LETRA C

No século XVI, um indígena paraguaio convertido foi atacado pelos Mbayaes quando se encontrava numa montanha. Correu e escondeu-se. Nos momentos tensos em que permaneceu escondido, rezou à Virgem para que o livrasse da morte. Passado o perigo, esculpiu uma imagem de Nossa Senhora com um galho da árvore que o protegeu. Esta imagem foi arrastada pelas águas do lago Tapaicuá, numa enchente de 1603. Milagrosamente, após as águas baixarem, a imagem apareceu intacta. Uma capela foi construída (mais tarde, um santuário) e a pequena imagem passou a ser venerada como Nossa Senhora de Caacupé, que significa "atrás dos montes". É padroeira do povo paraguaio, que a chama carinhosamente a "Virgem Azul do Paraguai".

ORAÇÃO:

Santíssima Mãe de Deus e nossa Mãe, do Santuário de Caacupé cobri com o vosso manto protetor os devotos e todo o Paraguai. Intercedei pelos nossos pais e benfeitores, pelos desvalidos e por todos os que necessitem de perdão e de misericórdia. Protegei a nossa Santa Mãe Igreja e alcançai luz aos magistrados para que façam justiça e haja paz entre os homens. Depois da graça particular que pedimos, alcançai-nos também a graça maior de perseverar na nossa fé e no vosso amor, para assim merecermos a realização da promessa que o Nosso Senhor Jesus Cristo nos fez quando disse: «Aquele que perseverar até ao fim salvar-se-á.» A vós pois, Mãe querida, clamamos para que nos obtenhais tão singular favor. Ámen. (Pedir a graça especial.)

Em agosto de 1227, enquanto cuidava do rebanho próximo ao Pico da Cabeça, na Andaluzia, em Espanha, Juan de Rivas, ouviu o barulho de uma campainha, Juan era um soldado que perdera um braço na batalha. Ao seguir em direção ao som da campainha, percebeu uma forte luz que vinha de uma gruta. Viu então uma fogueira e ao lado dela a imagem da Virgem. A Senhora pediu que ali fosse construído um templo e para provar que a sua aparição era verdadeira, restituiu o braço a Juan. Logo que viu o sinal de Maria, o povo dirigiu-se à colina e proclamou-a padroeira da aldeia.

Apesar de o título surgir por causa do nome do local, Nossa Senhora da Cabeça começou a ser invocada para combater os males que atingem a cabeça. À imagem original foi acrescentada uma "cabeça" na mão da Virgem.

ORAÇÃO:

Eis-me aqui, prostrado aos vossos pés, ó Mãe do céu e Senhora nossa! Tocai o meu coração a fim de que eu deteste sempre o pecado e ame a vida austera e cristã que exigis dos vossos devotos. Não vos esqueçais também das misérias que afligem o meu corpo e enchem de amargura a minha vida terrena. Dai-me saúde e forças para vencer todas as dificuldades que o mundo me opõe. Não permitais que a minha pobre cabeça seja atormentada por males que me perturbem a tranquilidade da vida. Pelos merecimentos do vosso divino Filho, Jesus Cristo, e pelo amor que Lhe consagrais, alcançai-me a graça que agora vos peço. Ámen. (Pedir a graça.)

Apesar de parecer uma variação do título da Nossa Senhora da Cabeça, a devoção a Nossa Senhora da Cabeça Inclinada tem uma origem bem diferente. Conta a tradição que no ano de 1610, o padre Domingos de Jesus Maria encontrou um quadro da Virgem da Graça. Numa das suas orações diante do quadro, a Virgem sorriu ao padre e fez um gesto de agradecimento inclinando a cabeça, daí originando o nome da devoção.

Numa outra manifestação, a Virgem disse: «Eu ouvirei os pedidos e concederei muitas graças a todos aqueles que recorrerem á minha proteção, honrando-me devotamente por meio deste quadro; mas atenderei principalmente às orações pelo alívio e salvação das almas do Purgatório.» O quadro foi transportado para outra igreja dos carmelitas, em Roma, e algumas cópias difundiram-se pela Europa.

ORAÇÃO:

Ó amada Mãe, que inclinais a cabeça em agradecimento às nossas orações, que nunca nos faltem fervor e fé. Atendei sempre os pedidos que humildemente vos dirigimos e socorrei todas as almas, conduzindo-as ao paraíso. Ámen.  

Segundo a lenda, no século XIII, um homem teve a visão de uma Senhora a sair do mar sobre uma mula, cuja pegada ficou gravada na rocha do Cabo Espichel, em Setúbal. De imediato o sítio se tornou num grande centro de peregrinações. Em 1715 foram construídos ali um santuário e um grande centro de acolhimento de peregrinos. Outra lenda diz-nos que, por volta do ano 1410, dois idosos de diferentes cidades tiveram sonhos semelhantes, que indicavam a localização de uma imagem de Nossa Senhora. Saíram das suas cidades e foram procurar a imagem, encontrando-a no Cabo, já conhecido centro de peregrinações. A imagem encontrada começou a ser venerada como Nossa Senhora do Cabo.

