CONFIANÇA

Desde quando era seminarista, o Papa João XXIII dirigia as suas orações a Nossa Senhora da Confiança, padroeira do Seminário Romano Maior, onde estudou. Conta-se que foi o apoio da Virgem da Confiança que o levou à organização e realização do Concílio Vaticano II, um grande marco na vida da Igreja.

Uma das grandes divulgadoras desta devoção foi a Irmã Alice Marie Senise. Ela restaurou uma antiga imagem abandonada. No peito da Virgem pôs o emblema da Confiança: Fé, Esperança e Caridade; na face, 33 pedras preciosas indicam os anos que Cristo passou na terra. Há diversas capelas a ela dedicadas em Portugal.

ORAÇÃO:

Minha Mãe, uni-me cada vez mais a vós e uni-vos cada vez mais a mim. Eu agradeço-vos a graça da confiança, mas peço-vos que a torneis cada vez mais intensa diante de cada fraqueza que eu sinta.

Nossa Senhora da Confiança, dai-me forças! Peço-vos, ó Mãe, que do alto do céu desçam as vossas bênçãos maternais sobre os vossos filhos, transpondo suave e vitoriosamente as espessas camadas do pecado.

Como os discípulos de Emaús ao Divino Redentor, nós vos pedimos que essas bênçãos fiquem connosco, porque se faz noite sobre o mundo. A cada instante, a cada angústia, a cada necessidade, ajudem-nos elas a manter a mais inteira e filial confiança em vós. Ámen.  

A invocação de Nossa Senhora da Defesa é outra devoção com origem militar, em tempos de guerra. Conta-se que em 1410, durante a invasão do exército godo à bacia de Ampezzano, em Itália, os habitantes invocaram a Virgem para os ajudar na defesa das suas terras. Ela apareceu num trono, sobre nuvens, com uma espada na mão. Quando o exército atacou, Nossa Senhora da Defesa desceu sobre a vila e as nuvens confundiram os soldados adversários, que se atacaram entre si. Na imagem venerada atualmente, Maria segura o Menino Jesus no braço esquerdo e sustenta uma espada erguida na mão direita.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu pego no vosso manto santo e refugio-me debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demónios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Ámen.  

Esta devoção faz referência à fuga da Sagrada Família para o Egito, retratada na Escritura (Mt 2,3ss). Avisado pelo anjo, José leva Maria e o Menino para um lugar seguro, longe de Herodes. Neste exílio forçado preparam Jesus para o seu regresso à Galileia. A Sagrada Família passou cerca de cinco anos no Egito, voltando para Nazaré depois da morte de Herodes.

A devoção foi muito forte no período colonial, talvez pelo sentimento dos portugueses de encontrar na Virgem exilada o consolo de que necessitavam para o seu próprio desterro. Em alguns lugares ela é chamada Nossa Senhora dos Imigrantes ou da Fuga para o Egito.

ORAÇÃO:

De Belém ao Egito, com o Menino recém-nascido escondido e apertado ao peito, por terras desérticas e desconhecidas, triste e silenciosa, seguindo os passos firmes de José... Eis a Mãe do Filho de Deus a caminho do Desterro. Nossa Senhora do Desterro, olhai para nós, vossos filhos, apreensivos e inseguros, neste vale de lágrimas, a caminho da Pátria definitiva. Depois deste desterro, ó Mãe carinhosa, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Nossa Senhora do Desterro, acompanhai-nos na travessia do deserto da vida, até alcançarmos o oásis eterno: o Céu. Ámen.  

Presente desde o início do Cristianismo, esta devoção foi oficialmente reconhecida em 656, no Concílio de Toledo. Em França existe o santuário mais antigo a ela dedicado, construido no ano 930.

De Espanha, o culto chegou a Portugal, onde se popularizou durante o período das grandes navegações. Os marinheiros invocavam a Virgem da Esperança para que os protegesse dos perigos nos mares desconhecidos. Na primeira missa celebrada no Brasil, em 26 de abril de 1500, havia sobre o altar uma imagem de Nossa Senhora da Esperança, que acompanhava a expedição de Pedro Álvares Cabral, levada no navio por Frei Henrique de Coimbra. Diz-se que esta imagem é a que hoje se encontra na Igreja da Sagrada Família, em Belmonte.

