GUIA

Conta a tradição que, no ano 580, o capitão Maurício, desviado pelos ventos, chegou a uma aldeia da Calábria, em Itália. O monge Efrém foi ao seu encontro e disse-lhe: «Não foram os ventos que te conduziram para cá, mas Nossa Senhora, para que tu – uma vez Imperador – lhe construas um templo.» Dois anos depois, Maurício tornou-se Imperador e construiu a igreja dedicada a Maria. Porém, a imagem de Nossa Senhora, que era pintada durante o dia, de noite desaparecia da parede. Uma noite, uma senhora entrou no santuário. Como demorava a sair, o vigilante foi verificar o que acontecera. Não viu a senhora, mas numa das paredes do templo estava a imagem de Nossa Senhora com traços típicos da mulher calabresa. O povo dirigiu-se de imediato à capela, a aclamar: «Aquiropita! Aquiropita!» (que significa: imagem não pintada por mão humana).
ORAÇÃO:
Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe Aquiropita, volvei o vosso olhar piedoso para nós e para as nossas famílias. Através dos séculos, pelos milagres e aparições, mostrastes ser medianeira perene de graças. Tende compaixão das dificuldades em que nos encontramos e das tristezas que amarguram a nossa vida.
Ó Rainha Aquiropita, prometemos dedicar-vos toda a nossa vida para a honra do vosso culto e o serviço de nossos irmãos. Solicitamos da vossa maternal bondade ao auxílios às nossas necessidades e a graça de viver sob a vossa constante proteção, consolados nas nossas aflições e livres das presentes angústias. Ámen.

Nossa Senhora da Boa Memória é considerada a protetora dos estudantes de Coimbra. A devoção é bastante difundida também na diocese de Braga. No claustro da Sé de Braga há uma capela que tem por titular esta devoção e desde 1634 existe a sua confraria. A sua festa é celebrada no último fim de semana de novembro.
ORAÇÃO:
Querida Mãe, Senhora da Boa Memória, com o vosso auxílio serei sempre um ótimo estudante, dedicado na tarefa de aprender e exigente na busca de um futuro promissor. Obrigado por sempre me acompanhardes e ajudardes a conservar as informações que constantemente recebo. E fazei que eu possa utilizá-las sempre para o meu crescimento pessoal e para o bem da Humanidade. Ámen.

Durante séculos, os portugueses destacaram-se pelas suas façanhas na navegação. Juntamente com a coragem e a técnica, os marinheiros levavam a devoção à Virgem, que então passou a ser invocada sob o título de Nossa Senhora da Boa Viagem. Em 1618, perto de Lisboa, foi construída a primeira em sua homenagem. A devoção difundiu-se entre marinheiros e pescadores de Portugal e de todas as colónias portuguesas. Relacionadas com esta devoção estão: Nossa Senhora das Estradas, do Caminho e dos Viajantes.
ORAÇÃO:
Virgem Santíssima, Senhora da Boa Viagem, esperança infalível dos filhos da Santa Igreja, sois guia e eficaz auxílio dos que correm perigos do corpo e da alma. Refugiando-nos sob o vosso olhar materno, empreendemos as nossas viagens certos do êxito que obtivestes quando vos encaminhastes para visitar a vossa prima Santa Isabel. Em ascensão crescente na prática de todas as virtudes transcorreu a vossa vida, até ao ditoso momento de subirdes gloriosa para os céus. Nós vos suplicamos pois, ó Mãe querida: velai por nós, indignos filhos vossos, alcançando-nos a graça de seguir os vossos passos, assistidos por Jesus e José, na peregrinação desta vida e na hora derradeira da nossa partida para a eternidade. Ámen.

Maria é universalmente venerada como guia e conselheira por estar unida a Cristo, nosso maior Conselheiro. O primeiro templo dedicado a Nossa Senhora do Bom Concelho é o da cidade de Genazzano, em Itália, por iniciativa do Papa São Marcos, em 336. Uma lenda conta que, no século XV, uma imagem da virgem que estava na cidade de Scutari, na Albânia, desprendeu-se milagrosamente da parede e foi levada pelo vento em direção a Itália. Dois moradores seguiram a imagem e chegaram ao santuário de Genazzano. Entenderam que seria aí o refúgio apontado por Maria para a sua imagem e para o povo da Albânia que sofria ataques dos muçulmanos.
ORAÇÃO:
Virgem Imaculada, Mãe de Jesus e nossa Mãe, vós fostes conselheira dos Apóstolos e da Igreja nascente, sede também minha conselheira e guia nas dificuldades e provações da minha vida. Peço-vos, querida Mãe, que nunca me abandoneis nas decisões que preciso de tomar e orientai os meus pensamentos e atitudes, que sejam sempre conforme os ensinamentos do vosso Filho, Jesus.
Ó Maria, Mãe de misericórdia, atendei o meu pedido suplicante, que faço com toda a confiança de filho que se dirige à Mãe. Orientai o meu coração, guiai os meus pensamentos e ações, dirigi os meus passos e levai-me um dia para junto do vosso Filho, à felicidade eterna. Ámen.

