LETRA A

A tradição de Nossa Senhora da Abadia surge por volta do ano 883, a partir de uma imagem proveniente do antigo mosteiro das Montanhas, próximo da cidade de Braga. Conta-se que, após a invasão da península, os monges fugiram e esconderam a imagem. Anos depois, dois eremitas que moravam perto do antigo mosteiro viram uma grande claridade. De manhã, conferindo o local, encontraram a imagem. Construiu-se então ali uma ermida e depois um santuário. Por indicação de D. Afonso Henriques, os eremitas fundaram uma congregação que cresceu na região.

ORAÇÃO:

Senhora, Mãe de Deus, no cenáculo, após a ascensão de Jesus ao céu, presidistes às orações suplicantes dos Apóstolos para a vinda do Divino Espírito Santo; agora, que estais no Paraíso à frente dos coros dos anjos e santos, presidi, também, Senhora nossa Rainha, a toda a nossa vida, orientando-nos para a pátria celeste, onde desejamos estar convosco, a cantar eternamente as glórias de Jesus. Ámen.

Na concavidade de um velho loureiro, próximo de Óbidos, uma pastorinha encontrou uma imagem de Nossa Senhora. No local foi construída uma ermida e deu-se início a esta nova devoção. O nome Aboboriz vem dos mouros, que chamavam ao sítio onde a imagem foi encontrada Bobriz, Aboboriz e até Abotriz. Foi também chamada Nossa Senhora da Ferraria, por ali haver muito ferro.

ORAÇÃO:

Ó estimada Senhora Nossa, que em todos os tempos abençoastes e protegestes os vossos fiéis, intercedei por mim e por todos os que me rodeiam, para que encontrem sempre a felicidade e o bem-estar físico e espiritual. Por Cristo, Nosso Senhor.

Devoção popular em França, a imagem de Nossa Senhora do Aconchego mostra Maria muito jovem, protegendo o seu Filho com olhar amoroso. É invocada em muitos sítios como protetora dos recém-nascidos. O título original remete ao termo "aconchego", mas pode ser também traduzido como doce carinho, proteção materna ou ternura.

ORAÇÃO:

O vosso olhar amoroso de Mãe envolve e acolhe o Menino, que em vossos braços dorme tranquilo. Dirigi a cada um de nós o mesmo olhar de ternura e carinho, envolvendo-nos na vossa maternal proteção e aconchego, querida Mãe. Ámen.

Devoção muito antiga; prova disso é um documento do século XVI, declaração do rei D. Manuel, onde a encontramos citada. Lê-se «que a terça parte dos montados e maninhos se gastará com os cavaleiros e escudeiros que forem uma vez por ano em romaria a Nossa Senhora dos Açores». Por vezes aparece como Nossa Senhora do Açor.

ORAÇÃO:

Querida Senhora, Mãe dos Açores, olhai por cada habitante das nossas ilhas. Que em nossa terra nunca falte o pão, a fraternidade e a fé, pois assim andaremos sempre nos caminhos retos ensinados por vosso Filho, Nosso Senhor. Ámen.  

«Tu deves dedicar a mim uma capela neste lugar.» Este foi o pedido repetido por três vezes ao alemão Hendrik Busman von Geldern, que rezava diante de uma cruz. A sua esposa, nessa mesma noite do ano 1641, sonhou com uma pequena igreja iluminada. Prontamente construíram uma capela no local, com a imagem de Nossa Senhora dos Aflitos. Hoje, cerca de 500 mil devotos visitam o santuário todos os anos.

No Alentejo é famosa a pequena igreja de Elvas, com azulejos do século XVII que sobem até à cúpula, e no Algarve as mulheres costumam rezar pela segurança dos pescadores, durante as tempestades, na Igreja de Nossa Senhora dos Aflitos de Olhão.

ORAÇÃO:

Consoladora de todos os aflitos, Santíssima Virgem Maria, Mãe amorosíssima, contemplai piedosamente as pessoas aflitas! Com a vossa poderosa mediação, intercedei por elas junto do trono da divina misericórdia! Por elas, para que sejam libertadas das suas duras penas e dores atrozes, oferecei ao misericordioso Deus: a vida, a paixão, a morte e o preciosíssimo Sangue de Jesus; os sacrifícios, as comunhões, as orações, as esmolas e as boas obras de todos nós! Fazei com que as criaturas aflitas sejam santificadas junto da divina Justiça e cada vez mais lembradas e sufragadas nas nossas orações. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora sempre foi forte na Argélia, mesmo após a imposição da religião islâmica no século VII, e hoje praticada por 98% da população. Em Argel, a capital, encontra-se o célebre santuário mariano dedicado a Nossa Senhora de África, idealizado por duas francesas: Margarita Bergezio e Anna Chiquien.

Quando ali chegaram, segundo o bispo Dom Pavy, em 1846, as missionárias não encontraram nenhum santuário mariano. Decidiram, então, colocar uma pequena imagem da Virgem sobre uma oliveira nas proximidades de Argel.

O atual santuário foi concluído em 1872, sobre um promontório que domina o mar e a cidade de Argel. Numerosos são os peregrinos que o visitam, não apenas católicos, mas também muçulmanos, especialmente as mulheres, que vêm de todas as partes para rezar diante da imagem da Santíssima Virgem, chamada em árabe de "Lalla Mariam".

ORAÇÃO:

Sob o vosso manto, ó amada Mãe, buscamos a força para vencermos as dificuldades que enfrentamos na vivência quotidiana da fé. A cada novo dia que amanhece renovamos a nossa consagração a vós e pedimos confiantes a alegria, a paz e a tolerância para nos relacionarmos bem com os irmãos de outras crenças. Ámen.  

