DOGMAS DE FÉ

A solenidade da Assunção de Nossa Senhora é celebrada desde o século VI pelas igrejas do Oriente. Chamada inicialmente "trânsito" e "dormição de Maria", difundiu-se no Ocidente a partir do século XIV. Em 1950, o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção, reafirmando esta verdade de fé: Maria foi elevada ao céu em corpo e alma.

Foi o coroamento da sua vida imaculada, não manchada por pecado de espécie alguma. Isso mostra a estreita sintonia com o seu Filho, vencendo com Ele o pecado e a morte, e mostra o caminho de todo o fiel rumo à ressurreição.

Nesta solenidade, celebrada em 15 de agosto, estão contidos os principais ensinamentos sobre Nossa Senhora: a Imaculada Conceição, a Divina Maternidade e a Virgindade Perpétua de Maria. A Mãe de Jesus é a nova Arca da Aliança, é imagem da Igreja.

ORAÇÃO:

Ó dulcíssima Soberana, Rainha dos Anjos, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas. Sabemos também que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria e, no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais a vossa bondade para connosco.

Do alto desse trono em que reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olho misericordiosos. Vede a quantas tempestades e perigos estaremos, sem cessar, expostos até ao fim da nossa vida! Pelos merecimentos da vossa bendita morte, obtende-nos aumento da fé, confiança e santa perseverança na amizade de Deus, para que possamos, um dia, beijar os vossos pés e unir as nossas vozes à dos espíritos celestes, para louvar e cantar as vossas glórias eternamente no céu. Assim seja.  

Em 1854, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, assumido como verdade de fé já em 1439 pelo Concílio de Basileia. Ainda mais antiga é a devoção popular que considera Maria livre de qualquer pecado. Maria é a nova Eva, Mãe da Humanidade, imaculada desde a conceção. O dogma foi enaltecido quatro anos depois, com a aparição da virgem em Lourdes, onde ela declarou ser a "Imaculada Conceição", aquela que foi preservada do pecado desde o momento em que foi concebida.

Regista-se que já em 836, em Toulouse, França, Nossa Senhora apareceu ao sacerdote Gondisalve, manifestando o desejo de ser venerada sob este título. O sacerdote procurou divulgar a devoção e instituiu a festa, atualmente celebrada no dia 8 de dezembro. Nossa Senhora da Conceição foi proclamada padroeira de Portugal pelo rei D. João IV, em 1646. A partir dessa data os reis não mais puseram a coroa real na cabeça, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus. É a padroeira principal de Portugal.

ORAÇÃO:

Virgem Santíssima, que fostes concebida sem o pecado original e por isso mereceis o título de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e por terdes evitado todos os outros pecados, o anjo Gabriel saudou-vos com as belas palavras: «Ave Maria, cheia de graça.» Nós vos pedimos que nos alcanceis do vosso divino Filho o auxílio necessário para vencermos as tentações e evitarmos os pecados; e já que vos chamamos Mãe, atendei com caminho maternal a este nosso pedido. E que assim possamos viver como dignos filhos vossos. Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós. Ámen.  

No ano de 431, o Concílio de Éfeso proclamou solenemente o dogma da Maternidade Divina de Maria: ela é verdadeiramente Mãe de Cristo, que é verdadeiro Filho de Deus. Maria é, assim, a Teotókos – Mãe de Deus.

A tradição e a devoção a Nossa Senhora Mãe de Deus, no entanto é muito anterior ao Concílio: estava presente na vida das primeiras comunidades cristãs.

Foi a primeira festa mariana da Igreja ocidental.

O Concílio Vaticano II reforçou o dogma, afirmando que «Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus e, não retida por qualquer pecado, abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus omnipotente o mistério da Redenção.» (cf. Lumen Gentium, 56)

Ela é portanto Mãe de Deus e Mãe de toda a Humanidade redimida por Cristo.

ORAÇÃO:

Dai-me, Senhora Mãe de Deus, um pouco da vossa força para a minha fraqueza.

Um pouco da vossa coragem para o meu desalento.

Um pouco da vossa compreensão para o meu problema.

Um pouco da vossa plenitude para o meu vazio.

Um pouco da vossa rosa para o meu espinho.

Um pouco da vossa certeza para a minha dúvida.

Um pouco do vosso Sol para o meu inverno.

Um pouco da vossa disponibilidade para o meu cansaço.

Um pouco do vosso rumo infinito para o meu extravio.

Um pouco da vossa neve para o meu barro.

Um pouco da vossa serenidade para a minha inquietude.

Um pouco da vossa chama para o meu gelo.

Um pouco da vossa luminosidade para a minha noite.

Um pouco da vossa alegria para a minha tristeza.

Um pouco da vossa sabedoria para a minha ignonância.

Um pouco do vosso amor para o meu rancor.

Um pouco da vossa pureza para o meu pecado.

Um pouco da vossa vida para a minha morte.

Um pouco da vossa transparência para o meu escuro.

Um pouco do vosso Filho de Deus para este vosso filho pecador.

Com todos esses "poucos", Senhora, eu terei tudo.

E assim seja, eternamente, com Cristo na glória. Aleluia!

Este é o título dedicado à Virgem na cidade de Ziteil, na Suíça. Nossa Senhora apareceu na região, no século XIV, a pedir a conversão do povo. Caso não se tornassem melhores cristãos, mais devotos e fiéis, as suas lavouras secariam e começariam a morrer. O pedido foi atendido e construiu-se um santuário no local da aparição.

O tema da virgindade de Maria aparece há muitos séculos na fé cristã. O dogma da Virgindade Perpétua foi formulado no Concílio de Constantinopla (553) e definido no Concílio Romano de 649. Declara que Maria permaneceu virgem antes, durante e depois do parto de Jesus.

ORAÇÃO:

Em diversos momentos da história vos manifestastes ao povo para alertar sobre o desvio de conduta dos cristãos e pedir-lhes conversão. Continuai hoje, Virgem Clemente, a orientar as comunidades no caminho da conversão e da vivência da fé. Seguindo o vosso exemplo de vida nos aproximaremos ainda mais de Cristo e do Reino; e viveremos em paz e fraternidade nas nossas famílias e comunidades. Ámen.