IMAGENS ESPECIAIS

A tradição de Nossa Senhora da Abadia surge por volta do ano 883, a partir de uma imagem proveniente do antigo mosteiro das Montanhas, próximo da cidade de Braga. Conta-se que, após a invasão da península, os monges fugiram e esconderam a imagem. Anos depois, dois eremitas que moravam perto do antigo mosteiro viram uma grande claridade. De manhã, conferindo o local, encontraram a imagem. Construiu-se então ali uma ermida e depois um santuário. Por indicação de D. Afonso Henriques, os eremitas fundaram uma congregação que cresceu na região.
ORAÇÃO:
Senhora, Mãe de Deus, no cenáculo, após a ascensão de Jesus ao céu, presidistes às orações suplicantes dos Apóstolos para a vinda do Divino Espírito Santo; agora, que estais no Paraíso à frente dos coros dos anjos e santos, presidi, também, Senhora nossa Rainha, a toda a nossa vida, orientando-nos para a pátria celeste, onde desejamos estar convosco, a cantar eternamente as glórias de Jesus. Ámen.

Na concavidade de um velho loureiro, próximo de Óbidos, uma pastorinha encontrou uma imagem de Nossa Senhora. No local foi construída uma ermida e deu-se início a esta nova devoção. O nome Aboboriz vem dos mouros, que chamavam ao sítio onde a imagem foi encontrada Bobriz, Aboboriz e até Abotriz. Foi também chamada Nossa Senhora da Ferraria, por ali haver muito ferro.
ORAÇÃO:
Ó estimada Senhora Nossa, que em todos os tempos abençoastes e protegestes os vossos fiéis, intercedei por mim e por todos os que me rodeiam, para que encontrem sempre a felicidade e o bem-estar físico e espiritual. Por Cristo, Nosso Senhor.

Uma antiga tradição diz que, quando os mouros invadiram a região de Alvito, foram escondidas diversas imagens. De entre elas uma chamada Nossa Senhora de Aires, ou Ares. Séculos mais tarde (no século XVII), a imagem foi encontrada em Viana do Castelo, próximo de Évora, onde foi construído o atual santuário barroco. A festa e a feira de Nossa Senhora de Aires são famosas desde o século XVIII.
ORAÇÃO:
Braço sempre pronto a carregar-nos, mãos sempre dispostas a sustentar-nos, olhos sempre brilhantes a observar-nos... Assim sois vós, querida Mãe, e por isso a vós recorremos nos momentos de especial necessidade. Olhai hoje por cada um de nós e ajudai-nos a superar as dificuldades da vida. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Em 1973, uma ferida em forma de cruz apareceu na palma da mão esquerda da Irmã Agnes, uma religiosa da cidade de Akita, Japão. Em 6 de Julho, enquanto rezava, a Irmã Agnes ouviu uma voz vinda da imagem da Virgem Maria. A sua mensagem pedia conversão e oração a fim de se evitar o castigo de Deus.
Nesse mesmo dia, algumas das irmãs notaram gotas de sangue a fluir da mão direita da imagem, fenómeno que se repetiu outras quatro vezes. A ferida permaneceu até 29 de setembro. Nesse dia, a imagem começou a "suar", especialmente na testa e no pescoço. Em 3 de agosto, a Irmã Agnes recebeu uma segunda mensagem e no dia 13 de outubro a terceira e última. Dois anos depois, em 04 de janeiro de 1975, a imagem de Nossa Senhora começou a chorar. Continuou a derramar lágrimas, com intervalos, durante seis anos e oito meses. O milagre da imagem que verteu sangue, suor e lágrimas foi testemunhado por centenas de habitantes da cidade, inclusive o bispo e o líder budista.
Em junho de 1988, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da fé declarou os eventos e as mensagens de Akita como confiáveis e dignos de fé.
ORAÇÃO:
Ao ver o egoísmo e a tristeza no mundo, vós derramastes lágrimas e sangue, como uma súplica pela conversão do povo, ó Senhora Nossa. Que estes sinais do vosso sofrimento sejam compreendidos por todos e motivem a conversão e mudança de vida dos nossos irmãos e irmãs do Japão e do mundo. Ámen.

No ano de 712, um rei espanhol foi derrotado pelos muçulmanos, que dominaram Toledo e quase toda a Península Ibérica. Madrid era uma pequena vila, desconhecida na época, mas, por ser um ponto estratégico, os muçulmanos resolveram edificar ali uma fortaleza. Sabendo de tais planos, o povo de Madrid reuniu-se para pedir proteção à Virgem e pensou em proteger a imagem, trazida de Jerusalém no ano 38 por um discípulo de São Tiago.
Em 1058, com a retomada de Madrid pelo rei Afonso VI, resolveram procurar a imagem. Após novena e romaria em honra da Virgem, caiu em frente à multidão um muro e atrás dele surgiu a imagem. Foi então resgatada e levada para a paróquia, onde começou a ser denominada Almudena, porque foi encontrada no lugar chamado pelos mouros "almudin" (depósito de trigo). Nossa Senhora de Almudena é a padroeira de Madrid.
ORAÇÃO:
Ó Maria, que permanecestes ao lado do povo madrileno durante o período de ameça à fé, às tradições e à própria vida, acompanhai cada um de nós que procura viver intensamente a fé em vosso Filho. Que o vosso olhar amoroso nunca se afaste de nós nem da nossa família. Ámen.

A devoção à Virgem de Altagrácia é a primeira das Américas. Surgiu na vila de Salvaleón de Higuey, República Dominicana, onde hoje existe um grande santuário. O santuário de Higuey, por sinal, é o primeiro da América, cuja construção teve início em 1539.
Há diversas lendas sobre a origem do culto. Uma destas tradições diz que, por ocasião de uma viagem do pai, duas irmãs pediram que lhes trouxesse presentes: uma pediu roupas e perfumes; a outra, uma imagem da Virgem de Altagrácia. O pai procurou a imagem em todos os lugares, mas não a encontrou. Voltou triste para casa, sem saber como dizer à filha que não existia tal imagem. Numa das paragens, porém, como que por milagre, um senhor ofereceu-lhe uma imagem da Virgem – retratando o nascimento de Jesus – e disse ser Nossa Senhora de Altagrácia. É a imagem que hoje se encontra no santuário de Higuey.
Pesquisas históricas dizem que o quadro foi trazido de Espanha em 1502, pelos irmãos Alfonso e Antonio Trejo.
ORAÇÃO:
Ó Mãe querida, Virgem dulcíssima de Altagrácia, padroeira nossa, olhai para nós, prostrados na vossa presença, desejosos de vos oferecer nesta oração o testemunho do nosso amor e correspondência aos inúmeros favores que de vossas mãos recebemos. Vós sois nossa Mestra: como discípulos queremos aprender os exemplos da vossa vida santa. Sois nossa Mãe: como filhos aqui viemos oferecer todo o amor do nosso coração. Recebei, Mãe querida, as nossas ofertas e escutai as nossas súplicas. Ámen.

O culto a Nossa Senhora da Ameijoeira remonta ao século XIII, época em que foi construído em Portugal um grande templo, com hospedaria para os romeiros que vinham de diversas partes da Europa. Ao lado do santuário existia uma piscina, na qual, segundo a tradição, aconteciam diversos milagres. O nome "Ameijoeira" deve-se ao local onde Frei Soeiro teria encontrado, em 1217, a imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo, que passou a ser venerada na região. Em 1755 a imagem foi transportada para a igreja de Abrigada, pois a antiga foi totalmente destruída pelo terramoto. Em 1908 foi levada para um novo templo, pois outro terramoto destruiu a igreja de Abrigada.
ORAÇÃO:
Virgem Santa, que sempre ouvistes as preces dos peregrinos e intercedestes pelo povo português nos momentos de catástrofes naturais, acolhei hoje as nossas súplicas e intercedei por nós junto do vosso Filho. Vós sois a nossa esperança e proteção, não nos abandoneis jamais. Ámen.

Frei Gaspar da Cruz, natural de Azeitão, foi o primeiro missionário a entrar na China, em 1556. Conta-se, porém, que quando os missionários chegaram à cidade de Ancheo encontraram uma imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo entre várias imagens de ídolos pagãos. Ao serem questionados sobre a imagem, os moradores da cidade disseram que não sabiam de onde era a imagem, mas que "aquela era uma mulher virgem e santa, que dera à luz o menino, filho de um grande rei".
ORAÇÃO:
Virgem Santa e Fiel, cujo Filho nos devolveu a dignidade de filhos de Deus, continuai sempre a mostrar-nos o caminho que conduz ao Reino. Queremos aproximar-nos cada dia mais de vós e do vosso Filho, através de uma vida reta e santa. Ámen.

Logo após a expulsão dos mouros de Granada, no século XV, os devotos cristãos edificaram ali uma ermida dedicada às "angústias de Nossa Senhora", provavelmente por influência da devoção a Nossa Senhora das Dores. A ermida ficou conhecida e iniciou-se o culto a Nossa Senhora das Angústias. Uma imagem com aparência dolorosa foi colocada para veneração.
Um dia, dois jovens e uma senhora entraram para rezar. O tempo passou e a senhora continuou ali, aos pés do altar. Indo verificar o que acontecera, um dos confrades responsáveis pelo local encontrou não uma mulher, mas uma escultura de Nossa Senhora, com rosto triste e angustiado a contemplar o seu Filho na cruz.
A devoção é encontrada em todo o Portugal, especialmente em Braga, e recorda as dores de Maria ao acompanhar o seu Filho, Jesus, particularmente na Paixão.
ORAÇÃO:
Com grande angústia e desolação vistes vosso Filho condenado e pregado na cruz. Tomada pela dor, dirigistes a Ele vosso olhar consolador. Dirigi a cada um de nós o mesmo olhar confiante que nos conduz a Deus e à certeza de que Ele vem sempre em nosso auxílio nos momentos de dor e de sofrimento. Ámen.

Há referência a esta devoção em muitas paróquias de Portugal, às vezes também chamada Nossa Senhora do Anjo. O culto surgiu no século XIII, em França, quando três comerciantes foram assaltados e amarrados a uma árvore. Passaram ali a noite, sendo salvos por um anjo, logo após pedirem a intercessão de Maria.
Na Costa Rica, onde é padroeira da nação, a devoção teve início em 2 de agosto de 1635, com a aparição da imagem da Virgem na cidade de Cartago. Quando saía para recolher lenha seca, a senhora Joana Pereira viu sobre uma pedra a imagem de Maria com o Menino ao colo. Ficou surpresa, mas levou consigo a imagem, guardando-a em casa. No dia seguinte, encontrou novamente a imagem sobre a mesma pedra. O milagre repetiu-se outras vezes, até que construíram no local uma capela. Os costa-riquenhos logo se apegaram à imagem, difundindo a devoção da Virgem chamada carinhosamente de "La Negrita", em referência à cor da imagem, esculpida em pedra escura.
ORAÇÃO:
Augusta Rainha dos Céus e Senhora dos Anjos, desde o princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás. Humildemente vos rogamos que envieis as legiões celestes para que, às vossas ordens, persigam os espíritos infernais, combatendo-os por toda a parte, confundam a sua audácia e os precipitem no abismo. Ámen.