ORAÇÃO:

Senhora do Cabo, Padroeira e Mãe, nós vos bendizemos e vos louvamos. Queremos, com todo o fervor de que somos capazes, fazer nossas as palavras do anjo e de Santa Isabel: «Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus.» E agora, Santíssima Mãe de Deus, ao vosso amparo e proteção nos acolhemos e vos entregamos tudo quanto somos e tudo quanto temos, com toda a confiança com que os filhos se entregam à sua Mãe! Guardai hoje e pela vida além a nossa existência sob o vosso manto, bem junto ao vosso coração materno. Ficai ao nosso lado, hoje e sempre: no trabalho e no descanso, na tristeza e na alegria, nas lutas e nos desânimos da vida. Ensinai-nos a amar e a obedecer a Jesus, manifestando o nosso amor na prática dos seus mandamentos. Defendei-nos das tentações, livrai-nos do mal e nunca deixeis de estar presente nos nossos caminhos, Mãe da Divina Graça. Vós que fostes sempre a nossa defensora, guardai os que vos amam e os que andam mais afastados. Abençoai, Virgem Imaculada, a nossa paróquia, o nosso pároco, todas as famílias, a nossa Igreja e quantos nela trabalham. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, agora e na hora da nossa morte. Ámen.

Devoção associada ao quadro de Nossa Senhora pintado por Pierre Mignard, no século XVII. O quadro, atualmente no Museu do Louvre (Paris), tem a Senhora sentada com o Menino no regaço. Na palma da mão direita tem um cacho de uvas. O Menino tem a mão direita sobre o cacho e a esquerda a puxar o véu da Mãe sobre a sua cabeça, numa imagem muito terna. O cacho de uvas é tido como símbolo do sacrifício de Cristo no Calvário. Veja também Nossa Senhora da Uva.

ORAÇÃO:

Durante toda a vida terrena de Jesus vós O acompanhastes, querida Mãe. Do mesmo modo pedimos que estejais presente em todos os momentos da nossa vida, inundando-a de paz e carinho. Que o vosso amor por nós seja sentido e imitado em todas as nossas ações. Ámen.  

A primeira igreja construída no Funchal, em 1438, por ordem de Gonçalves Zarco, foi dedicada a Nossa Senhora do Calhau. O capitão edificou a igreja no local da sua chegada, a fim de iniciar ali uma vila. O título da devoção deve-se ao facto de haver no sítio muitos seixos e muitos calhaus nas praias e ribeiras do mar.

ORAÇÃO:

Diante de tanto egoísmo e injustiça que vemos no mundo, somos muitas vezes tentados a questionar Deus e a abandonar a fé. Ajudai-nos, Senhora, a fugir deste erro e a demonstrar sempre com maior intensidade o nosso fervor pelos caminhos de Cristo. Ámen.

Maria acompanhou Jesus nas suas pregações e estava ao seu lado no doloroso caminho do Calvário, mostrando-se sempre fiel à sua missão no plano de salvação do Pai. Aos pés da cruz, Maria chorou e foi consolada pelo Filho que a nomeou Mãe de toda a Humanidade (Jo 19,25-27).

No Calvário viveu a dor mais profunda de uma mãe: ver o seu Filho sofrer e morrer. Por isso, Nossa Senhora do Calvário é invocada pelas mães nos momentos de sofrimento e angústia.

Em Faro há a devoção a Nossa Senhora do Pé da Cruz, que é uma variação deste título.

ORAÇÃO:

Virgem Maria, Mãe da Humanidade, com o coração entristecido acompanhastes Jesus no caminho do Calvário. Consolai todas as mães que sofrem por causa dos seus filhos. Por pior que seja a situação que cada família enfrente, que as mães busquem sempre em vós o auxílio necessário para encontrar a resposta para os seus problemas. Dedicai especial atenção a mim hoje, para que eu possa, com o vosso apoio, superar este momento delicado da minha vida. Ámen.  

A devoção mariana foi uma profunda marca na vida de Santo Inácio de Loiola e da ordem religiosa que ele iniciou, a Companhia de Jesus. A primeira igreja fundada pelos jesuítas em Roma foi dedicada a Nossa Senhora do Caminho, devoção popular entre viajantes e peregrinos que pedem proteção enquanto trilham os seus "caminhos".

Em Portugal são muito populares os nichos de Nossa Senhora dos Caminhos, construídos desde 1963 por iniciativa de uma campanha da Mocidade Portuguesa Feminina. É também chamada Nossa Senhora da Estrada e dos Viajantes.

ORAÇÃO:

Acompanhai-nos constantemente no nosso caminho, querida Mãe, pois só assim teremos a certeza de não nos desviarmos do nosso destino. Que os nossos passos sejam sempre iluminados pelo evangelho e alimentados pelo espírito da justiça e da caridade. Ámen.  

Candeia é uma espécie de lamparina ou vela alimentada por óleo combustível, muito comum no tempo em que não havia energia elétrica. Há duas tradições para o título de Nossa Senhora das Candeias. Uma identifica-a com Nossa Senhora da Purificação, que lembra a apresentação de Jesus no templo, quando Maria cumpriu o rito de purificação. Nesta festa de apresentação costuma realizar-se uma procissão com velas; daí o nome "das candeias".

Uma tradição diferente associa este título a Nossa Senhora da Candelária, padroeira das Ilhas Canárias, por causa do milagre acontecido no momento em que a imagem foi encontrada no local: várias candeias estavam a ser seguradas por anjos, seres invisíveis. É a mesma Senhora da Expectação, da Purificação, da Candelária, da Luz.