O título de Nossa Senhora do Bom Sucesso tem a sua origem em Portugal, provavelmente no século XVI. O seu culto é bastante difundido, especialmente nas dioceses de Braga e da Guarda. Uma das maiores tradições está relacionada com o terramoto de 1755. Em Almada, os moradores aflitos pediram proteção à Virgem do Bom Sucesso. Desde então celebram a sua festa em 1 de novembro.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, Virgem bendita, em tudo obtivestes êxito, especialmente na participação no plano salvífico de Deus e no ministério eterno de Cristo. Ajudai-nos hoje a obter o sucesso nas nossas atividades e a proceder sempre com ética e de acordo com os ensinamentos do vosso Filho, Nosso Senhor. Ámen.

A devoção mariana foi uma profunda marca na vida de Santo Inácio de Loiola e da ordem religiosa que ele iniciou, a Companhia de Jesus. A primeira igreja fundada pelos jesuítas em Roma foi dedicada a Nossa Senhora do Caminho, devoção popular entre viajantes e peregrinos que pedem proteção enquanto trilham os seus "caminhos".
Em Portugal são muito populares os nichos de Nossa Senhora dos Caminhos, construídos desde 1963 por iniciativa de uma campanha da Mocidade Portuguesa Feminina. É também chamada Nossa Senhora da Estrada e dos Viajantes.
ORAÇÃO:
Acompanhai-nos constantemente no nosso caminho, querida Mãe, pois só assim teremos a certeza de não nos desviarmos do nosso destino. Que os nossos passos sejam sempre iluminados pelo evangelho e alimentados pelo espírito da justiça e da caridade. Ámen.

Casaluce é uma vila na Sicília, onde se encontra o castelo que abrigava o rei Carlos II, no século XIII. Em 1295, o castelo e os seus pertences foram doados aos padres Celestinos. Aí se encontrava uma imagem da Virgem Maria que, segundo a lenda, foi pintada por São Lucas.
Objeto de grande veneração, a imagem era levada com os padres quando se afastavam de Casaluce: durante o verão mudavam-se para Aversa, a fim de fugir da malária. A peregrinação constante da imagem entre as duas vilas gerou conflitos com os moradores: todos queriam a imagem da Virgem para a sua igreja. O impasse permanece até hoje e a imagem fica seis meses em cada cidade.
ORAÇÃO:
Ó Nossa Senhora de Casaluce, que sempre protegestes o vosso povo, volvei benigna o vosso olhar sobre nós que invocamos o vosso auxílio. Quantos perigos, ó Mãe, nos ameaçam! Quantas desgraças nos amedrontam! Quantos inimigos nos assaltam de todos os lados! No entanto, vós que sois poderosa e piedosa, vós que sempre estais no meio de nós, homenageada qual Rainha, invocada com sentimentos de ternura, como Mãe, sorri para nós e protegei-nos.
Quando vos invocámos e não fomos por vós atendidos? Virgem Santa de Casaluce, connosco, que somos o vosso povo escolhido e favorecido, mostrai-vos sempre Mãe; protegei todos os que estão perto de vós, lembrai-vos daqueles que moram longe e a vós elevam a sua prece. Nós colocamos em vós toda a nossa confiança. Socorrei-nos na vida e na morte, sede na eternidade a nossa alegria. Assim seja.

