DOR

Acredita-se que a devoção a Nossa Senhora da Agonia está ligada ao poema do século XIII que Jacopone de Todi dedicou à Mãe de Jesus. Stabat Mater Dolorosa é um poema de 20 estrofes, no qual o autor canta a agonia de Nossa Senhora diante do sofrimento, da luta e da morte de seu Filho, Jesus. Em Viana do Castelo existe um santuário a ela dedicado, um edifício romanesco dos meados do século XVIII. É invocada especialmente pelos pescadores, que lhe confiam as suas "agonias" ou lutas travadas com o mar bravio dessa região.
ORAÇÃO:
Ó Maria, Senhora da Agonia, que permanecestes de pé junto à cruz do vosso Divino Filho Jesus. As palavras de Cristo - «Mulher, eis o teu filho», «Filho, eis a tua Mãe» - fizeram de vós a nossa Mãe. Acolhei, com bondade, a nossa prece filial.
Assim como o discípulo vos acolheu em sua casa, também nós queremos abrir-vos as portas dos nossos corações e dos nossos lares, consagrado-vos toda a nossa vida passada, presente e futura.
Vinde, ó Mãe, em socorro das nossas angústias, não permitindo que nos desviemos do caminho do bem, da verdade e do amor! Conduzi a nossa vida ao porto seguro da salvação que é Jesus! Ousando somar as nossas agonias às vossas, diante desta dificuldade (fazer o pedido) recorremos à vossa maternal proteção, com a confiança de que não ficaremos dececionados nas nossas súplicas. Ámen.

Logo após a expulsão dos mouros de Granada, no século XV, os devotos cristãos edificaram ali uma ermida dedicada às "angústias de Nossa Senhora", provavelmente por influência da devoção a Nossa Senhora das Dores. A ermida ficou conhecida e iniciou-se o culto a Nossa Senhora das Angústias. Uma imagem com aparência dolorosa foi colocada para veneração.
Um dia, dois jovens e uma senhora entraram para rezar. O tempo passou e a senhora continuou ali, aos pés do altar. Indo verificar o que acontecera, um dos confrades responsáveis pelo local encontrou não uma mulher, mas uma escultura de Nossa Senhora, com rosto triste e angustiado a contemplar o seu Filho na cruz.
A devoção é encontrada em todo o Portugal, especialmente em Braga, e recorda as dores de Maria ao acompanhar o seu Filho, Jesus, particularmente na Paixão.
ORAÇÃO:
Com grande angústia e desolação vistes vosso Filho condenado e pregado na cruz. Tomada pela dor, dirigistes a Ele vosso olhar consolador. Dirigi a cada um de nós o mesmo olhar confiante que nos conduz a Deus e à certeza de que Ele vem sempre em nosso auxílio nos momentos de dor e de sofrimento. Ámen.

O dogma proclamado por Pio XII, em 1950, diz que Maria foi elevada ao céu em corpo e alma, vencendo a morte, pelos merecimentos do seu Filho. A tradição consagrada por essa proclamação é muito antiga e com ela está relacionada a devoção a Nossa Senhora da Boa Morte, muito popular em todo o país, com diversas imagens e igrejas a si dedicadas. A esta Senhora recorrem todos aqueles que sofrem pela morte de um ente querido em busca de conforto e de segurança. É também chamada Nossa Senhora dos Agonizantes ou Dormição de Nossa Senhora.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, ajudai-nos a compreender o mistério da morte, a fim de superarmos a tristeza no momento da perda de um ente querido e sermos fortes diante das ameaças à nossa vida. Sede sempre nosso consolo e conduzi todos os falecidos para junto de Deus. Ámen.

Maria acompanhou Jesus nas suas pregações e estava ao seu lado no doloroso caminho do Calvário, mostrando-se sempre fiel à sua missão no plano de salvação do Pai. Aos pés da cruz, Maria chorou e foi consolada pelo Filho que a nomeou Mãe de toda a Humanidade (Jo 19,25-27).
No Calvário viveu a dor mais profunda de uma mãe: ver o seu Filho sofrer e morrer. Por isso, Nossa Senhora do Calvário é invocada pelas mães nos momentos de sofrimento e angústia.
Em Faro há a devoção a Nossa Senhora do Pé da Cruz, que é uma variação deste título.
ORAÇÃO:
Virgem Maria, Mãe da Humanidade, com o coração entristecido acompanhastes Jesus no caminho do Calvário. Consolai todas as mães que sofrem por causa dos seus filhos. Por pior que seja a situação que cada família enfrente, que as mães busquem sempre em vós o auxílio necessário para encontrar a resposta para os seus problemas. Dedicai especial atenção a mim hoje, para que eu possa, com o vosso apoio, superar este momento delicado da minha vida. Ámen.

