INDÍGENA

No século XVI, um indígena paraguaio convertido foi atacado pelos Mbayaes quando se encontrava numa montanha. Correu e escondeu-se. Nos momentos tensos em que permaneceu escondido, rezou à Virgem para que o livrasse da morte. Passado o perigo, esculpiu uma imagem de Nossa Senhora com um galho da árvore que o protegeu. Esta imagem foi arrastada pelas águas do lago Tapaicuá, numa enchente de 1603. Milagrosamente, após as águas baixarem, a imagem apareceu intacta. Uma capela foi construída (mais tarde, um santuário) e a pequena imagem passou a ser venerada como Nossa Senhora de Caacupé, que significa "atrás dos montes". É padroeira do povo paraguaio, que a chama carinhosamente a "Virgem Azul do Paraguai".

ORAÇÃO:

Santíssima Mãe de Deus e nossa Mãe, do Santuário de Caacupé cobri com o vosso manto protetor os devotos e todo o Paraguai. Intercedei pelos nossos pais e benfeitores, pelos desvalidos e por todos os que necessitem de perdão e de misericórdia. Protegei a nossa Santa Mãe Igreja e alcançai luz aos magistrados para que façam justiça e haja paz entre os homens. Depois da graça particular que pedimos, alcançai-nos também a graça maior de perseverar na nossa fé e no vosso amor, para assim merecermos a realização da promessa que o Nosso Senhor Jesus Cristo nos fez quando disse: «Aquele que perseverar até ao fim salvar-se-á.» A vós pois, Mãe querida, clamamos para que nos obtenhais tão singular favor. Ámen. (Pedir a graça especial.)

Próximo do lago Titicaca, na fronteira da Bolívia com o Peru, no povoado de Copacabana, viviam os Anansayas e os Urinsayas, dois grupos indígenas convertidos ao Cristianismo. Os Anansayas erigiram uma capela sob a proteção de Nossa Senhora da Candelária, mas os Urinsayas queriam dedicá-la a São Sebastião. Um índio chamado Francisco Tito Yupanqui resolveu adiantar-se e levar para o povoado uma imagem da Virgem por ele esculpida, a fim de definir o impasse. Moldou uma primeira imagem que foi recusada. Buscou então maiores conhecimentos e técnicas em arte para produzir uma nova imagem em madeira. Esculpiu então a imagem que até hoje é venerada no santuário, cuja primeira construção data de 1583. O templo atual é de 1805.

ORAÇÃO:

Toda a Bolívia clama pela vossa intercessão, Senhora de Copacabana. Em vós confia, pois sois Mãe e Rainha e nunca desviais os olhares do Filho que chora e implora o vosso auxílio. Também sou vosso filho, Senhora de Copacabana, vinde em meu socorro, iluminando os meus pensamentos e os meus passos. Ámen.

Em 1651, Nossa Senhora apareceu a um chefe indígena na Venezuela e convidou-o a batizar a sua tribo, chamada Coromoto. Cerca de 700 indígenas foram batizados. Nossa Senhora apareceu novamente a todos eles reunidos, mostrando o seu contentamento. Numa capela edificada na aldeia foi colocado o ícone da Virgem gravado em pedra e que fora encontrado na cabana do chefe. Na década de 1920, a devoção difundiu-se e intensificaram-se as peregrinações a Guanare, onde foi edificado um templo. Foi declarada padroeira da Venezuela em 1944, pelo Papa Pio XII. A sua festa é celebrada três vezes no ano: 2 de fevereiro, 8 e 11 de setembro.

ORAÇÃO:

Cheios de confiança em vossos merecimentos, imploramos a vossa intercessão, ó poderosa padroeira da Venezuela, celeste tesoureira do Coração de Jesus, desse Coração que é fonte inesgotável de todas as graças a que se abre, a vosso pedido, para derramar sobre os humanos os tesouros de amor e de misericórdia, de luz e salvação que este adorável Coração encerra. Concedei-nos, humildemente vos suplicamos, que a nossa pátria se salve de todas as ameaças e que reine a paz nos nossos lares e a concórdia fraterna entre todos os cristãos. Ámen.  

Em tempos de grande conflito entre os indígenas e os colonizadores europeus que chegavam à América, Nossa Senhora apareceu ao índio asteca Juan Diego, mostrando ser ela também protetora dos indígenas e da nova terra. Era o ano 1531. Os missionários espanhóis iniciavam o seu trabalho de evangelização. Quando se dirigia à missa, Juan Diego ouviu uma voz que o chamava. Viu então a imagem da Virgem iluminada, com roupas e traços do povo Asteca. Maria pediu-lhe que fosse dizer ao bispo que construísse ali um santuário em sua honra.

Diante da incredulidade do bispo, a Virgem realizou alguns milagres: curou o tio de Juan Diego e fez brotar rosas na colina de Tepyac, onde apareceu. Pediu ao indígena para levar as flores ao bispo. Ao entregar as rosas, Juan Diego abriu o manto (tilma) que carregava e nele, como que impressa, apareceu a mesma imagem presenciada no monte.

Nossa Senhora de Guadalupe tem os traços da América e representa a resistência da cultura nativa diante da colonização europeia. Por isso, todo o povo latino-americano se identifica com ela e a venera. Foi proclamada padroeira da América Latina e a sua festa é celebrada a 12 de dezembro.

