabeleceu em Espanha a festa dedicada ao Patrocínio de Maria.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, vinde em nosso auxílio. No vosso patrocínio confiamos nos momentos de fraqueza; no vosso amparo confiamos nos momentos de angústia; na vossa proteção confiamos contra os perigos; em vós encontramos sempre abrigo seguro e o auxílio necessário para todas as situações. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora da Paz nasceu na cidade de Toledo, em Espanha, no século XI. Ocupada pelo império árabe, Toledo teve o seu templo mariano transformado em mesquita e as imagens da Virgem profanadas. Após os cristãos, liderados pelo monarca Afonso, retomarem Toledo, a igreja continuou a ser mesquita dos mouros como parte de um acordo feito com o rei. Indignados, os cristãos saíram ás ruas para protestar e receberam o apoio da rainha. Correndo o risco de serem penalizados por desobediência ao rei, pediram à Virgem que lhe abrandasse o coração. Os próprios mouros suplicaram ao rei que perdoasse à rainha e ao arcebispo. O soberano atendeu ao pedido. Uma procissão rendeu graças à Virgem por ter trazido a paz a Toledo. Nesta ocasião foi instituída a festa de Nossa Senhora da Paz.

Em 1966, Nossa Senhora da Paz foi proclamada padroeira de El Salvador. Várias lendas cercam a imagem que hoje é venerada na cidade de São Miguel. A mais importante delas diz que, durante a guerra civil do século XVII, os soldados encontraram uma caixa perto do campo de batalha. Ao abri-la, viram uma imagem da Virgem em tamanho natural. Comovidos, os soldados abandonaram as lutas. Conta-se também que em 1833, após vencer o combate, o coronel Benitez, ao invés de punir os seus rivais, apenas se ajoelhou diante da imagem de Nossa Senhora da Paz, em São Miguel, e rezou. Depois deste episódio, a paz reinou na região.

ORAÇÃO:

Ó Maria, intercedei por nós a fim de que gozemos a paz com Deus e com o nosso próximo. Mostrai-nos o Salvador e colocai-O no nosso coração. Afastai para longe de nós os sentimentos de amor-próprio, inveja, maledicência e discórdia. Fazei-nos humildes na fartura, fortes nos sofrimentos, firmes na paciência e caridade e confiantes na divina Providência. Abençoai-nos, dirigindo os nossos passos no caminho da paz, da união e da mútua caridade, para que, formando aqui a vossa família, possamos no céu bendizer-vos e ao vosso divino Filho, por toda a eternidade. Assim seja.  

Pellevoisin é uma pequena cidade francesa. Aí viveu, no século XIX, Estrela Faguette. Quando adolescente, foi noviça das Irmãs Agostinianas Hospitaleiras, mas teve de deixar o convento por motivo de doença. A sua devoção a Maria, no entanto, permaneceu sempre a mesma. Certa vez, resolveu enviar uma carta à Virgem. Escreveu-a e colocou-a na fenda de uma gruta.

Pouco tempo depois, a Virgem apareceu a Estrela, a falar sobre a carta. Outras catorze aparições sucederam-se até ao dia 8 de dezembro de 1876. Numa delas, a Virgem mostrou-se com uma grinalda de rosas e um escapulário entre as mãos. Falou então da guerra que aconteceria em França e pediu orações.

ORAÇÃO:

Em todas as vossas aparições, querida Mãe, sempre manifestastes o desejo de que se intensifiquem as orações, especialmente a oração do santo Rosário. Este é o caminho para o fim das guerras, catástrofes e outros males que afligem o mundo e nos oprimem. Que todo o cristão reze com fé diariamente a vós e convosco ao vosso filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Diz-se que a primeira igreja de Leiria, após a expulsão dos mouros, foi dedicada a Nossa Senhora da Pena, mandada construir por D. Afonso Henriques, no centro do castelo. A rainha D. Isabel também ali rezou muitas vezes. Com o passar do tempo, a igreja reuniu muitas relíquias e todos os que por ali passavam paravam para rezar uma Ave-Maria.