Acredita-se que a devoção a Nossa Senhora da Agonia está ligada ao poema do século XIII que Jacopone de Todi dedicou à Mãe de Jesus. Stabat Mater Dolorosa é um poema de 20 estrofes, no qual o autor canta a agonia de Nossa Senhora diante do sofrimento, da luta e da morte de seu Filho, Jesus. Em Viana do Castelo existe um santuário a ela dedicado, um edifício romanesco dos meados do século XVIII. É invocada especialmente pelos pescadores, que lhe confiam as suas "agonias" ou lutas travadas com o mar bravio dessa região.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Senhora da Agonia, que permanecestes de pé junto à cruz do vosso Divino Filho Jesus. As palavras de Cristo - «Mulher, eis o teu filho», «Filho, eis a tua Mãe» - fizeram de vós a nossa Mãe. Acolhei, com bondade, a nossa prece filial.

Assim como o discípulo vos acolheu em sua casa, também nós queremos abrir-vos as portas dos nossos corações e dos nossos lares, consagrado-vos toda a nossa vida passada, presente e futura.

Vinde, ó Mãe, em socorro das nossas angústias, não permitindo que nos desviemos do caminho do bem, da verdade e do amor! Conduzi a nossa vida ao porto seguro da salvação que é Jesus! Ousando somar as nossas agonias às vossas, diante desta dificuldade (fazer o pedido) recorremos à vossa maternal proteção, com a confiança de que não ficaremos dececionados nas nossas súplicas. Ámen.   

Segundo a tradição, esta invocação surgiu no século XIII, quando uma mulher encontrou uma imagem na praia de Troia, diocese de Setúbal, e começou a chamá-la Nossa Senhora da Água. A água é a fonte da vida, elemento essencial para o nosso bem-estar e para o nosso futuro. É também neste espírito que a invocação ganha força atualmente, a fim de proteger os rios, mares e lençóis de água, principalmente na fé e no culto dos ribeirinhos e pescadores. Em alguns lugares sofre variações, como Nossa Senhora da Água Santa, da Água Redonda, da Água Levada, da Água dos Infantes.

ORAÇÃO:

Nossa querida Mãe, que diversas vezes vos manifestastes em rios e no mar, a fim de nos mostrar a importância da água, fonte de vida, consciencializai cada ser humano sobre a importância de preservar a natureza e as reservas de água, o nosso maior bem. Ámen.  

Uma antiga tradição diz que, quando os mouros invadiram a região de Alvito, foram escondidas diversas imagens. De entre elas uma chamada Nossa Senhora de Aires, ou Ares. Séculos mais tarde (no século XVII), a imagem foi encontrada em Viana do Castelo, próximo de Évora, onde foi construído o atual santuário barroco. A festa e a feira de Nossa Senhora de Aires são famosas desde o século XVIII.

ORAÇÃO:

Braço sempre pronto a carregar-nos, mãos sempre dispostas a sustentar-nos, olhos sempre brilhantes a observar-nos... Assim sois vós, querida Mãe, e por isso a vós recorremos nos momentos de especial necessidade. Olhai hoje por cada um de nós e ajudai-nos a superar as dificuldades da vida. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Em Portugal sempre foi tradição os soldados e marinheiros homenagearem a Virgem, invocando a sua ajuda. Várias naus eram colocadas sob a proteção de Nossa Senhora da Ajuda, talvez devido à pequena ermida, existente em Lisboa, na praia do Restelo, que abrigava uma milagrosa imagem aí encontrada. É também a principal devoção mariana das Ilhas Maurício, um arquipélago localizado no litoral leste de África. Às vezes é também chamada Nossa Senhora do Socorro, da Boa Ajuda e do Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima da Ajuda, Virgem pura e imaculada, ouvi como especial advogada os nossos clamores. Mostrai-nos o vosso poder profundo. O céu e a terra, o mundo inteiro vos venera, até o inferno a vós se rende, ó Senhora! Procuramos o vosso abrigo como filhos miseráveis, pois são admiráveis os vossos prodígios. Queremos, Senhora, seguir os vossos passos. Sede sempre nossa protetora e advogada, socorrei-nos e às nossas famílias, alcançai para todos as graças que vos pedimos, e enfim a eterna felicidade do Céu. Abençoai-nos e protegei-nos, ó Virgem Mãe Santíssima. Ámen.  

Em 1973, uma ferida em forma de cruz apareceu na palma da mão esquerda da Irmã Agnes, uma religiosa da cidade de Akita, Japão. Em 6 de Julho, enquanto rezava, a Irmã Agnes ouviu uma voz vinda da imagem da Virgem Maria. A sua mensagem pedia conversão e oração a fim de se evitar o castigo de Deus.

Nesse mesmo dia, algumas das irmãs notaram gotas de sangue a fluir da mão direita da imagem, fenómeno que se repetiu outras quatro vezes. A ferida permaneceu até 29 de setembro. Nesse dia, a imagem começou a "suar", especialmente na testa e no pescoço. Em 3 de agosto, a Irmã Agnes recebeu uma segunda mensagem e no dia 13 de outubro a terceira e última. Dois anos depois, em 04 de janeiro de 1975, a imagem de Nossa Senhora começou a chorar. Continuou a derramar lágrimas, com intervalos, durante seis anos e oito meses. O milagre da imagem que verteu sangue, suor e lágrimas foi testemunhado por centenas de habitantes da cidade, inclusive o bispo e o líder budista.

Em junho de 1988, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da fé declarou os eventos e as mensagens de Akita como confiáveis e dignos de fé.

ORAÇÃO:

Ao ver o egoísmo e a tristeza no mundo, vós derramastes lágrimas e sangue, como uma súplica pela conversão do povo, ó Senhora Nossa. Que estes sinais do vosso sofrimento sejam compreendidos por todos e motivem a conversão e mudança de vida dos nossos irmãos e irmãs do Japão e do mundo. Ámen.  

Famoso pelo grande saber dos seus frades, pertencentes à Ordem de São Bernardo (cistercienses), o mosteiro de Alcobaça foi dedicado a Nossa Senhora e chama-se Real Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. É a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português, construída a partir de 1178, por doação de D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval, em cumprimento da promessa feita por ocasião da conquista de Santarém.

