LETRA D

A invocação de Nossa Senhora da Defesa é outra devoção com origem militar, em tempos de guerra. Conta-se que em 1410, durante a invasão do exército godo à bacia de Ampezzano, em Itália, os habitantes invocaram a Virgem para os ajudar na defesa das suas terras. Ela apareceu num trono, sobre nuvens, com uma espada na mão. Quando o exército atacou, Nossa Senhora da Defesa desceu sobre a vila e as nuvens confundiram os soldados adversários, que se atacaram entre si. Na imagem venerada atualmente, Maria segura o Menino Jesus no braço esquerdo e sustenta uma espada erguida na mão direita.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu pego no vosso manto santo e refugio-me debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demónios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Ámen.

A cidade espanhola de Valência tem como padroeira Nossa Senhora dos Desamparados. O título, juntamente com a imagem, foi criado em 1409 pelo padre Jofre. Ao andar pela cidade de Valência, o padre Jofre presenciou uma cena de grande violência contra um menino de rua. Decidiu naquele momento iniciar uma confraria para cuidar dos desamparados. Construiu um abrigo e uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados. A imagem foi esculpida por dois peregrinos e não tardou a aparecer sinais de milagres a ela associados.
ORAÇÃO:
Querida Senhora, que acolheis os pobres desamparados no calor do vosso abrigo e a todos confortais com o vosso cuidado materno, fazei que eu seja mais desprendido e sempre solidário com as necessitados e excluídos. Ámen.

A origem da devoção de Nossa Senhora Desatadora de Nós está ligada à imagem barroca pintada por volta de 1700 em Augsburg, na Alemanha. A imagem representa a Imaculada Conceição, com uma coroa de doze estrelas que simboliza as tribos de Israel e os Apóstolos. Na mão, tem uma corda com nós, entregue por um anjo, que representam o pecado original, os nossos pecados e tudo o que impede a graça de agir frutuosamente. Há uma clara referência às meditações de Santo Ireneu sobre o pecado. Nossa Senhora ajuda a desatar esses nós, e todos os "nós" que surgem na nossa vida e nos impedem de viver plenamente.
ORAÇÃO:
Santa Maria, Desatadora de Nós, cheia da presença de Deus, durante os dias da vossa vida aceitastes com toda a humildade a vontade do Pai e nunca fostes dominada pelo mal. Junto do vosso Filho, intercedestes pelas nossas dificuldades e, com toda a paciência, deste-nos o exemplo de como desenrolar as linhas embaralhadas da nossa vida. Proclamada por Jesus como nossa Mãe, colocais em ordem e fazeis mais claros os laços que nos unem a Ele.
Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, que com o coração materno desatais os nós que atrapalham a nossa vida, pedimos que recebais em vossas mãos... (dizer o próprio nome ou o nome da pessoa pela qual reza) e que a(o) livreis das amarras e confusões.
Pela graça de Deus, por vossa intercessão, com o vosso exemplo, livrai-nos de todo o mal, Senhora Nossa, e desatai os nós que nos impedem de nos unirmos a Deus. Assim, livres de toda a confusão e erro, louvemo-l´O em todas as coisas, coloquemos n´Ele o nosso coração e possamos servi-l´O sempre nos nossos irmãos. Ámen.

Nossa Senhora das Descobertas é o título dado à imagem especialmente esculpida para a capela do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, construído sob o tema da expansão portuguesa. A escultura foi criada por José Pereira e sua particularidade é a posição do manto, que representa os pontos cardeais.
ORAÇÃO:
Santa Maria, Mãe de Deus e Senhora das Descobertas, nós te veneramos e agradecemos a tua ternura e doce presença na nossa vida. Assim como outrora acompanhaste os homens na descoberta de novos mundos, sê guia no nosso caminho! Ilumina os cientistas que se dedicam ao estudo e pesquisa de novos métodos para a cura dos males; fortalece e protege os médicos, os enfermeiros, os auxiliares e técnicos de saúde e todos aqueles que trabalham pelo bom funcionamento dos hospitais e dos centros similares; cuida e ampara todos os familiares e amigos dos doentes; influencia, estimula e inspira todos os doentes a avançar no caminho da sua própria cura física, psicológica e espiritual; coloca no teu colo e na tua ternura todos os doentes, de forma especial os que se encontram em situação limite de agonia.
Virgem Santíssima, Senhora das Descobertas, Acolhimento de Sabedoria e Fonte de Paz, leva-nos a teu Filho Jesus. Ámen.