ORAÇÃO:

Valha-nos, ó Deus, a intercessão da sempre Virgem Maria, para que, livres de todos os perigos, vivamos na vossa paz. Ámen.  

Segundo a tradição, a imagem de Nossa Senhora da Candelária foi encontrada sobre uma rocha, numa gruta em Chimisay, na ilha de Tenerife, no século XIV. Os dois pastores que encontraram a imagem avisaram prontamente os moradores. Quando voltaram ao local, encontraram várias candeias (velas) seguradas por seres invisíveis que entoavam hinos à Virgem. Daí surgiu o nome da Candelária e as variações "Candeias" e "Luz", atribuídas anos depois por um missionário espanhol.

A imagem original foi perdida no ano 1826, depois de uma inundação no santuário. No entanto, o povo construiu outra igreja e uma nova imagem foi esculpida, igual à original, que tem o Menino no braço direito e uma candeia na mão esquerda. Em 1867, a pedido do bispo das Canárias, Lluch y Garriga, o Papa Pio IX declarou Nossa Senhora da Candelária como padroeira de todo o arquipélago.

ORAÇÃO:

A luz que brota de vós, querida Mãe, ilumina o nosso caminho rumo a Deus. Que a vossa intercessão nos livre de todos os perigos e males do mundo e nos conduza à paz e ao amor necessários para vivermos felizes e tranquilos. Ámen.

Joaneta Vacchi, moradora de Caravágio, em Itália, demonstrava grande fé e levava uma vida honrada e simples, mas era muito maltratada pelo marido. A 26 de maio de 1432, quando ia buscar pasto para tratar dos animais, teve uma visão de Nossa Senhora, que lhe disse: «Não tenhas medo, filha. Sou eu. Põe-te de joelhos para começar a rezar. (…) Quero que digas a todos que, em honra de meu Filho, todas as sextas-feiras jejuem a pão e água e que em minha honra celebrem a tarde de sábado».

Depois de voltar à cidade e relatar os factos, os moradores acreditaram. No lugar da aparição, onde hoje está um santuário, surgiu uma fonte de água que curava os doentes que dela bebiam. Os imigrantes italianos levaram a devoção a diversos países.

ORAÇÃO:

Lembrai-vos ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado.

Animado eu, pois, com igual confiança em vós, Virgem entre todas singular, como a minha Mãe recorro, de vós me valho e, gemendo sob o peso de meus pecados, me prosto a vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Ámen.  

É devoção muito antiga e bastante popular em Portugal. Difundiu-se, porém, com maior amplitude no continente americano. Segundo a tradição, em 1628 dois indígenas e um escravo negro saíram para buscar sal à baía de Nipe. Lá, avistaram um objeto branco a flutuar. Ao aproximar-se, viram que era uma imagem da Virgem e com ela uma tábua com a inscrição: «Eu sou a Virgem da Caridade.» A pequena imagem foi de imediato trasladada para o povoado de El Cobre. Este foi o primeiro povoado a libertar os escravos, o que mostra a relação da aparição de Maria com a libertação e a justiça, além da sua preferência pelos pobres e oprimidos. Em 10 de maio de 1916, o Papa Bento XV proclamou-a padroeira da ilha de Cuba.

ORAÇÃO:

Santa Maria da Caridade, viestes como mensageira da paz flutuando sobre o mar. A vós recorremos, Santa Mãe de Deus, para vos honrar com o nosso amor filial. No vosso coração de Mãe colocamos os nossos anseios e esperanças, as nossas alegrias e súplicas. Pela nossa pátria, para que juntos todos construamos a paz e a concórdia; pelas famílias, para que vivam a fidelidade e o amor; pelas crianças, para que cresçam sadias física e espiritualmente; pelos jovens, para que reafirmem a sua fé e a sua responsabilidade na vida e em tudo o que lhe dá sentido; pelos doentes e marginalizados, pelos que sofrem a solidão, pelos que estão distantes das suas pátrias e por todos os que trazem o sofrimento nos seus corações. Ámen.  

No século XII, um grupo de eremitas retirados no monte Carmelo, na Palestina, deu início a uma ordem contemplativa, sob a proteção de Maria, Mãe de Deus. A Virgem passou a ser invocada sob o título de Nossa Senhora do Carmo. No período da perseguição pelos muçulmanos, os frades carmelitas invocaram de modo especial a Virgem do Carmo. São Simão Stock, primeiro-superior geral da ordem, pediu um sinal de proteção de Maria e recebeu das suas mãos o "escapulário", com a promessa de eterna salvação a todos os que o usassem: «Eis aqui um sinal de minha aliança.» Era 16 de julho de 1251.

ORAÇÃO:

Ó bendita e imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo! Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário, olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto da vossa maternal proteção. Fortificai a minha fraqueza com o vosso poder, iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Ornai a minha alma com a graça e as virtudes que a tornem agradável ao vosso divino Filho. Assisti-me durante a vida, consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como o vosso Filho e servo dedicado; e lá no céu eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade. Nossa Senhora do Carmo, libertai as almas do purgatório. Ámen.  