Em Sintra também é muito popular esta devoção. Teve início com uma capela sobre o monte onde posteriormente foi construído um mosteiro hieronimita, no século XV. Sobre as ruínas deste mosteiro foi edificado, no século XIX, o fabuloso Palácio da Pena, cuja capela é dedicada a esta Senhora. Por vezes esta devoção confunde-se com Nossa Senhora da Penha e Nossa Senhora da Peninha, mas normalmente é representada com uma pena na mão, como se estivesse pronta a escrever. Daí ser padroeira dos escritores, cientistas e pesquisadores.

ORAÇÃO:

Ir à Senhora da Pena e não ver o seu andor é como subir ao céu e não ver Nosso Senhor.

Olha a Senhora da Pena, onde fez sua morada, lá no alto de Sequeiros, no meio da carvalhada.

Nossa Senhora da Pena pelo ar anda subida, para ensinar o caminho à gente que anda perdida.

Adeus, Senhora da Pena, inda cá hei de voltar. Deixo cá meu lenço branco, dobrado no teu altar.

No século XV, um monge francês viu em sonhos a imagem de Nossa Senhora cercada de luz, no alto de um monte. Durante anos, procurou o lugar, uma serra muito íngreme no norte de Espanha, chamada Penha de França, onde edificou uma capela. Característica comum à maioria dos templos dedicados a Nossa Senhora da Penha é estarem no alto de montes, como na imagem original do monge francês.

ORAÇÃO:

Ó Maria Santíssima, Senhora da Penha, em cujas mãos depositou Deus todos os tesouros da sua graça, constituindo-vos amorosa e larguíssima dispensadora, a todos os que a vós recorrem com viva fé. Eis-me cheio de esperança no vosso eficaz patrocínio, a solicitar, humildemente, a vossa proteção e amparo. Consolai-me pois, ó amorosíssima Senhora, com as vossas graças que tão insistentemente peço, a fim de continuar a honrar-vos na terra, com meu cordial reconhecimento até que possa, um dia, no céu, mais dignamente agradecer-vos todos os benefícios recebidos, pelos séculos dos séculos. Assim seja.  

Numa tarde de 1936, Maria Natalina Kovacsics, de treze anos, viu uma bela Senhora que se aproximou e lhe disse: «Se calhar eu serei acolhida nesta casa. Até agora não encontrei nenhuma hospedagem, mesmo após ter pedido algumas vezes. Creio que esta porta seja a certa. Posso ficar por uma noite apenas, para dormir sentada numa cadeira?» A menina de Keckemet, na Hungria, respondeu que sim, antes mesmo de consultar os pais. Passaram a noite a conversar.

Aos 17 anos, Natalina tornou-se freira e continuou a ter visões: Nossa Senhora manifestou o desejo de ser venerada como Mãe Imaculada e Rainha do Mundo. Algumas imagens são chamadas Mãe Peregrina, por passarem em peregrinação por diversos lugares. Em 1995 surgiu em França um movimento de oração e de paz denominado "Nossa Senhora Peregrina". Com 108 imagens marianas peregrinas de cidade em cidade, o movimento estendeu-se por todo o mundo. Calcula-se que sejam hoje oito mil, em 120 nações, as imagens e quadros da Mãe Peregrina. Em Portugal, Nossa Senhora Peregrina é associada a Nossa Senhora de Fátima, cujas imagens também vão de casa em casa.

ORAÇÃO:

A vossa vida, querida Senhora, foi uma grande peregrinação rumo a Deus e à realização da sua vontade. Fazei que cada um de nós também seja um peregrino fiel que marcha em direção ao Reino do Pai, a realizar muitos sinais de caridade, justiça e, por onde passarmos, de paz. Ámen.  