Esta devoção faz referência à fuga da Sagrada Família para o Egito, retratada na Escritura (Mt 2,3ss). Avisado pelo anjo, José leva Maria e o Menino para um lugar seguro, longe de Herodes. Neste exílio forçado preparam Jesus para o seu regresso à Galileia. A Sagrada Família passou cerca de cinco anos no Egito, voltando para Nazaré depois da morte de Herodes.
A devoção foi muito forte no período colonial, talvez pelo sentimento dos portugueses de encontrar na Virgem exilada o consolo de que necessitavam para o seu próprio desterro. Em alguns lugares ela é chamada Nossa Senhora dos Imigrantes ou da Fuga para o Egito.
ORAÇÃO:
De Belém ao Egito, com o Menino recém-nascido escondido e apertado ao peito, por terras desérticas e desconhecidas, triste e silenciosa, seguindo os passos firmes de José... Eis a Mãe do Filho de Deus a caminho do Desterro. Nossa Senhora do Desterro, olhai para nós, vossos filhos, apreensivos e inseguros, neste vale de lágrimas, a caminho da Pátria definitiva. Depois deste desterro, ó Mãe carinhosa, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Nossa Senhora do Desterro, acompanhai-nos na travessia do deserto da vida, até alcançarmos o oásis eterno: o Céu. Ámen.

No dia 8 de setembro de 1703, Nossa Senhora apareceu na cidade de Sevilha, em Espanha, sentada numa rocha e vestida como as mulheres locais que cuidavam dos rebanhos de ovelhas. Daí surgiu o título de Divina Pastora. Inicialmente foi chamada "Virgem Zagala", que significa a pastora que cuida do rebanho. Hoje, o principal santuário a Nossa Senhora Divina Pastora fica na ilha de Trindade, nas Antilhas. Existem também os títulos: Nossa Senhora Pastora, Pastora dos Homens, Pastorinha, dos Pastores.
ORAÇÃO:
Por ser a Mãe do Bom Pastor, Jesus Cristo, tornastes-vos nossa Divina Pastora. A vós nos consagramos e a vós seguimos como ovelhas do rebanho de Deus. Confiamos na vossa palavra e na direção que nos conduzis. O vosso exemplo de vida é a principal prova de que nos conduzireis para o reino eterno. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora da Divina Providência teve início em Itália, no século XIII, e depois difundiu-se pelo resto da Europa, chegando até à Espanha, onde foi construído um santuário, em Terragona. Quando foi nomeado bispo de Porto Rico, monsenhor Gil Estevez y Tomas introduziu a devoção no país. Levou para a catedral uma imagem de Maria sentada, inclinada sobre o Menino que dorme. As mãos da Virgem unem-se em oração enquanto seguram a mão esquerda de Jesus. Foi declarada padroeira de Porto Rico, em 1969, pelo Papa Paulo VI.
ORAÇÃO:
Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe da Divina Providência, sustentai a minha alma com a plenitude da vossa graça, governai a minha vida e dirigi-me nos caminhos da virtude, até ao cumprimento perfeito da Divina Vontade. Alcançai-me o perdão das minhas culpas; sede o meu refúgio, a minha proteção, defesa e guia na peregrinação deste mundo; consolai-me na mina aflição, sustentai-me no perigo, sede o meu seguro asilo nas tormentas da adversidade.
Ó dulcíssima Mãe da Providência, lançai um olhar materno sobre mim, porque sois a minha esperança. Fazei que eu possa saudar-vos no céu como Mãe da Glória. Ámen.

Em 1740, quando voltava para Roma, um peregrino foi surpreendido por alguns cães raivosos. Cercado, o homem vê no alto de uma torre a imagem de Nossa Senhora – a Virgem sentada no trono real, com o Menino Jesus ao colo: uma pomba desce sobre ela como símbolo do Espírito Santo, o Divino Amor. O pobre homem pede-lhe ajuda. No mesmo instante os cães acalmam-se e vão-se embora.
Logo que o miraculado chegou a Roma e contou o facto, iniciaram-se peregrinações ao castelo onde a Virgem se manifestara, a cerca de 15 km da cidade. No dia 4 de Junho de 1944, quando os aliados chegavam perto de Roma, o Papa Pio XII rezou, pedindo que Nossa Senhora do Divino Amor livrasse a cidade de bombardeamentos. Nessa mesma noite as resistências nazis caíram e os alemães deixaram Roma sem combate com os aliados. O Papa agradeceu a Nossa Senhora e proclamou-a "Salvadora de Roma".
ORAÇÃO:
Ó Maria, Mãe do Divino Amor, a vós elevamos as nossas súplicas e esperamos alcançar as graças de que necessitamos. Concedei a paz ao mundo, fazei triunfar o vosso amor, protegei o Papa, reuni na unidade perfeita todos os cristãos, iluminai com a luz do Evangelho todos os que ainda não creem, convertei os pecadores. Dai-nos a coragem do arrependimento constante e força para vencer as tentações, iluminai a nossa mente para seguirmos sempre o caminho do bem. Finalmente, quando Deus nos chamar, abri-nos as portas do céu. Que o nosso coração arda sempre no amor de Deus nesta vida, para gozarmos eternamente convosco no céu. Ámen.

