CONFORTO

«Tu deves dedicar a mim uma capela neste lugar.» Este foi o pedido repetido por três vezes ao alemão Hendrik Busman von Geldern, que rezava diante de uma cruz. A sua esposa, nessa mesma noite do ano 1641, sonhou com uma pequena igreja iluminada. Prontamente construíram uma capela no local, com a imagem de Nossa Senhora dos Aflitos. Hoje, cerca de 500 mil devotos visitam o santuário todos os anos.

No Alentejo é famosa a pequena igreja de Elvas, com azulejos do século XVII que sobem até à cúpula, e no Algarve as mulheres costumam rezar pela segurança dos pescadores, durante as tempestades, na Igreja de Nossa Senhora dos Aflitos de Olhão.

ORAÇÃO:

Consoladora de todos os aflitos, Santíssima Virgem Maria, Mãe amorosíssima, contemplai piedosamente as pessoas aflitas! Com a vossa poderosa mediação, intercedei por elas junto do trono da divina misericórdia! Por elas, para que sejam libertadas das suas duras penas e dores atrozes, oferecei ao misericordioso Deus: a vida, a paixão, a morte e o preciosíssimo Sangue de Jesus; os sacrifícios, as comunhões, as orações, as esmolas e as boas obras de todos nós! Fazei com que as criaturas aflitas sejam santificadas junto da divina Justiça e cada vez mais lembradas e sufragadas nas nossas orações. Ámen.  

Em Portugal sempre foi tradição os soldados e marinheiros homenagearem a Virgem, invocando a sua ajuda. Várias naus eram colocadas sob a proteção de Nossa Senhora da Ajuda, talvez devido à pequena ermida, existente em Lisboa, na praia do Restelo, que abrigava uma milagrosa imagem aí encontrada. É também a principal devoção mariana das Ilhas Maurício, um arquipélago localizado no litoral leste de África. Às vezes é também chamada Nossa Senhora do Socorro, da Boa Ajuda e do Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima da Ajuda, Virgem pura e imaculada, ouvi como especial advogada os nossos clamores. Mostrai-nos o vosso poder profundo. O céu e a terra, o mundo inteiro vos venera, até o inferno a vós se rende, ó Senhora! Procuramos o vosso abrigo como filhos miseráveis, pois são admiráveis os vossos prodígios. Queremos, Senhora, seguir os vossos passos. Sede sempre nossa protetora e advogada, socorrei-nos e às nossas famílias, alcançai para todos as graças que vos pedimos, e enfim a eterna felicidade do Céu. Abençoai-nos e protegei-nos, ó Virgem Mãe Santíssima. Ámen.  

No concelho de Vila Verde, arquidiocese de Braga, encontramos um santuário e a popular festa a Nossa Senhora do Alívio, com grandes romarias realizadas no primeiro e no segundo domingos de setembro. Em toda a diocese de Braga é forte a devoção, surgida certamente pela busca de segurança ("alivio") na hora de dificuldade e perigo. Noutros lugares a festa é celebrada no dia 15 de agosto.

ORAÇÃO:

Nos momentos de perigo, de insegurança, de medo e de dor, é sob o vosso manto que encontramos abrigo e proteção, querida Mãe. Continuai sempre a garantir-nos o alívio necessário para vivermos alegres e fervorosos na fé, pois assim seremos sempre melhores cristãos e seres humanos mais dignos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Desde o início do Cristianismo, Nossa Senhora foi invocada como protetora e "amparo" dos cristãos. A tradição de se colocar sob os cuidados da Virgem, de pedir o seu amparo, remonta ao momento em que Jesus, na cruz, nomeia sua Mãe como Mãe da Humanidade. Desse momento em diante, todos os cristãos buscam na Mãe o amparo necessário para vencer as dificuldades do dia a dia. Diversas imagens representam o "amparo" de Maria: a Virgem cobrindo com o seu manto os devotos; Maria sentada, com o Menino, a abençoar o povo; ou de pé, com Jesus deitado sobre o seu braço esquerdo e com a mão direita a afagar-Lhe o rosto. Por todo o Portugal encontramos a devoção e diversas imagens.

ORAÇÃO:

Ó dulcíssima Soberana do Amparo, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos venerar neste vale de lágrimas. Mas sabemos que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria. Em meio à vossa glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais para connosco. Do alto do trono em que reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos!