Uma imagem de Nossa Senhora do Carmo foi enviada ao Peru no ano de 1606 a pedido do comerciante Domingos Gomes da Silva, que sobrevivera a um naufrágio. Quando se aproximava do lugar conhecido como La Légua, a metade do caminho entre o porto de Callao e Lima, a capital, a mula que carregava a imagem parou. Domingos viu no facto um sinal e resolveu construir ali a capela em honra à Virgem do Carmo. Todos os anos a imagem é levada em procissão até ao porto de Callao, onde se faz uma novena.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora do Carmo, que concedeis ao povo peruano incontáveis bênçãos, intercedei junto de vosso Filho para que eu receba a graça de que necessito (fazer o pedido). A vós manifesto o meu carinho e confiança, elevando os meus louvores: Ave-Maria, cheia de graça...

Com a expansão da Ordem Carmelita, a devoção a Nossa Senhora do Carmo chegou a diversas partes do mundo, especialmente à América Latina. No Chile teve enorme aceitação a primeira imagem trazida por Dom Martin de Lecuna, em 1785. Durante as guerras da independência, a Virgem do Carmo foi tornada como padroeira do exército e invocada para a proteção nas batalhas. Após a conquista da liberdade, o exército e o povo chileno começaram a construção de uma igreja em Maipú, um campo de batalha, templo que ficou pronto em 1892. No início do século XX, a Santa Sé nomeou a Virgem do Carmo padroeira do Chile, símbolo da luta pela liberdade e independência. A imagem do santuário de Maipú é a mesma imagem talhada em madeira em Quito e levada para o Chile em 1785. A imagem venerada na capital, Santiago, foi esculpida em França no século XIX.

INVOCAÇÕES:

Transbordo de alegria em Deus, meu Salvador, porque me deu por Mãe e sua Mãe, Rainha e Mãe do Carmelo. (Avé-Maria)

Senhora, levai-me ao vosso Monte Santo e alegrai-me na vossa casa de oração. Conduzi-me, Virgem Maria, à Terra do Carmelo, para que eu possa saborear os seus melhores frutos. (Avé-Maria)

Mãe, que vossa branca sombra invisível acompanhe os meus passos, levando-me a Cristo, minha origem e meta. (Avé-Maria)

Mãe, mantendo-me sempre unido a vós com laços incorruptíveis, praticando seriamente as virtudes.

(Avé-Maria)

Na freguesia de Cárquere, região do Douro, existe uma igreja do século XV com uma bela imagem esculpida em marfim. Segundo a tradição, em 1110, o jovem D. Afonso Henriques encontrava-se ali doente. Egas Moniz, que o acompanhava, teve um sonho e foi orientado a desenterrar uma imagem da Virgem e a ela construir uma igreja. Após encontrar a imagem, o jovem D. Afonso Henriques ficou miraculosamente curado e a nova devoção surgiu.

ORAÇÃO:

Querida Mãe, que diversas vezes orientastes os vossos filhos através de aparições ou sonhos, mostrai-nos também a nós o caminho que devemos seguir para nos aproximarmos de vós e do vosso Filho. Iluminados por vós, encontraremos sempre o rumo certo e não temeremos a escuridão que se abate sobre o mundo. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Em 1494, James Buret descobriu uma pequena imagem da Virgem na cavidade de um carvalho, num bosque de Vion (França), enquanto apascentava um rebanho. O local tornou-se imediatamente centro de peregrinações e uma capela foi lá construída. O santuário atual foi erguido entre os anos 1869 e 1876, em estilo neogótico, e tornou-se basílica no final do século passado. Em Portugal, às vezes recebe o nome de Senhora dos Carvalhais ou da Carvalha.

ORAÇÃO:

Senhora nossa, há muitos séculos vos manifestastes a James Buret, num bosque françês, como sinal de que estais ao lado dos fracos e dos pobres. Olhai hoje para todos os vossos filhos que padecem nas ruas, os que vivem com dificuldade e os que não conseguem encontrar o verdadeiro sentido da vida. Ámen.  

Em 1526, uma tempestade provocou diversos estragos na região de Pollutri, em Itália. Após a tempestade, Alexandre Mutii foi ver como estavam os seus campos. Ia a rezar pelo caminho quando viu uma imagem de Nossa Senhora. A Virgem disse-lhe que o granizo da noite anterior se devia aos pecados do povo da cidade. Para evitar novos desastres, deveriam respeitar o preceito dos dias santos. Todos os dias 11 de Junho a capela recebe uma multidão de peregrinos vindos principalmente de Abruzos, Molise e Pulla. Muitos dormem no santuário, aguardando receber mensagens santas nos seus sonhos.

ORAÇÃO:

Ó amada Mãe, protegei-nos de todas as catástrofes naturais, livrando-nos da destruição e do perigo de qualquer espécie. Se cometemos algum ato contra os mandamentos de Deus, mostrai-nos o caminho da conversão e do seguimento do Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ámen.

Casaluce é uma vila na Sicília, onde se encontra o castelo que abrigava o rei Carlos II, no século XIII. Em 1295, o castelo e os seus pertences foram doados aos padres Celestinos. Aí se encontrava uma imagem da Virgem Maria que, segundo a lenda, foi pintada por São Lucas.

Objeto de grande veneração, a imagem era levada com os padres quando se afastavam de Casaluce: durante o verão mudavam-se para Aversa, a fim de fugir da malária. A peregrinação constante da imagem entre as duas vilas gerou conflitos com os moradores: todos queriam a imagem da Virgem para a sua igreja. O impasse permanece até hoje e a imagem fica seis meses em cada cidade.