ORAÇÃO:

Virgem Santíssima, Nossa Senhora de Guadalupe! Nós vos pedimos, ó Mãe do céu, abençoai e protegei os povos da América Latina, para que todos nós, envolvidos pelo vosso carinho maternal, nos sintamos mais perto de Deus, nosso Pai. Nossa Senhora de Guadalupe, abençoados por vós e amparados pelo vosso Filho, Jesus, teremos força para alcançar a nossa libertação. Seremos libertados da superstição, dos vícios, dos pecados e também da injustiça e da opressão que sofremos da parte dos prepotentes que exploram e dominam os seus semelhantes. Ó Mãe de Jesus, nosso Salvador, atendei benigna à nossa oração.

Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, rogai por nós.

Os maias do México consideravam a cidade de Izamal como território sagrado. Os primeiros missionários que chegaram àquelas terras utilizaram esta estima por Izamal para iniciar ali o culto mariano. Construíram, no século XVI, próximo de uma antiga pirâmide, um templo para acolher os indígenas convertidos. No altar da igreja era venerada uma imagem da Imaculada Conceição. A padroeira de Yucatan, estado ao qual pertence a cidade de Izamal, é constantemente levada até à capital, Mérida.

ORAÇÃO:

Em terras sagradas um templo foi a vós edificado, Senhora, em sinal de amor dos povos maias. Protegei cada aldeia e tribo indígena do imenso continente americano, pois vós sois nossa Mãe e a vós rendemos culto eternamente. Ámen.  

O segundo santuário mariano mais popular da Colômbia – o primeiro é em Chiquinquirá – fica em Las Lajas, cidade no sul do país, na cordilheira dos Andes, próximo do Equador. A imagem de Maria apareceu na parede de uma rocha, num lugar perigoso. Mesmo com o perigo, os fiéis acorriam aos milhares ao local e ali edificaram um santuário. A imagem de Maria com o Menino nos braços, com São Domingos e São Francisco de Assis a seus pés, recebeu uma pintura a óleo, mas continua sobre a mesma rocha.

Segundo a tradição, a imagem foi descoberta por uma índia. Quando se dirigia ao povoado com um feixe de lenha, viu numa das grutas da serra a imagem resplandecente da Virgem do Rosário. Correu para dar a notícia ao povoado de Ipiales. Várias pessoas foram ao local e de facto encontraram, sobre a pedra polida pelos séculos, uma bela pintura da Virgem do Rosário. Ali mesmo construíram o templo a "Nossa Senhora do Rosário de Las Lajas".

ORAÇÃO:

Nossa Senhora do Rosário, que em Las Lajas vos manifestastes a derramar sobre aquele povo as vossas graças, protegei todos os peregrinos que a vós recorrem e concedei-nos a graça de que necessitamos. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora do Pampa é recente. Surgiu da iniciativa de uma comunidade carmelita argentina, de Rosário. Os religiosos desejavam um título e uma imagem que aproximasse Maria do povo dos pampas argentinos, daí os traços indígenas e espanhóis da Virgem, que traja um poncho característico, símbolo forte da proteção da Virgem ao povo da região.

ORAÇÃO:

A vós que sois Mãe tão cheia de ternura, aqui vimos oferecer as nossas vidas e dizer que vos amamos, que somos vossos filhos e que confiamos no poder da vossa proteção. Conduzi-nos para o Menino que descansa nos vossos braços. Consolai-nos na aflição, fortalecei-nos frente às tentações. Fazei-nos crescer na fé e na esperança e particularmente no amor a Deus e aos irmãos. Conservai no nosso interior a alegria de sermos filhos da Igreja. Impulsionai-nos para que sejamos evangelizadores entusiasmados do Reino. Que a vossa bênção nos acompanhe, Mãe, até podermos contemplar no céu a formosura de Deus. Ámen.

No século XVI, alguns espanhóis deram aos índios Oyacachis, como pagamento por alguns toros de cedro, uma imagem de Nossa Senhora da Apresentação, talhada por Diego de Robes. Quando viram a imagem, três índios identificaram-na com uma aparição que tiveram alguns dias antes, quando se protegiam numa gruta. Em 1604, a imagem deixou a aldeia e foi colocada no altar da igreja de Quinche, onde se popularizou a devoção. Hinos em diversos dialetos indígenas da região rendem graças à Virgem de Quinche, padroeira do Equador, às vezes também chamada Nossa Senhora da Apresentação do Quinche.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Apresentação, que de Quinche abençoais todo o povo equatoriano, estendei a vossa mão sobre os nossos lares, para que nunca falte o pão nosso de cada dia, nem alegria nem saúde no nosso meio. Ámen.  

Quando voltava da aldeia de Suyapa, nas Honduras, após um dia de trabalho no campo, Alejandro Colindres e o menino Jorge Martinez encontraram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição talhada em cedro.

Ao deitar-se para dormir, Alejandro sentiu algo como uma pedra nas costas. Pegou no objeto, sem olhar ao que era, e lançou-o para longe. Voltou a deitar-se, mas sentiu novamente o mesmo objeto. Guardou-o e assim que a luz iluminou o local pôde ver que era uma imagem de Nossa Senhora. A notícia espalhou-se de imediato e vários milagres lhe foram atribuídos.

O atual templo é gigantesco, com 93 metros de cumprimento e torres de 43 metros de altura, que sustentam 42 sinos. Pio XI declarou-a padroeira das Honduras em 1925.

ORAÇÃO:

Estimada Senhora de Suyapa, padroeira das Honduras, escolhestes manifestar-vos aos mais pobres e humildes, dois trabalhadores. Manifestai hoje o vosso amor pelos pobres, Ámenizando as dores dos que sofrem com a exclusão e a fome. Intercedei por todos os que não conseguem trabalho digno e por aqueles que são explorados e injustiçados. Ámen.