No século XIV, a catedral de Sevilha, em Espanha, foi reconstruída. A imagem de Nossa Senhora do primeiro templo, porém, foi conservada, vindo a chamar-se Santa Maria, a Antiga, em referência à imagem da antiga catedral.
Esta devoção foi a primeira a chegar ao Panamá, em 1510. Estabeleceu-se primeiro no povoado de Darién, com a chegada de Vasco Nunes de Balboa e Martin Fernandez de Enciso.
Tinham prometido à Virgem dar o seu nome ao povoado se saíssem com vida de uma feroz batalha que tiveram com os nativos. Assim, após a vitória, o povoado do Cacique Cémaco recebeu o nome de Santa Maria a Antiga. Em 9 de setembro de 1513, o Papa Leão X criou em Santa Maria a Antiga a primeira diocese do país e a capela da Virgem foi elevada a catedral. Em 1524, a diocese de Santa Maria a Antiga foi trasladada para a recém-fundada Cidade do Panamá, actual capital. É a padroeira do Panamá.
ORAÇÃO:
Ó querida Mãe, padroeira do Panamá, que desde o início da colonização da América acompanhastes os vossos diletos filhos, intercedei por nós junto do vosso Filho. Dai-nos sempre amparo, luz e segurança. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora Anunciada provém de Setúbal, no século XIII. Segundo a tradição, este título surgiu do "anuncio" que uma senhora fez ao deparar-se com uma pequena imagem da Mãe de Deus. Seguindo a sua rotina diária, enquanto colocava gravetos para alimentar as chamas do fogão, um deles saltou dali para o meio da casa. Sem nada suspeitar, a senhora colocou-o novamente no fogo. De novo o graveto saltou para longe. Isto aconteceu por três vezes. Curiosa, ela pegou no graveto para examinar de perto o que o forçava a saltar. Observou não se tratar de um galho, mas de uma pequena imagem da Mãe de Deus. Espantada, a senhora gritou: «Virgem Anunciada!» e saiu às pressas, para "anunciar" às vizinhas o facto prodigioso. Daí a origem do nome. Um grande grupo foi prontamente ver a Senhora Anunciada, inclusive alguns padres, que puseram a imagem num altar para veneração.
ORAÇÃO:
Ó querida Mãe, vós procurais os caminhos mais inusitados para manifestar o vosso amor por nós. Entrai hoje em nossos lares e abençoai as nossas famílias. Todos queremos sentir a vossa presença e exclamar jubilosos: «Virgem Anunciada!» Ámen.

Em outubro de 1717, Domingos M. Garcia, João Alves e Felipe Pedroso saíram nas suas canoas para mais uma jornada de pesca no rio Paraíba. Depois de algumas horas de trabalho sem tirar um peixe sequer do rio, João Alves puxou a sua rede e encontrou o corpo de uma Nossa Senhora, sem a cabeça. Lançando outra vez a rede, tirou a cabeça da mesma Senhora da Conceição. A partir desse momento, a pescaria foi abundante e tiveram de voltar a casa por medo de naufragarem com tanto peso.
Felipe Pedroso conservou a imagem em sua casa durante algum tempo, depois fizeram-lhe uma capela onde diversos devotos iam orar. Muitos milagres se sucederam até ao dia de hoje. Em 1929, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha e Padroeira do Brasil. A coroa e o manto azul-marinho que cobrem a imagem negra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida foram doação da princesa Isabel, devota da Virgem. O atual santuário é um dos maiores do mundo.
ORAÇÃO:
Querida Mãe Nossa Senhora Aparecida, que nos amais e nos guiais todos os dias, que sois a mais bela das Mães, a quem eu amo de todo o meu coração, eu vos peço mais uma vez que me ajudeis a alcançar esta graça (fazer o pedido). Sei que me ajudareis e sei que me acompanhareis sempre, até à hora da minha morte. Ámen.

Conta a tradição que, no ano 580, o capitão Maurício, desviado pelos ventos, chegou a uma aldeia da Calábria, em Itália. O monge Efrém foi ao seu encontro e disse-lhe: «Não foram os ventos que te conduziram para cá, mas Nossa Senhora, para que tu – uma vez Imperador – lhe construas um templo.» Dois anos depois, Maurício tornou-se Imperador e construiu a igreja dedicada a Maria. Porém, a imagem de Nossa Senhora, que era pintada durante o dia, de noite desaparecia da parede. Uma noite, uma senhora entrou no santuário. Como demorava a sair, o vigilante foi verificar o que acontecera. Não viu a senhora, mas numa das paredes do templo estava a imagem de Nossa Senhora com traços típicos da mulher calabresa. O povo dirigiu-se de imediato à capela, a aclamar: «Aquiropita! Aquiropita!» (que significa: imagem não pintada por mão humana).
ORAÇÃO:
Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe Aquiropita, volvei o vosso olhar piedoso para nós e para as nossas famílias. Através dos séculos, pelos milagres e aparições, mostrastes ser medianeira perene de graças. Tende compaixão das dificuldades em que nos encontramos e das tristezas que amarguram a nossa vida.
Ó Rainha Aquiropita, prometemos dedicar-vos toda a nossa vida para a honra do vosso culto e o serviço de nossos irmãos. Solicitamos da vossa maternal bondade ao auxílios às nossas necessidades e a graça de viver sob a vossa constante proteção, consolados nas nossas aflições e livres das presentes angústias. Ámen.

Esta é a padroeira do famoso convento dos Capuchos Franciscanos na serra da Arrábida. Há uma antiga lenda que diz que um rico mercador inglês chamado Hildebrant, en 1215, ao passar por Portugal, enfrentou uma tormenta. Rogou à intercessão da Virgem, cuja imagem trazia no navio. De imediato uma luz surgiu no horizonte e o temporal diminuiu. Quando o mar acalmou, procuraram a imagem no navio e não a encontraram. Pararam na praia e descobriram a imagem no ponto de onde vinha a luz na noite anterior, a serra da Arrábida. Ali construíram uma ermida e posteriormente o convento.
Nossa Senhora da Arrábida foi cantada pelo Frei Agostinho da Cruz, que viveu muito tempo no convento da Arrábida e é considerado por muitos como o melhor poeta místico dos fins do século XVI. Diz-nos o poeta:
ORAÇÃO:
Dos solitários bosques a verdura,
nas duras penedias sustentada
nesta serra, do mar largo cercada,
me move a contemplar mais formosura.
Aqui com mais suave compostura,
menos contradição, mais clara vista,
verei o Criador na criatura.

Próximo de Chanonat, em França, existe um bosque. Entre as muitas árvores, havia uma com grande cavidade onde foi encontrada uma pequena imagem de Nossa Senhora, sem que houvesse uma explicação de como ela fora lá parar. O povo batizou-a com o título de Nossa Senhora da Árvore.
Durante muitos anos, a efígie de Maria permaneceu nesse mesmo local, onde foi encontrada, até que os seus devotos resolveram construir uma capela para melhor proteger o tesouro espiritual. Era uma forma de homenagear a Virgem pelos diversos sinais que ela tinha dado aos moradores da região. Em 1703, no lugar da simples ermida, ergueu-se um santuário onde hoje se encontra a imagem.
ORAÇÃO:
Virgem benigna, Santa Mãe de Deus, que justamente sois comparada à árvore sagrada que nos trouxe o fruto da salvação, Jesus, o Redentor, «bendito fruto do vosso ventre». Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humano, mas dignai-vos a ouvi-las propiciamente e a alcançar-me o que vos peço (fazer o pedido). Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Ámen.

Durante as invasões muçulmanas em Espanha, uma imagem de Maria Teotókos (Mãe de Deus) desapareceu. Não se sabia se fora escondida ou profanada pelos invasores. Depois de muita procura, Gracian Ramirez encontrou a imagem no meio de uma plantação de "atochas", gramínea medicinal e também muito utilizada no fabrico de cestas, esteiras e cordas. Alegres com o facto, quiseram levá-la de volta à igreja, mas não conseguiram removê-la do "atochal".
Vendo a aglomeração, o chefe militar muçulmano pensou ser uma revolta popular e atacou, mas foi derrotado. O povo não falava de outra coisa a não ser da espectacular vitória atribuída a Nossa Senhora da Atocha. A devoção espalhou-se e os Reis da Espanha escolheram-na como padroeira da nação, depois de o Rei Afonso VI ter reconquistado Madrid definitivamente.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, protetora dos fracos e humildes, combatei ao nosso lado contra os inimigos que nos oprimem. Certos de que nos acompanhais, seremos mais fortes e confiantes em nossas ações. Ámen.

Na diocese de Aveiro há uma capela conhecida pela imagem milagrosa que ali se encontra, conhecida popularmente como Nossa Senhora dos Banhos. Este nome deve-se ao facto de existir debaixo do altar da imagem uma fonte, na qual os doentes bebem água ou se banham, alcançando milagrosas curas de diversas enfermidades.
ORAÇÃO:
Nas águas que brotam do vosso altar encontramos a bênção e a esperança de cura dos nossos males. Atendei-nos, querida Mãe, em todas as nossas necessidades e abençoai todas as fontes de Portugal, para que jorrem sempre água pura e cristalina. Ámen.

Segundo a tradição, esta invocação surgiu de uma imagem trazida da cidade de Bettencourt, em França, por Martin Afonso de Sousa, vice-rei da Índia no tempo de D. Manuel, no século XV. Diz-se que a imagem foi comprada a um herege para evitar a sua profanação. A sua devoção foi bastante popular na corte.
ORAÇÃO:
Em cada Ave-Maria que rezamos, sentimos maior conforto no coração e uma sensação de segurança, pois sabemos que nos ouvis, querida Mãe, cheia de graça. Rogai por nós, agora e sempre. Ámen.

Bistrica é uma vila da Croácia. No século XVI, uma imagem negra da Virgem foi tirada da igreja de Visinski por medo da invasão dos otomanos e escondida na parede da igreja de Bistrica. Foi reencontrada somente um século depois, em 1684. Colocada num altar, começaram de imediato as peregrinações. Um incêndio em 1880 destruiu a igreja, mas milagrosamente a imagem continuou intacta.
O santuário, antes dedicado a Nossa Senhora das Neves, agora recebe o nome de "Majka Bozja Bistricka" (Mãe de Deus de Bistrica). Em 1923m o Papa Pio XI concedeu ao santuário o título de Basílica Menor e em 1935 o arcebispo de Zagreb coroou solenemente a imagem, proclamando-a Rainha de todo o povo da Croácia.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora de Bistrica, Rainha da Croácia, que tantos sinais demonstrastes em situações de destruição, ajudai-nos a ser resistentes e bravos diante dos desafios do mundo. Diante de todos os perigos e destruições, sejamos iluminados por vós e por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Uma imagem esculpida na rocha, na serra da Estrela, deu vida a esta devoção já presente na fé do povo português há muitos anos. O local é ponto de encontro de romeiros e foi inaugurado solenemente em 4 de agosto de 1946, com a bênção do cónego Luis Mendes de Matos.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, Estrela que nos ilumina e aponta a direção certa, acompanhai os nossos passos errantes por este mundo, conduzindo-nos pelos caminhos do Evangelho até um dia chegarmos ao céu e partilharmos convosco as alegrias do Reino. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Nossa Senhora de Bonária é venerada como a padroeira da Sardenha e de Cagliari, em Itália. Em 1330 foi fundado na cidade de Bonária um convento, por iniciativa de Frei Carlo Catalón, após um sonho. Quarenta anos mais tarde, durante uma tempestade, um navio lançou ao mar uma caixa para diminuir o peso e fugir da tormenta. Assim que ela caiu ao mar, a tempestade cessou. A caixa foi parar à praia, em frente da igreja de Bonária. No seu interior estava uma imagem da Virgem com o Menino. De imediato a imagem foi chamada Nossa Senhora de Bonária e teve início a devoção.
ORAÇÃO:
Por vossa intercessão, Senhora de Bonária, as águas acalmam-se, a tempestade cessa, os perigos desaparecem. Vinde sempre em nosso auxílio nos momentos de incerteza, de perigo e de medo. Socorrei-nos nos nossos sofrimentos, elevando-nos e dando-nos as graças de que precisamos. Ámen.