ORAÇÃO:

Ó Nossa Senhora de Casaluce, que sempre protegestes o vosso povo, volvei benigna o vosso olhar sobre nós que invocamos o vosso auxílio. Quantos perigos, ó Mãe, nos ameaçam! Quantas desgraças nos amedrontam! Quantos inimigos nos assaltam de todos os lados! No entanto, vós que sois poderosa e piedosa, vós que sempre estais no meio de nós, homenageada qual Rainha, invocada com sentimentos de ternura, como Mãe, sorri para nós e protegei-nos.

Quando vos invocámos e não fomos por vós atendidos? Virgem Santa de Casaluce, connosco, que somos o vosso povo escolhido e favorecido, mostrai-vos sempre Mãe; protegei todos os que estão perto de vós, lembrai-vos daqueles que moram longe e a vós elevam a sua prece. Nós colocamos em vós toda a nossa confiança. Socorrei-nos na vida e na morte, sede na eternidade a nossa alegria. Assim seja.

O infante D. Henrique tinha especial devoção à Nossa Senhora de Casével. Tanto que a 1 de abril de 1434 escreveu ao Papa Eugénio IV e pediu indulgências para todos os fiéis que visitassem a igreja dedicada à Virgem, em Santarém, e a todos os confrades da sua confraria.

ORAÇÃO:

Cobri-nos com o vosso manto santo, ó doce Virgem Maria, a fim de não sermos ameaçados por nada neste mundo. Que a nossa vida seja uma total entrega ao vosso Filho e à edificação do Reino de Deus no mundo. Ámen.  

O céu faz parte do imaginário de todos os cristãos, como ambiente perfeito, morada de Deus, para o qual todos iremos, conduzidos por Cristo, após a morte. A devoção à Senhora do Céu é, por essa razão, muito antiga e popular. Uma das principais imagens desta devoção mostra Maria sentada numa nuvem a abraçar o Menino.

ORAÇÃO:

O céu, o céu! A ventura nos vossos braços, Virgem Pura. No abrigo do vosso seio, o céu! Piedosa Maria, convosco a eterna alegria. Dai aos vossos filhos o céu! - Alerta, filho, renova as tuas esperanças, mais um esforço e alcanças a promessa do Senhor: constância na prova rude! Que breve um prémio à virtude tens contigo: o eterno amor!

Em 1716, na freguesia de Valongo, no Porto, foi construído o santuário a Nossa Senhora de Chans (ou Chãs). A construção deveu-se à promessa feita por um grupo de náufragos. Salvos, resolveram edificar uma ermida no alto da serra, com o título de Chans. Desde a sua origem foi tida como protectora dos navegantes.

ORAÇÃO:

Pelas águas agitadas conduzi-nos, Rainha do Mar, e nas tempestades da vida confortai-nos. A vós consagramos a nossa vida, na certeza de que sempre nos auxiliais e conduzis para o porto mais seguro. Ámen.

O nome Chartres remete ao lugar chamado "Carnatum", onde se venerava uma divindade celta. Quando o Cristianismo chegou ao local, adaptou os ritos celtas à fé cristã. A imagem venerada permaneceu no local: uma mulher com uma criança ao colo. No entanto, passou a ser venerada como "Nossa Senhora sob a terra" e logo depois "Nossa Senhora de Chartres". Durante a Revolução Francesa (1789), a imagem foi queimada, sendo substituída por uma imagem da Virgem Maria, no século XIX. O local de culto – uma gruta – existe há séculos, e a imagem celta já aí era venerada quando Nossa Senhora vivia em Nazaré. Por esse motivo, a igreja de Chartres é considerada a mais antiga de França, e é hoje a catedral mais sumptuosa e o santuário mariano mais bonito do país, construído em 743.

ORAÇÃO:

Sob diversos nomes vos veneramos, nossa Mãe e Mestra, pois eles representam diferentes características da vossa vida e pessoa abençoada por Deus. Mesmo com a nossa pouca fé, ajudai-nos a aproximarmo-nos sempre mais de vós e do vosso Filho, nas diferentes culturas e sítios. Ámen.  

Apesar do Comunismo chinês não aprovar a religião e a fé cristãs, há na China dois grandes santuários marianos que levam milhares de devotos a manter contacto constante com Nossa Senhora: Dong Lu, em Boading, e Sheshan, em Xangai. Este último está sob o controlo da Associação Patriótica (a Igreja Católica Nacional da China, que não está em comunhão com o Papa). O Santuário de Dong Lu, no entanto, permanece como a "Igreja subterrânea" fiel à Igreja Católica Romana. Especialmente no mês de maio, desde 1924, os católicos de todas as partes da China viajam até Dong Lu.

ORAÇÃO:

Senhora nossa, que superastes todas as dificuldades para cumprir a vossa missão de dar à luz o Filho de Deus, ajudai-nos a superar os obstáculos que nos impedem de seguir mais de perto a Jesus e a vencer toda a espécie de intolerância que impede os cristãos de viverem a sua fé livremente. Ámen.  

No início da colonização da América, António de Santana foi nomeado administrador dos povoados de Suta e Chiquinquirá. Como de costume, construiu uma casa em Suta para acolher a família e servir de base para administrar as terras. Aí construiu também uma capela, na qual pôs uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, especialmente pintada para o administrador. Ao lado de Maria estavam pintados Santo André e Santo António de Lisboa.