Esta invocação vem da ilha do Pico, Açores. A imagem que deu origem à devoção representa Maria com o coração à mostra e no coração vê-se cravado um punhal. Muitas vezes é identificada como Nossa Senhora das Dores e representada com uma coroa de espinhos ou cravos, símbolos da Paixão de Cristo. Há uma estreita relação com a devoção do Santo Cristo, muito estimada nos Açores.
ORAÇÃO:
Em vós, querida Mãe, encontramos amparo e compaixão. Vós nunca nos abandonais e nos momentos em que mais precisamos estais ao nosso lado, dando-nos forças e segurança. Assim como acompanhastes cada passo de Cristo rumo ao Calvário, como sentistes com Ele as dores da flagelação, acompanhai hoje cada um de nós nas nossas dores e lamentos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Em 958, Maria apareceu a um pobre na cidade de Herford, na Alemanha, e encarregou-o de levar a um mosteiro próximo uma mensagem de penitência e de conversão. Daria um sinal para as monjas crerem: uma pomba poisaria sobre a cruz a ser levantada em frente ao mosteiro, o que realmente aconteceu. Daí surgiu o nome Nossa Senhora da Cruz.
O título, no entanto, tem grande relação com a presença de Maria aos pés da cruz de Cristo. A Virgem acompanhou o Filho até ao fim, compartilhando a sua dor e sofrimento. Esteve ao seu lado na crucificação, assim como O acompanhou durante toda a vida. Por isso hoje todos os que sofrem pedem auxílio a Maria, nossa Mãe, pois sabemos que ela nunca nos abandona; pelo contrário, consola-nos nos momentos de dor.
Veja também Nossa Senhora do Calvário.
ORAÇÃO:
Maria, que aos pés da cruz sentistes a mais terrível dor ao ver o sofrimento do vosso Filho, vinde em nosso auxílio e confortai-nos nos nossos momentos de dor e sofrimento. Ajudai-nos a carregar as nossas cruzes diárias. Ámen.

Diversas imagens e invocações de Maria salientam o aspeto da sua dor, ao ver o sofrimento e morte do Filho. Desde muito cedo se iniciou a devoção a Nossa Senhora das Dores e atualmente é uma das mais difundidas em Portugal. A sua imagem recorda as palavras do profeta Simeão, no templo de Jerusalém, por ocasião da apresentação do Menino. «Uma espada trespassará a tua alma». O Papa Pio VII introduziu a festa no calendário litúrgico, confirmando a participação dolorosa da Mãe na redenção operada pelo Filho.
Maria acompanhou Jesus nos momentos de dor – flagelação e crucificação – e ela própria viveu muitas dores: a perseguição de Herodes; a fuga para o Egito; a perda do Filho, aos doze anos, na peregrinação a Jerusalém; a morte e sepultura d´Ele. O povo sofrido e constantemente em contacto com as "dores" da vida identifica-se enormemente com a Virgem. Com ela também se consola e fortalece, pois o sofrimento é caminho para a glorificação.
ORAÇÃO:
Minha Mãe dolorosa, não vos quero deixar sozinha a chorar; quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Esta graça vos peço hoje: alcançai-me terna devoção à paixão Jesus e à vossa, a fim de que todos os dias que me restam me sirvam somente para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Elas alcançar-me-ão o perdão, a perseverança e o céu, onde espero cantar as misericórdias infinitas de Jesus, por toda a eternidade. Ámen.

D. Afonso Henriques mandou colocar uma imagem de Nossa Senhora da Conceição na enfermaria destinada aos feridos durante o cerco de Lisboa, em 1147. Não tardou a começarem a chamá-la Nossa Senhora da Enfermaria. Na igreja de São Vicente, em Lisboa, existe uma capela a ela dedicada. Existe também a devoção a Nossa Senhora dos Enfermos.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Conceição, intercedei por nós junto do vosso Filho a fim de encontrarmos a cura de todas as nossas doenças, as do corpo e as da alma. Vós conheceis as nossas dores e sofrimentos, vinde em nosso auxílio e tornai o nosso fardo cada vez mais leve e suportável. Ámen.