O título de Nossa Senhora da Conquista está associado às cruzadas e ao período da colonização. Os portugueses e outros povos europeus levavam consigo a imagem da Virgem nas batalhas e expedições, a fim de os proteger na conquista de novas terras. A devoção foi levada para o Brasil pelos primeiros jesuítas que lá chegaram para a criação das "reduções", uma espécie de aldeias com infraestruturas avançadas para a época, com o fim de organizar, proteger e catequizar os índios. É conhecida a história do padre jesuíta Roque González, que em 1626, com a imagem de Nossa Senhora da Conquista nas mãos, atravessou o rio Uruguai em direção a Rio Grande do Sul, fundando a redução de São Nicolau. Acabou por ser martirizado pelos índios guaranis em 1628, juntamente com o padre Afonso Rodrígues.
ORAÇÃO:
Ó Maria, que acompanhastes os soldados que lutaram em nome da fé, acompanhai cada um de nós hoje na busca da nossa realização pessoal e na conquista dos nossos sonhos e ideais, sempre fundados no Evangelho. Ámen.

No século XVIII, três camponeses bolivianos acusados de assassínio fugiram para não serem punidos. À noite, parando para descansar, resolveram fazer uma fogueira para se aquecer. Quando tentaram derrubar uma árvore, perceberam que ela estava oca e dentro dela havia uma imagem de Nossa Senhora. O milagre fez com que desistissem da fuga e voltassem para a aldeia de Cotoca, a 20 km de Santa Cruz. Aí foi construída uma capela, em 1799, onde muitos vão prestar culto e pedir graças à "Mamita de Cotoca", assim carinhosamente invocada.
HINO:
Virgem de Cotoca, portento de luz,
com fervor te invoca toda a Santa Cruz,
Estrela do céu, Mãe de bondade,
tu és o consolo da Humanidade
Excelsa Senhora, terna e bela flor,
milagrosa aurora de piedoso amor.
Símbolo de virtudes sem par:
reino de doçura, joia de altar.
A coroa que ostentas em tua fronte
é rede que acolhe a essência do bem.
És Rainha e dona de graça e ternura,
a alma devota funde-se em teu amor.
Bendiz-nos, terna Virgem,
e tua luz eterna nos livre do mal.

Esta devoção faz referência à fuga da Sagrada Família para o Egito, retratada na Escritura (Mt 2,3ss). Avisado pelo anjo, José leva Maria e o Menino para um lugar seguro, longe de Herodes. Neste exílio forçado preparam Jesus para o seu regresso à Galileia. A Sagrada Família passou cerca de cinco anos no Egito, voltando para Nazaré depois da morte de Herodes.
A devoção foi muito forte no período colonial, talvez pelo sentimento dos portugueses de encontrar na Virgem exilada o consolo de que necessitavam para o seu próprio desterro. Em alguns lugares ela é chamada Nossa Senhora dos Imigrantes ou da Fuga para o Egito.
ORAÇÃO:
De Belém ao Egito, com o Menino recém-nascido escondido e apertado ao peito, por terras desérticas e desconhecidas, triste e silenciosa, seguindo os passos firmes de José... Eis a Mãe do Filho de Deus a caminho do Desterro. Nossa Senhora do Desterro, olhai para nós, vossos filhos, apreensivos e inseguros, neste vale de lágrimas, a caminho da Pátria definitiva. Depois deste desterro, ó Mãe carinhosa, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Nossa Senhora do Desterro, acompanhai-nos na travessia do deserto da vida, até alcançarmos o oásis eterno: o Céu. Ámen.

No dia 8 de setembro de 1703, Nossa Senhora apareceu na cidade de Sevilha, em Espanha, sentada numa rocha e vestida como as mulheres locais que cuidavam dos rebanhos de ovelhas. Daí surgiu o título de Divina Pastora. Inicialmente foi chamada "Virgem Zagala", que significa a pastora que cuida do rebanho. Hoje, o principal santuário a Nossa Senhora Divina Pastora fica na ilha de Trindade, nas Antilhas. Existem também os títulos: Nossa Senhora Pastora, Pastora dos Homens, Pastorinha, dos Pastores.
ORAÇÃO:
Por ser a Mãe do Bom Pastor, Jesus Cristo, tornastes-vos nossa Divina Pastora. A vós nos consagramos e a vós seguimos como ovelhas do rebanho de Deus. Confiamos na vossa palavra e na direção que nos conduzis. O vosso exemplo de vida é a principal prova de que nos conduzireis para o reino eterno. Ámen.