Por falta de cuidados, a manta de algodão na qual foi feita a pintura deteriorou-se e rasgou-se. Alguns anos depois, a imagem foi levada para uma nova capela, em Chiquinquirá. Conta-se que ali, enquanto aguardava para ser restaurada, milagrosamente o manto apareceu com cores vibrantes e um brilho encantador, inicialmente visto por três mulheres: a viúva de Dom António, a cunhada, Maria Ramos, e uma índia. Em 1829, Pio VII declarou-a padroeira da Colômbia.

ORAÇÃO:

Mãe da Colômbia, de Chiquinquirá, abençoai a nossa terra, a nossa família, o nosso trabalho, os nossos amigos, a nossa vida toda. A vós nos consagramos, a fim de sermos adotados como filhos amados e protegidos. Ámen.  

Segundo a tradição, esta devoção surgiu com Santa Mónica, a mãe de Santo Agostinho. Ao ficar viúva, Mónica pediu a Nossa Senhora que lhe indicasse como havia de andar vestida. A Virgem apareceu vestida com um hábito preto e cingida com uma correia também preta, indicando que se deveria vestir assim. Os frades agostinianos assumiram um hábito semelhante a este. Os Eremitas de Santo Agostinho celebram Nossa Senhora da Cinta (ou da Correia) no sábado após a festa de Santo Agostinho.

ORAÇÃO:

Inspirada no vosso exemplo de Mãe e Mestra, Santa Mónica educou Agostinho na fé e por ele rezou incessantemente. Fazei suscitar em nós o mesmo amor a Deus que demonstraram os nossos estimados santos Agostinho e Mónica, para um dia também alcançarmos a santidade. Ámen.

Esta invocação vem da ilha do Pico, Açores. A imagem que deu origem à devoção representa Maria com o coração à mostra e no coração vê-se cravado um punhal. Muitas vezes é identificada como Nossa Senhora das Dores e representada com uma coroa de espinhos ou cravos, símbolos da Paixão de Cristo. Há uma estreita relação com a devoção do Santo Cristo, muito estimada nos Açores.

ORAÇÃO:

Em vós, querida Mãe, encontramos amparo e compaixão. Vós nunca nos abandonais e nos momentos em que mais precisamos estais ao nosso lado, dando-nos forças e segurança. Assim como acompanhastes cada passo de Cristo rumo ao Calvário, como sentistes com Ele as dores da flagelação, acompanhai hoje cada um de nós nas nossas dores e lamentos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen. 

Em 1854, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, assumido como verdade de fé já em 1439 pelo Concílio de Basileia. Ainda mais antiga é a devoção popular que considera Maria livre de qualquer pecado. Maria é a nova Eva, Mãe da Humanidade, imaculada desde a conceção. O dogma foi enaltecido quatro anos depois, com a aparição da virgem em Lourdes, onde ela declarou ser a "Imaculada Conceição", aquela que foi preservada do pecado desde o momento em que foi concebida.

Regista-se que já em 836, em Toulouse, França, Nossa Senhora apareceu ao sacerdote Gondisalve, manifestando o desejo de ser venerada sob este título. O sacerdote procurou divulgar a devoção e instituiu a festa, atualmente celebrada no dia 8 de dezembro. Nossa Senhora da Conceição foi proclamada padroeira de Portugal pelo rei D. João IV, em 1646. A partir dessa data os reis não mais puseram a coroa real na cabeça, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus. É a padroeira principal de Portugal.

ORAÇÃO:

Virgem Santíssima, que fostes concebida sem o pecado original e por isso mereceis o título de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e por terdes evitado todos os outros pecados, o anjo Gabriel saudou-vos com as belas palavras: «Ave Maria, cheia de graça.» Nós vos pedimos que nos alcanceis do vosso divino Filho o auxílio necessário para vencermos as tentações e evitarmos os pecados; e já que vos chamamos Mãe, atendei com caminho maternal a este nosso pedido. E que assim possamos viver como dignos filhos vossos. Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós. Ámen.  

Desde quando era seminarista, o Papa João XXIII dirigia as suas orações a Nossa Senhora da Confiança, padroeira do Seminário Romano Maior, onde estudou. Conta-se que foi o apoio da Virgem da Confiança que o levou à organização e realização do Concílio Vaticano II, um grande marco na vida da Igreja.

Uma das grandes divulgadoras desta devoção foi a Irmã Alice Marie Senise. Ela restaurou uma antiga imagem abandonada. No peito da Virgem pôs o emblema da Confiança: Fé, Esperança e Caridade; na face, 33 pedras preciosas indicam os anos que Cristo passou na terra. Há diversas capelas a ela dedicadas em Portugal.

ORAÇÃO:

Minha Mãe, uni-me cada vez mais a vós e uni-vos cada vez mais a mim. Eu agradeço-vos a graça da confiança, mas peço-vos que a torneis cada vez mais intensa diante de cada fraqueza que eu sinta.

Nossa Senhora da Confiança, dai-me forças! Peço-vos, ó Mãe, que do alto do céu desçam as vossas bênçãos maternais sobre os vossos filhos, transpondo suave e vitoriosamente as espessas camadas do pecado.

Como os discípulos de Emaús ao Divino Redentor, nós vos pedimos que essas bênçãos fiquem connosco, porque se faz noite sobre o mundo. A cada instante, a cada angústia, a cada necessidade, ajudem-nos elas a manter a mais inteira e filial confiança em vós. Ámen.  