Vede quantas tempestades e perigos nos afligem sem cessar, expostos, até ao fim da nossa vida. Pelos merecimentos da vossa fé, da confiança e santa perseverança, vos pedimos que um dia possamos beijar os vossos pés e unir as nossas vozes às dos espíritos celestes, para vos louvar e para cantar as vossas glórias eternamente no céu. Assim seja.  

Esta invocação vem da ilha do Pico, Açores. A imagem que deu origem à devoção representa Maria com o coração à mostra e no coração vê-se cravado um punhal. Muitas vezes é identificada como Nossa Senhora das Dores e representada com uma coroa de espinhos ou cravos, símbolos da Paixão de Cristo. Há uma estreita relação com a devoção do Santo Cristo, muito estimada nos Açores.

ORAÇÃO:

Em vós, querida Mãe, encontramos amparo e compaixão. Vós nunca nos abandonais e nos momentos em que mais precisamos estais ao nosso lado, dando-nos forças e segurança. Assim como acompanhastes cada passo de Cristo rumo ao Calvário, como sentistes com Ele as dores da flagelação, acompanhai hoje cada um de nós nas nossas dores e lamentos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen. 

A devoção surgiu no século V, em Turim, Itália. O povo começou a chamar "Consolata" (Consoladora) à imagem da Virgem com o Menino ao colo, trazida da Palestina por Santo Eusébio.

A data da celebração da Consolata, 20 de junho, deve-se a uma tradição do século XII. Conta-se que, durante uma guerra, a imagem foi perdida e só foi reencontrada décadas depois, em 20 de junho de 1104, sob as ruínas da antiga igreja, por um cego francês que teve uma visão de Nossa Senhora. Outra tradição diz que a imagem se perdeu quando os padres tentavam protegê-la dos iconoclastas. Esconderam a imagem, mas como os conflitos demoraram anos, os únicos que sabiam do seu local faleceram.

Há diversas variações deste título, tais como: Nossa Senhora da Consolação, Consoladora dos Aflitos e Consolação dos Perseguidos.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora Consoladora, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. Mãe de todos os homens, dai-me fé para seguir sempre a Jesus Cristo, vosso Filho. Quero, como vós fizestes, estar sempre perto de Jesus, em todos os momentos da vida, minha Mãe! Ajudai-me nas minhas lutas, ajudai-me nos meus trabalhos, ajudai-me a ser consciente da minha missão de cristão. Que a graça de Deus esteja sempre em mim e que eu possa comunicar essa mesma graça aos meus irmãos. Virgem Maria, eu vos saúdo, ó Mãe cheia de graça, eu vos louvo por serdes a Mãe de Cristo e nossa Mãe. Ámen.  

Em 958, Maria apareceu a um pobre na cidade de Herford, na Alemanha, e encarregou-o de levar a um mosteiro próximo uma mensagem de penitência e de conversão. Daria um sinal para as monjas crerem: uma pomba poisaria sobre a cruz a ser levantada em frente ao mosteiro, o que realmente aconteceu. Daí surgiu o nome Nossa Senhora da Cruz.

O título, no entanto, tem grande relação com a presença de Maria aos pés da cruz de Cristo. A Virgem acompanhou o Filho até ao fim, compartilhando a sua dor e sofrimento. Esteve ao seu lado na crucificação, assim como O acompanhou durante toda a vida. Por isso hoje todos os que sofrem pedem auxílio a Maria, nossa Mãe, pois sabemos que ela nunca nos abandona; pelo contrário, consola-nos nos momentos de dor.

Veja também Nossa Senhora do Calvário.

ORAÇÃO:

Maria, que aos pés da cruz sentistes a mais terrível dor ao ver o sofrimento do vosso Filho, vinde em nosso auxílio e confortai-nos nos nossos momentos de dor e sofrimento. Ajudai-nos a carregar as nossas cruzes diárias. Ámen.  

A cidade espanhola de Valência tem como padroeira Nossa Senhora dos Desamparados. O título, juntamente com a imagem, foi criado em 1409 pelo padre Jofre. Ao andar pela cidade de Valência, o padre Jofre presenciou uma cena de grande violência contra um menino de rua. Decidiu naquele momento iniciar uma confraria para cuidar dos desamparados. Construiu um abrigo e uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados. A imagem foi esculpida por dois peregrinos e não tardou a aparecer sinais de milagres a ela associados.