A imagem de Nossa Senhora da Evangelização chegou a Lima, no Peru, em 1540, presenteada por Carlos V, rei de Espanha. Sob o olhar da Virgem, a Igreja peruana e latino-americana ganhou força para propagar o Evangelho no continente, especialmente do território que vai da Nicarágua ao cabo de Hornos, no Peru.
Também teve participação na independência do Peru, em 1821, sendo a ela solenemente entoado o Te Deum, após a declaração da independência pelo general San Martin. Em 1985, o Papa João Paulo II, em visita ao Peru, declarou-a padroeira da nação, colocando na imagem uma rosa de ouro.
O título "da Evangelização", no entanto, não existe desde o inicio da devoção mariana no Peru. Foi dado à pouco tempo, em homenagem aos grandes méritos na evangelização da América conseguidos com a intercessão da Virgem.
«Que Nossa Senhora da Evangelização nos acompanhe e guie no caminho da nova evangelização. Ajude-nos a ser sempre testemunhas do Evangelho da salvação.» (Papa João Paulo II)
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, que acompanhastes os Apóstolos após receberem a missão de evangelizar todos os povos e fortalecestes os missionários em nossas terras, sustentai hoje todas as iniciativas de evangelização. Protegei os missionários, os sacerdotes e religiosos, os catequistas e todos os agentes de pastoral, que continuam hoje o trabalho de evangelização, a exemplo dos Apóstolos. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora da Glória está associada ao dogma da Assunção de Maria ao Céu, ou seja, da sua glorificação e coroação como Rainha da Glória. Os principais elementos celebrados nesta devoção aparecem no Rosário, quando rezamos os "mistérios gloriosos" (da Glória), associando a missão de Maria à de Cristo. Os mistérios são: a ressurreição de Jesus, a ascensão de Jesus, a descida do Espírito, a assunção de Maria e a coroação de Maria.
ORAÇÃO:
Ó dulcíssima soberana, Rainha da Glória, bem sabemos que somos pobres pecadores. Sabemos também que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria e, no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais para connosco. Do alto desse trono, onde reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos. Vede a quantas tempestades e mil perigos estaremos, sem cessar, expostos até ao fim da nossa vida!
Pelos merecimentos de vossa bendita morte obtende-nos o aumento da fé, da confiança e da santa perseverança na amizade com Deus, para que possamos, um dia, ir beijar vossos pés e unir as nossas vozes às dos espíritos celestes, para cantar a vossa glória eternamente no céu. Assim seja.

Em julho de 1480, Nossa Senhora apareceu a Donato Nutitni e Cornélia Vangelistei, ambos com doze anos. As crianças levavam o rebanho para pastar nas margens do rio Davena, em Bolonha, Itália, e foram convidadas pela Virgem a consagrarem-se como religiosos. No local da aparição foi edificada uma igreja e colocada uma imagem feita de acordo com a visão das crianças. Misteriosamente, o quadro foi encontrado diversas vezes na outra margem do rio. Os devotos viram neste facto um sinal de Maria e construíram aí uma capela. O atual santuário abraça as duas margens do rio. É também chamada Nossa Senhora da Elevada Graça ou Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora das Graças, fazei que esses raios luminosos que irradiam das vossas mãos virginais iluminem a minha inteligência para melhor conhecer o bem, e preencham o meu coração com vivos sentimentos de fé, esperança e caridade. Vós sabeis quais são as graças mais necessárias para nós; mas eu vos peço, de maneira especial, que me concedais esta que vos peço com todo o fervor da minha alma (pedir a graça). Jesus é todo-poderoso e vós sois a Mãe d´Ele; por isso, Nossa Senhora das Graças, em vós confio e espero alcançar o que vos peço. Ámen.

Esta devoção recorda que a Virgem Maria guiou Jesus na sua infância e juventude e guia todos os cristãos, desde os primeiros tempos, como nos recordam os Atos dos Apóstolos, até aos nossos dias. É chamada pelos cristãos ortodoxos "Odegitria " ("Οδηγήτρια ") e a sua festa celebra-se a 15 de Agosto.
ORAÇÃO:
Ó Virgem Santíssima da Guia! A vós recorremos neste vale de lágrimas, atraídos pela fé e pelo amor que vós infundistes no nosso coração. Ó Mãe querida! Aliviai a nossa dor, consolai as nossas angústias, dai-nos o pão material e o alimento espiritual para fortalecer o nosso corpo e a nossa alma. Fazei que não nos falte um emprego estável e uma justa remuneração. Eliminai o ódio e o egoísmo do coração de todas as pessoas.
Virgem Santíssima da Guia! Iluminai o nosso caminho para que, unidos na paz e fraternidade, com todos os nossos irmãos e irmãs, continuemos a marcha gloriosa para a casa do Pai.
Abençoai, ó Mãe, todas as nações, cujos filhos cantam os vossos louvores, agora e pelos séculos dos séculos. Ámen.