O título de Nossa Senhora da Conquista está associado às cruzadas e ao período da colonização. Os portugueses e outros povos europeus levavam consigo a imagem da Virgem nas batalhas e expedições, a fim de os proteger na conquista de novas terras. A devoção foi levada para o Brasil pelos primeiros jesuítas que lá chegaram para a criação das "reduções", uma espécie de aldeias com infraestruturas avançadas para a época, com o fim de organizar, proteger e catequizar os índios. É conhecida a história do padre jesuíta Roque González, que em 1626, com a imagem de Nossa Senhora da Conquista nas mãos, atravessou o rio Uruguai em direção a Rio Grande do Sul, fundando a redução de São Nicolau. Acabou por ser martirizado pelos índios guaranis em 1628, juntamente com o padre Afonso Rodrígues.

ORAÇÃO:

Ó Maria, que acompanhastes os soldados que lutaram em nome da fé, acompanhai cada um de nós hoje na busca da nossa realização pessoal e na conquista dos nossos sonhos e ideais, sempre fundados no Evangelho. Ámen.   

A devoção surgiu no século V, em Turim, Itália. O povo começou a chamar "Consolata" (Consoladora) à imagem da Virgem com o Menino ao colo, trazida da Palestina por Santo Eusébio.

A data da celebração da Consolata, 20 de junho, deve-se a uma tradição do século XII. Conta-se que, durante uma guerra, a imagem foi perdida e só foi reencontrada décadas depois, em 20 de junho de 1104, sob as ruínas da antiga igreja, por um cego francês que teve uma visão de Nossa Senhora. Outra tradição diz que a imagem se perdeu quando os padres tentavam protegê-la dos iconoclastas. Esconderam a imagem, mas como os conflitos demoraram anos, os únicos que sabiam do seu local faleceram.

Há diversas variações deste título, tais como: Nossa Senhora da Consolação, Consoladora dos Aflitos e Consolação dos Perseguidos.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora Consoladora, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. Mãe de todos os homens, dai-me fé para seguir sempre a Jesus Cristo, vosso Filho. Quero, como vós fizestes, estar sempre perto de Jesus, em todos os momentos da vida, minha Mãe! Ajudai-me nas minhas lutas, ajudai-me nos meus trabalhos, ajudai-me a ser consciente da minha missão de cristão. Que a graça de Deus esteja sempre em mim e que eu possa comunicar essa mesma graça aos meus irmãos. Virgem Maria, eu vos saúdo, ó Mãe cheia de graça, eu vos louvo por serdes a Mãe de Cristo e nossa Mãe. Ámen.  

Próximo do lago Titicaca, na fronteira da Bolívia com o Peru, no povoado de Copacabana, viviam os Anansayas e os Urinsayas, dois grupos indígenas convertidos ao Cristianismo. Os Anansayas erigiram uma capela sob a proteção de Nossa Senhora da Candelária, mas os Urinsayas queriam dedicá-la a São Sebastião. Um índio chamado Francisco Tito Yupanqui resolveu adiantar-se e levar para o povoado uma imagem da Virgem por ele esculpida, a fim de definir o impasse. Moldou uma primeira imagem que foi recusada. Buscou então maiores conhecimentos e técnicas em arte para produzir uma nova imagem em madeira. Esculpiu então a imagem que até hoje é venerada no santuário, cuja primeira construção data de 1583. O templo atual é de 1805.

ORAÇÃO:

Toda a Bolívia clama pela vossa intercessão, Senhora de Copacabana. Em vós confia, pois sois Mãe e Rainha e nunca desviais os olhares do Filho que chora e implora o vosso auxílio. Também sou vosso filho, Senhora de Copacabana, vinde em meu socorro, iluminando os meus pensamentos e os meus passos. Ámen.

No ano de 1932, Nossa Senhora apareceu 33 vezes em Beauraing, um povoado da Bélgica, próximo da fronteira com a França. Os agraciados com as suas visões foram cinco crianças. A primeira vez que a viram foi quando saíam da escola e as demais foi num jardim próximo da escola. A Virgem, que tinha como marca principal um "coração de ouro", identificou-se como "Mãe de Deus, Rainha do Céu". Ela perguntou-lhes: «Vocês amam-me? Pois então sacrifiquem-se por mim. Orem sempre.» O Coração de Maria deu proteção e conforto ao povo belga durante a Segunda Grande Guerra, difundindo-se enormemente a dupla devoção: Nossa Senhora do Coração de Ouro e Nossa Senhora de Beauraing.

ORAÇÃO:

Mãe de Deus, Rainha do Céu, o vosso coração de ouro é símbolo da riqueza que aí está guardada; o imenso amor pela Humanidade. Diversas vezes manifestastes esse amor por nós; então, hoje queremos retribuir mostrando o nosso grande amor por vós e pelo vosso Filho. A maneira de demonstrarmos esse nosso amor, como vós mesma dissestes, é rezando. (Reza-se o terço do Rosário)

Diz a tradição que no século XI, quando a cidade de Valenciannes, em França, sofria por causa da peste, Nossa Senhora apareceu a um eremita e incumbiu-o de convocar o povo à oração e ao jejum. Como o seu pedido foi atendido, Maria apareceu novamente na cidade, agora a todo o povo reunido. O seu novo pedido foi para que estendessem um cordão ao redor da cidade, como sinal de proteção contra a peste, e fizeram uma procissão. Era o dia 8 de setembro. Todos os anos repete-se a procissão que marcou o fim da peste na cidade.