ORAÇÃO:

Santa Maria de Alcobaça, dedicada Mãe que sempre acompanhastes os milhares de monges que ali viveram em contínuo louvor a Deus, fazei com que tenhamos a mesma dedicação dos monges cistercienses na tarefa de conhecer e viver o Evangelho de Cristo, a fim de sermos merecedores da participação no Reino de Deus. Ámen.  

Diversas igrejas pelo mundo são dedicadas a Nossa Senhora da Alegria. É a Mãe que se alegra com o seu Filho, Jesus, e com os sinais positivos da Humanidade. Este título, no entanto, é mais conhecido pelas aparições a Gianna Talone Sullivan, de Emmitsburg, EUA. Nas suas diversas mensagens, a Virgem pede principalmente a conversão e a humildade diante de Deus. «É tempo, meus pequenos, de começardes a viver na unidade. Há demasiadas pessoas a viver nos caminhos da divisão e da crueldade, pela falta de bondade. Por favor, retornai a Deus. Rezai de coração e Ele vos guiará para viverdes na unidade através do amor. Por favor, por favor, por favor, amai-vos uns aos outros.» Nas suas aparições pediu que se difundisse a seguinte consagração, a ser rezada três vezes ao dia. As aparições ocorrem desde 1993, mas não foram oficialmente reconhecidas pela Igreja. Na diocese de Braga é popular uma imagem de Maria a tocar um instrumento musical chamado cavaquinho. Esta imagem é chamada Nossa Senhora do Cavaquinho ou Nossa Senhora da Alegria.

CONSAGRAÇÃO:

Sagrado Coração de Jesus, eu Vos consagro a minha mente (✞ na testa), as minhas palavras (✞ nos lábios), o meu corpo (✞ no centro do peito), o meu coração (✞ abaixo do ombro esquerdo) e a minha alma (✞ abaixo do ombro direito), para que a vossa vontade seja feita através de mim neste dia. Ámen.

No concelho de Vila Verde, arquidiocese de Braga, encontramos um santuário e a popular festa a Nossa Senhora do Alívio, com grandes romarias realizadas no primeiro e no segundo domingos de setembro. Em toda a diocese de Braga é forte a devoção, surgida certamente pela busca de segurança ("alivio") na hora de dificuldade e perigo. Noutros lugares a festa é celebrada no dia 15 de agosto.

ORAÇÃO:

Nos momentos de perigo, de insegurança, de medo e de dor, é sob o vosso manto que encontramos abrigo e proteção, querida Mãe. Continuai sempre a garantir-nos o alívio necessário para vivermos alegres e fervorosos na fé, pois assim seremos sempre melhores cristãos e seres humanos mais dignos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

No ano de 712, um rei espanhol foi derrotado pelos muçulmanos, que dominaram Toledo e quase toda a Península Ibérica. Madrid era uma pequena vila, desconhecida na época, mas, por ser um ponto estratégico, os muçulmanos resolveram edificar ali uma fortaleza. Sabendo de tais planos, o povo de Madrid reuniu-se para pedir proteção à Virgem e pensou em proteger a imagem, trazida de Jerusalém no ano 38 por um discípulo de São Tiago.

Em 1058, com a retomada de Madrid pelo rei Afonso VI, resolveram procurar a imagem. Após novena e romaria em honra da Virgem, caiu em frente à multidão um muro e atrás dele surgiu a imagem. Foi então resgatada e levada para a paróquia, onde começou a ser denominada Almudena, porque foi encontrada no lugar chamado pelos mouros "almudin" (depósito de trigo). Nossa Senhora de Almudena é a padroeira de Madrid.

ORAÇÃO:

Ó Maria, que permanecestes ao lado do povo madrileno durante o período de ameça à fé, às tradições e à própria vida, acompanhai cada um de nós que procura viver intensamente a fé em vosso Filho. Que o vosso olhar amoroso nunca se afaste de nós nem da nossa família. Ámen.  

A devoção à Virgem de Altagrácia é a primeira das Américas. Surgiu na vila de Salvaleón de Higuey, República Dominicana, onde hoje existe um grande santuário. O santuário de Higuey, por sinal, é o primeiro da América, cuja construção teve início em 1539.

Há diversas lendas sobre a origem do culto. Uma destas tradições diz que, por ocasião de uma viagem do pai, duas irmãs pediram que lhes trouxesse presentes: uma pediu roupas e perfumes; a outra, uma imagem da Virgem de Altagrácia. O pai procurou a imagem em todos os lugares, mas não a encontrou. Voltou triste para casa, sem saber como dizer à filha que não existia tal imagem. Numa das paragens, porém, como que por milagre, um senhor ofereceu-lhe uma imagem da Virgem – retratando o nascimento de Jesus – e disse ser Nossa Senhora de Altagrácia. É a imagem que hoje se encontra no santuário de Higuey.

Pesquisas históricas dizem que o quadro foi trazido de Espanha em 1502, pelos irmãos Alfonso e Antonio Trejo.

ORAÇÃO:

Ó Mãe querida, Virgem dulcíssima de Altagrácia, padroeira nossa, olhai para nós, prostrados na vossa presença, desejosos de vos oferecer nesta oração o testemunho do nosso amor e correspondência aos inúmeros favores que de vossas mãos recebemos. Vós sois nossa Mestra: como discípulos queremos aprender os exemplos da vossa vida santa. Sois nossa Mãe: como filhos aqui viemos oferecer todo o amor do nosso coração. Recebei, Mãe querida, as nossas ofertas e escutai as nossas súplicas. Ámen. 

Padroeira de Aljezur, no Algarve, Nossa Senhora de Alva é celebrada com uma grande festa. A origem da devoção está ligada à tomada daquelas terras aos mouros na madrugada de 24 de junho de 1242.

ORAÇÃO:

Venerada Senhora Nossa, sempre presente nas nossas lutas e sempre forte em proteger-nos, livrai-nos hoje de todos os perigos, assim como defendestes no passado o povo que declarou o seu amor por vós. Acolhei todas as nossas limitações e imperfeições, ajudando-nos a superar todas as dificuldades que a vida nos reserva. Ámen.  