Em 1829, os frades capuchinhos de Caravelas, no Brasil, enviaram uma imagem de Nossa Senhora à cidade de Nápoles, em Itália, que foi colocada na igreja da cidade, dedicada a Santo Efrém. Um incêndio, porém, destruiu a igreja anos depois. Milagrosamente, a imagem de madeira com traços indígenas permaneceu intacta. Admirado, o povo napolitano aumentou a sua fé na Virgem, passando a venerá-la como Nossa Senhora do Brasil. Apenas depois de se tornar popular em Itália é que a devoção teve início no Brasil.
ORAÇÃO:
Ó Deus de misericórdia, assim como a imagem da Mãe de Deus ficou intacta no incêndio de Nápoles, apagai o ímpeto das nossas paixões e socorrei a nossa fraqueza. Concedei-nos o ressurgir dos nossos pecados, pela intercessão de Maria, cuja memória celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Ámen.

Na cidade de Dax, em França, existia uma capela construída nas margens do rio Adour. Por ordem de Joana d´Albert, a capela foi destruída, sendo salva unicamente a imagem da Virgem. Anos mais tarde, esta imagem foi encontrada numa fonte. Conta a tradição que um boi a encontrou, daí originando o seu nome "Buglose" (de boeuf, ou língua de boi). Mais tarde a própria vila tomou o nome de Buglose e aí foi construído um grande santuário. Centenas de curas são atribuídas á fé em Nossa Senhora de Buglose e à fonte milagrosa que existe onde a imagem foi encontrada. As peregrinações ocorrem principalmente entre os dias 8 e 15 de setembro.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora de Buglose, em cada ano milhares de peregrinos dirigem-se ao vosso santuário a fim de beber da fonte milagrosa que vós abençoastes. Concedei a cada um deles a graça de que necessitam. Derramai também sobre nós as mesmas bênçãos da vossa proteção. Ámen.

No século XVI, um indígena paraguaio convertido foi atacado pelos Mbayaes quando se encontrava numa montanha. Correu e escondeu-se. Nos momentos tensos em que permaneceu escondido, rezou à Virgem para que o livrasse da morte. Passado o perigo, esculpiu uma imagem de Nossa Senhora com um galho da árvore que o protegeu. Esta imagem foi arrastada pelas águas do lago Tapaicuá, numa enchente de 1603. Milagrosamente, após as águas baixarem, a imagem apareceu intacta. Uma capela foi construída (mais tarde, um santuário) e a pequena imagem passou a ser venerada como Nossa Senhora de Caacupé, que significa "atrás dos montes". É padroeira do povo paraguaio, que a chama carinhosamente a "Virgem Azul do Paraguai".
ORAÇÃO:
Santíssima Mãe de Deus e nossa Mãe, do Santuário de Caacupé cobri com o vosso manto protetor os devotos e todo o Paraguai. Intercedei pelos nossos pais e benfeitores, pelos desvalidos e por todos os que necessitem de perdão e de misericórdia. Protegei a nossa Santa Mãe Igreja e alcançai luz aos magistrados para que façam justiça e haja paz entre os homens. Depois da graça particular que pedimos, alcançai-nos também a graça maior de perseverar na nossa fé e no vosso amor, para assim merecermos a realização da promessa que o Nosso Senhor Jesus Cristo nos fez quando disse: «Aquele que perseverar até ao fim salvar-se-á.» A vós pois, Mãe querida, clamamos para que nos obtenhais tão singular favor. Ámen. (Pedir a graça especial.)

Apesar de parecer uma variação do título da Nossa Senhora da Cabeça, a devoção a Nossa Senhora da Cabeça Inclinada tem uma origem bem diferente. Conta a tradição que no ano de 1610, o padre Domingos de Jesus Maria encontrou um quadro da Virgem da Graça. Numa das suas orações diante do quadro, a Virgem sorriu ao padre e fez um gesto de agradecimento inclinando a cabeça, daí originando o nome da devoção.
Numa outra manifestação, a Virgem disse: «Eu ouvirei os pedidos e concederei muitas graças a todos aqueles que recorrerem á minha proteção, honrando-me devotamente por meio deste quadro; mas atenderei principalmente às orações pelo alívio e salvação das almas do Purgatório.» O quadro foi transportado para outra igreja dos carmelitas, em Roma, e algumas cópias difundiram-se pela Europa.
ORAÇÃO:
Ó amada Mãe, que inclinais a cabeça em agradecimento às nossas orações, que nunca nos faltem fervor e fé. Atendei sempre os pedidos que humildemente vos dirigimos e socorrei todas as almas, conduzindo-as ao paraíso. Ámen.

Segundo a lenda, no século XIII, um homem teve a visão de uma Senhora a sair do mar sobre uma mula, cuja pegada ficou gravada na rocha do Cabo Espichel, em Setúbal. De imediato o sítio se tornou num grande centro de peregrinações. Em 1715 foram construídos ali um santuário e um grande centro de acolhimento de peregrinos. Outra lenda diz-nos que, por volta do ano 1410, dois idosos de diferentes cidades tiveram sonhos semelhantes, que indicavam a localização de uma imagem de Nossa Senhora. Saíram das suas cidades e foram procurar a imagem, encontrando-a no Cabo, já conhecido centro de peregrinações. A imagem encontrada começou a ser venerada como Nossa Senhora do Cabo.
ORAÇÃO:
Senhora do Cabo, Padroeira e Mãe, nós vos bendizemos e vos louvamos. Queremos, com todo o fervor de que somos capazes, fazer nossas as palavras do anjo e de Santa Isabel: «Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus.» E agora, Santíssima Mãe de Deus, ao vosso amparo e proteção nos acolhemos e vos entregamos tudo quanto somos e tudo quanto temos, com toda a confiança com que os filhos se entregam à sua Mãe! Guardai hoje e pela vida além a nossa existência sob o vosso manto, bem junto ao vosso coração materno. Ficai ao nosso lado, hoje e sempre: no trabalho e no descanso, na tristeza e na alegria, nas lutas e nos desânimos da vida. Ensinai-nos a amar e a obedecer a Jesus, manifestando o nosso amor na prática dos seus mandamentos. Defendei-nos das tentações, livrai-nos do mal e nunca deixeis de estar presente nos nossos caminhos, Mãe da Divina Graça. Vós que fostes sempre a nossa defensora, guardai os que vos amam e os que andam mais afastados. Abençoai, Virgem Imaculada, a nossa paróquia, o nosso pároco, todas as famílias, a nossa Igreja e quantos nela trabalham. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, agora e na hora da nossa morte. Ámen.

Devoção associada ao quadro de Nossa Senhora pintado por Pierre Mignard, no século XVII. O quadro, atualmente no Museu do Louvre (Paris), tem a Senhora sentada com o Menino no regaço. Na palma da mão direita tem um cacho de uvas. O Menino tem a mão direita sobre o cacho e a esquerda a puxar o véu da Mãe sobre a sua cabeça, numa imagem muito terna. O cacho de uvas é tido como símbolo do sacrifício de Cristo no Calvário. Veja também Nossa Senhora da Uva.
ORAÇÃO:
Durante toda a vida terrena de Jesus vós O acompanhastes, querida Mãe. Do mesmo modo pedimos que estejais presente em todos os momentos da nossa vida, inundando-a de paz e carinho. Que o vosso amor por nós seja sentido e imitado em todas as nossas ações. Ámen.

É devoção muito antiga e bastante popular em Portugal. Difundiu-se, porém, com maior amplitude no continente americano. Segundo a tradição, em 1628 dois indígenas e um escravo negro saíram para buscar sal à baía de Nipe. Lá, avistaram um objeto branco a flutuar. Ao aproximar-se, viram que era uma imagem da Virgem e com ela uma tábua com a inscrição: «Eu sou a Virgem da Caridade.» A pequena imagem foi de imediato trasladada para o povoado de El Cobre. Este foi o primeiro povoado a libertar os escravos, o que mostra a relação da aparição de Maria com a libertação e a justiça, além da sua preferência pelos pobres e oprimidos. Em 10 de maio de 1916, o Papa Bento XV proclamou-a padroeira da ilha de Cuba.
ORAÇÃO:
Santa Maria da Caridade, viestes como mensageira da paz flutuando sobre o mar. A vós recorremos, Santa Mãe de Deus, para vos honrar com o nosso amor filial. No vosso coração de Mãe colocamos os nossos anseios e esperanças, as nossas alegrias e súplicas. Pela nossa pátria, para que juntos todos construamos a paz e a concórdia; pelas famílias, para que vivam a fidelidade e o amor; pelas crianças, para que cresçam sadias física e espiritualmente; pelos jovens, para que reafirmem a sua fé e a sua responsabilidade na vida e em tudo o que lhe dá sentido; pelos doentes e marginalizados, pelos que sofrem a solidão, pelos que estão distantes das suas pátrias e por todos os que trazem o sofrimento nos seus corações. Ámen.

Uma imagem de Nossa Senhora do Carmo foi enviada ao Peru no ano de 1606 a pedido do comerciante Domingos Gomes da Silva, que sobrevivera a um naufrágio. Quando se aproximava do lugar conhecido como La Légua, a metade do caminho entre o porto de Callao e Lima, a capital, a mula que carregava a imagem parou. Domingos viu no facto um sinal e resolveu construir ali a capela em honra à Virgem do Carmo. Todos os anos a imagem é levada em procissão até ao porto de Callao, onde se faz uma novena.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora do Carmo, que concedeis ao povo peruano incontáveis bênçãos, intercedei junto de vosso Filho para que eu receba a graça de que necessito (fazer o pedido). A vós manifesto o meu carinho e confiança, elevando os meus louvores: Ave-Maria, cheia de graça...

Com a expansão da Ordem Carmelita, a devoção a Nossa Senhora do Carmo chegou a diversas partes do mundo, especialmente à América Latina. No Chile teve enorme aceitação a primeira imagem trazida por Dom Martin de Lecuna, em 1785. Durante as guerras da independência, a Virgem do Carmo foi tornada como padroeira do exército e invocada para a proteção nas batalhas. Após a conquista da liberdade, o exército e o povo chileno começaram a construção de uma igreja em Maipú, um campo de batalha, templo que ficou pronto em 1892. No início do século XX, a Santa Sé nomeou a Virgem do Carmo padroeira do Chile, símbolo da luta pela liberdade e independência. A imagem do santuário de Maipú é a mesma imagem talhada em madeira em Quito e levada para o Chile em 1785. A imagem venerada na capital, Santiago, foi esculpida em França no século XIX.
INVOCAÇÕES:
Transbordo de alegria em Deus, meu Salvador, porque me deu por Mãe e sua Mãe, Rainha e Mãe do Carmelo. (Avé-Maria)
Senhora, levai-me ao vosso Monte Santo e alegrai-me na vossa casa de oração. Conduzi-me, Virgem Maria, à Terra do Carmelo, para que eu possa saborear os seus melhores frutos. (Avé-Maria)
Mãe, que vossa branca sombra invisível acompanhe os meus passos, levando-me a Cristo, minha origem e meta. (Avé-Maria)
Mãe, mantendo-me sempre unido a vós com laços incorruptíveis, praticando seriamente as virtudes.
(Avé-Maria)

Na freguesia de Cárquere, região do Douro, existe uma igreja do século XV com uma bela imagem esculpida em marfim. Segundo a tradição, em 1110, o jovem D. Afonso Henriques encontrava-se ali doente. Egas Moniz, que o acompanhava, teve um sonho e foi orientado a desenterrar uma imagem da Virgem e a ela construir uma igreja. Após encontrar a imagem, o jovem D. Afonso Henriques ficou miraculosamente curado e a nova devoção surgiu.
ORAÇÃO:
Querida Mãe, que diversas vezes orientastes os vossos filhos através de aparições ou sonhos, mostrai-nos também a nós o caminho que devemos seguir para nos aproximarmos de vós e do vosso Filho. Iluminados por vós, encontraremos sempre o rumo certo e não temeremos a escuridão que se abate sobre o mundo. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Em 1494, James Buret descobriu uma pequena imagem da Virgem na cavidade de um carvalho, num bosque de Vion (França), enquanto apascentava um rebanho. O local tornou-se imediatamente centro de peregrinações e uma capela foi lá construída. O santuário atual foi erguido entre os anos 1869 e 1876, em estilo neogótico, e tornou-se basílica no final do século passado. Em Portugal, às vezes recebe o nome de Senhora dos Carvalhais ou da Carvalha.
ORAÇÃO:
Senhora nossa, há muitos séculos vos manifestastes a James Buret, num bosque françês, como sinal de que estais ao lado dos fracos e dos pobres. Olhai hoje para todos os vossos filhos que padecem nas ruas, os que vivem com dificuldade e os que não conseguem encontrar o verdadeiro sentido da vida. Ámen.