ORAÇÃO:

Através da oração e do jejum demonstramos a nossa obediência às vossas palavras, ó Maria, e confiantes esperamos ser atendidos nos nossos pedidos, assim como ao longo da história atendestes a todos os que a vós se consagraram com orações e sacrifícios. Ámen.  

Em 1651, Nossa Senhora apareceu a um chefe indígena na Venezuela e convidou-o a batizar a sua tribo, chamada Coromoto. Cerca de 700 indígenas foram batizados. Nossa Senhora apareceu novamente a todos eles reunidos, mostrando o seu contentamento. Numa capela edificada na aldeia foi colocado o ícone da Virgem gravado em pedra e que fora encontrado na cabana do chefe. Na década de 1920, a devoção difundiu-se e intensificaram-se as peregrinações a Guanare, onde foi edificado um templo. Foi declarada padroeira da Venezuela em 1944, pelo Papa Pio XII. A sua festa é celebrada três vezes no ano: 2 de fevereiro, 8 e 11 de setembro.

ORAÇÃO:

Cheios de confiança em vossos merecimentos, imploramos a vossa intercessão, ó poderosa padroeira da Venezuela, celeste tesoureira do Coração de Jesus, desse Coração que é fonte inesgotável de todas as graças a que se abre, a vosso pedido, para derramar sobre os humanos os tesouros de amor e de misericórdia, de luz e salvação que este adorável Coração encerra. Concedei-nos, humildemente vos suplicamos, que a nossa pátria se salve de todas as ameaças e que reine a paz nos nossos lares e a concórdia fraterna entre todos os cristãos. Ámen.  

No século XVIII, três camponeses bolivianos acusados de assassínio fugiram para não serem punidos. À noite, parando para descansar, resolveram fazer uma fogueira para se aquecer. Quando tentaram derrubar uma árvore, perceberam que ela estava oca e dentro dela havia uma imagem de Nossa Senhora. O milagre fez com que desistissem da fuga e voltassem para a aldeia de Cotoca, a 20 km de Santa Cruz. Aí foi construída uma capela, em 1799, onde muitos vão prestar culto e pedir graças à "Mamita de Cotoca", assim carinhosamente invocada.

HINO:

Virgem de Cotoca, portento de luz,

com fervor te invoca toda a Santa Cruz,

Estrela do céu, Mãe de bondade,

tu és o consolo da Humanidade

Excelsa Senhora, terna e bela flor,

milagrosa aurora de piedoso amor.

Símbolo de virtudes sem par:

reino de doçura, joia de altar.

A coroa que ostentas em tua fronte

é rede que acolhe a essência do bem.

És Rainha e dona de graça e ternura,

a alma devota funde-se em teu amor.

Bendiz-nos, terna Virgem,

e tua luz eterna nos livre do mal.

Em 958, Maria apareceu a um pobre na cidade de Herford, na Alemanha, e encarregou-o de levar a um mosteiro próximo uma mensagem de penitência e de conversão. Daria um sinal para as monjas crerem: uma pomba poisaria sobre a cruz a ser levantada em frente ao mosteiro, o que realmente aconteceu. Daí surgiu o nome Nossa Senhora da Cruz.

O título, no entanto, tem grande relação com a presença de Maria aos pés da cruz de Cristo. A Virgem acompanhou o Filho até ao fim, compartilhando a sua dor e sofrimento. Esteve ao seu lado na crucificação, assim como O acompanhou durante toda a vida. Por isso hoje todos os que sofrem pedem auxílio a Maria, nossa Mãe, pois sabemos que ela nunca nos abandona; pelo contrário, consola-nos nos momentos de dor.

Veja também Nossa Senhora do Calvário.

ORAÇÃO:

Maria, que aos pés da cruz sentistes a mais terrível dor ao ver o sofrimento do vosso Filho, vinde em nosso auxílio e confortai-nos nos nossos momentos de dor e sofrimento. Ajudai-nos a carregar as nossas cruzes diárias. Ámen.  

Há muitos séculos que é venerada na Polónia um ícone de Nossa Senhora Negra. A tradição diz que foi pintado pelo evangelista São Lucas. Em 1430, os hussitas assaltaram o mosteiro onde se encontrava o ícone e profanaram-no, deixando muitas marcas de destruição e dois cortes de espada na face, hoje marca característica da imagem.

Em 1717, foi completamente restaurado, por iniciativa do Papa Clemente XI, e Nossa Senhora Negra começou a ser venerada como padroeira da Polónia. O seu santuário, na colina de Jasna Gora, em Czestochowa, é um dos mais visitados do mundo e serviu como centro da fé e de resistência do povo polaco durante a ditadura comunista. A sua festa é celebrada no dia 26 de agosto.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora de Czestochowa, cheia de graça, bondade e piedade, eu consagro-vos todos os meus pensamentos, palavras e ações, o meu corpo e a minha alma. Suplico as vossas bênçãos e rogo especialmente pela minha salvação. Hoje, consagro-me totalmente a vós, boa Mãe, com o meu corpo e alma no meio da alegria e do sofrimento para obter as vossas bênçãos aqui na terra e a vida eterna no céu. Ámen.