Nas margens do rio Ambro, na cidade italiana de Montefortino, encontra-se o santuário dedicado a esta devoção milenar. Numa lápide do altar consta a seguinte inscrição: «Em maio do ano mil, a Virgem Santíssima, cercada de grande esplendor, apareceu nesta rocha sagrada a uma humilde pastorinha, chamada Santina, muda desde o nascimento. A menina recuperou a fala como prémio pela sua oração e por deixar diariamente flores silvestres junto à imagem da Virgem.»

ORAÇÃO:

Nas margens do rio Ambro aparecestes à jovem Santina para manifestar a alegria pelas orações e flores que recebíeis diariamente da doce menina. Que as nossas orações e ofertas sejam hoje acolhidas por vós com o mesmo entusiasmo e amor, a fim de que sejamos atendidos nas nossas necessidades. Ámen.

O culto a Nossa Senhora da Ameijoeira remonta ao século XIII, época em que foi construído em Portugal um grande templo, com hospedaria para os romeiros que vinham de diversas partes da Europa. Ao lado do santuário existia uma piscina, na qual, segundo a tradição, aconteciam diversos milagres. O nome "Ameijoeira" deve-se ao local onde Frei Soeiro teria encontrado, em 1217, a imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo, que passou a ser venerada na região. Em 1755 a imagem foi transportada para a igreja de Abrigada, pois a antiga foi totalmente destruída pelo terramoto. Em 1908 foi levada para um novo templo, pois outro terramoto destruiu a igreja de Abrigada.

ORAÇÃO:

Virgem Santa, que sempre ouvistes as preces dos peregrinos e intercedestes pelo povo português nos momentos de catástrofes naturais, acolhei hoje as nossas súplicas e intercedei por nós junto do vosso Filho. Vós sois a nossa esperança e proteção, não nos abandoneis jamais. Ámen.  

Juntamente com os primeiros europeus que desembarcaram em terras americanas, estava a imagem de Nossa Senhora. Fosse nas Caraíbas, fosse no Brasil, ou em qualquer outro local do continente americano onde os colonizadores chegassem, levavam consigo a devoção à Virgem, que assim se difundiu. Como protetora do continente, surgiu o título de Nossa Senhora das Américas.

ORAÇÃO:

Querida Senhora, Mãe das Américas, que desde o início da colonização estivestes presente na devoção dos diversos povos, abençoai cada um de nós, que vos dedica inesgotável carinho e amor. Que entre as Américas e todos os americanos reine sempre a paz, a fraternidade e o respeito; e sejam cada vez mais um sinal do Reino. Ámen.  

É uma tradição muito antiga em Portugal, muitas vezes invocada simplesmente como Nossa Senhora do Amor. Conta-se que D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil) era devoto de Nossa Senhora do Amor Divino, a quem implorava pela saúde dos filhos. Aquando da sua ida para o Brasil, levou consigo a devoção. A santa imagem era muito venerada na sua capela de Correias, próximo de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

ORAÇÃO:

Ó Virgem do Amor Divino! Soberana Princesa escolhida desde a eternidade para ser a Mãe de Jesus Cristo e por isso destinada a ser nossa Mãe. Por vossa intercessão, oferecemos a Deus as nossas orações e a nossa vida, a fim de sermos inundados pelo amor que brota da Trindade Santa e que vós copiosamente manifestais em todos nós. Ámen.  

Segundo a tradição popular, no ano 1450 apareceu um sobreiro carregado de amoras e entre os seus ramos uma formosa imagem da Virgem. Nos antigos registos da confraria explica-se que «os sobreiros, quando velhos, não dão bolotas, mas um fruto semelhante às amoras brancas e de gosto ácido». Daí a origem e difusão da devoção, também chamada Nossa Senhora da Amoreira.

ORAÇÃO:

Sob as mais variadas formas vós vos manifestais, Senhora Nossa, a fim de nos mostrardes o vosso infinito amor e nos fazerdes compreender que o caminho da fé é frutífero e seguro. Ajudai-nos a permanecer neste caminho e a irmos cada vez mais longe pelas estradas do Reino. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Desde o início do Cristianismo, Nossa Senhora foi invocada como protetora e "amparo" dos cristãos. A tradição de se colocar sob os cuidados da Virgem, de pedir o seu amparo, remonta ao momento em que Jesus, na cruz, nomeia sua Mãe como Mãe da Humanidade. Desse momento em diante, todos os cristãos buscam na Mãe o amparo necessário para vencer as dificuldades do dia a dia. Diversas imagens representam o "amparo" de Maria: a Virgem cobrindo com o seu manto os devotos; Maria sentada, com o Menino, a abençoar o povo; ou de pé, com Jesus deitado sobre o seu braço esquerdo e com a mão direita a afagar-Lhe o rosto. Por todo o Portugal encontramos a devoção e diversas imagens.

ORAÇÃO:

Ó dulcíssima Soberana do Amparo, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos venerar neste vale de lágrimas. Mas sabemos que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria. Em meio à vossa glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais para connosco. Do alto do trono em que reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos!

Vede quantas tempestades e perigos nos afligem sem cessar, expostos, até ao fim da nossa vida. Pelos merecimentos da vossa fé, da confiança e santa perseverança, vos pedimos que um dia possamos beijar os vossos pés e unir as nossas vozes às dos espíritos celestes, para vos louvar e para cantar as vossas glórias eternamente no céu. Assim seja.  

Frei Gaspar da Cruz, natural de Azeitão, foi o primeiro missionário a entrar na China, em 1556. Conta-se, porém, que quando os missionários chegaram à cidade de Ancheo encontraram uma imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo entre várias imagens de ídolos pagãos. Ao serem questionados sobre a imagem, os moradores da cidade disseram que não sabiam de onde era a imagem, mas que "aquela era uma mulher virgem e santa, que dera à luz o menino, filho de um grande rei".