ORAÇÃO:

Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria, Senhora da Esperança, vós sois a nossa advogada perante Deus. Na minha fraqueza e no meu desânimo, apelo para os tesouros da vossa misericórdia e bondade. A vós recorro, cheio de esperança, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Abençoai as nossas famílias, protegei os nossos jovens, adultos e crianças. Amparai a nossa Pátria. Dai-nos saúde de corpo e alma e alcançai-nos a graça de que tanto necessitamos […].

Aumentai a nossa fé, esperança e caridade, para sermos dignos das promessas de Cristo. Ámen.  

Em julho de 1480, Nossa Senhora apareceu a Donato Nutitni e Cornélia Vangelistei, ambos com doze anos. As crianças levavam o rebanho para pastar nas margens do rio Davena, em Bolonha, Itália, e foram convidadas pela Virgem a consagrarem-se como religiosos. No local da aparição foi edificada uma igreja e colocada uma imagem feita de acordo com a visão das crianças. Misteriosamente, o quadro foi encontrado diversas vezes na outra margem do rio. Os devotos viram neste facto um sinal de Maria e construíram aí uma capela. O atual santuário abraça as duas margens do rio. É também chamada Nossa Senhora da Elevada Graça ou Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora das Graças, fazei que esses raios luminosos que irradiam das vossas mãos virginais iluminem a minha inteligência para melhor conhecer o bem, e preencham o meu coração com vivos sentimentos de fé, esperança e caridade. Vós sabeis quais são as graças mais necessárias para nós; mas eu vos peço, de maneira especial, que me concedais esta que vos peço com todo o fervor da minha alma (pedir a graça). Jesus é todo-poderoso e vós sois a Mãe d´Ele; por isso, Nossa Senhora das Graças, em vós confio e espero alcançar o que vos peço. Ámen. 

Em 1981, Nossa Senhora apareceu a cinco jovens e a uma freira numa escola em Kibeho, no Ruanda. No ano seguinte apareceu novamente, com o rosto triste. Mostrou então imagens fortes de destruição e morte nas ruas de Kigali e pediu a conversão.

Durante as suas aparições, a Virgem dirigiu mensagens aos doentes, às famílias, aos sacerdotes, aos jovens e aos dirigentes, pedindo sempre oração e conversão. Numerosas vocações surgiram neste período e foi sensível o aumento das orações e da participação na Eucaristia. A última aparição deu-se em 1988.

Em 1991, a Ruanda padecia sob a guerra civil e muitos recordaram o aviso da Virgem de Kibeho.

ORAÇÃO:

Ó querida Senhora de Kibeho, ao manifestar-vos ao povo de Ruanda, pedistes conversão e oração, mas o povo não seguiu o vosso conselho. Conduzidos pela ganância e pela intolerância, lutaram entre si, numa terrível guerra civil que destruiu o país e levou o povo ao desespero. Protegei hoje cada habitante do Ruanda, fazendo nele reinar a paz. Igualmente reine a paz em todos os países que sofrem com guerras e terrorismos. Ámen.  

«Amanhã deves ir ao vale de Santo Estêvão; aí verás uma bela senhora, que é a Mãe de Deus.» Estas palavras ditas por uma anciã intrigaram a jovem Benedita Rencurel, em 1664. A resposta dela foi imediata: «A Mãe de Deus está no céu. Como é que poderei vê-la aqui na terra?» A anciã disse de novo: «Ela está no céu, mas vem à terra sempre que quer.» Pouco tempo depois, Nossa Senhora apareceu a Benedita, numa pequena capela. Continuou a animar e a guiar Benedita, que durante cinquenta e quatro anos fez de tudo para a conversão dos pecadores.

As peregrinações ao santuário de Laus são intensas na quinta-feira de Pentecostes, em 15 de agosto e em 8 de setembro.

ORAÇÃO:

Virgem Maria, que procurais entre nós pessoas santas para vos auxiliarem na missão de conversão do povo, fazei-nos dignos de tal incumbência, ajudando-nos a ter uma vida santa e sem mancha. Com a vossa proteção venceremos sempre o mal. Ámen.  