Elisabeth, irmã marcelina italiana, muito fragilizada por uma doença incurável, teve uma visão de Nossa Senhora no ano de 1924. Com o Menino a chorar nos seus braços, a Virgem disse a Elisabeth que rezasse para encontrar a cura e o fim do seu sofrimento. Em nova aparição, disse que as lágrimas nos olhos do seu Filho se deviam ao facto de Ele não ser suficiente amado, procurado e desejado pelas pessoas, principalmente as consagradas. Tendo recuperado a saúde, a irmã Elisabeth passou a divulgar a mensagem de Maria pelo mundo.
ORAÇÃO:
Ó Maria, como exultava o vosso espírito diante dos milagres realizados pelo vosso Filho! Concedei a graça de... (fazer o pedido) a esta pessoa, cujo bem tanto me interessa, e procurai, deste modo, novas delícias ao vosso espírito e novas glórias a Jesus. Saúdo-vos, ó Maria, e suplico que me assistais na hora da minha morte. Ámen.

Nossa Senhora do Doce Beijo é uma variação da Virgem "Glykofilusa", um ícone da escola cretense do século XVII. Representa Maria com olhar terno, também denominada Nossa Senhora da Ternura. As principais características do ícone, popular nas regiões gregas e ítalo-bizantinas, são as expressões de carícia no rosto de Maria e do Menino, a delicadeza com que Jesus apoia a sua mão e as vestes típicas da região onde o ícone foi pintado. Mede 49x64 cm e encontra-se atualmente no Pontifício Colégio Grego de Roma. Às vezes é chamada Nossa Senhora da Ternura, ou ainda "Glykofilusa".
ORAÇÃO:
Coração Dulcíssimo de Maria, dai-nos força e segurança na nossa caminhada na terra. Sede vós mesma o nosso caminho, porque vós conheceis a senda e o atalho certo que levam, com o vosso amor, ao amor de Jesus Cristo. Ámen.

No dia 20 de abril de 1906, no colégio dos jesuítas em Quito, capital do Equador, alguns alunos admiraram-se ao ver a imagem de Nossa Senhora das Dores a abrir e a fechar suavemente os olhos. Foram chamar de imediato o diretor do colégio, que comprovou o fenómeno. O facto, posteriormente analisado e comprovado como prodigioso e de ordem sobrenatural, durou cerca de quinze minutos. Foi o suficiente para dar início à devoção a Nossa Senhora Dolorosa do Colégio.
ORAÇÃO:
Para que o vosso Divino Filho conduza o Equador pelos caminhos da reabilitação religiosa e espiritual; para que Ele remedeie os graves problemas e as necessidades desse país tão amado pela Providência: ó Santíssima Virgem Dolorosa do Colégio, padroeira da educação católica do Equador, protegei a nossa infância e juventude. Mãe Dolorosa aos pés da Cruz, Mãe espiritual de todos os homens, Mãe espiritual dos equatorianos, agradecemos todos os benefícios da redenção e também os cem anos de favores recebidos através da vossa devoção de Dolorosa do Colégio. Animai a todos nós, para que vos amemos sempre mais, filial e constantemente. Ámen.

Em 1900 começou na aldeia chinesa de Dong Lu a devoção a Nossa Senhora. Desde esse ano, apesar de o culto religioso ser proibido pelo governo comunista chinês, milhares de peregrinos dirigem-se ao lugar conhecido como "Colina da Mãe", para rezar e pedir a intercessão de Maria, especialmente no mês de Maio. O santuário de Dong Lu é o único que permanece fiel ao Vaticano e não ao governo chinês, fazendo parte da chamada "Igreja subterrânea".
ORAÇÃO:
Na perseguição, sede a nossa proteção; na fraqueza, sede a nossa força; na instabilidade, sede a nossa segurança; no sofrimento, sede o nosso consolo; na escuridão, sede a nossa luz; na divisão, sede a nossa união (acrescentar pedidos). Porque vós sois a nossa Mãe, pedimos o vosso auxílio para permanecermos firmes na fé e no seguimento do vosso Filho. Ámen.

Diversas imagens e invocações de Maria salientam o aspeto da sua dor, ao ver o sofrimento e morte do Filho. Desde muito cedo se iniciou a devoção a Nossa Senhora das Dores e atualmente é uma das mais difundidas em Portugal. A sua imagem recorda as palavras do profeta Simeão, no templo de Jerusalém, por ocasião da apresentação do Menino. «Uma espada trespassará a tua alma». O Papa Pio VII introduziu a festa no calendário litúrgico, confirmando a participação dolorosa da Mãe na redenção operada pelo Filho.
Maria acompanhou Jesus nos momentos de dor – flagelação e crucificação – e ela própria viveu muitas dores: a perseguição de Herodes; a fuga para o Egito; a perda do Filho, aos doze anos, na peregrinação a Jerusalém; a morte e sepultura d´Ele. O povo sofrido e constantemente em contacto com as "dores" da vida identifica-se enormemente com a Virgem. Com ela também se consola e fortalece, pois o sofrimento é caminho para a glorificação.
ORAÇÃO:
Minha Mãe dolorosa, não vos quero deixar sozinha a chorar; quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Esta graça vos peço hoje: alcançai-me terna devoção à paixão Jesus e à vossa, a fim de que todos os dias que me restam me sirvam somente para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Elas alcançar-me-ão o perdão, a perseverança e o céu, onde espero cantar as misericórdias infinitas de Jesus, por toda a eternidade. Ámen.