ORAÇÃO:

Virgem Santa e Fiel, cujo Filho nos devolveu a dignidade de filhos de Deus, continuai sempre a mostrar-nos o caminho que conduz ao Reino. Queremos aproximar-nos cada dia mais de vós e do vosso Filho, através de uma vida reta e santa. Ámen.

Anguera é uma cidade no interior da Baía, Brasil, onde há quinze anos Nossa Senhora se tem manifestado através de várias aparições. É invocada sob o título de Rainha da Paz, Mãe dos pobres, fracos e oprimidos. Estas já são as mais prolongadas e profícuas aparições da Virgem na América. Ocorrem desde 1987, ao humilde agricultor Pedro Régis. A primeira delas, em 29 de setembro de 1987, deu-se quando ele voltava da escola, na companhia do amigo Celestino Cruz.

A Virgem pediu orações e afirmou: «Não tenhas medo, pois eu sou a Mãe de Jesus. Estou aqui porque preciso de ti para ajudar os meus pobres filhos que precisam do meu auxílio.» As aparições repetem-se quase semanalmente, sempre a pedir orações, jejum, conversão, paz e justiça. Após anotar as mensagens, Pedro lê-as aos que o acompanham sem poder ver a Virgem que os abençoa.

ORAÇÃO:

Nas vossas aparições, ó Maria, pedistes oração, jejum, conversão, paz e justiça. Com a vossa ajuda realizaremos estes e muitos outros sinais de humildade, desapego e total confiança em vós e no vosso Filho. Somos pecadores e limitados, mas com a vossa ajuda seremos santos e dignos do reino. Ámen.  

Logo após a expulsão dos mouros de Granada, no século XV, os devotos cristãos edificaram ali uma ermida dedicada às "angústias de Nossa Senhora", provavelmente por influência da devoção a Nossa Senhora das Dores. A ermida ficou conhecida e iniciou-se o culto a Nossa Senhora das Angústias. Uma imagem com aparência dolorosa foi colocada para veneração.

Um dia, dois jovens e uma senhora entraram para rezar. O tempo passou e a senhora continuou ali, aos pés do altar. Indo verificar o que acontecera, um dos confrades responsáveis pelo local encontrou não uma mulher, mas uma escultura de Nossa Senhora, com rosto triste e angustiado a contemplar o seu Filho na cruz.

A devoção é encontrada em todo o Portugal, especialmente em Braga, e recorda as dores de Maria ao acompanhar o seu Filho, Jesus, particularmente na Paixão.

ORAÇÃO:

Com grande angústia e desolação vistes vosso Filho condenado e pregado na cruz. Tomada pela dor, dirigistes a Ele vosso olhar consolador. Dirigi a cada um de nós o mesmo olhar confiante que nos conduz a Deus e à certeza de que Ele vem sempre em nosso auxílio nos momentos de dor e de sofrimento. Ámen.  

Há referência a esta devoção em muitas paróquias de Portugal, às vezes também chamada Nossa Senhora do Anjo. O culto surgiu no século XIII, em França, quando três comerciantes foram assaltados e amarrados a uma árvore. Passaram ali a noite, sendo salvos por um anjo, logo após pedirem a intercessão de Maria.

Na Costa Rica, onde é padroeira da nação, a devoção teve início em 2 de agosto de 1635, com a aparição da imagem da Virgem na cidade de Cartago. Quando saía para recolher lenha seca, a senhora Joana Pereira viu sobre uma pedra a imagem de Maria com o Menino ao colo. Ficou surpresa, mas levou consigo a imagem, guardando-a em casa. No dia seguinte, encontrou novamente a imagem sobre a mesma pedra. O milagre repetiu-se outras vezes, até que construíram no local uma capela. Os costa-riquenhos logo se apegaram à imagem, difundindo a devoção da Virgem chamada carinhosamente de "La Negrita", em referência à cor da imagem, esculpida em pedra escura.

ORAÇÃO:

Augusta Rainha dos Céus e Senhora dos Anjos, desde o princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás. Humildemente vos rogamos que envieis as legiões celestes para que, às vossas ordens, persigam os espíritos infernais, combatendo-os por toda a parte, confundam a sua audácia e os precipitem no abismo. Ámen.  

No século XIV, a catedral de Sevilha, em Espanha, foi reconstruída. A imagem de Nossa Senhora do primeiro templo, porém, foi conservada, vindo a chamar-se Santa Maria, a Antiga, em referência à imagem da antiga catedral.

Esta devoção foi a primeira a chegar ao Panamá, em 1510. Estabeleceu-se primeiro no povoado de Darién, com a chegada de Vasco Nunes de Balboa e Martin Fernandez de Enciso.

Tinham prometido à Virgem dar o seu nome ao povoado se saíssem com vida de uma feroz batalha que tiveram com os nativos. Assim, após a vitória, o povoado do Cacique Cémaco recebeu o nome de Santa Maria a Antiga. Em 9 de setembro de 1513, o Papa Leão X criou em Santa Maria a Antiga a primeira diocese do país e a capela da Virgem foi elevada a catedral. Em 1524, a diocese de Santa Maria a Antiga foi trasladada para a recém-fundada Cidade do Panamá, actual capital. É a padroeira do Panamá.

ORAÇÃO:

Ó querida Mãe, padroeira do Panamá, que desde o início da colonização da América acompanhastes os vossos diletos filhos, intercedei por nós junto do vosso Filho. Dai-nos sempre amparo, luz e segurança. Ámen.  

«Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo!» (Lc 1,28) Assim começa o "anúncio" do anjo Gabriel a Maria. Ela foi agraciada por Deus, escolhida para ser a Mãe do Salvador. Gabriel anuncia que ela dará à luz o Filho de Deus para a salvação do mundo. Com o "sim" de Maria nasceu o título de Nossa Senhora da Anunciação, cuja festa é celebrada dia 25 de março, nove meses antes do nascimento de Cristo. O "sim" de Maria é como um selo que define a aliança do povo (hebreu e cristão) com Deus, por isso marca o início da Nova Aliança. Da anunciação também se origina a devoção a Maria, Mãe de Deus. O Evangelho de Lucas desenvolve, no capítulo primeiro, o tema da Anunciação.