Casaluce é uma vila na Sicília, onde se encontra o castelo que abrigava o rei Carlos II, no século XIII. Em 1295, o castelo e os seus pertences foram doados aos padres Celestinos. Aí se encontrava uma imagem da Virgem Maria que, segundo a lenda, foi pintada por São Lucas.
Objeto de grande veneração, a imagem era levada com os padres quando se afastavam de Casaluce: durante o verão mudavam-se para Aversa, a fim de fugir da malária. A peregrinação constante da imagem entre as duas vilas gerou conflitos com os moradores: todos queriam a imagem da Virgem para a sua igreja. O impasse permanece até hoje e a imagem fica seis meses em cada cidade.
ORAÇÃO:
Ó Nossa Senhora de Casaluce, que sempre protegestes o vosso povo, volvei benigna o vosso olhar sobre nós que invocamos o vosso auxílio. Quantos perigos, ó Mãe, nos ameaçam! Quantas desgraças nos amedrontam! Quantos inimigos nos assaltam de todos os lados! No entanto, vós que sois poderosa e piedosa, vós que sempre estais no meio de nós, homenageada qual Rainha, invocada com sentimentos de ternura, como Mãe, sorri para nós e protegei-nos.
Quando vos invocámos e não fomos por vós atendidos? Virgem Santa de Casaluce, connosco, que somos o vosso povo escolhido e favorecido, mostrai-vos sempre Mãe; protegei todos os que estão perto de vós, lembrai-vos daqueles que moram longe e a vós elevam a sua prece. Nós colocamos em vós toda a nossa confiança. Socorrei-nos na vida e na morte, sede na eternidade a nossa alegria. Assim seja.

No início da colonização da América, António de Santana foi nomeado administrador dos povoados de Suta e Chiquinquirá. Como de costume, construiu uma casa em Suta para acolher a família e servir de base para administrar as terras. Aí construiu também uma capela, na qual pôs uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, especialmente pintada para o administrador. Ao lado de Maria estavam pintados Santo André e Santo António de Lisboa.
Por falta de cuidados, a manta de algodão na qual foi feita a pintura deteriorou-se e rasgou-se. Alguns anos depois, a imagem foi levada para uma nova capela, em Chiquinquirá. Conta-se que ali, enquanto aguardava para ser restaurada, milagrosamente o manto apareceu com cores vibrantes e um brilho encantador, inicialmente visto por três mulheres: a viúva de Dom António, a cunhada, Maria Ramos, e uma índia. Em 1829, Pio VII declarou-a padroeira da Colômbia.
ORAÇÃO:
Mãe da Colômbia, de Chiquinquirá, abençoai a nossa terra, a nossa família, o nosso trabalho, os nossos amigos, a nossa vida toda. A vós nos consagramos, a fim de sermos adotados como filhos amados e protegidos. Ámen.

A devoção surgiu no século V, em Turim, Itália. O povo começou a chamar "Consolata" (Consoladora) à imagem da Virgem com o Menino ao colo, trazida da Palestina por Santo Eusébio.
A data da celebração da Consolata, 20 de junho, deve-se a uma tradição do século XII. Conta-se que, durante uma guerra, a imagem foi perdida e só foi reencontrada décadas depois, em 20 de junho de 1104, sob as ruínas da antiga igreja, por um cego francês que teve uma visão de Nossa Senhora. Outra tradição diz que a imagem se perdeu quando os padres tentavam protegê-la dos iconoclastas. Esconderam a imagem, mas como os conflitos demoraram anos, os únicos que sabiam do seu local faleceram.
Há diversas variações deste título, tais como: Nossa Senhora da Consolação, Consoladora dos Aflitos e Consolação dos Perseguidos.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora Consoladora, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. Mãe de todos os homens, dai-me fé para seguir sempre a Jesus Cristo, vosso Filho. Quero, como vós fizestes, estar sempre perto de Jesus, em todos os momentos da vida, minha Mãe! Ajudai-me nas minhas lutas, ajudai-me nos meus trabalhos, ajudai-me a ser consciente da minha missão de cristão. Que a graça de Deus esteja sempre em mim e que eu possa comunicar essa mesma graça aos meus irmãos. Virgem Maria, eu vos saúdo, ó Mãe cheia de graça, eu vos louvo por serdes a Mãe de Cristo e nossa Mãe. Ámen.

Próximo do lago Titicaca, na fronteira da Bolívia com o Peru, no povoado de Copacabana, viviam os Anansayas e os Urinsayas, dois grupos indígenas convertidos ao Cristianismo. Os Anansayas erigiram uma capela sob a proteção de Nossa Senhora da Candelária, mas os Urinsayas queriam dedicá-la a São Sebastião. Um índio chamado Francisco Tito Yupanqui resolveu adiantar-se e levar para o povoado uma imagem da Virgem por ele esculpida, a fim de definir o impasse. Moldou uma primeira imagem que foi recusada. Buscou então maiores conhecimentos e técnicas em arte para produzir uma nova imagem em madeira. Esculpiu então a imagem que até hoje é venerada no santuário, cuja primeira construção data de 1583. O templo atual é de 1805.
ORAÇÃO:
Toda a Bolívia clama pela vossa intercessão, Senhora de Copacabana. Em vós confia, pois sois Mãe e Rainha e nunca desviais os olhares do Filho que chora e implora o vosso auxílio. Também sou vosso filho, Senhora de Copacabana, vinde em meu socorro, iluminando os meus pensamentos e os meus passos. Ámen.

No século XVIII, três camponeses bolivianos acusados de assassínio fugiram para não serem punidos. À noite, parando para descansar, resolveram fazer uma fogueira para se aquecer. Quando tentaram derrubar uma árvore, perceberam que ela estava oca e dentro dela havia uma imagem de Nossa Senhora. O milagre fez com que desistissem da fuga e voltassem para a aldeia de Cotoca, a 20 km de Santa Cruz. Aí foi construída uma capela, em 1799, onde muitos vão prestar culto e pedir graças à "Mamita de Cotoca", assim carinhosamente invocada.
HINO:
Virgem de Cotoca, portento de luz,
com fervor te invoca toda a Santa Cruz,
Estrela do céu, Mãe de bondade,
tu és o consolo da Humanidade
Excelsa Senhora, terna e bela flor,
milagrosa aurora de piedoso amor.
Símbolo de virtudes sem par:
reino de doçura, joia de altar.
A coroa que ostentas em tua fronte
é rede que acolhe a essência do bem.
És Rainha e dona de graça e ternura,
a alma devota funde-se em teu amor.
Bendiz-nos, terna Virgem,
e tua luz eterna nos livre do mal.

Há muitos séculos que é venerada na Polónia um ícone de Nossa Senhora Negra. A tradição diz que foi pintado pelo evangelista São Lucas. Em 1430, os hussitas assaltaram o mosteiro onde se encontrava o ícone e profanaram-no, deixando muitas marcas de destruição e dois cortes de espada na face, hoje marca característica da imagem.
Em 1717, foi completamente restaurado, por iniciativa do Papa Clemente XI, e Nossa Senhora Negra começou a ser venerada como padroeira da Polónia. O seu santuário, na colina de Jasna Gora, em Czestochowa, é um dos mais visitados do mundo e serviu como centro da fé e de resistência do povo polaco durante a ditadura comunista. A sua festa é celebrada no dia 26 de agosto.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora de Czestochowa, cheia de graça, bondade e piedade, eu consagro-vos todos os meus pensamentos, palavras e ações, o meu corpo e a minha alma. Suplico as vossas bênçãos e rogo especialmente pela minha salvação. Hoje, consagro-me totalmente a vós, boa Mãe, com o meu corpo e alma no meio da alegria e do sofrimento para obter as vossas bênçãos aqui na terra e a vida eterna no céu. Ámen.

A origem da devoção de Nossa Senhora Desatadora de Nós está ligada à imagem barroca pintada por volta de 1700 em Augsburg, na Alemanha. A imagem representa a Imaculada Conceição, com uma coroa de doze estrelas que simboliza as tribos de Israel e os Apóstolos. Na mão, tem uma corda com nós, entregue por um anjo, que representam o pecado original, os nossos pecados e tudo o que impede a graça de agir frutuosamente. Há uma clara referência às meditações de Santo Ireneu sobre o pecado. Nossa Senhora ajuda a desatar esses nós, e todos os "nós" que surgem na nossa vida e nos impedem de viver plenamente.
ORAÇÃO:
Santa Maria, Desatadora de Nós, cheia da presença de Deus, durante os dias da vossa vida aceitastes com toda a humildade a vontade do Pai e nunca fostes dominada pelo mal. Junto do vosso Filho, intercedestes pelas nossas dificuldades e, com toda a paciência, deste-nos o exemplo de como desenrolar as linhas embaralhadas da nossa vida. Proclamada por Jesus como nossa Mãe, colocais em ordem e fazeis mais claros os laços que nos unem a Ele.
Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, que com o coração materno desatais os nós que atrapalham a nossa vida, pedimos que recebais em vossas mãos... (dizer o próprio nome ou o nome da pessoa pela qual reza) e que a(o) livreis das amarras e confusões.
Pela graça de Deus, por vossa intercessão, com o vosso exemplo, livrai-nos de todo o mal, Senhora Nossa, e desatai os nós que nos impedem de nos unirmos a Deus. Assim, livres de toda a confusão e erro, louvemo-l´O em todas as coisas, coloquemos n´Ele o nosso coração e possamos servi-l´O sempre nos nossos irmãos. Ámen.

Nossa Senhora das Descobertas é o título dado à imagem especialmente esculpida para a capela do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, construído sob o tema da expansão portuguesa. A escultura foi criada por José Pereira e sua particularidade é a posição do manto, que representa os pontos cardeais.
ORAÇÃO:
Santa Maria, Mãe de Deus e Senhora das Descobertas, nós te veneramos e agradecemos a tua ternura e doce presença na nossa vida. Assim como outrora acompanhaste os homens na descoberta de novos mundos, sê guia no nosso caminho! Ilumina os cientistas que se dedicam ao estudo e pesquisa de novos métodos para a cura dos males; fortalece e protege os médicos, os enfermeiros, os auxiliares e técnicos de saúde e todos aqueles que trabalham pelo bom funcionamento dos hospitais e dos centros similares; cuida e ampara todos os familiares e amigos dos doentes; influencia, estimula e inspira todos os doentes a avançar no caminho da sua própria cura física, psicológica e espiritual; coloca no teu colo e na tua ternura todos os doentes, de forma especial os que se encontram em situação limite de agonia.
Virgem Santíssima, Senhora das Descobertas, Acolhimento de Sabedoria e Fonte de Paz, leva-nos a teu Filho Jesus. Ámen.