Desde os primeiros séculos, Maria foi para a Igreja a "Cheia de Graça". Aquela que, por Cristo e em Cristo, foi cumulada por Deus com toda a sorte de bênçãos espirituais.
No Concílio de Éfeso, a Virgem Maria foi proclamada Mãe de Deus, unindo a sua figura à obra libertadora de Jesus. Desde os inícios do Cristianismo foi invocada como Medianeira porque por ela chegamos a Jesus e por ela alcançamos d´Ele graça sobre graça.
Em 1946, a própria Nossa Senhora apresentou-se como Medianeira de Todas as Graças numa aparição a Bárbara Ruess, em Pfaffenhofen, na Alemanha. Pediu para que todos tivessem confiança no seu Imaculado Coração e que procurassem o perdão dos pecados recitando o Rosário.
Destacou também o seu papel de medianeira, intercessora do povo junto de Cristo e do Pai, e a sua tristeza pelo povo estar a abandonar a fé.
ORAÇÃO:
Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, nós vos veneramos como Medianeira, no mistério da Anunciação, porque foi por vosso meio que Deus veio ao mundo. Ó Senhora e Mãe nossa, concedei-nos esta graça […] e mostrai que vos apraz ser venerada sob o título de Medianeira de Todas as Graças.
Senhor Jesus Cristo, que vos dignastes a constituir a Santíssima Virgem Maria, vossa Mãe, também nossa Mãe e Medianeira junto de Vós, concedei benigno a quem suplicante se dirigir a Vós que se alegre de ter alcançado por meio de vossa Mãe tudo o que pediu. Vós que viveis e reinais por todos os séculos. Ámen.

A imagem do paraíso sempre foi forte no imaginário cristão. Os textos bíblicos e a tradição cristã, principalmente na arte, alimentaram esta imagem do local perfeito onde todos os cristãos viverão a eternidade. A devoção mariana também associou ao paraíso a presença de Maria. Daí surgiu o título de Nossa Senhora do Paraíso, com diversas igrejas e conventos a ela dedicados.
ORAÇÃO:
Ave-Maria, cheia de graça, pela assunção entrastes no paraíso em corpo e alma. Conduzi-nos na hora da nossa morte para junto de vós, a fim de que desfrutemos eternamente da glória de Deus no paraíso, na vossa companhia. Ámen.

No século XV, um monge francês viu em sonhos a imagem de Nossa Senhora cercada de luz, no alto de um monte. Durante anos, procurou o lugar, uma serra muito íngreme no norte de Espanha, chamada Penha de França, onde edificou uma capela. Característica comum à maioria dos templos dedicados a Nossa Senhora da Penha é estarem no alto de montes, como na imagem original do monge francês.
ORAÇÃO:
Ó Maria Santíssima, Senhora da Penha, em cujas mãos depositou Deus todos os tesouros da sua graça, constituindo-vos amorosa e larguíssima dispensadora, a todos os que a vós recorrem com viva fé. Eis-me cheio de esperança no vosso eficaz patrocínio, a solicitar, humildemente, a vossa proteção e amparo. Consolai-me pois, ó amorosíssima Senhora, com as vossas graças que tão insistentemente peço, a fim de continuar a honrar-vos na terra, com meu cordial reconhecimento até que possa, um dia, no céu, mais dignamente agradecer-vos todos os benefícios recebidos, pelos séculos dos séculos. Assim seja.

Maria sempre esteve próxima dos Apóstolos, durante o ministério público de Jesus e após a sua morte e Ressurreição. Um exemplo é a presença de Maria com o grupo dos Doze quando, reunidos em oração no cenáculo, Cristo lhes envia o Espírito Santo. (cf. At 2,1-4)
O acontecimento, conhecido como Pentecostes, marca o início da evangelização, difusão da Boa Nova de Cristo. Marca também o início da devoção a Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, aquela que fortalece e anima os Apóstolos na missão.
O título está nas Ladainhas, aprovadas por São Gregório Magno, mas foi difundido principalmente por São Vicente Palloti e pelo Beato Tiago Alberione. Ambos colocaram as suas congregações sob a proteção da Rainha dos Apóstolos. Tiago Alberione fundou, a partir de 1914, um conjunto de Institutos conhecidos como "Família Paulina". Todos os membros das Congregações e Institutos por ele fundados se consagram à Rainha dos Apóstolos. A imagem, encomendada pelo Padre Alberione ao artista italiano J. B. Conti, representa Maria a segurar o Menino Jesus, num gesto de doação: entrega Jesus ao mundo. O Menino tem na mão um pergaminho, símbolo da Boa Nova que veio anunciar e do apostolado dos seus discípulos.
ORAÇÃO:
Ó Deus, que concedestes o Espírito Santo aos vossos Apóstolos, que oravam unânimes com Maria, Mãe de Jesus, fazei que também nós, protegidos por essa mesma Mãe, Mestra e Rainha, saibamos servir fielmente a vossa majestade e difundamos a glória do vosso nome, mediante a palavra e as obras. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