ORAÇÃO:

O anjo do Senhor anunciou a Maria.

E Ela concebeu pelo poder do Espírito Santo.

Eis a serva do Senhor.

Faça-se em mim segundo a vossa palavra.

E o Verbo Divino encarnou.

E habitou entre nós.

Rogai por nós santa Mãe de Deus.

Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Infundi, Senhor, em nossos corações a vossa graça, vo-l´O suplicamos, a fim de que, tendo conhecido pela Anunciação do Anjo a encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, pelos merecimentos da sua Paixão e Morte, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora Anunciada provém de Setúbal, no século XIII. Segundo a tradição, este título surgiu do "anuncio" que uma senhora fez ao deparar-se com uma pequena imagem da Mãe de Deus. Seguindo a sua rotina diária, enquanto colocava gravetos para alimentar as chamas do fogão, um deles saltou dali para o meio da casa. Sem nada suspeitar, a senhora colocou-o novamente no fogo. De novo o graveto saltou para longe. Isto aconteceu por três vezes. Curiosa, ela pegou no graveto para examinar de perto o que o forçava a saltar. Observou não se tratar de um galho, mas de uma pequena imagem da Mãe de Deus. Espantada, a senhora gritou: «Virgem Anunciada!» e saiu às pressas, para "anunciar" às vizinhas o facto prodigioso. Daí a origem do nome. Um grande grupo foi prontamente ver a Senhora Anunciada, inclusive alguns padres, que puseram a imagem num altar para veneração.

ORAÇÃO:

Ó querida Mãe, vós procurais os caminhos mais inusitados para manifestar o vosso amor por nós. Entrai hoje em nossos lares e abençoai as nossas famílias. Todos queremos sentir a vossa presença e exclamar jubilosos: «Virgem Anunciada!» Ámen.

Em outubro de 1717, Domingos M. Garcia, João Alves e Felipe Pedroso saíram nas suas canoas para mais uma jornada de pesca no rio Paraíba. Depois de algumas horas de trabalho sem tirar um peixe sequer do rio, João Alves puxou a sua rede e encontrou o corpo de uma Nossa Senhora, sem a cabeça. Lançando outra vez a rede, tirou a cabeça da mesma Senhora da Conceição. A partir desse momento, a pescaria foi abundante e tiveram de voltar a casa por medo de naufragarem com tanto peso.

Felipe Pedroso conservou a imagem em sua casa durante algum tempo, depois fizeram-lhe uma capela onde diversos devotos iam orar. Muitos milagres se sucederam até ao dia de hoje. Em 1929, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha e Padroeira do Brasil. A coroa e o manto azul-marinho que cobrem a imagem negra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foram doação da princesa Isabel, devota da Virgem. O atual santuário é um dos maiores do mundo.

ORAÇÃO:

Querida Mãe Nossa Senhora Aparecida, que nos amais e nos guiais todos os dias, que sois a mais bela das Mães, a quem eu amo de todo o meu coração, eu vos peço mais uma vez que me ajudeis a alcançar esta graça (fazer o pedido). Sei que me ajudareis e sei que me acompanhareis sempre, até à hora da minha morte. Ámen.  

Devoção que surgiu na freguesia de Sandes, diocese de Braga. Conta-se que Domingos Correia, morador daquela freguesia, teve um sonho em que viu Nossa Senhora muito triste, em atitude de piedade e amor. Comovido com tal sonho, mandou fazer uma escultura conforme à imagem que vira e a ela deu o nome de Nossa Senhora da Aparição.

ORAÇÃO:

Bondosa Mãe, que dirigis a cada um de nós um olhar terno e confortador, ajudai-nos a ser fiéis aos ensinamentos do Evangelho, a fim de nunca vos magoar ou entristecer. Com o vosso auxílio tudo podemos. Ámen.  

A apresentação de Maria no templo não é citada na Sagrada Escritura, mas existem vários relatos sobre ela nos livros chamados "apócrifos". Com três anos, Maria foi levada pelos seus pais, Ana e Joaquim, ao templo para ser consagrada a Deus. Iniciava aí a preparação do seu corpo e da sua alma para receber o Filho de Deus.

A apresentação é uma das festas mais estimadas no Oriente, celebrada desde o século IV. A Igreja Romana só a introduziu no calendário litúrgico em 1562. O significado desta festa é mostrar Maria como verdadeiro templo onde Deus Se estabelece como fonte de salvação.

ORAÇÃO:

Minha querida Mãe, Nossa Senhora da Apresentação, que aos três anos subistes as escadarias do templo para vos consagrares inteiramente a Deus, praticando assim o mais agradável ato de religião ao Senhor! Seja-vos também agradável a nossa homenagem, a nossa consagração. Consagrastes ao Senhor, ó Rainha do Céu, na flor da infância, o vosso espírito e o vosso coração, o vosso corpo e todas as potências do vosso ser pelo sacrifício total, o mais generoso e desinteressado, pela mais solene imolação que o mundo já viu, antes da imolação do Calvário. Nós, aqui na terra de exílio, unimo-nos aos espíritos celestes que assistiram a essa augusta cerimónia, que foi como prelúdio de todas as vossas festas. Com eles e todos os santos cantamos as glórias da vossa Apresentação bendita. Ámen.

A tribo chamada Oyacachis, que vivia próximo de Quito, Equador, ao converter-se ao Cristianismo, recebeu uma imagem da Virgem, como presente dos índios Lumbicis. A imagem foi colocada junto de uma rocha. O culto difundiu-se e as graças derramaram-se sobre a tribo. No século XVI, a imagem de 62 cm talhada em madeira foi levada para Quinche. É a padroeira do Equador.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Apresentação, que de Quinche abençoais todo o povo equatoriano, estendei o vosso olhar para este humilde devoto que entrega nas vossas mãos todas as preocupações do dia a dia e o desejo de viver sempre a santidade. Ámen.