No dia 20 de abril de 1906, no colégio dos jesuítas em Quito, capital do Equador, alguns alunos admiraram-se ao ver a imagem de Nossa Senhora das Dores a abrir e a fechar suavemente os olhos. Foram chamar de imediato o diretor do colégio, que comprovou o fenómeno. O facto, posteriormente analisado e comprovado como prodigioso e de ordem sobrenatural, durou cerca de quinze minutos. Foi o suficiente para dar início à devoção a Nossa Senhora Dolorosa do Colégio.
ORAÇÃO:
Para que o vosso Divino Filho conduza o Equador pelos caminhos da reabilitação religiosa e espiritual; para que Ele remedeie os graves problemas e as necessidades desse país tão amado pela Providência: ó Santíssima Virgem Dolorosa do Colégio, padroeira da educação católica do Equador, protegei a nossa infância e juventude. Mãe Dolorosa aos pés da Cruz, Mãe espiritual de todos os homens, Mãe espiritual dos equatorianos, agradecemos todos os benefícios da redenção e também os cem anos de favores recebidos através da vossa devoção de Dolorosa do Colégio. Animai a todos nós, para que vos amemos sempre mais, filial e constantemente. Ámen.

D. Afonso Henriques mandou colocar uma imagem de Nossa Senhora da Conceição na enfermaria destinada aos feridos durante o cerco de Lisboa, em 1147. Não tardou a começarem a chamá-la Nossa Senhora da Enfermaria. Na igreja de São Vicente, em Lisboa, existe uma capela a ela dedicada. Existe também a devoção a Nossa Senhora dos Enfermos.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Conceição, intercedei por nós junto do vosso Filho a fim de encontrarmos a cura de todas as nossas doenças, as do corpo e as da alma. Vós conheceis as nossas dores e sofrimentos, vinde em nosso auxílio e tornai o nosso fardo cada vez mais leve e suportável. Ámen.

El Viejo é uma cidade da Nicarágua, onde há muito tempo se venera uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Foi trazida em 1562, de Espanha, por Pedro Ahumada, que a recebeu como presente da sua irmã, Santa Teresa de Ávila. Pedro foi governador da Nicarágua e assim que chegou à província construiu uma capela para expor a imagem. Não demorou a começar o culto e a surgirem diversos milagres atribuídos à Virgem. Quando Pedro Ahumada ia regressar a Espanha tentou levar consigo a imagem. Por duas vezes chegou ao porto e não pôde viajar por causa do mau tempo. Resolveu então deixar em El Viejo e só então pôde viajar. Todos viram este sinal como a vontade de Nossa Senhora em permanecer no país. Invocada com o título de Nossa Senhora de El Viejo, é a padroeira da Nicarágua.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora de El Viejo, que por sinais sensíveis manifestastes a vontade de permanecer junto do povo da Nicarágua e demonstrastes o vosso amor para com os fiéis, continuai sempre a derramar sobre cada um de nós as vossas bênçãos. Hoje queremos manifestar o nosso amor por vós e a vontade de permanecer sempre ao vosso lado. (Ave-Maria)

Um barco vazio e sem leme atracou na praia de Boulogne, em França, em 636. No navio havia apenas uma imagem de Maria com o Menino Jesus. Sob o olhar de alguns pescadores que estavam próximos do barco, Nossa Senhora apareceu e disse que tinha escolhido aquela cidade para aí derramar as suas graças. Foi edificada uma igreja e logo começaram as peregrinações. Durante a Revolução Francesa a imagem foi destruída. O que dela restou é até hoje exposto à veneração dos fiéis, juntamente com uma réplica da imagem original, sob o título de "Estrela do mar". De facto, a Mãe de Jesus indica-nos a rota que nos leva a Ele.
ORAÇÃO:
Sob a vossa proteção encontramos sempre o porto seguro, querida Senhora. Jamais nos abandoneis na difícil jornada da vida, sede sempre o farol que nos orienta e o leme que nos conduz ao destino final, o Reino de Deus. Ámen.

O culto a Nossa Senhora da Floresta surgiu no século XI, onde hoje há um grande santuário e uma abadia beneditina na pequena cidade de Einsiedeln, na Suíça. Aí foi encontrada uma imagem de Nossa Senhora negra, que recebeu o título "da Floresta" pelo povo da região.
ORAÇÃO:
No meio da floresta estabelecestes morada, nossa Mãe, para mostrar a importância da natureza na vida de todo o ser humano. Consciencializai hoje todos os homens e mulheres para que não agridam o meio ambiente. Auxiliai todos aqueles que se esforçam pela defesa e preservação da natureza e da ecologia. Ámen.

A Virgem Glykofilusa é um ícone da escola cretense do século XVII mundialmente conhecido pela perfeição dos traços de Maria e do Menino. Principalmente através do olhar, reflete-se o carinho e a ternura de um pelo outro. Exatamente por isso recebe diversos nomes, tais como Nossa Senhora da Ternura, do Doce Beijo, do Carinho, do Sorriso. O ícone mede pouco menos de um metro e tem cores fortes. Maria veste o tradicional "mafórion" das regiões gregas.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, Mãe de amor e de ternura, o vosso olhar materno e bondoso acolhe e encanta a todos os que contemplam o vosso sagrado ícone. Fazei que cada devoto aja com a mesma bondade e mansidão que o vosso olhar de ternura transmite. Ámen.

Na véspera da festa de Nossa Senhora da Assunção, provavelmente no ano de 1362, alguns pescadores de Cascais realizavam o seu trabalho no mar. A pesca nesse dia foi a mais abundante e variada de sempre, mas o mais impressionante é que encontraram junto com os peixes uma imagem de Nossa Senhora em perfeito estado de conservação. Deram-lhe então o título de Nossa Senhora da Graça, por tal graça concedida nesse dia. A imagem foi levada ao mosteiro dos frades da Ordem de Santo Agostinho, onde a adotaram como padroeira e ficaram conhecidos como frades gracianos. Consagraram-lhe uma igreja, a imponente Igreja da Graça, em Lisboa. Em Évora existe uma igreja do século XVI e em Setúbal a catedral edificada no século XIII, ambas dedicadas à Senhora da Graça.
ORAÇÃO:
Senhor, que pela Imaculada Virgem Maria, intimamente unida a seu Filho, enchei-nos de alegria com os vossos inúmeros favores; animados com o seu auxílio maternal, concedei-nos que nunca nos falte a vossa providente bondade e que nos associemos, com uma fé sem reservas, ao mistério da vossa Redenção. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Em 1924, uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes foi levada pelo padre Paulo Arlati para o bairro de Gunadala, uma colina de Vijayawanda, na índia. Aos poucos, o povo começou a dirigir-se à colina para rezar à Virgem, oferecer-lhe flores e tocar na sua imagem. Muitos não-católicos também vão ao local: muçulmanos, hindus, budistas.
Na festa, dia 11 de Fevereiro, é um muçulmano que a coroa. Diversas curas são atribuídas à peregrinação em homenagem à Virgem. Gunadala é uma prova de que a tolerância religiosa é possível e gera bons frutos.
ORAÇÃO:
Em torno do vosso altar, ó querida Mãe de Gunadala, povos de diversas crenças reúnem-se e convivem pacificamente. Muçulmanos, hindus e budistas juntam-se aos católicos para render-vos graças e mostrar que as diferenças religiosas não impedem a harmonia e a comunhão. Que todos os países do mundo sigam este exemplo de tolerância e fraternidade. Ámen.

Nossa Senhora de Kazan é um ícone bizantino do século XIII. Ganhou este nome devido à cidade onde se encontra: Kazan, na Rússia. A Virgem aparece a segurar o Menino, que dá a bênção. Apenas o rosto de Maria e do Filho estão à mostra, pois todo o corpo está coberto por uma camada de prata e diversas pedras preciosas incrustadas, todas elas doações de fiéis.
Em 1579, quando Kazan foi destruída por um incêndio, a Virgem apareceu a uma menina de nove anos. Mandou-a escavar as ruínas da igreja para daí resgatar o ícone. Após uma busca, encontraram a imagem intacta no meio das cinzas, o que fez aumentar a veneração à Virgem. Anos depois, o ícone foi levado a Moscovo e posteriormente a São Petersburgo, onde foi roubado, em 1904. Reapareceu apenas nos anos 60, nos Estados Unidos, onde foi comprado pelo Centro Russo Católico de Nossa Senhora de Fátima e trazido para Portugal. Em 2004, João Paulo II devolveu-o aos católicos ortodoxos russos.
ORAÇÃO:
Durante séculos a vossa imagem, ó Maria, foi venerada em Kazan como símbolo da presença de Deus atuando no mundo. Através do vosso sagrado ícone entramos em comunhão com os nossos irmãos ortodoxos e incluímo-nos na extensa lista dos que dedicam a vós especial ternura. Cobri-nos hoje também a nós com as mesmas bênçãos que sempre derramastes em Kazan. Ámen.

Joana era uma jovem pastora muda da região de Sernancelhe. Viveu no século XV e tinha o costume diário de se ajoelhar e rezar em frente de uma pequena imagem da Virgem que encontrara e que trazia sempre consigo. Durante o inverno, como não podia sair de casa, Joana fazia o mesmo ritual diante da lareira. Certo dia, sua mãe, furiosa, lançou a imagem ao fogo. Nesse instante, dois milagres aconteceram: as chamas pareciam afastar-se da imagem para não a queimarem; e Joana gritou: «Ó minha mãe! Não a queimes, é a Senhora da Lapa!» Atónita, a mãe tenta tirar a imagem do fogo, mas não consegue. A filha, então, fala novamente: «Encontrei esta linda imagem no ponto mais alto da serra, escondida no fundo de uma lapa dos maiores penedos que aí se encontravam, quase impossível de se lá entrar. Brilhava no interior da lapa com um fulgor estranho e de lá retirei a minha companheira inseparável. Ela deu-me a fala. É a minha Nossa Senhora da Lapa!»
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Lapa, que há mais de quinhentos anos aparecestes numa imagem humilde à pastora Joana, a quem devolvestes o dom da fala e, na gruta rochosa, fizestes descer tantas graças de Deus sobre a Humanidade, sede sempre a estrela que brilha na nossa vida. Mãe Admirável, volvei para nós o vosso olhar bondoso e atendei-nos em todas as nossas necessidades. Dai a paz ao mundo, protegei as nossas famílias, amparai-nos nas horas de aflição e aumentai a nossa fé. Ámen.

O segundo santuário mariano mais popular da Colômbia – o primeiro é em Chiquinquirá – fica em Las Lajas, cidade no sul do país, na cordilheira dos Andes, próximo do Equador. A imagem de Maria apareceu na parede de uma rocha, num lugar perigoso. Mesmo com o perigo, os fiéis acorriam aos milhares ao local e ali edificaram um santuário. A imagem de Maria com o Menino nos braços, com São Domingos e São Francisco de Assis a seus pés, recebeu uma pintura a óleo, mas continua sobre a mesma rocha.
Segundo a tradição, a imagem foi descoberta por uma índia. Quando se dirigia ao povoado com um feixe de lenha, viu numa das grutas da serra a imagem resplandecente da Virgem do Rosário. Correu para dar a notícia ao povoado de Ipiales. Várias pessoas foram ao local e de facto encontraram, sobre a pedra polida pelos séculos, uma bela pintura da Virgem do Rosário. Ali mesmo construíram o templo a "Nossa Senhora do Rosário de Las Lajas".
ORAÇÃO:
Nossa Senhora do Rosário, que em Las Lajas vos manifestastes a derramar sobre aquele povo as vossas graças, protegei todos os peregrinos que a vós recorrem e concedei-nos a graça de que necessitamos. Ámen.