ORAÇÃO:

Querida Senhora, que acolheis os pobres desamparados no calor do vosso abrigo e a todos confortais com o vosso cuidado materno, fazei que eu seja mais desprendido e sempre solidário com as necessitados e excluídos. Ámen.  

Diversas imagens e invocações de Maria salientam o aspeto da sua dor, ao ver o sofrimento e morte do Filho. Desde muito cedo se iniciou a devoção a Nossa Senhora das Dores e atualmente é uma das mais difundidas em Portugal. A sua imagem recorda as palavras do profeta Simeão, no templo de Jerusalém, por ocasião da apresentação do Menino. «Uma espada trespassará a tua alma». O Papa Pio VII introduziu a festa no calendário litúrgico, confirmando a participação dolorosa da Mãe na redenção operada pelo Filho.

Maria acompanhou Jesus nos momentos de dor – flagelação e crucificação – e ela própria viveu muitas dores: a perseguição de Herodes; a fuga para o Egito; a perda do Filho, aos doze anos, na peregrinação a Jerusalém; a morte e sepultura d´Ele. O povo sofrido e constantemente em contacto com as "dores" da vida identifica-se enormemente com a Virgem. Com ela também se consola e fortalece, pois o sofrimento é caminho para a glorificação.

ORAÇÃO:

Minha Mãe dolorosa, não vos quero deixar sozinha a chorar; quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Esta graça vos peço hoje: alcançai-me terna devoção à paixão Jesus e à vossa, a fim de que todos os dias que me restam me sirvam somente para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Elas alcançar-me-ão o perdão, a perseverança e o céu, onde espero cantar as misericórdias infinitas de Jesus, por toda a eternidade. Ámen.  

Uma das grandes virtudes de Maria é a humildade. Foi humilde ao aceitar a missão de dar à luz o Filho de Deus, foi humilde ao servir a sua prima Isabel, ao educar Jesus, ao acompanhar a missão d´Ele, ao sofrer com Ele as dores da paixão redentora. A humildade de Maria é modelo para todos os cristãos, por isso ela é denominada Nossa Senhora dos Humildes, ou da Humildade.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora dos Humildes, que inspirais todos os cristãos na vivência da humildade e da entrega pessoal, ajudai-me a realizar a minha missão em vosso nome. Quero seguir o vosso exemplo de dedicação, doação e humildade. Inspirai-me cada dia para que eu não me desvie deste caminho. Ámen.

Em 1981, Nossa Senhora apareceu a cinco jovens e a uma freira numa escola em Kibeho, no Ruanda. No ano seguinte apareceu novamente, com o rosto triste. Mostrou então imagens fortes de destruição e morte nas ruas de Kigali e pediu a conversão.

Durante as suas aparições, a Virgem dirigiu mensagens aos doentes, às famílias, aos sacerdotes, aos jovens e aos dirigentes, pedindo sempre oração e conversão. Numerosas vocações surgiram neste período e foi sensível o aumento das orações e da participação na Eucaristia. A última aparição deu-se em 1988.

Em 1991, a Ruanda padecia sob a guerra civil e muitos recordaram o aviso da Virgem de Kibeho.

ORAÇÃO:

Ó querida Senhora de Kibeho, ao manifestar-vos ao povo de Ruanda, pedistes conversão e oração, mas o povo não seguiu o vosso conselho. Conduzidos pela ganância e pela intolerância, lutaram entre si, numa terrível guerra civil que destruiu o país e levou o povo ao desespero. Protegei hoje cada habitante do Ruanda, fazendo nele reinar a paz. Igualmente reine a paz em todos os países que sofrem com guerras e terrorismos. Ámen.  

Medjugorje é uma vila da Bósnia-Herzegovina, antiga Jugoslávia. Nesta terra de agricultores, povo simples e trabalhador, ocorrem, desde 24 de Junho de 1981, aparições de Nossa Senhora a seis jovens: Ivanka e Vicka Ivankovic, Mirjana e Ivan Dragicevic, Matija Pavlovic e Jacov Colo. Nas primeiras aparições, que eram diárias, Maria disse: «Vim para converter o povo e reconciliar todo o mundo» e apresentou-se como Rainha da Paz. Pedia insistentemente: «A paz deve reinar entre o homem e Deus e entre os homens.»

