FORTALEZA

«Tu deves dedicar a mim uma capela neste lugar.» Este foi o pedido repetido por três vezes ao alemão Hendrik Busman von Geldern, que rezava diante de uma cruz. A sua esposa, nessa mesma noite do ano 1641, sonhou com uma pequena igreja iluminada. Prontamente construíram uma capela no local, com a imagem de Nossa Senhora dos Aflitos. Hoje, cerca de 500 mil devotos visitam o santuário todos os anos.

No Alentejo é famosa a pequena igreja de Elvas, com azulejos do século XVII que sobem até à cúpula, e no Algarve as mulheres costumam rezar pela segurança dos pescadores, durante as tempestades, na Igreja de Nossa Senhora dos Aflitos de Olhão.

ORAÇÃO:

Consoladora de todos os aflitos, Santíssima Virgem Maria, Mãe amorosíssima, contemplai piedosamente as pessoas aflitas! Com a vossa poderosa mediação, intercedei por elas junto do trono da divina misericórdia! Por elas, para que sejam libertadas das suas duras penas e dores atrozes, oferecei ao misericordioso Deus: a vida, a paixão, a morte e o preciosíssimo Sangue de Jesus; os sacrifícios, as comunhões, as orações, as esmolas e as boas obras de todos nós! Fazei com que as criaturas aflitas sejam santificadas junto da divina Justiça e cada vez mais lembradas e sufragadas nas nossas orações. Ámen.  

Nossa Senhora foi constantemente invocada para proteger e auxiliar os soldados cristãos nas batalhas. No ano 626, no cerco de Constantinopla pelos persas, o patriarca Sérgio invocou o nome da Virgem Maria e ao 11.º dia de batalha, o vulto de uma senhora saiu da cidade em direção ao acampamento inimigo. Pouco tempo depois, os persas desistiram da batalha.

Os cristãos atribuíram o feito à intervenção de Nossa Senhora, que vem sempre em auxílio do povo. A devoção difundiu-se, porém, no século XIX, por iniciativa de Dom Bosco e das congregações salesianas por ele fundadas. Às vezes é chamada Nossa Senhora do Auxílio ou Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem poderosa, grande e ilustre defensora da Igreja, auxílio maravilhoso dos cristãos, terrível como exército ordenado em batalha. Vós, que destruístes toda a heresia em todo o mundo, nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defendei-nos do inimigo; e na hora da morte, acolhei a nossa alma no paraíso. Ámen.  

Desde quando era seminarista, o Papa João XXIII dirigia as suas orações a Nossa Senhora da Confiança, padroeira do Seminário Romano Maior, onde estudou. Conta-se que foi o apoio da Virgem da Confiança que o levou à organização e realização do Concílio Vaticano II, um grande marco na vida da Igreja.

Uma das grandes divulgadoras desta devoção foi a Irmã Alice Marie Senise. Ela restaurou uma antiga imagem abandonada. No peito da Virgem pôs o emblema da Confiança: Fé, Esperança e Caridade; na face, 33 pedras preciosas indicam os anos que Cristo passou na terra. Há diversas capelas a ela dedicadas em Portugal.

ORAÇÃO:

Minha Mãe, uni-me cada vez mais a vós e uni-vos cada vez mais a mim. Eu agradeço-vos a graça da confiança, mas peço-vos que a torneis cada vez mais intensa diante de cada fraqueza que eu sinta.

Nossa Senhora da Confiança, dai-me forças! Peço-vos, ó Mãe, que do alto do céu desçam as vossas bênçãos maternais sobre os vossos filhos, transpondo suave e vitoriosamente as espessas camadas do pecado.

Como os discípulos de Emaús ao Divino Redentor, nós vos pedimos que essas bênçãos fiquem connosco, porque se faz noite sobre o mundo. A cada instante, a cada angústia, a cada necessidade, ajudem-nos elas a manter a mais inteira e filial confiança em vós. Ámen.  

A invocação de Nossa Senhora da Defesa é outra devoção com origem militar, em tempos de guerra. Conta-se que em 1410, durante a invasão do exército godo à bacia de Ampezzano, em Itália, os habitantes invocaram a Virgem para os ajudar na defesa das suas terras. Ela apareceu num trono, sobre nuvens, com uma espada na mão. Quando o exército atacou, Nossa Senhora da Defesa desceu sobre a vila e as nuvens confundiram os soldados adversários, que se atacaram entre si. Na imagem venerada atualmente, Maria segura o Menino Jesus no braço esquerdo e sustenta uma espada erguida na mão direita.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu pego no vosso manto santo e refugio-me debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demónios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Ámen.  