Conta a tradição que, no ano 580, o capitão Maurício, desviado pelos ventos, chegou a uma aldeia da Calábria, em Itália. O monge Efrém foi ao seu encontro e disse-lhe: «Não foram os ventos que te conduziram para cá, mas Nossa Senhora, para que tu – uma vez Imperador – lhe construas um templo.» Dois anos depois, Maurício tornou-se Imperador e construiu a igreja dedicada a Maria. Porém, a imagem de Nossa Senhora, que era pintada durante o dia, de noite desaparecia da parede. Uma noite, uma senhora entrou no santuário. Como demorava a sair, o vigilante foi verificar o que acontecera. Não viu a senhora, mas numa das paredes do templo estava a imagem de Nossa Senhora com traços típicos da mulher calabresa. O povo dirigiu-se de imediato à capela, a aclamar: «Aquiropita! Aquiropita!» (que significa: imagem não pintada por mão humana).

ORAÇÃO:

Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe Aquiropita, volvei o vosso olhar piedoso para nós e para as nossas famílias. Através dos séculos, pelos milagres e aparições, mostrastes ser medianeira perene de graças. Tende compaixão das dificuldades em que nos encontramos e das tristezas que amarguram a nossa vida.

Ó Rainha Aquiropita, prometemos dedicar-vos toda a nossa vida para a honra do vosso culto e o serviço de nossos irmãos. Solicitamos da vossa maternal bondade ao auxílios às nossas necessidades e a graça de viver sob a vossa constante proteção, consolados nas nossas aflições e livres das presentes angústias. Ámen.  

Em 1924, após o primeiro voo Lisboa-Macau, um grupo de aviadores portugueses, liderado pelo major Cilka Duarte, desejava encontrar uma imagem de Nossa Senhora do Ar para ser a sua padroeira, apesar de a padroeira universal da aviação ser a Nossa Senhora do Loreto. A autorização foi concedida pelo então cardeal-patriarca Dom António Mendes Belo e confirmada pelo Papa João XXIII em 15 de janeiro de 1960. A imagem original está na Base Aérea de Sintra e mostra Maria com os braços levantados para o céu, semelhante à sua Assunção.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Rainha do Céu, gloriosa Padroeira da Aviação, ergue-se até vós a nossa súplica. Somos pilotos e aviadores do mundo inteiro; e, arrojados aos caminhos do espaço, unindo em laços de solidariedade as nações e os continentes, queremos ser instrumentos vigilantes e responsáveis da paz e do progresso para as nossas pátrias. Em vós depositamos a nossa confiança. Sabemos a quantos perigos se expõe a nossa vida; velai por nós, Mãe piedosa, durante os nossos voos. Protegei-nos no cumprimento do árduo dever quotidiano, inspirai-nos os vigorosos pensamentos da virtude e fazei com que nos mantenhamos fiéis aos nossos compromissos de homens e de cristãos. Reacendei em nosso coração o anelo dos bens celestiais, vós que sois a Porta do Céu; e guiai-nos, agora e sempre, nas asas da fé, da esperança e do amor. Ámen.  

Apesar de os países árabes serem maioritariamente muçulmanos, a devoção a Maria aparece em alguns núcleos cristãos. Os grupos são pequenos, mas vivem com fervor evangélico e muita fé. Na Arábia Saudita, Maria recebe o nome de Nossa Senhora da Arábia, padroeira dos cristãos daquele país.

ORAÇÃO:

Ensinai-nos, ó Maria, a viver na adversidade e a compreender as diferenças. Que a nossa fé e conduta sejam exemplo de vida para todos os que encontrarmos, independentemente da sua profissão de fé. Ámen.  

Devoção originária da vila de Mértola, diocese de Beja. Ali existe uma ermida, local de muitas e antigas peregrinações. Aracélis, ou Ara Coeli, significa "Altar dos Céus", pois a brancura das paredes do local, primorosamente caiadas, realça o contorno das fachadas na deslumbrante paisagem natural que a emoldura. São-lhe atribuídas cinco ermidas irmãs: a Ermida da Saúde, em Martim Longo; a do Castelo, em Aljustrel; a da Cola, em Ourique; a dos Remédios, em Alcaria; e a da Piedade, em Loulé.

ORAÇÃO:

Senhora, pela vossa vida não marcada pelo pecado, fostes elevada ao paraíso em corpo e alma, fazendo do céu o vosso trono e altar, ao lado do vosso Filho, Nosso Senhor. Fazei que cada cristão trilhe o caminho que conduz à salvação, para um dia morar convosco no céu. Ámen.  

Em diversos sítios do país regista-se a devoção a Nossa Senhora das Areias (ou Arenas), mas ela surgiu no concelho de Nazaré, certamente ligada aos pescadores da região. No lugar do Chão, freguesia de Aljubarrota, Alcobaça, há uma lenda que diz: «A Senhora das Areias e a Senhora do Areal foram um dia visitar a Senhora do Fetal.» Nossa Senhora do Areal é a Senhora de Nazaré.

ORAÇÃO:

Assim como as areias da praia abraçam o imenso mar, acolhei cada um de nós sob o vosso manto, querida Mãe. Desse modo sentir-nos-emos protegidos e confiantes de que nada nos faltará. Ámen.  

Esta é a padroeira do famoso convento dos Capuchos Franciscanos na serra da Arrábida. Há uma antiga lenda que diz que um rico mercador inglês chamado Hildebrant, en 1215, ao passar por Portugal, enfrentou uma tormenta. Rogou à intercessão da Virgem, cuja imagem trazia no navio. De imediato uma luz surgiu no horizonte e o temporal diminuiu. Quando o mar acalmou, procuraram a imagem no navio e não a encontraram. Pararam na praia e descobriram a imagem no ponto de onde vinha a luz na noite anterior, a serra da Arrábida. Ali construíram uma ermida e posteriormente o convento.