Na época havia muita tensão por causa do regime comunista e os jovens foram perseguidos e impedidos de voltar ao monte onde viam a Virgem. Ela, porém, sempre os fortaleceu. Com uma coroa de doze estrelas na cabeça, a bela Senhora encanta os videntes, que a contemplam como que hipnotizados.

As aparições de Medjugorje são as mais longas da história. Foram muito importantes durante o longo período de guerra civil na antiga Jugoslávia, pois mantiveram os católicos unidos e confiantes na busca da paz. Medjugorje não sofreu nenhuma ataque durante toda a guerra, o que fez a fé aumentar na região. O pedido insistente mereceu à Virgem de Medjugorje o título de "Rainha da Paz".

ORAÇÃO:

Ó minha Mãe! Mãe de bondade, amor e misericórdia! Amo-vos imensamente e ofereço-me a vós. Por meio da vossa bondade, do vosso amor e da vossa misericórdia, salvai-me! Desejo ser vosso. Amo-vos imensamente e desejo a vossa proteção. Do íntimo do coração, peço-vos, ó Mãe de bondade, concedei-me a vossa bondade, para que, por meio dela, eu alcance o céu. Peço-vos, pelo vosso imenso amor, que me concedais a graça de puder amar a cada um como amastes a Jesus Cristo. Peço-vos a graça de vos ser grato. Ofereço-me completamente a vós e desejo que estejais comigo em cada passo, porque vós sois a "Cheia de Graça". Desejo nunca me esquecer da vossa graça e, se eu a perder, peço-vos que a encontre de novo. Ámen.  

"Mercês" significa misericórdia, favor, graça, algo que não tem preço nem remuneração. O início do culto a Nossa Senhora das Mercês deve-se ao comerciante espanhol Pedro Nolasco, no século XII. Numa das suas viagens encontrou diversos católicos vendidos como escravos pelos mouros. A sua fé e devoção a Nossa Senhora motivaram-no a trocar os seus bens pela liberdade dos escravos. Após investir todo o dinheiro, começou a fazer campanhas em Espanha para levantar fundos e continuar a sua obra de misericórdia.

Mais tarde, com o apoio do próprio rei e do bispo, conseguiu construir um hospital para atender aos recém-libertos e fundou a Ordem da Virgem Maria das Mercês. Em todas as suas colónias, Portugal difundiu esta devoção. É a padroeira do Peru e da República Dominicana.

ORAÇÃO:

Mãe querida das Mercês, com a simples confiança de filhos, recorremos a vós. Vimos pedir-vos a paz, a harmonia e a bênção da fé nas nossas vidas, para que possamos semear a palavra de vosso Filho, Jesus, e buscar a nossa conversão. Pedimos a graça de que necessitamos, na confiança de que mediareis junto a Deus pelo bem deste vosso filho. Ámen.  

Na povoação da Soalheira, a Virgem é venerada desde o século XVII sob o título de Nossa Senhora das Necessidades. Nos momentos de maior angústia, perigo ou "necessidade", o povo recorre a ela e é atendido. Foi o que aconteceu, por exemplo, durante a invasão francesa, no ano 1808, quando a localidade ficou intacta. No dia da sua festa realiza-se sempre uma grande procissão. Conta-se que em 1979, durante a procissão, a imagem da Virgem verteu lágrimas. Este título de Nossa Senhora é celebrado em muitas outras localidades, entre as quais Alcaria, no concelho do Fundão. Na Soalheira, os devotos costumam entoar o seguinte canto em homenagem a Nossa Senhora:

HINO:

Senhora das Necessidades, à vossa porta me empino:

deitai-me a vossa bênção mai-la do vosso Menino.

Senhora das Necessidades, quem vos varreu a capela?

Foi a vossa ermitoa com um raminho de marcela.

Senhora das Necessidades, estais no altar de pé:

sois Mãe de Jesus Cristo, esposa de S. José.

Senhora das Necessidades, já cá vimos à ladeira

abri a porta, Senhora, ao povo da Soalheira.