Em 1798, o rei Canh Thing emitiu um decreto para destruir todos os seminários e igrejas católicas do Vietname, pois alguns missionários tinham ajudado o rebelde Nguyen Anh que pretendia tomar a coroa. Muitos católicos foram mortos, outros refugiaram-se numa floresta chamada Lavang. Nesta floresta, para aliviar o sofrimento e diminuir o medo do povo, Nossa Senhora apareceu naquele mesmo ano. Realizou várias curas e pediu que rezassem o Rosário para terem os seus pedidos atendidos. Durante os quase cem anos de perseguição aos católicos – perdurou até 1886 -, Nossa Senhora continuou a aparecer para dar apoio ao povo. Em 1988, o Papa João Paulo II canonizou cento dezassete mártires no santuário construído no local das aparições.

ORAÇÃO:

Querida Mãe, vós nunca abandonais os vossos filhos e quanto mais o povo necessita do vosso apoio, mais fortemente manifestais o vosso amor. Assim com sustentastes os vietnamitas durante o longo tempo de perseguição, protegei hoje cada cristão que sofre por defender a fé e concedei-nos a viver sempre com maior entusiasmo o Evangelho do vosso Filho, Jesus Cristo. Ámen.  

Após a prisão de Rodrigo Homem de Azevedo, português que se negou a aceitar a soberania espanhola de Filipe II, no século XVI, a sua esposa pediu a intercessão da Virgem, que lhe apareceu durante nove noites, em sonho, a dizer: «Não te agastes. Eu, que tudo posso, o livrarei. Se puderes, em algum tempo, edificar-me-ás uma casa.» No décimo dia Rodrigo estava liberto e não tardou em mandar fazer uma imagem da Virgem e posteriormente uma capela. As palavras «eu o livrarei» inspiraram o título "Nossa Senhora do Livramento".

ORAÇÃO:

No momento da angústia ouvimos a vossa voz, querida Mãe, a dizer-nos «eu te livrarei» e já não tememos perigo algum. Vinde sempre em nosso socorro, livrai-nos de todos os perigos e seremos eternamente gratos a vós, elevando-vos orações e difundido o vosso culto. Ámen.  

Quatro anos após o Papa Pio IX definir o dogma da Imaculada Conceição, Nossa Senhora apareceu em Lourdes, França, à menina Bernardete Soubirous. Foi a 11 de fevereiro de 1858. Bernardete, uma menina de 14 anos, pobre e doente, estava na gruta de Massabielle, na margem do rio Gave, a apanhar lenha. Ao ouvir um ruído, virou-se e viu a bela Senhora com um rosário na mão. Juntas começaram a rezar o Rosário. Terminada a oração, a visão desvaneceu-se em silêncio.

As aparições repetiram-se durante quinze dias. A cada aparição, dizia apenas algumas palavras: «Rezai a Deus pelos pecadores», «Penitência...», «Vai beijar a terra em sinal de penitência pelos pecadores». No décimo terceiro dia disse: «Vai dizer aos sacerdotes que venham aqui em procissão e ergam aqui uma capela.» Por fim, diante da insistência da menina em saber o seu nome, Nossa Senhora disse: «Eu sou a Imaculada Conceição.» A menina não entendeu, mas o pároco e a Igreja associaram logo as aparições ao dogma proclamado quatro anos antes.

Segundo a tradição, a água que curou diversas pessoas jorra de uma fonte antes inexistente na gruta.

As águas brotaram da terra após Bernardete, com grande fé, atender ao pedido da Virgem que a mandou procurar água, mesmo sabendo que ali não existia nenhuma fonte.

ORAÇÃO:

Ó Virgem Imaculada, Nossa Senhora de Lourdes, vós dignastes-vos a aparecer a Bernardete, no lugar solitário de uma gruta, para nos lembrar de que é no sossego e recolhimento que Deus nos fala e que nós falamos com Ele. Ajudai-nos a encontrar o sossego e a paz da alma que nos ajudam a conservar sempre unidos a Deus. Nossa Senhora da gruta, dai-me a graça que vos peço e de que tanto preciso (fazer o pedido). Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora de Madhu nasceu no Norte do Sri Lanka há mais de 450 anos. Foi especialmente cara durante o tempo da guerra civil que assolou o país há poucos anos. A imagem da Virgem e o seu santuário foram um forte símbolo de paz e união, servindo para agregar o povo a fim de acabar com os conflitos e para dar força nos momentos de maior dor e medo. Na promoção da paz e da reconciliação, os bispos iniciaram uma peregrinação da imagem pelo país. Todos os povos do Sri Lanka, unidos pela fé em Nossa Senhora de Madhu, perceberam que a comunhão é possível.