Em 1630, um fazendeiro argentino chamado Farias pediu a um amigo escultor do Brasil que lhe enviasse uma imagem de Nossa Senhora para a capela que pretendia edificar. Esse amigo enviou-lhe duas imagens: uma da Imaculada Conceição, hoje venerada em Lujan, e outra com o título de Mãe de Deus. As imagens foram colocadas num carro de bois e saíram de Buenos Aires em direção ao Norte. Quando chegaram às margens do rio Lujan, os animais pararam. Depois de muita insistência, resolveram retirar a caixa que continha a imagem da Imaculada Conceição e então o carro movimentou-se. Os viajantes viram nisso um sinal de Deus para deixar aí a imagem. E assim foi. Em 1874, foi projetado o atual santuário, em estilo gótico, com duas torres de 106 metros de altura. É a padroeira da Argentina.
ORAÇÃO:
Ó minha boa Mãe e Senhora de Lujan, eu, vosso humilde peregrino, agradeço a alegria de chegar junto de vós, para vos contemplar e cantar o meu amor. Cada um dos meus passos, mesmo com muita dificuldade, foi marcado pelo entusiasmo e ternura, pois sabia que cada vez mais me aproximavam do vosso sonhado santuário. Do mesmo modo, que cada dia da minha vida seja um passo a mais em direção ao vosso trono celestial de glória, para vos louvar e gozar do vosso carinho eternamente. Sou peregrino a pé! Acompanhai-me durante toda a jornada da minha vida. Amparai-me ao terminar a minha peregrinação neste mundo e então podereis acolher-me em vossos braços para neles eu descansar por toda a eternidade. Ámen.

Denomina-se Nossa Senhora da Meditação a imagem da Virgem venerada na catedral de Frankfurt, na Alemanha. A característica principal do quadro é a postura de Maria, contemplativa, em profunda meditação. A imagem convida os fiéis que a contemplam a meditar e buscar recolhimento interior para aprofundamento da fé.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Meditação, ajudai-nos a ler nas Sagradas Escrituras a Vontade do Pai e a Redenção de Jesus pela Graça do Espírito Santo, a fim de que a nossa vida se torne num caminho de aprendizagem e de luz. Ámen.

Uma imagem de Nossa Senhora do Milagre é venerada na cidade argentina de Salta, juntamente com uma imagem de Cristo. Ambas chegaram à América em 1592. No porto de Callao, no Peru, foram encontradas duas caixas a flutuar, parecendo restos de um naufrágio. Numa das caixas havia apenas a inscrição: «Uma Virgem do Rosário para o convento dos Pregadores da cidade de Córdoba.» Na outra estava escrito: «Um Cristo Crucificado para a igreja matriz da cidade de Salta.»
Jamais se soube que embarcação as trouxe de Espanha. Em 1692, o seu carácter milagroso voltou a manifestar-se, após as intensas orações do povo durante um terramoto na cidade de Salta.
ORAÇÃO:
Virgem do Milagre, venho todo confiante implorar o vosso amparo de Mãe e a vossa proteção amorosa de Senhora e Rainha de Misericórdia. Fostes, nas horas de aflição, protetora do povo de Salta, que encontrou na vossa intercessão poderosa o remédio para os seus males. Assim vos peço que me assistais nas minhas necessidades e do trono do vosso poder suplicante protegei os que amo e aqueles para os quais imploro o vosso singular patrocínio (faz-se o pedido).
Aumentai a minha fé, para que a doutrina do vosso Divino Filho ilumine a minha vida. Ainda mais vos peço que o vosso coração acenda no meu a chama do amor. Sede sempre minha esperança nas lutas diárias e, pela vossa carinhosa proteção, fazei que eu receba o prémio da minha lealdade como filho de Deus. Ámen.

É a padroeira da Madeira. Diz a lenda que certa tarde uma menina brincou com uma pastorinha do sítio e deu-lhe a merenda. A pastorinha ficou muito contente e relatou o facto à família. Por não habitar ninguém naquele monte, não lhe deram crédito. Como a filha insistia no relato, o pai resolveu observá-la de longe e ver com quem conversava. Foi ao monte e sobre uma pedra encontrou a imagem de Nossa Senhora. A pastorinha afirmou ser aquela a menina com quem tinha brincado nos dias anteriores. A imagem milagrosa é a que se encontra na igreja construída no local da aparição. Em Portugal existem ainda outras devoções semelhantes: Nossa Senhora do Monte Agudo (imagem trazida por freiras vindas da Bélgica, em 1582); do Monte Alto; do Monte Calvário, do Monte do Carmo; do Monte Castro; do Monte Olivete; do Monte Sião; do Monte Ermos. Uma das colinas de Lisboa guarda a capela de Nossa Senhora do Monte.
ORAÇÃO:
Ave Maria, esposa do Espírito Santo e mãe destes teus filhos. Nós nos consagramos a ti, Rainha e Senhora do Monte e do nosso coração. Colocamos nas tuas mãos puríssimas a nossa vida a fim de que possamos, através do teu coração, purificarmo-nos, tornando-nos simples e inocentes. Defende-nos Rainha e Senhora do Monte, de todos os males espirituais e físicos. Afasta o mal desta ilha. Manda São Miguel Arcanjo com todos os anjos a defender-nos e a precipitar no abismo as forças malignas, a fim de que esta terra possa irradiar o perfume da graça. Nós te agradecemos, Mãe, por aquilo que tu farás por nós e por todos os teus filhos do mundo inteiro. Ámen.

Nazaré foi a cidade onde Maria e José viveram e criaram Jesus. Segundo a lenda, o próprio São José esculpiu uma imagem da esposa, que passou por diversos lugares e se perdeu na Idade Média. Só foi reencontrada no século XII, por um cavaleiro. Perdido na floresta, encontrou a imagem numa gruta e a ela pediu ajuda para reencontrar o caminho de casa. Salvo, começou a construir uma capela para a imagem e assim teve início a devoção.
A tradição mais forte, no entanto, está ligada a um milagre com D. Fuas Roupinho, cavaleiro no tempo de D. Afonso Henriques. Ao perseguir um veado num dia de nevoeiro, pressentiu que iria cair no precipício. Pediu ajuda à Virgem de Nazaré, invocação já bastante popular naquele tempo. O cavalo parou de imediato, deixando as marcas das suas ferraduras na rocha. O local é onde existe hoje o santuário com a imagem original, na cidade de Nazaré, em Portugal.
A devoção é muito popular também no Brasil, com o tradicional Círio de Nazaré, que reúne em Belém do Pará cerca de dois milhões de devotos em cada ano. A festa começou há mais de duzentos anos, a partir de um milagre. O nome "Círio" já existia em Portugal desde o século XIV: a caminhada de uma aldeia a outra. "Círio" vem do latim "cereus", que significa vela grande, pois a romaria era realizada ao entardecer.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Nazaré, mãe do silêncio e da humildade, protegei e santificai as nossas famílias. Envolvei-nos no vosso manto, comunicai-nos a fortaleza da vossa fé, a grandeza da vossa esperança e a profundidade do vosso amor. Permanecei com os que ficam e parti com os que vão. Confortai-nos com o vosso sorriso e enxugai as nossas lágrimas com as vossas carícias de mãe. Ámen.

A referência mais antiga a esta devoção em Portugal está ligada à capela construída em Guimarães por D. Afonso Henriques, no século XII, e reedificada no século XIV por D. João I. Uma oliveira foi plantada na praça em frente à capela para fornecer o azeite para as lamparinas do altar, mas murchou. Em 8 de setembro de 1342, o mercador Pedro Esteves, de passagem pela cidade, colocou uma cruz na oliveira e ela voltou a ter ramos. A partir dessa data, a capela e a praça foram dedicadas a Nossa Senhora da Oliveira.
Também são muitos os relatos de imagens encontradas em ramos de oliveira, fortalecendo assim esta devoção. Muito semelhantes e também bastante difundidas existem as devoções a Nossa Senhora da Oliva, dos Olivais, do Olival, da Oliveirinha.
ORAÇÃO:
Senhora nossa, como outrora fostes protetora da família real em Portugal, abençoando os herdeiros do trono, prestai hoje a todos os devotos especial atenção. Nos vossos braços, como os ramos na oliveira, buscamos afago e conforto. Protegei-nos sempre. Ámen.

Uma imagem de cor negra é venerada na província do Piemonte, em Itália. Segundo a tradição, a imagem foi trazida da Terra Santa por Santo Eusébio. Após fundar um mosteiro em Vercelli, cerca do ano 369, Santo Eusébio regressou ao vale de Oropa e reuniu discípulos que depois vieram como eremitas, seguindo a regra de São Bento. Eles cuidaram do santuário até ao século XV, suportando as aflições provocadas pelas invasões dos bárbaros. As peregrinações acontecem especialmente nos dias 21 de novembro, 15 de agosto e 8 de setembro. Uma grande procissão conhecida como "procissão da peste", organizada pelos habitantes de Biella, realiza-se anualmente no dia 1 de maio. A origem desta procissão remonta ao ano 1599. Ameaçada pela peste, a cidade de Biella invocou a proteção da Virgem e fez-lhe a promessa de tomar sobre si uma parte dos encargos para a manutenção do santuário e ajudar na construção da basílica.
ORAÇÃO:
Senhora Nossa, Mãe de Deus, que vos dignastes a interceder pelos moradores de Biella livrando-os da peste, lembrai-vos de todos os que invocam o vosso nome santíssimo. Rogai por nós junto do vosso amantíssimo Filho, para que sejamos beneficiados com a saúde do corpo e da alma e livres de todos os males que nos possam atingir. Ámen.

Um ícone em estilo bizantino, pintado provavelmente no século XIV, era muito venerado na ilha de Creta. Muitos acreditavam que a imagem tinha sido pintada por São Lucas. Além da beleza da pintura, a fama de milagrosa, espalhou-se pelo mundo. Os religiosos redentoristas foram os maiores divulgadores, pois levaram cópias da imagem nas suas missões.
A história do ícone original está envolta em mistério. Sobreviveu a um naufrágio logo após ter sido roubado em Creta, na Idade Média; exposto numa igreja de Roma, não sofreu nenhum dano quando o templo foi destruído por um incêndio, no século XVIII; e ainda escapou intacto da invasão das tropas napoleónicas. Em 1866, com o apoio do Papa Pio I, foi exposto em Roma pelos redentoristas. Entre os necessitados e aflitos, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das mais populares, devido ao seu olhar acolhedor e terno, que inspira segurança e proteção.
ORAÇÃO:
Ó Santíssima Virgem Maria, que para nos inspirardes uma confiança sem limites quisestes tomar o terno e doce nome de Mãe do Perpétuo Socorro, eu vos suplico que me socorrais em todo o tempo e em todo o lugar: nas tentações, depois das quedas, nas dificuldades, em todas as misérias da minha vida, e, sobretudo, no transe da minha morte. Dai-me, ó amorosa Mãe, o pensamento e o costume de recorrer sempre a vós, porque estou certo de que, se for fiel em invocar-vos, vós sereis fiel em socorrer-me. Obtende-me, pois, a graça de vos suplicar sem cessar, com a confiança de um filho, a fim de que, pela virtude desta súplica constante, obtenha o vosso perpétuo socorro e a perseverança final. Abençoai-me, ó terna e carinhosa Mãe, e rogai por mim agora e na hora da minha morte. Ámen.

Segundo a tradição, uma das primeiras aparições de Nossa Senhora deu-se ao Apóstolo Tiago, quando este evangelizava a Espanha. Maria, que vivia em Éfeso, apareceu em Saragoça para animar o Apóstolo na evangelização. Baseada nessa tradição, surgiu a devoção a Nossa Senhora do Pilar, hoje a mais popular de Espanha e muito difundida nos países latinos. A imagem venerada em Saragoça é uma estátua de 38 centímetros colocada em cima de uma coluna (ou "pilar"). É a padroeira de Espanha.
CONSAGRAÇÃO:
Virgem Senhora do Pilar, eis-me aqui na vossa presença para suplicar a vossa proteção e merecer os vossos favores. Se pecador eu sou, em compensação vós sois a Mãe de clemência e misericórdia. Oh Virgem Santíssima do Pilar, desde sempre minha mãe e protetora durante toda a minha vida e na hora da minha morte. Ámen.