Um ícone em estilo bizantino, pintado provavelmente no século XIV, era muito venerado na ilha de Creta. Muitos acreditavam que a imagem tinha sido pintada por São Lucas. Além da beleza da pintura, a fama de milagrosa, espalhou-se pelo mundo. Os religiosos redentoristas foram os maiores divulgadores, pois levaram cópias da imagem nas suas missões.

A história do ícone original está envolta em mistério. Sobreviveu a um naufrágio logo após ter sido roubado em Creta, na Idade Média; exposto numa igreja de Roma, não sofreu nenhum dano quando o templo foi destruído por um incêndio, no século XVIII; e ainda escapou intacto da invasão das tropas napoleónicas. Em 1866, com o apoio do Papa Pio I, foi exposto em Roma pelos redentoristas. Entre os necessitados e aflitos, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das mais populares, devido ao seu olhar acolhedor e terno, que inspira segurança e proteção.

ORAÇÃO:

Ó Santíssima Virgem Maria, que para nos inspirardes uma confiança sem limites quisestes tomar o terno e doce nome de Mãe do Perpétuo Socorro, eu vos suplico que me socorrais em todo o tempo e em todo o lugar: nas tentações, depois das quedas, nas dificuldades, em todas as misérias da minha vida, e, sobretudo, no transe da minha morte. Dai-me, ó amorosa Mãe, o pensamento e o costume de recorrer sempre a vós, porque estou certo de que, se for fiel em invocar-vos, vós sereis fiel em socorrer-me. Obtende-me, pois, a graça de vos suplicar sem cessar, com a confiança de um filho, a fim de que, pela virtude desta súplica constante, obtenha o vosso perpétuo socorro e a perseverança final. Abençoai-me, ó terna e carinhosa Mãe, e rogai por mim agora e na hora da minha morte. Ámen.  

Ao conquistar Ormuz, os persas profanaram as imagens religiosas que ali se encontraram. Uma delas foi vendida a um mercador da cidade de Aspam, no reino persa. O frade agostiniano Francisco Ribeiro, que na ocasião morava em Aspam, comprou a formosa imagem e trouxe-a consigo ao retornar a Portugal, em 1644. Aqui foi venerada desde o início como Nossa Senhora da Pérsia, por vir daquele país. Por vezes era chamada Nossa Senhora a Cativa, por ter sido aprisionada pelos mouros, e Nossa Senhora do Resgate, por ter sido resgatada pelo missionário português.

ORAÇÃO:

Livrai-nos de todos os males e de todo o tipo de cativeiro, querida Senhora. Sob o vosso amparo e proteção encontramos forças para lutar pela liberdade, tão desejada e necessária para vivermos felizes. Auxiliai-nos sempre nesta difícil tarefa. Ámen.  

Mais conhecida como Pietá, a imagem de Nossa Senhora da Piedade representa Maria a receber o corpo do seu Filho deposto na cruz. Enormemente retratada na arte cristã, a cena invoca o sofrimento de Maria ao ver o seu Filho morto. Não demorou para a devoção se propagar, visto a grande identificação do povo com o sofrimento da Mãe que chora pelo seu Filho e O leva ao sepulcro.

Em Portugal a devoção está muito difundida. Conta a lenda que um lavrador encontrou uma imagem da Virgem da Piedade numa árvore, junto da qual um dos seus bois se ajoelhava sempre. É muito visitado o santuário de Penafiel, em estilo neogótico e bizantino.

ORAÇÃO:

Com os olhos em lágrimas e o coração angustiado pela dor, segurastes, Senhora, o vosso Filho descido da cruz, morto para a nossa redenção. Acolhei hoje a cada um de nós com o mesmo amor que demonstrastes ao segurar nos braços o corpo de Cristo maltratado pela injustiça e pela ganância. Ámen.  