«Eu sou a Virgem da Revelação», disse Nossa Senhora numa aparição em Roma, no dia 12 de abril de 1947. O vidente, Bruno Cornacchiola, era um grande opositor da Igreja. Fez de tudo para combater a fé católica, tentando denegrir inclusive a imagem da Virgem. Lutou em Espanha ao lado dos comunistas; de volta a Itália, procurava difundir a ideia de que Maria não era virgem, nem imaculada, nem elevada aos céus.
Bruno brincava com os seus filhos perto de Tre Fontane, local de Roma onde se deu o martírio do Apóstolo Paulo. A Virgem apareceu primeiro aos seus filhos e por último a ele. Chocado, percebeu que tudo o que fizera não tinha sentido. Viu a Virgem com uma Bíblia na mão, sinal de que os dogmas da Virgindade, da Imaculada Conceição e da Assunção têm fundamentos bíblicos, são verdades reveladas. Facto curioso é que dez anos antes, no mesmo local, a Virgem aparecera a Luigina Sinapi e disse que voltaria ali para converter alguém que lutava contra a Igreja e planeava matar o Papa. Quando Pio XII soube da conversão, logo o associou à profecia anterior.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Revelação, que os dogmas da vossa Virgindade, Assunção e Imaculada Conceição sejam para todos sinais da vossa santidade e íntima participação no projeto salvífico de Deus. Iluminai-nos através da Palavra do vosso Filho, para que saibamos viver cada vez melhor a fé cristã. Ámen.

É o título de Nossa Senhora invocada na cidade de Bérgamo, em Itália. Conta-se que a origem da devoção está ligada a um episódio ocorrido com dois comerciantes da cidade. Quando voltavam para casa, estando já muitos escuro, enganaram-se no caminho e foram parar a um bosque muito perigoso. Ao tomar conhecimento da situação, puseram-se de joelhos a rezar à Virgem. Viram então uma luz a indicar o caminho para sair da mata. Chegados à cidade, viram novamente a luz, que depois tomou os traços da Virgem, sobre várias rosas. Não tardaram a construir ali um santuário, em agradecimento por tê-los livrado do perigo. O Papa Martinho V dedicou o santuário a Nossa Senhora das Rosas e Leão XIII estendeu a festa a toda a diocese de Bérgamo, fixando-a no terceiro domingo do Pentecostes.
ORAÇÃO:
Na escuridão mostrastes o caminho certo que os comerciantes de Bérgamo deveriam seguir para fugir do perigo. Igualmente, Senhora das Rosas, apontai-nos hoje a direção que devemos tomar para ir ao encontro do vosso amor e do Reino de Deus. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Desde há muito tempo que existia, na cidade de Scutári, na Albânia, um ícone de Nossa Senhora bastante venerado pelo povo. Uma lenda conta que, no século XV, essa imagem desprendeu-se da parede da capela da cidade e foi levada pelo vento até à Itália, ao santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano. Na altura, a Albânia vivia sob a opressão dos ataque muçulmanos. Por isso, dois moradores viram no facto um sinal da Virgem que indicaria um local seguro para a imagem e para os fiéis se refugiarem. Acompanharam o ícone até à Itália, para onde se deslocaram vários albaneses refugiados. Pelo sinal e conselho dado ao povo, começou a ser venerada também como Nossa Senhora do Bom Concelho.
ORAÇÃO:
Estimada Senhora, que guiastes o povo da Albânia para um local seguro, mostrai-nos hoje o caminho que devemos seguir para não nos afastarmos do Evangelho. Dai-nos sempre bons conselhos e que nunca nos afastemos do vosso amor. Ámen.