ORAÇÃO:

De vós nos vem a paz e a fraternidade, querida Mãe. Assim como o povo do Sri Lanka, reunido no vosso santuário e sob a vossa proteção, Ámenizou o seu sofrimento durante a guerra, queremos nós hoje buscar em vós auxílio para viver em harmonia e paz na nossa comunidade e em todo o nosso país. Ámen.  

Maria sempre esteve próxima dos Apóstolos, durante o ministério público de Jesus e após a sua morte e Ressurreição. Um exemplo é a presença de Maria com o grupo dos Doze quando, reunidos em oração no cenáculo, Cristo lhes envia o Espírito Santo. (cf. At 2,1-4)

O acontecimento, conhecido como Pentecostes, marca o início da evangelização, difusão da Boa Nova de Cristo. Marca também o início da devoção a Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, aquela que fortalece e anima os Apóstolos na missão.

O título está nas Ladainhas, aprovadas por São Gregório Magno, mas foi difundido principalmente por São Vicente Palloti e pelo Beato Tiago Alberione. Ambos colocaram as suas congregações sob a proteção da Rainha dos Apóstolos. Tiago Alberione fundou, a partir de 1914, um conjunto de Institutos conhecidos como "Família Paulina". Todos os membros das Congregações e Institutos por ele fundados se consagram à Rainha dos Apóstolos. A imagem, encomendada pelo Padre Alberione ao artista italiano J. B. Conti, representa Maria a segurar o Menino Jesus, num gesto de doação: entrega Jesus ao mundo. O Menino tem na mão um pergaminho, símbolo da Boa Nova que veio anunciar e do apostolado dos seus discípulos.

ORAÇÃO:

Ó Deus, que concedestes o Espírito Santo aos vossos Apóstolos, que oravam unânimes com Maria, Mãe de Jesus, fazei que também nós, protegidos por essa mesma Mãe, Mestra e Rainha, saibamos servir fielmente a vossa majestade e difundamos a glória do vosso nome, mediante a palavra e as obras. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Enquanto o agricultor António Botta se dirigia à sua vinha, na manhã de 16 de março de 1536, ouviu uma voz: «Não temas! Eu sou a Virgem Maria.» Em nova aparição, na mesma cidade de Savona, em Itália, a Virgem disse que sem oração nem boas obras o mundo teria sérios problemas e poderia ser severamente castigado. Assim que o agricultor comunicou a mensagem ao povo, houve grande mudança de vida. Maria começou a ser venerada como "Refúgio dos Pecadores", título que aparece na Ladainha de Nossa Senhora. É também sob esse título que os moradores de Bruchhansen , na Alemanha, veneram Nossa Senhora, cuja imagem verteu lágrimas por várias vezes no ano de 1745.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, Refúgio dos Pecadores, a vós recorremos nos momentos de fraqueza. Quando caímos no pecado e na desobediência à palavra de Deus, vós nos alertais e nos auxiliais na conversão, para retomarmos o caminho da justiça e do amor. Vós sois o nosso refúgio. Dai-nos sempre força e proteção. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora da Ressurreição deve-se à fidelidade de Maria ao mistério pascal de Cristo. Maria acompanhou cada minuto da agonia de Jesus e estava unida aos Apóstolos no terceiro dia, quando da Ressurreição do seu Filho. Ela é testemunha da Ressurreição e ensina-nos igualmente a crer na nossa ressurreição. A devoção à Virgem da Ressurreição visa exatamente resgatar a fé neste ponto fundamental da revelação, no meio deste mundo cheio de confusões e distorções sobre o sentido da vida e a esperança da ressurreição.