Segundo a tradição, uma das primeiras aparições de Nossa Senhora deu-se ao Apóstolo Tiago, quando este evangelizava a Espanha. Maria, que vivia em Éfeso, apareceu em Saragoça para animar o Apóstolo na evangelização. Baseada nessa tradição, surgiu a devoção a Nossa Senhora do Pilar, hoje a mais popular de Espanha e muito difundida nos países latinos. A imagem venerada em Saragoça é uma estátua de 38 centímetros colocada em cima de uma coluna (ou "pilar"). É a padroeira de Espanha.

CONSAGRAÇÃO:

Virgem Senhora do Pilar, eis-me aqui na vossa presença para suplicar a vossa proteção e merecer os vossos favores. Se pecador eu sou, em compensação vós sois a Mãe de clemência e misericórdia. Oh Virgem Santíssima do Pilar, desde sempre minha mãe e protetora durante toda a minha vida e na hora da minha morte. Ámen.  

A região de Liège, Bélgica, é uma das mais inférteis da Europa. Ali fica a vila de Banneux, onde Mariette Beco, de doze anos, teve em 1933 uma série de visões de Nossa Senhora. A primeira aparição ocorreu em 15 de janeiro, no quintal da casa. Ao olhar pela janela, Mariette viu uma senhora muito formosa, toda iluminada; vestida como a Virgem de Lourdes. Queria ir ao seu encontro, mas foi impedida pela mãe, temerosa por não saber o que se passava. Dias depois, a Virgem aparece novamente e conduz Mariette até uma fonte. Lá diz-lhe: «Esta fonte está reservada para mim.» E desaparece. Diante da incompreensão da menina, disse noutra aparição: «Esta fonte está reservada para todas as nações, para restaurar e socorrer os doentes.» A menina perguntou também qual era o nome da Senhora, que respondeu: «Eu sou a Virgem dos pobres».

Uma simples capela foi construída junto à fonte, conforme o desejo da Virgem dos Pobres. Em 1949, as aparições foram oficialmente reconhecidas e um santuário foi construído no local.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, Virgem dos Pobres, acalentai o coração dos que sofrem com a pobreza e o abandono. Fazei que a justiça prevaleça sobre a injustiça, a caridade sobre o egoísmo, a solidariedade sobre o individualismo. Assim viveremos mais tranquilos e felizes. Ámen.

No ano 79 da era cristã, Pompeia e outras quatro cidades italianas foram destruídas e sepultadas pelas lavas e cinzas do vulcão Vesúvio. Só no século XVII a cidade foi redescoberta por arqueólogos.

A devoção a Nossa Senhora do Rosário de Pompeia teve início com Bártolo Longo, ex-revolucionário que se tornou religioso e viajou pelo vale de Pompeia. Ao ver o grande número de pessoas que trabalhavam nas escavações, resolveu ajudá-las na vivência da fé e ensinou-as a rezar o Rosário. Construiu uma igreja dedicada à Virgem do Rosário, cujos milagres se difundiram rapidamente por toda a Itália.

ORAÇÃO:

Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Vós nos ensinastes a recorrer a Vós e, cheios de confiança, a chamar-Vos "Pai nosso, que estais no céu". Ó Senhor, infinitamente bom, que usais sempre de misericórdia e perdão, ouvi-nos, por intercessão da Imaculada Virgem Maria. Com ela meditamos os mistérios da vossa Encarnação e da nossa Redenção, recitando o Rosário. Aceitai as nossas humildes orações, dando-Vos graças pelos benefícios recebidos. Tomai perpétuo e cada dia mais glorioso o Santuário de Pompeia, onde veneramos a vossa e nossa Mãe. Pelos merecimentos de Jesus Cristo, Senhor nosso. Ámen.  

Em 17 de janeiro de 1871, num dia frio, com neve e já ao anoitecer, Eugénio Barbedette, de doze anos, e o seu irmão mais novo ajudavam a esmagar os talos de tojo para a ração do cavalo, em Pontmain, França. Ao olhar para o céu, Eugénio viu a figura de Nossa Senhora sobre a casa vizinha.