Na Basílica de Santa Maria maior, em Roma, há uma imagem de Nossa Senhora que se julga ter sido pintada pelo evangelista São Lucas. A imagem é conhecida como Nossa Senhora do Pópulo, em referência à expressão "Salus Populi Romani" e foi difundida em todo o mundo, principalmente pelos jesuítas, após a autorização do Papa São Pio V. Em Portugal chegou a ser a "devoção da moda" durante certo tempo. Há muitas igrejas a ela dedicadas, principalmente em Braga e nas Caldas da Rainha, está construída por D. Leonor, esposa de D. João II, e reedificada por D. João V.
ORAÇÃO:
Toda santa,
digna de toda a honra,
és a melhor oferta
que a humanidade
possa apresentar a Deus,
Virgem mãe, Mãe sempre virgem,
súplice
materna ao teu Filho!
Conduz
até ao porto
a barca da Igreja,
removendo os obstáculos
e
vencendo as vagas.
Protege
esta cidade,
conforta quem aqui chega,
sem tecto nem defesa,
e
estende a todos o teu apoio.
Com
fé te professamos, Mãe de Deus,
com amor te honramos,
com
esperança te pedimos,
Bem-Aventurada te proclamamos!
Tu,
minha Senhora,
meu conforto junto de Deus,
auxílio para a
minha inexperiência,
acolhe a oração que te dirijo.
Tu,
fonte de alegria para todos,
torna-me digno de exultar contigo.
Olha
para a assembleia dos crentes,
Mãe do Salvador,
afasta deles
desventuras e aflições,
liberta-os do mal e do
maligno,
protege-os com a abundância
da tua benevolência.
No
retorno glorioso do teu Filho,
nosso Deus, defende com
a tua
materna intercessão
a nossa fragilidade humana
e acompanha-nos
até à vida eterna
com a tua mão gentil,
tu que és Poderosa
porque és Mãe!
(Bento XVI)

Padroeira do Porto, a origem desta devoção está ligada a uma imagem bizantina colocada no célebre santuário, cuja construção foi iniciada no século VI, no bairro do Porto ("Le Port"), em Clermont-Ferrand, em França. Uma cópia deste ícone foi levada na batalha contra os muçulmanos, para a retomada da cidade do Porto, em Portugal. O seu culto existe em diversas freguesias do país.
Merece destaque aqui também o santuário de Nossa Senhora do Porto de Ave. Outras variações são: Nossa Senhora de Porto Covo, do Porto Salvo, do Porto Seguro.
ORAÇÃO:
Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer que algum
daqueles que tenha recorrido à Vossa protecção,
implorado a Vossa assistência e reclamado o Vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança,
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro, de Vós me valho,
e, gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos Vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas,
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai- Vos de as ouvir propícia
e de me alcançar o que Vos rogo (fazer o pedido).
Ámen

No século XVI, alguns espanhóis deram aos índios Oyacachis, como pagamento por alguns toros de cedro, uma imagem de Nossa Senhora da Apresentação, talhada por Diego de Robes. Quando viram a imagem, três índios identificaram-na com uma aparição que tiveram alguns dias antes, quando se protegiam numa gruta. Em 1604, a imagem deixou a aldeia e foi colocada no altar da igreja de Quinche, onde se popularizou a devoção. Hinos em diversos dialetos indígenas da região rendem graças à Virgem de Quinche, padroeira do Equador, às vezes também chamada Nossa Senhora da Apresentação do Quinche.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Apresentação, que de Quinche abençoais todo o povo equatoriano, estendei a vossa mão sobre os nossos lares, para que nunca falte o pão nosso de cada dia, nem alegria nem saúde no nosso meio. Ámen.

A origem da devoção a Nossa Senhora da Regra remonta ao século IV, em África. É representada por um ícone de Nossa Senhora Negra, com o Menino de pé no seu colo. Conta-se que a imagem foi esculpida por Santo Agostinho, após ter uma visão da Virgem. Em 443, com a invasão dos bárbaros a Hipona, a imagem foi levada pelos monges agostinianos para Espanha. No século VIII, por causa das invasões muçulmanas, ficou escondida, sendo reencontrada somente em 1608. Hoje a imagem encontra-se no santuário de Chipiona, no sul de Espanha.
ORAÇÃO:
Ó querida Senhora da Regra, vós suportastes momentos de perseguição e destruição e mostrastes sempre aos vossos devotos qual o caminho a tomar para fugir da dor e da opressão. Apontai hoje a cada um de nós o caminho que nos leva ao vosso Filho e ao Reino definitivo, onde gozaremos os frutos da graça divina. Ámen.

Assim ficou conhecida a imagem da Virgem (cópia da imagem de Nossa Senhora de Belém) que se encontrava na capela construída pelo infante D. Henrique no Restelo. Conta-se que os navegadores que efetuaram os Descobrimentos passavam a noite que precedia as históricas viagens em vigília diante da imagem de Nossa Senhora do Restelo. Esta imagem encontra-se atualmente na Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, na Baixa de Lisboa. No mosteiro dos Jerónimos há um belo vitral com esta Senhora.
ORAÇÃO:
Ó Deus, que vos dignastes a olhar para a humildade da Virgem Maria, a elevastes à dignidade de Mãe do vosso Filho e a coroastes com uma glória incomparável, fazei que nós, inseridos como ela no mistério da salvação, possamos também chegar à glória do céu. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Existem duas tradições sobre a origem da devoção a Nossa Senhora da Ripalta, que significa "beira alta", em referência à margem do rio Ofanto, local onde apareceu o seu ícone. A primeira tradição diz que, em 1172, um bando de ladrões encontrou no bosque, perto das margens do rio, uma tábua, usada posteriormente como mesa. Certo dia, ferida por uma faca, a tábua verteu sangue e então surgiu a imagem da Virgem. Outra versão diz que foi um lenhador que a encontrou, mas narra a mesma aparição milagrosa de que o sangue brotou da imagem ferida. O Papa Pio IX declarou-a padroeira de Cerignola, em Itália.
ORAÇÃO:
Senhora da Ripalta, que fizestes brotar sangue da vossa imagem ferida pela lâmina afiada, fazei que nenhum mal nos ameace e nenhuma lâmina nos fira. Que o vosso sangue seja a nossa proteção e também sinal de que toda a dor se torna suportável quando estamos ao vosso lado e ao do vosso Filho, Jesus. Ámen.

Devoção encontrada em diversas regiões de Portugal. A história mais conhecida, no entanto, é a da imagem encontrada em Oeiras. Conta-se que em 1822, alguns miúdos andavam a brincar em certo sítio quando viram um coelho a saltar para um buraco. Tentaram apanhá-lo, mas encontraram no buraco não o coelho mas ossos humanos. Um homem foi investigar e ao entrar na gruta viu, sobre uma rocha, a imagem de Nossa Senhora. As romarias ao local começaram e ali se construiu um templo. Em Faro existe o Forte de Nossa Senhora da Rocha.
ORAÇÃO:
Ó minha boa Mãe, Mestra e Rainha, recebei-me no número daqueles que amais, santificais e encaminhais na escola de Jesus Cristo. Obtende-me a graça de conhecer, imitar e amar cada vez mais o Divino Mestre, que é o nosso Caminho, Verdade e Vida. Ámen.

Esta devoção teve origem em Bragança. Conta-se que três séculos após a reconquista cristã aos mouros, numa colina junto às ruínas da cidade, apareceu uma imagem de Nossa Senhora. No local havia um sardão, ou azinheira, daí o nome da devoção. Levaram então a imagem para o centro da vila, mas à noite ela desaparecia e era encontrada novamente no sardão. Tantas vezes o fez que os devotos resolveram construir ali o templo e novas habitações, surgindo assim a nova cidade. A origem de Bragança está muito unida, portanto, à devoção de Nossa Senhora do Sardão.
ORAÇÃO:
Ó Maria Imaculada, volvei os olhos para os homens resgatados pelo sangue do vosso divino Filho, mas ainda envolto nas trevas do erro e do pecado. Ó Maria, tende compaixão dos vossos filhos que Jesus do alto da cruz vos confiou. Multiplicai as vocações religiosas e sacerdotais; e amparai, com a vossa maternal solicitude, aqueles que consagram a vida ao bem do próximo. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Em maio de 1569, uma violenta peste irrompeu em Lisboa e fez milhares de vítimas, obrigando à fuga da família real para Sintra. Muitos devotos recorriam a Nossa Senhora para lhe pedir proteção. Em ação de graças, os sobreviventes organizaram, em 1570, a primeira procissão com a imagem de Nossa Senhora da Saúde, sendo levada para a igreja dos Meninos Órfãos. Esta procissão repete-se todos os anos, no mês de abril.
Outra tradição diz que como o número de mortos acabou por ser largamente superior ao espaço disponível no cemitério de Lisboa, decidiram então enterrá-los nas proximidades. Contudo, ao abrir-se uma vala, os coveiros encontraram uma estátua da Virgem. O povo reuniu-se de imediato com grande fervor e organizou a procissão em honra da Mãe de Deus, a fim de invocar a sua proteção. Pouco depois da procissão, a peste cessou. A estatueta da Virgem Maria então descoberta passou a ser venerada como Nossa Senhora da Saúde.
ORAÇÃO:
Virgem puríssima, sois a saúde dos enfermos, o refúgio dos pecadores, a consoladora dos aflitos e a despenseira de todas as graças. Na minha fraqueza e no meu desânimo, apelo hoje para os tesouros da vossa misericórdia e bondade e atrevo-me a chamar-vos pelo doce nome de Mãe. Sim, ó Mãe, atendei-me nesta enfermidade, dai-me a saúde do corpo, para que possa cumprir os meus deveres com ânimo e alegria e com a mesma disposição servir ao vosso Filho, Jesus, e agradecer-vos, Saúde dos Enfermos. Ámen.

Desde há muito tempo que existia, na cidade de Scutári, na Albânia, um ícone de Nossa Senhora bastante venerado pelo povo. Uma lenda conta que, no século XV, essa imagem desprendeu-se da parede da capela da cidade e foi levada pelo vento até à Itália, ao santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano. Na altura, a Albânia vivia sob a opressão dos ataque muçulmanos. Por isso, dois moradores viram no facto um sinal da Virgem que indicaria um local seguro para a imagem e para os fiéis se refugiarem. Acompanharam o ícone até à Itália, para onde se deslocaram vários albaneses refugiados. Pelo sinal e conselho dado ao povo, começou a ser venerada também como Nossa Senhora do Bom Concelho.
ORAÇÃO:
Estimada Senhora, que guiastes o povo da Albânia para um local seguro, mostrai-nos hoje o caminho que devemos seguir para não nos afastarmos do Evangelho. Dai-nos sempre bons conselhos e que nunca nos afastemos do vosso amor. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora de Shoenstatt está ligada ao movimento criado pelo padre José Kentenich, em 1912, na Alemanha, exactamente na cidade de Shoenstatt, nome que significa "lugar belo". A sua obra difundiu-se rapidamente pelo mundo e com ela a devoção à Virgem de Shoenstatt. Ergueram-se santuários em diversos países. São centros para a manifestação das graças de Maria, «Companheira de Colaboradora oficial e permanente de Cristo em toda a obra da Redenção», como a define o padre Kentenich. Em 1915, o título "Maria Três Vezes Admirável" foi dado à imagem esculpida pelo italiano Crosio, colocada na capela e mundialmente difundida. Maria é venerada como intercessora junto de Deus, alcançando a tríplice graça aos seus devotos: a graça do abrigo espiritual, a graça da transformação interior e a graça da missão e da fecundidade apostólica.
ORAÇÃO:
Ó minha Senhora e minha Mãe, ofereço-me todo a vós e, em prova da minha devoção para convosco, consagro-vos, neste dia, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E porque assim sou vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me, defendei-me, como filho e propriedade vossa. Confio no vosso poder e na vossa bondade. Confio, em toda e qualquer situação, no vosso Filho e na vossa proteção. Ámen.