Nossa Senhora da Arrábida foi cantada pelo Frei Agostinho da Cruz, que viveu muito tempo no convento da Arrábida e é considerado por muitos como o melhor poeta místico dos fins do século XVI. Diz-nos o poeta:

ORAÇÃO:

Dos solitários bosques a verdura,

nas duras penedias sustentada

nesta serra, do mar largo cercada,

me move a contemplar mais formosura.

Aqui com mais suave compostura,

menos contradição, mais clara vista,

verei o Criador na criatura.  

Próximo de Chanonat, em França, existe um bosque. Entre as muitas árvores, havia uma com grande cavidade onde foi encontrada uma pequena imagem de Nossa Senhora, sem que houvesse uma explicação de como ela fora lá parar. O povo batizou-a com o título de Nossa Senhora da Árvore.

Durante muitos anos, a efígie de Maria permaneceu nesse mesmo local, onde foi encontrada, até que os seus devotos resolveram construir uma capela para melhor proteger o tesouro espiritual. Era uma forma de homenagear a Virgem pelos diversos sinais que ela tinha dado aos moradores da região. Em 1703, no lugar da simples ermida, ergueu-se um santuário onde hoje se encontra a imagem.

ORAÇÃO:

Virgem benigna, Santa Mãe de Deus, que justamente sois comparada à árvore sagrada que nos trouxe o fruto da salvação, Jesus, o Redentor, «bendito fruto do vosso ventre». Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humano, mas dignai-vos a ouvi-las propiciamente e a alcançar-me o que vos peço (fazer o pedido). Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Ámen.  

Era este o título de grande veneração de São Nuno Álvares Pereira (1360-1431). Conta-se que, após a batalha dos Atoleiros, foi a pé e descalço à Igreja de Santa Maria de Assumar agradecer a vitória. Encontrou a igreja suja e profanada pelos castelhanos que tinham feito dela cavalariça, mas, em gesto de grande humildade, varreu-a e limpou-a.

ORAÇÃO:

Santa Maria, presença constante junto ao povo de Assumar e de todo o Alentejo, abençoai as nossas famílias. Que o nosso lar não seja ameaçado por nenhum perigo e que sejamos sempre dignos do vosso amor e proteção. Ámen.  

A solenidade da Assunção de Nossa Senhora é celebrada desde o século VI pelas igrejas do Oriente. Chamada inicialmente "trânsito" e "dormição de Maria", difundiu-se no Ocidente a partir do século XIV. Em 1950, o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção, reafirmando esta verdade de fé: Maria foi elevada ao céu em corpo e alma.

Foi o coroamento da sua vida imaculada, não manchada por pecado de espécie alguma. Isso mostra a estreita sintonia com o seu Filho, vencendo com Ele o pecado e a morte, e mostra o caminho de todo o fiel rumo à ressurreição.

Nesta solenidade, celebrada em 15 de agosto, estão contidos os principais ensinamentos sobre Nossa Senhora: a Imaculada Conceição, a Divina Maternidade e a Virgindade Perpétua de Maria. A Mãe de Jesus é a nova Arca da Aliança, é imagem da Igreja.

ORAÇÃO:

Ó dulcíssima Soberana, Rainha dos Anjos, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas. Sabemos também que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria e, no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais a vossa bondade para connosco.

Do alto desse trono em que reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olho misericordiosos. Vede a quantas tempestades e perigos estaremos, sem cessar, expostos até ao fim da nossa vida! Pelos merecimentos da vossa bendita morte, obtende-nos aumento da fé, confiança e santa perseverança na amizade de Deus, para que possamos, um dia, beijar os vossos pés e unir as nossas vozes à dos espíritos celestes, para louvar e cantar as vossas glórias eternamente no céu. Assim seja.  

Durante as invasões muçulmanas em Espanha, uma imagem de Maria Teotókos (Mãe de Deus) desapareceu. Não se sabia se fora escondida ou profanada pelos invasores. Depois de muita procura, Gracian Ramirez encontrou a imagem no meio de uma plantação de "atochas", gramínea medicinal e também muito utilizada no fabrico de cestas, esteiras e cordas. Alegres com o facto, quiseram levá-la de volta à igreja, mas não conseguiram removê-la do "atochal".

Vendo a aglomeração, o chefe militar muçulmano pensou ser uma revolta popular e atacou, mas foi derrotado. O povo não falava de outra coisa a não ser da espectacular vitória atribuída a Nossa Senhora da Atocha. A devoção espalhou-se e os Reis da Espanha escolheram-na como padroeira da nação, depois de o Rei Afonso VI ter reconquistado Madrid definitivamente.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, protetora dos fracos e humildes, combatei ao nosso lado contra os inimigos que nos oprimem. Certos de que nos acompanhais, seremos mais fortes e confiantes em nossas ações. Ámen.  


Nossa Senhora foi constantemente invocada para proteger e auxiliar os soldados cristãos nas batalhas. No ano 626, no cerco de Constantinopla pelos persas, o patriarca Sérgio invocou o nome da Virgem Maria e ao 11.º dia de batalha, o vulto de uma senhora saiu da cidade em direção ao acampamento inimigo. Pouco tempo depois, os persas desistiram da batalha.

Os cristãos atribuíram o feito à intervenção de Nossa Senhora, que vem sempre em auxílio do povo. A devoção difundiu-se, porém, no século XIX, por iniciativa de Dom Bosco e das congregações salesianas por ele fundadas. Às vezes é chamada Nossa Senhora do Auxílio ou Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem poderosa, grande e ilustre defensora da Igreja, auxílio maravilhoso dos cristãos, terrível como exército ordenado em batalha. Vós, que destruístes toda a heresia em todo o mundo, nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defendei-nos do inimigo; e na hora da morte, acolhei a nossa alma no paraíso. Ámen.