DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

A devoção a Nossa Senhora sempre foi forte na Argélia, mesmo após a imposição da religião islâmica no século VII, e hoje praticada por 98% da população. Em Argel, a capital, encontra-se o célebre santuário mariano dedicado a Nossa Senhora de África, idealizado por duas francesas: Margarita Bergezio e Anna Chiquien.

Quando ali chegaram, segundo o bispo Dom Pavy, em 1846, as missionárias não encontraram nenhum santuário mariano. Decidiram, então, colocar uma pequena imagem da Virgem sobre uma oliveira nas proximidades de Argel.

O atual santuário foi concluído em 1872, sobre um promontório que domina o mar e a cidade de Argel. Numerosos são os peregrinos que o visitam, não apenas católicos, mas também muçulmanos, especialmente as mulheres, que vêm de todas as partes para rezar diante da imagem da Santíssima Virgem, chamada em árabe de "Lalla Mariam".

ORAÇÃO:

Sob o vosso manto, ó amada Mãe, buscamos a força para vencermos as dificuldades que enfrentamos na vivência quotidiana da fé. A cada novo dia que amanhece renovamos a nossa consagração a vós e pedimos confiantes a alegria, a paz e a tolerância para nos relacionarmos bem com os irmãos de outras crenças. Ámen.  

O nome Chartres remete ao lugar chamado "Carnatum", onde se venerava uma divindade celta. Quando o Cristianismo chegou ao local, adaptou os ritos celtas à fé cristã. A imagem venerada permaneceu no local: uma mulher com uma criança ao colo. No entanto, passou a ser venerada como "Nossa Senhora sob a terra" e logo depois "Nossa Senhora de Chartres". Durante a Revolução Francesa (1789), a imagem foi queimada, sendo substituída por uma imagem da Virgem Maria, no século XIX. O local de culto – uma gruta – existe há séculos, e a imagem celta já aí era venerada quando Nossa Senhora vivia em Nazaré. Por esse motivo, a igreja de Chartres é considerada a mais antiga de França, e é hoje a catedral mais sumptuosa e o santuário mariano mais bonito do país, construído em 743.

ORAÇÃO:

Sob diversos nomes vos veneramos, nossa Mãe e Mestra, pois eles representam diferentes características da vossa vida e pessoa abençoada por Deus. Mesmo com a nossa pouca fé, ajudai-nos a aproximarmos-nos sempre mais de vós e do vosso Filho, nas diferentes culturas e sítios. Ámen.  

Apesar do Comunismo chinês não aprovar a religião e a fé cristãs, há na China dois grandes santuários marianos que levam milhares de devotos a manter contacto constante com Nossa Senhora: Dong Lu, em Boading, e Sheshan, em Xangai. Este último está sob o controlo da Associação Patriótica (a Igreja Católica Nacional da China, que não está em comunhão com o Papa). O Santuário de Dong Lu, no entanto, permanece como a "Igreja subterrânea" fiel à Igreja Católica Romana. Especialmente no mês de maio, desde 1924, os católicos de todas as partes da China viajam até Dong Lu.

ORAÇÃO:

Senhora nossa, que superastes todas as dificuldades para cumprir a vossa missão de dar à luz o Filho de Deus, ajudai-nos a superar os obstáculos que nos impedem de seguir mais de perto a Jesus e a vencer toda a espécie de intolerância que impede os cristãos de viverem a sua fé livremente. Ámen.  

Em 1924, uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes foi levada pelo padre Paulo Arlati para o bairro de Gunadala, uma colina de Vijayawanda, na índia. Aos poucos, o povo começou a dirigir-se à colina para rezar à Virgem, oferecer-lhe flores e tocar na sua imagem. Muitos não-católicos também vão ao local: muçulmanos, hindus, budistas.

Na festa, dia 11 de Fevereiro, é um muçulmano que a coroa. Diversas curas são atribuídas à peregrinação em homenagem à Virgem. Gunadala é uma prova de que a tolerância religiosa é possível e gera bons frutos.

ORAÇÃO:

Em torno do vosso altar, ó querida Mãe de Gunadala, povos de diversas crenças reúnem-se e convivem pacificamente. Muçulmanos, hindus e budistas juntam-se aos católicos para render-vos graças e mostrar que as diferenças religiosas não impedem a harmonia e a comunhão. Que todos os países do mundo sigam este exemplo de tolerância e fraternidade. Ámen.  

Nossa Senhora de Kazan é um ícone bizantino do século XIII. Ganhou este nome devido à cidade onde se encontra: Kazan, na Rússia. A Virgem aparece a segurar o Menino, que dá a bênção. Apenas o rosto de Maria e do Filho estão à mostra, pois todo o corpo está coberto por uma camada de prata e diversas pedras preciosas incrustadas, todas elas doações de fiéis.