Maria chora a Paixão de Jesus. Ela derrama as suas lágrimas ao ver o Filho injustamente condenado, a caminho do Calvário, e principalmente durante a terrível agonia na cruz. Enquanto derrama lágrimas, recebe de Cristo a missão de ser Mãe da Humanidade. Todas as suas mensagens ao longo da história visam a conversão do povo. Por isso muitas vezes apareceu a chorar, dececionada com o caminho que os seus filhos tomam. Exemplos destas manifestações são: Nossa Senhora de La Salette; Nossa Senhora de Siracusa; Nossa Senhora de Naju; a imagem de Nossa Senhora de Fátima, em Caserta, em Itália (1976); Nossa Senhora de Medjugorge, em Cittavecchia (1995); em Ré, em Itália (1494, depois de ser atingida por uma pedra); em Scherpenheuvel, na Bélgica (1603); em Salem, na Alemanha (1608); em Klokoasko e Raab, na Hungria (1670 e 1697); em Glosberg e Bruchansen, na Alemanha (1727 e 1745); em Paris (1830).
ORAÇÃO:
Maria Santíssima, riqueza nossa, em transportes de alegria venho visitar-vos para implorar o valor das vossas benditas lágrimas. Mãe da Divina Graça, todas as minhas angústias e misérias a vós confio. Pelos méritos das vossas lágrimas, ajudai-me a suportar os trabalhos e as penas da vida conforme a vontade de Jesus. As vossas lágrimas, ó Virgem puríssima, têm valor imenso diante do trono do Altíssimo. Eis, porque, cheio de confiança, vos suplico: dai-me esse tesouro para vencer o espírito do mal e merecer do amor misericordioso de Deus as graças que tanto peço para a minha santificação. Ámen.

No dia 25 de outubro de 1147, o monarca português Dom Afonso Henriques, com o auxílio dos cruzados, venceu a batalha contra os mouros e conquistou a cidade de Lisboa. Logo após a vitória, o rei cumpriu a promessa que tinha feito à Virgem ao pedir a sua proteção no combate: construiu um santuário. Como foi erguido no local onde foram sepultados os soldados mortos em combate e considerados mártires, o templo foi dedicado a Nossa Senhora dos Mártires. A nova devoção foi reconhecida oficialmente pelo Papa Urbano VI, fixando a sua festa no dia 13 de maio. A imagem da basílica é a mesma que acompanhou os soldados na famosa batalha.
ORAÇÃO:
Sob vossos pés jazem em paz todos os mártires de Lisboa, soldados que doaram a vida para defender a fé, e todos os mártires do mundo. Conduzi-os a todos ao Reino eterno e guiai cada um de nós na hora da nossa morte para o caminho da luz. Antes, porém, ajudai-nos a viver plenamente o Evangelho do vosso Filho e realizar o bem e a justiça para merecermos a herança eterna. Ámen.

De junho de 1985 a dezembro de 1992, uma imagem de Nossa Senhora "chorou sangue" mais de 700 vezes na pequena cidade de Naju, no Sudoeste da Coreia do Sul. Na sua primeira mensagem, em 1987, Nossa Senhora disse a Júlia Kim: «As minhas lágrimas, querida filha, são pelo constante fracasso da Humanidade em não conseguir amar a Deus como Ele merece e as pessoas não se amarem mutuamente como Ele nos ensinou; também por causa do execrável aborto que mata diariamente uma quantidade incontável de bebés, assassinando inocentes no útero das suas mães por cobardia, maldade e prazer satânico e ainda por causa das muitas almas que se recusam a arrepender-se dos seus pecados, não se interessando em procurar um meio para a sua conversão e com isso correrem o risco da condenação eterna.»
Quando as lágrimas cessaram, brotou da imagem um perfume de rosas, que perdurou por cerca de dois anos. Os sinais de Naju não foram oficialmente reconhecidos pela Igreja e ainda estão sob análise.
ORAÇÃO:
As vossas lágrimas, Senhora, demonstram a dor da Mãe que sofre ao ver os filhos a desviarem-se do caminho de Deus. Que com a vossa ajuda, querida Mãe, todos possamos voltar ao caminho da oração, do amor e da fé. Ámen.