Chamou a atenção do irmão José, do pai e de uma senhora que ia a passar. Apenas o irmão pequeno de Eugénio viu a mesma coisa que ele via. «Oh, sim!», respondeu José, «vejo uma Senhora bela e grande, vestida com uma túnica azul brilhante, como as bolas de anil que usam para a roupa.» Tristemente, a Virgem olhava para o seu Filho na cruz.

A aparição durou cerca de três horas. Muitos moradores aproximaram-se, mas só as crianças viam a Virgem. Na imagem, surgiu uma inscrição: «Meus filhos, rezai. Deus vos ouvirá muito em breve. O meu Filho deixa-Se comover.» Afastado do local da visão de Pontmain, achava-se o general prussiano Schmidt com as suas tropas, que não conseguiram prosseguir em direção à vila. O bispo de Laval, monsenhor Wicart, um ano depois, em 2 de fevereiro de 1872, divulgou uma carta pastoral a aprovar o culto à Virgem da Esperança de Pontmain.

ORAÇÃO:

Querida Mãe, Senhora de Pontmain, que protegestes o povo durante o tempo de guerra, renovai em cada dia a nossa esperança. Que a nossa vida corresponda sempre às nossas orações. Ámen.  

Na Basílica de Santa Maria maior, em Roma, há uma imagem de Nossa Senhora que se julga ter sido pintada pelo evangelista São Lucas. A imagem é conhecida como Nossa Senhora do Pópulo, em referência à expressão "Salus Populi Romani" e foi difundida em todo o mundo, principalmente pelos jesuítas, após a autorização do Papa São Pio V. Em Portugal chegou a ser a "devoção da moda" durante certo tempo. Há muitas igrejas a ela dedicadas, principalmente em Braga e nas Caldas da Rainha, está construída por D. Leonor, esposa de D. João II, e reedificada por D. João V.

ORAÇÃO:

Toda santa, digna de toda a honra,
és a melhor oferta
que a humanidade possa apresentar a Deus,
Virgem mãe, Mãe sempre virgem,
súplice materna ao teu Filho!

Conduz até ao porto
a barca da Igreja,
removendo os obstáculos
e vencendo as vagas.

Protege esta cidade,
conforta quem aqui chega,
sem tecto nem defesa,
e estende a todos o teu apoio.

Com fé te professamos, Mãe de Deus,
com amor te honramos,
com esperança te pedimos,
Bem-Aventurada te proclamamos!

Tu, minha Senhora,
meu conforto junto de Deus,
auxílio para a minha inexperiência,
acolhe a oração que te dirijo.

Tu, fonte de alegria para todos,
torna-me digno de exultar contigo.

Olha para a assembleia dos crentes,
Mãe do Salvador,
afasta deles desventuras e aflições,
liberta-os do mal e do maligno,
protege-os com a abundância
da tua benevolência.

No retorno glorioso do teu Filho,
nosso Deus, defende com
a tua materna intercessão
a nossa fragilidade humana
e acompanha-nos até à vida eterna
com a tua mão gentil,
tu que és Poderosa porque és Mãe!

(Bento XVI)

A devoção a Nossa Senhora aproxima os fiéis dos mistérios da fé e leva-os a seu Filho, Jesus. Como modelo de fé e seguimento, Maria ensina-nos a rezar e a viver segundo o ensinamento divino. Por tudo isto ela é Porta do Céu, ou seja, um caminho que nos conduz à santidade, à vida em Cristo. A origem da devoção está ligada à Ladainha de Nossa Senhora.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, Mestra e Rainha, pelo vosso exemplo de seguimento somos inspirados no caminho da fé e de vida santa. Queremos aprender de vós a melhor maneira de nos consagrarmos ao vosso Filho e ao seu Evangelho, na certeza de que nos conduzireis ao reino, pois vós sois a Porta do Céu. Ámen.  