Um grande templo em honra a Nossa Senhora da Soledade leva milhares de fiéis à cidade mexicana de Jerez. Conta a lenda que, em 1620, um grupo de viajantes que se dirigia à Guatemala parou para descansar no vale de Oaxaca. Quando se preparavam para continuar a viagem, viram uma mula que não era do grupo. Ela recusava-se a levantar-se. Tentaram tirar-lhe a carga de cima, mas assim que se levantou caiu morta. Abriram então as caixas para ver o que carregava. Encontraram uma estátua de Cristo ressuscitado e a cabeça de uma imagem da Virgem, com um cartão a dizer: «Nossa Senhora da Soledade ao pé da cruz.» No local foi edificada uma ermida e esculpido um novo corpo para a imagem da Virgem.
ORAÇÃO:
Nossa Mãe e Senhora, assim como acompanhastes os viajantes no passado e a eles manifestastes a vossa graça, acompanhai cada um de nós hoje e derramai sobre nós todas as vossas bênçãos, a fim de seguirmos sempre o vosso exemplo. Ámen.

Quando voltava da aldeia de Suyapa, nas Honduras, após um dia de trabalho no campo, Alejandro Colindres e o menino Jorge Martinez encontraram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição talhada em cedro.
Ao deitar-se para dormir, Alejandro sentiu algo como uma pedra nas costas. Pegou no objeto, sem olhar ao que era, e lançou-o para longe. Voltou a deitar-se, mas sentiu novamente o mesmo objeto. Guardou-o e assim que a luz iluminou o local pôde ver que era uma imagem de Nossa Senhora. A notícia espalhou-se de imediato e vários milagres lhe foram atribuídos.
O atual templo é gigantesco, com 93 metros de cumprimento e torres de 43 metros de altura, que sustentam 42 sinos. Pio XI declarou-a padroeira das Honduras em 1925.
ORAÇÃO:
Estimada Senhora de Suyapa, padroeira das Honduras, escolhestes manifestar-vos aos mais pobres e humildes, dois trabalhadores. Manifestai hoje o vosso amor pelos pobres, Ámenizando as dores dos que sofrem com a exclusão e a fome. Intercedei por todos os que não conseguem trabalho digno e por aqueles que são explorados e injustiçados. Ámen.

No período iconoclasta do século VIII, o imperador bizantino Leão III proibiu o culto a qualquer ícone e procurou destruir todas as imagens sagradas que conseguisse encontrar. Nessa época, durante uma tempestade, um navio procurou segurança na baía de Tindári, em Itália. Após a tempestade, o navio parecia estar encalhado e só conseguiu seguir viagem quando a tripulação lançou ao mar algumas caixas, de entre elas uma que continha uma imagem da Virgem.
Os moradores de Tindári resgataram as caixas e ficaram satisfeitos com a descoberta da imagem. Foi prontamente levada ao ponto mais alto da vila e começou a ser venerada como Nossa Senhora de Tindári, ou "Madona negra", pois estava esculpida em cedro negro.
ORAÇÃO:
Madona negra, Nossa Senhora de Tindári, quisestes permanecer nesta cidade para proteger os seus habitantes dos inúmeros perigos que constantemente os ameaçavam. Protegei sempre os marinheiros, os italianos que peregrinam ao vosso santuário e todos nós que a vós elevamos a nossa prece e invocação. Ámen.

A origem desta devoção está ligada a um ícone oriental. Durante o período dos inconoclastas, que procuravam destruir os ícones, São João Damasceno, seu defensor, foi perseguido e teve a mão direita cortada, por ordem do imperador Leão Isáurico. Após intensa oração, João recuperou milagrosamente a mão. Como ação de graças, mandou fazer uma "mão" de prata, que depositou no colo da Virgem. Surgiu então o ícone de "Nossa Senhora das Três Mãos".
No século XIII o ícone foi presenteado ao metropolita da Sérvia. Após a invasão da Sérvia pelos turcos, foi levado para o monte Athos e atualmente está no mosteiro de Kilandari. Diversas cópias da Virgem das Três Mãos encontram-se hoje espalhadas pelo Oriente, Rússia, Grécia e Sérvia.
ORAÇÃO:
As vossa mãos, ó Maria, acolhem-nos e sustentam. A elas unimos as nossas e a vós dedicamos a nossa lida diária, ó Mãe amável. Protegei-nos de todos os perigos. Ámen.

No século XVIII foi construída no povoado uruguaio de Pintado uma capela, na qual se colocou, proveniente do Paraguai, uma pequena imagem de Nossa Senhora subindo aos céus. Mais tarde, com a expulsão do jesuítas, a imagem foi transladada para La Florida.
Em 19 de abril de 1825, trinta e três homens comandados pelo general António Lavalleja desembarcaram na praia da Agraciada com o objetivo de libertar a pátria uruguaia. O seu lema era: "liberdade ou morte". Ao dirigir-se a La Florida, estabeleceram ali acampamento e fizeram uma consagração a Nossa Senhora, deixando sob a sua proteção o futuro do Uruguai. No dia 25 de agosto do mesmo ano foi proclamada a independência. Desde então, o povo proclamou Nossa Senhora dos Trinta e Três padroeira da nação, oficializada em 1961 pelo Papa João XXIII
ORAÇÃO:
Santíssima Virgem Maria, diante da vossa imagem inclinam a bandeira e dobram os joelhos os fundadores da nossa Pátria. Protegei sempre este povo nascido à vossa sombra benfeitora. Fazei, ó Mãe, que nos nossos lares floresçam a religião e todas as virtudes cristãs. Fazei que vejamos crescer o reinado de Cristo, que é a verdade e a justiça. Alcançai-nos a eterna salvação, trazida para todos pelo vosso Filho, Jesus Cristo, que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos. Ámen.

Em 1788, uma imagem de Nossa Senhora das Dores foi vista a flutuar sobre as águas por pescadores de Pakil, nas Filipinas. A cada tentativa de resgate, porém, a imagem submergia-se. O vento foi-a levando em direção à igreja de Pakil. Só então perceberam que a imagem queria ali ficar. Tiraram-na da água e colocaram-na sobre uma pedra. No dia seguinte algumas mulheres viram a imagem, tentaram levá-la para a igreja, mas não conseguiram movê-la. Foi chamado o Pároco. Chegando ao local, não teve o menos problema em carregar a imagem para a capela. A festa de Turumba dura sete dias e recorda as sete dores de Maria.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora das Dores, que nas Filipinas recebeis especial carinho, assumi as dores do povo que a vós recorre para se identificar com os vossos sofrimentos. Cada um dos sete dias da celebração da vossa festa seja momento privilegiado de conversão, oração e caridade. Ámen.

Conta a lenda que no século XII uma imagem, hoje no santuário da freguesia de Vagos, perto de Aveiro, foi resgatada de um navio françês que ali naufragou. No dia seguinte, porém, não encontraram já a imagem. Só reapareceu após a Virgem aparecer em sonho a um morador e indicar o local onde deveria ser construída uma ermida. Os diversos milagres atribuídos a Nossa Senhora de Vagos fizeram com que a devoção se difundisse rapidamente. Durante uma grande seca na região, o povo fez uma procissão e a promessa de distribuir alimentos aos pobres. A Virgem intercedeu e veio a chuva. Até hoje permanece a tradição de distribuir pão na praça do santuário.
ORAÇÃO:
Vós jamais deixastes o vosso povo sem assistência, caridosa Mãe. No momento da seca, intercedestes junto de Deus para que viesse a chuva, generosa bênção que faz brotar da terra o nosso sustento. Do mesmo modo, intercedei hoje por todos nós, a fim de que não falte o pão de cada dia, nem a caridade no nosso coração para partilhar com os menos favorecidos. Ámen.

Desde o século VIII, há referências a esta devoção, à qual são dedicadas várias igrejas em Portugal. Em Erra, onde existe uma antiga ermida dedicada a Nossa Senhora do Vale, é tradição fazer um colar com cinco folhas de aroeira e usá-lo para pedir a intercessão da Virgem. São chamados "milagrosos colares de Nossa Senhora do Vale", em referência a um milagre ocorrido com os frades franciscanos da cidade. Uma imagem por diversas vezes apareceu no topo de uma aroeira próxima do mosteiro até que construíram sobre a árvore uma ermida, onde os devotos costumam deixar o colar após alcançar a graça, normalmente curas.
ORAÇÃO:
Querida Senhora do Vale, pelo vosso milagroso colar, protegei-nos de todos os males e curai todas as nossas enfermidades. Ele é o elo que nos liga ao vosso amor, que nos fortalece e nos aproxima de vós. Jamais nos abandoneis, querida Mãe. Concedei-me a graça que agora vos peço (fazer o pedido). Ámen.

Devoção de antiquíssima tradição na cidade do Porto, tanto que em 1517 foi incluída no brasão da cidade, entre duas torres de um castelo. A origem da invocação está ligada a França. Segundo a tradição, no final do século X aportou à foz do rio Douro uma armada, oriunda da Gasconha, em França, que era conduzida por D. Moninho Viegas. Viajava com ele também o bispo de Vandoma, em França, D. Nógeno, que veio a ser bispo do Porto. O bispo trazia consigo a imagem de Nossa Senhora de Vandoma que mandou colocar num oratório por cima da porta principal da entrada da cidade e que por isso passou a chamar-se Porta de Vandoma. Esta imagem encontra-se atualmente na catedral. Nossa Senhora de Vandoma é a padroeira do Porto.
ORAÇÃO:
Ó Virgem Santíssima, estrela da manhã, refúgio dos pecadores, pelas vossas humildes orações que comovem o coração do Senhor, obtende-me a graça de compreender o valor da pessoa humana que Jesus Cristo resgatou com o seu preciosíssimo sangue na cruz e acolhei o pedido que hoje vos faço (fazer o pedido). Ámen.

Com o título de Nossa Senhora da Vida, é venerada uma imagem do século XIV que atualmente se encontra no mosteiro do Lorvão, diocese de Coimbra, fundado no século VI. Uma tradição conta que na região havia uma laranjeira no meio de alguns ulmeiros. Ao ser cortada, a laranjeira brotou muito rapidamente. O fenómeno repetiu-se algumas vezes, até que todos passaram a ver nesse facto um milagre da Virgem. O dono do terreno mandou esculpir uma imagem com o cepo cortado da árvore e só nesse momento é que ela deixou de brotar. A capela atual está localizada onde antes existia a laranjeira.
Em Alcochete há uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Vida com belos azulejos que retratam toda a vida da Virgem Maria.
ORAÇÃO:
Nossa Mãe, que trazeis vida nova para os que buscam seguir o vosso modelo de fé, fazei brotar no nosso coração, tão rapidamente como brotou a laranjeira no campo do Lorvão, a caridade, a fé e a esperança. Ámen.

Em Watsonville, Califórnia, EUA, a imagem de Nossa Senhora apareceu impressa na casca de um carvalho. A imagem foi vista inicialmente pela imigrante Anita Contrera, em 1993, e desde então multidões acorrem ao local a implorar as graças da Virgem. Sessenta por cento da população da cidade é proveniente do México e tem forte devoção à Virgem Maria.
ORAÇÃO:
Querida Mãe, quisestes manifestar-vos a uma imigrante para mostrar o especial carinho que dedicais a esse grupo sofrido. Olhai de modo especial para todos os que deixam a sua terra e a sua família em busca de um sonho. Sede luz, conforto e guia de todos os migrantes. Ámen.