Mais conhecida como Pietá, a imagem de Nossa Senhora da Piedade representa Maria a receber o corpo do seu Filho deposto na cruz. Enormemente retratada na arte cristã, a cena invoca o sofrimento de Maria ao ver o seu Filho morto. Não demorou para a devoção se propagar, visto a grande identificação do povo com o sofrimento da Mãe que chora pelo seu Filho e O leva ao sepulcro.
Em Portugal a devoção está muito difundida. Conta a lenda que um lavrador encontrou uma imagem da Virgem da Piedade numa árvore, junto da qual um dos seus bois se ajoelhava sempre. É muito visitado o santuário de Penafiel, em estilo neogótico e bizantino.
ORAÇÃO:
Com os olhos em lágrimas e o coração angustiado pela dor, segurastes, Senhora, o vosso Filho descido da cruz, morto para a nossa redenção. Acolhei hoje a cada um de nós com o mesmo amor que demonstrastes ao segurar nos braços o corpo de Cristo maltratado pela injustiça e pela ganância. Ámen.

Na Idade Média, os vassalos ofereciam coroas de flores aos soberanos em sinal de submissão. Os cristãos adotaram esse costume para homenagear Maria, oferecendo-lhe a tríplice coroa de rosas que recorda as suas alegrias, dores e glórias ao lado do seu Filho, Jesus. Hoje acrescenta-se a coroa das "luzes". Durante o período das cruzadas, Nossa Senhora do Rosário passou a ser a protetora nas batalhas. Um dos maiores feitos a ela atribuídos é a proteção na batalha de Lepanto, em 1571. Espanha, Veneza e a Igreja combateram as tropas muçulmanas. A vitória foi atribuída a Nossa Senhora do Rosário. O dia 7 de outubro foi marcado para festejar a vitória.
Inicialmente chamada Festa de Santa Maria da Vitória (instituída por Pio V, em 1571), foi mudada por Gregório XIII, em 1573, para Festa de Nossa Senhora do Rosário. É uma das devoções mais difundidas em Portugal.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora do Rosário, dai a todos os cristãos a graça de compreender a grandiosidade da devoção do Santo Rosário, na qual, à recitação da Ave-Maria se junta a profunda meditação dos santos mistérios da vida, morte e Ressurreição de Jesus, vosso Filho e nosso Redentor. São Domingos, apóstolo do Rosário, acompanhai-nos com a vossa bênção, na recitação do Terço, para que, por meio desta devoção a Maria, cheguemos mais depressa a Jesus e, como na batalha de Lepanto, Nossa Senhora do Rosário nos leve à vitória em todas as lutas da vida. Por seu Filho, Jesus Cristo, na unidade do Pai e do Espírito Santo. Ámen.
MISTÉRIOS DO ROSÁRIO:
MISTÉRIOS DA ALEGRIA: (segunda-feira e sábado)
Recordam o nascimento do Menino Jesus e a sua infância: 1. Anunciação do anjo Gabriel a Maria (Lc 1,26-39); 2. Visita de Maria a sua prima Isabel (Lc 1,39-56); 3. Nascimento de Jesus em Belém (Lc 2,1-15); 4. Apresentação de Jesus no templo (Lc 2,22-33); 5. Encontro do Menino Jesus no templo, entre os doutores (Lc 2,42-52).
MISTÉRIOS DA LUZ: (quinta-feira)
Recordam a vida e as ações de Jesus no meio do povo: 1. Jesus é batizado no rio Jordão (Mt 3,13-16); 2. Revelação de Jesus nas bodas de Caná (Jo 2,1-12); 3. Jesus anuncia o Reino de Deus (Mc 1,14-21); 4. Transfiguração de Jesus no monte Tabor (Lc 9,28-36); 5. Jesus institui a Eucaristia (Mt 26,26-29).
MISTÉRIOS DA DOR: (terça e sexta-feira)
Recordam os momentos de dor e sofrimento de Jesus ao ser preso e condenado: 1. Oração e agonia de Jesus no jardim das Oliveiras (Mc 14,32-43); 2. Flagelação de Jesus (Jo 18,38-40); 3. Jesus é coroado de espinhos (Mt 27,27-32); 4. Jesus carrega a cruz para o Calvário (Lc 23,20-32); 5. Crucificação e morte de Jesus (Lc 23,33-47).
MISTÉRIOS DA GLÓRIA: (quarta-feira e domingo)
Celebram a salvação e a alegria, a vida nova que Jesus nos dá: 1. Ressurreição de Jesus (Mc 16,1-8); 2. Ascensão de Jesus ao céu (At 1,4-11); 3. Descida do Espírito Santo (At 2,1-3); 4. Assunção de Maria ao céu; 5. A coroação de Nossa Senhora.