Padroeira do Porto, a origem desta devoção está ligada a uma imagem bizantina colocada no célebre santuário, cuja construção foi iniciada no século VI, no bairro do Porto ("Le Port"), em Clermont-Ferrand, em França. Uma cópia deste ícone foi levada na batalha contra os muçulmanos, para a retomada da cidade do Porto, em Portugal. O seu culto existe em diversas freguesias do país.

Merece destaque aqui também o santuário de Nossa Senhora do Porto de Ave. Outras variações são: Nossa Senhora de Porto Covo, do Porto Salvo, do Porto Seguro.

ORAÇÃO:

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria,

que nunca se ouviu dizer que algum

daqueles que tenha recorrido à Vossa protecção,

implorado a Vossa assistência e reclamado o Vosso socorro,

fosse por Vós desamparado.

Animado eu, pois, de igual confiança,

a Vós, Virgem entre todas singular,

como a Mãe recorro, de Vós me valho,

e, gemendo sob o peso dos meus pecados,

me prostro aos Vossos pés.

Não desprezeis as minhas súplicas,

ó Mãe do Filho de Deus humanado,

mas dignai- Vos de as ouvir propícia

e de me alcançar o que Vos rogo (fazer o pedido).

Ámen

Sempre foi muito forte a devoção mariana em Portugal, como muitas imagens, capelas, santuários e seguidores fervorosos. Tanto que Nossa Senhora da Conceição foi proclamada padroeira de Portugal pelo rei D. João IV, em 1646, e coroada como a Excelsa Rainha, Mãe de Deus. A partir desta data, nenhuma rainha usou a coroa, mas unicamente Nossa Senhora. Muitos títulos marianos também tiveram aqui a sua origem e ganharam o mundo. Desde muito cedo foi popular o título Nossa Senhora de Portugal, mas recentemente está ligado a Nossa Senhora de Fátima, a Senhora de Portugal por excelência.

ORAÇÃO:

Virgem Imaculada! Minha Mãe Maria! Eu vos renovo, hoje e para sempre, a consagração de todo o meu ser para que disponhais de mim para o bem de todas as pessoas. Somente vos peço, minha Rainha e Mãe da igreja, força para cooperar fielmente na vossa missão de levar o reino de Jesus ao mundo.

Ofereço-vos, portanto, Coração Imaculado de Maria, as orações e sacrifícios deste dia, para que sejamos fiéis à nossa consagração, e igualmente disponíveis a colaborar convosco na construção de um mundo novo. Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós, de modo particular pelas famílias da nossa comunidade. Salve Rainha....

No século XVII, na cidade de Lisboa, uma imagem de Nossa Senhora foi encontrada sobre uma fonte. Levada ao mosteiro próximo, voltou milagrosamente para a mesma fonte. Nessa ocasião, a Virgem manifestou-se a uma menina, pedindo-lhe que aí fosse construída uma capela com o título Nossa Senhora dos Prazeres. Os moradores edificaram uma ermida e muitos milagres começaram a acontecer. A água que brota da fonte é tida como milagrosa. Muitos associam esta devoção a Nossa Senhora das Sete Alegrias, de origem franciscana. Segundo a tradição, foram sete as grandes alegrias ou prazeres de Nossa Senhora: a anunciação do anjo, a saudação de Isabel, o nascimento de Jesus, a visita dos Reis Magos, o encontro com o Menino no templo, a primeira aparição do Ressuscitado e a coroação no céu (Assunção).

ORAÇÃO:

Nossa Senhora dos Prazeres, nossa Mãe querida, ao celebrarmos as vossas grandes alegrias – a anunciação do Senhor, a visita à vossa prima Isabel, o nascimento do Menino Jesus, a adoração dos Magos ao vosso Divino Filho, o encontro de Jesus no templo, a ressurreição de Cristo e a vossa gloriosa Assunção – queremos pedir a vossa intercessão junto de Deus por nós e pelas nossas famílias. Que Ele nos livre das doenças e dos perigos, do desemprego e da desunião.