A cidade espanhola de Valência tem como padroeira Nossa Senhora dos Desamparados. O título, juntamente com a imagem, foi criado em 1409 pelo padre Jofre. Ao andar pela cidade de Valência, o padre Jofre presenciou uma cena de grande violência contra um menino de rua. Decidiu naquele momento iniciar uma confraria para cuidar dos desamparados. Construiu um abrigo e uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados. A imagem foi esculpida por dois peregrinos e não tardou a aparecer sinais de milagres a ela associados.

ORAÇÃO:

Querida Senhora, que acolheis os pobres desamparados no calor do vosso abrigo e a todos confortais com o vosso cuidado materno, fazei que eu seja mais desprendido e sempre solidário com as necessitados e excluídos. Ámen.  

Diversas imagens e invocações de Maria salientam o aspeto da sua dor, ao ver o sofrimento e morte do Filho. Desde muito cedo se iniciou a devoção a Nossa Senhora das Dores e atualmente é uma das mais difundidas em Portugal. A sua imagem recorda as palavras do profeta Simeão, no templo de Jerusalém, por ocasião da apresentação do Menino. «Uma espada trespassará a tua alma». O Papa Pio VII introduziu a festa no calendário litúrgico, confirmando a participação dolorosa da Mãe na redenção operada pelo Filho.

Maria acompanhou Jesus nos momentos de dor – flagelação e crucificação – e ela própria viveu muitas dores: a perseguição de Herodes; a fuga para o Egito; a perda do Filho, aos doze anos, na peregrinação a Jerusalém; a morte e sepultura d´Ele. O povo sofrido e constantemente em contacto com as "dores" da vida identifica-se enormemente com a Virgem. Com ela também se consola e fortalece, pois o sofrimento é caminho para a glorificação.

ORAÇÃO:

Minha Mãe dolorosa, não vos quero deixar sozinha a chorar; quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Esta graça vos peço hoje: alcançai-me terna devoção à paixão Jesus e à vossa, a fim de que todos os dias que me restam me sirvam somente para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Elas alcançar-me-ão o perdão, a perseverança e o céu, onde espero cantar as misericórdias infinitas de Jesus, por toda a eternidade. Ámen.  

Em 1798, o rei Canh Thing emitiu um decreto para destruir todos os seminários e igrejas católicas do Vietname, pois alguns missionários tinham ajudado o rebelde Nguyen Anh que pretendia tomar a coroa. Muitos católicos foram mortos, outros refugiaram-se numa floresta chamada Lavang. Nesta floresta, para aliviar o sofrimento e diminuir o medo do povo, Nossa Senhora apareceu naquele mesmo ano. Realizou várias curas e pediu que rezassem o Rosário para terem os seus pedidos atendidos. Durante os quase cem anos de perseguição aos católicos – perdurou até 1886 -, Nossa Senhora continuou a aparecer para dar apoio ao povo. Em 1988, o Papa João Paulo II canonizou cento dezassete mártires no santuário construído no local das aparições.

ORAÇÃO:

Querida Mãe, vós nunca abandonais os vossos filhos e quanto mais o povo necessita do vosso apoio, mais fortemente manifestais o vosso amor. Assim com sustentastes os vietnamitas durante o longo tempo de perseguição, protegei hoje cada cristão que sofre por defender a fé e concedei-nos a viver sempre com maior entusiasmo o Evangelho do vosso Filho, Jesus Cristo. Ámen.  

No século XVI, a cidade de Salins, em França, sofria com os ataques dos huguenotes e com as ameaças de outros hereges. Para afastar os males da cidade e pedir a proteção da Virgem, Pedro Marmet iniciou a construção de uma capela dedicada à Mãe de Deus. Conta-se que num dos ataques à cidade, Maria expulsou os invasores e apareceu a alguns moradores, que declararam: «A Virgem, nossa libertadora, está a pôr em fuga os inimigos.» Logo que a construção ficou pronta, recebeu o nome de santuário de Nossa Senhora Libertadora.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem Libertadora, assim com expulsastes de Salins os invasores, libertai-nos de todos os nossos inimigos e afastai-nos do mal. Dai-nos força e proteção nas batalhas que diariamente travamos contra o mal. Ámen.  

A imagem de Nossa Senhora com um grande manto, sob o qual abriga os seres humanos, começou a aparecer em diversos vitrais, pinturas e esculturas da Europa, principalmente na Alemanha, Áustria e Suiça. Não tardou que a imagem fosse conhecida como Nossa Senhora do Manto Santo e fosse invocada em situações de risco e perigo.

ORAÇÃO:

Sob o vosso Santo Manto abrigais a Humanidade toda, querida Mãe. Ali encontramos a proteção e a segurança de que necessitamos para viver verdadeiramente como discípulos de Cristo, enquanto esperamos a chegada definitiva do Reino. Acolhei hoje todas as nossas limitações, os nossos medos, as nossas imperfeições e especialmente este pedido (fazer o pedido). Ámen.