Em 1579, quando Kazan foi destruída por um incêndio, a Virgem apareceu a uma menina de nove anos. Mandou-a escavar as ruínas da igreja para daí resgatar o ícone. Após uma busca, encontraram a imagem intacta no meio das cinzas, o que fez aumentar a veneração à Virgem. Anos depois, o ícone foi levado a Moscovo e posteriormente a São Petersburgo, onde foi roubado, em 1904. Reapareceu apenas nos anos 60, nos Estados Unidos, onde foi comprado pelo Centro Russo Católico de Nossa Senhora de Fátima e trazido para Portugal. Em 2004, João Paulo II devolveu-o aos católicos ortodoxos russos.

ORAÇÃO:

Durante séculos a vossa imagem, ó Maria, foi venerada em Kazan como símbolo da presença de Deus atuando no mundo. Através do vosso sagrado ícone entramos em comunhão com os nossos irmãos ortodoxos e incluímo-nos na extensa lista dos que dedicam a vós especial ternura. Cobri-nos hoje também a nós com as mesmas bênçãos que sempre derramastes em Kazan. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora de Madhu nasceu no Norte do Sri Lanka há mais de 450 anos. Foi especialmente cara durante o tempo da guerra civil que assolou o país há poucos anos. A imagem da Virgem e o seu santuário foram um forte símbolo de paz e união, servindo para agregar o povo a fim de acabar com os conflitos e para dar força nos momentos de maior dor e medo. Na promoção da paz e da reconciliação, os bispos iniciaram uma peregrinação da imagem pelo país. Todos os povos do Sri Lanka, unidos pela fé em Nossa Senhora de Madhu, perceberam que a comunhão é possível.

ORAÇÃO:

De vós nos vem a paz e a fraternidade, querida Mãe. Assim como o povo do Sri Lanka, reunido no vosso santuário e sob a vossa proteção, Ámenizou o seu sofrimento durante a guerra, queremos nós hoje buscar em vós auxílio para viver em harmonia e paz na nossa comunidade e em todo o nosso país. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora da Paz nasceu na cidade de Toledo, em Espanha, no século XI. Ocupada pelo império árabe, Toledo teve o seu templo mariano transformado em mesquita e as imagens da Virgem profanadas. Após os cristãos, liderados pelo monarca Afonso, retomarem Toledo, a igreja continuou a ser mesquita dos mouros como parte de um acordo feito com o rei. Indignados, os cristãos saíram ás ruas para protestar e receberam o apoio da rainha. Correndo o risco de serem penalizados por desobediência ao rei, pediram à Virgem que lhe abrandasse o coração. Os próprios mouros suplicaram ao rei que perdoasse à rainha e ao arcebispo. O soberano atendeu ao pedido. Uma procissão rendeu graças à Virgem por ter trazido a paz a Toledo. Nesta ocasião foi instituída a festa de Nossa Senhora da Paz.

Em 1966, Nossa Senhora da Paz foi proclamada padroeira de El Salvador. Várias lendas cercam a imagem que hoje é venerada na cidade de São Miguel. A mais importante delas diz que, durante a guerra civil do século XVII, os soldados encontraram uma caixa perto do campo de batalha. Ao abri-la, viram uma imagem da Virgem em tamanho natural. Comovidos, os soldados abandonaram as lutas. Conta-se também que em 1833, após vencer o combate, o coronel Benitez, ao invés de punir os seus rivais, apenas se ajoelhou diante da imagem de Nossa Senhora da Paz, em São Miguel, e rezou. Depois deste episódio, a paz reinou na região.

ORAÇÃO:

Ó Maria, intercedei por nós a fim de que gozemos a paz com Deus e com o nosso próximo. Mostrai-nos o Salvador e colocai-O no nosso coração. Afastai para longe de nós os sentimentos de amor-próprio, inveja, maledicência e discórdia. Fazei-nos humildes na fartura, fortes nos sofrimentos, firmes na paciência e caridade e confiantes na divina Providência. Abençoai-nos, dirigindo os nossos passos no caminho da paz, da união e da mútua caridade, para que, formando aqui a vossa família, possamos no céu bendizer-vos e ao vosso divino Filho, por toda a eternidade. Assim seja.  

A 50 km de Xangai, na China, encontra-se a bela colina de Sheshan. Em 1844, quando os primeiros missionários aí chegaram, construíram uma capela, na qual foi colocada uma imagem de Maria "Auxiliadora dos Cristãos". Um novo santuário foi construído posteriormente, ficando dois locais para o culto. Em 1949, porém, o Governo chinês proibiu o culto a Maria e fechou as portas do santuário.

Um milagre, em 1980, reanimou a fé do povo: a Virgem apareceu na China a pedir que se rezasse o rosário. Uma grande luz foi vista sobre a colina de Sheshan. Algumas romarias acontecem atualmente, mas sob vigilância do Governo, pois o santuário é administrado pelos "católicos nacionais" (Associação Patriótica), não ligados ao Vaticano, mas ao Governo chinês.

ORAÇÃO:

Mesmo sob forte oposição do Governo, o povo chinês continua a demonstrar a sua fé em vós, Maria. Ajudai os cristãos chineses a superar todos os problemas de opressão e de perseguição, a fim de viverem como mais liberdade o Evangelho. Ámen.