Nossa Senhora dos Prazeres, ajudai-nos a ser bons seguidores do vosso adorado Filho, lendo e reflectindo a Bíblia Sagrada, alimentando-nos de Jesus na Eucaristia e participando ativamente na nossa comunidade. Queremos viver o mandamento do amor para com todos e caminhar na nossa vida dentro da justiça e colaborar para a construção da paz e da fraternidade. Ámen.  

Além da devoção a Nossa Senhora do Bom Parto, é bastante popular entre as famílias que aguardam o nascimento de um filho a devoção a Nossa Senhora Protetora dos Nascituros. Ambos os títulos surgiram a partir do reconhecimento das dificuldades que envolveram a gestação e o parto de Jesus. Há referências também à ajuda que Maria deu à sua prima Isabel, grávida de João Batista. Maria protege hoje as mulheres que vivem a mesma experiência que ela viveu há mais de dois mil anos.

ORAÇÃO:

Senhora e Mãe nossa, é com santa angústia e zelo fraterno que nos dirigimos a vós, amiga e defensora de todas as crianças, nascidas e por nascer. Vós fostes "a toda a pressa" para santificar, com a presença do vosso Filho, uma criança que estava prestes a nascer. Cuidastes de tudo, com carinho e desvelo de Mãe. Agora, queremos invocar-vos como Protetora dos Nascituros. Vinde depressa em socorro de todos os nascituros, levando-lhes, com o vosso Filho, Jesus, a certeza e a garantia da vida, de sobrevivência digna, de acolhimento num lar afetuoso e de merecida educação. Vós podeis fazê-lo, porque levais Jesus convosco e porque «para Deus nada é impossível» (Lc 1,37). Anticipadamente, ó Mãe e Protetora dos Nascituros, agradecemos-vos esse imenso favor. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Ámen!  

Desde o início do Cristianismo, Nossa Senhora é invocada com o título "da Purificação". Esta sua festa é celebrada no dia da Apresentação do Senhor, por estar intimamente associada a esse facto. Segundo a lei mosaica, todo o filho varão devia ser apresentado no templo, quarenta dias depois do nascimento. A celebração marcaria a "purificação" da mãe, considerada impura após o parto. Mesmo não sujeita a esta lei, pois não tinha pecados, Maria submeteu-se ao ritual e foi ao templo para apresentar o Menino.

A celebração denominava-se também "das Candeias", em referência às palavras do profeta Simeão, que ao ver Jesus disse: «Os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações.» (Lc 2,30-32)

Desde o século VII, quando foi instituída a festa pelo Papa Sérgio I, surgiu a tradição das procissões das velas neste dia.

ORAÇÃO:

Ó Maria, mesmo sem estardes manchada pelo pecado e pela impureza, aguardastes o tempo previsto na lei para apresentar o Menino no Templo. Ajudai-nos a ser fiéis aos mandamentos de Deus e pacientes no cumprimento das nossas obrigações. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Antes mesmo da era cristã, existia em Puy uma pedra sagrada, à qual se atribuíam muitas curas. Era conhecida como "pedra das febres". Em sonhos, uma viúva de Puy foi enviada pela Virgem a este local – onde se localiza o santuário, na montanha de Anis. Mandou que ela passasse a noite ali, deitada sobre a pedra. No dia seguinte, a viúva estava curada e procurou o bispo para manifestar o desejo de Nossa Senhora: um santuário. Iniciou-se prontamente a sua construção. A pedra sagrada foi posta diante do altar-mor do santuário, e mais tarde em frente da porta. Diversas curas são atribuídas a Nossa Senhora. Todos os peregrinos procuram tocar na pedra sagrada ou deitar-se nela.

ORAÇÃO:

O contacto com o poder energético da natureza fortalece-nos e cura, mas sois vós, ó Senhora, que sempre nos conduzis e mostrais o caminho que devemos percorrer para alcançar-mos a graça de que necessitamos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.