ORAÇÃO:

Conduzi-nos, ó Mãe querida, pelo caminho da salvação, agora e na hora da nossa morte. Ajudai-nos a ser fiéis ao ensinamento do vosso Filho, pois só assim ressuscitaremos e participaremos definitivamente do reino. Ámen.  

Enquanto Maximin Giraud (onze anos) e Melânia Calvat (quinze anos) cuidavam do rebanho, em La Salete, França, viram Nossa Senhora com as mãos no rosto. Era o dia 19 de setembro de 1846. A chorar a Virgem estava vestida como as mulheres da região: vestido longo, um grande avental, lenço cruzado e amarrado nas costas, touca de camponesa, muitas rosas. Na sua fronte a luz brilhava como um diadema. Dos seus ombros pendia uma pesada corrente. Outra corrente mais leve prendia sobre o peito um crucifixo resplandecente com um martelo, de um lado, e uma turquês, do outro.

Dirigindo-se aos jovens, disse que se o povo não se convertesse ela ver-se-ia forçada a deixar cair o braço do seu Filho. «É tão forte e tão pesado que não posso sustê-lo mais. Há tanto tempo que sofro por vós! Estou incumbida de suplicar incessantemente para que o meu Filho não vos abandone.» Pediu a conversão do povo, ações concretas e orações. Em 1847 uma peste devastou os vinhedos de França e reduziu em dois terços a produção de vinho. Em 1878 apareceu outra doença desconhecida nas vinhas, espalhando-se por toda a Europa. Só depois destes fenómenos as aparições de La Salete foram reconhecidas e iniciaram-se alguns sinais de conversão.

ORAÇÃO:

Lembrai-vos, ó Nossa Senhora de La Salete, das lágrimas que derramastes por nós no Calvário. Lembrai-vos também dos cuidados que sem cessar tendes pelo vosso povo, a fim de que, em nome de Cristo, se deixe reconciliar com Deus. Depois de tanto terdes feito pelos vossos filhos, vede se podeis agora abandoná-los. Reconfortados pela vossa ternura, ó Mãe, eis-nos aqui suplicantes, apesar da nossa infidelidade e ingratidão.

Não rejeiteis a nossa oração, ó Virgem Reconciliadora, mas volvei o nosso coração para o vosso Filho. Alcançai-nos a graça de amar a Jesus acima de tudo e de vos consolar por uma vida de doação, para a glória de Deus e por amor dos nossos irmãos. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora de Shoenstatt está ligada ao movimento criado pelo padre José Kentenich, em 1912, na Alemanha, exactamente na cidade de Shoenstatt, nome que significa "lugar belo". A sua obra difundiu-se rapidamente pelo mundo e com ela a devoção à Virgem de Shoenstatt. Ergueram-se santuários em diversos países. São centros para a manifestação das graças de Maria, «Companheira de Colaboradora oficial e permanente de Cristo em toda a obra da Redenção», como a define o padre Kentenich. Em 1915, o título "Maria Três Vezes Admirável" foi dado à imagem esculpida pelo italiano Crosio, colocada na capela e mundialmente difundida. Maria é venerada como intercessora junto de Deus, alcançando a tríplice graça aos seus devotos: a graça do abrigo espiritual, a graça da transformação interior e a graça da missão e da fecundidade apostólica.

ORAÇÃO:

Ó minha Senhora e minha Mãe, ofereço-me todo a vós e, em prova da minha devoção para convosco, consagro-vos, neste dia, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E porque assim sou vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me, defendei-me, como filho e propriedade vossa. Confio no vosso poder e na vossa bondade. Confio, em toda e qualquer situação, no vosso Filho e na vossa proteção. Ámen.  

A esposa de São José, padroeira dos trabalhadores, é também invocada como Nossa Senhora do Trabalho. De facto, milhares de trabalhadores invocam-na para pedir proteção na lida diária e força para suportar a dureza e o cansaço da jornada de trabalho. Maria é invocada principalmente por desempregados em busca de trabalho. O Beato Guanella, fundador dos Servos da Caridade e das Filhas de Santa Maria da Providência, foi o criador deste título mariano.

ORAÇÃO:

Salve, Virgem Maria, nossa querida Mãe e padroeira! Como filhos, dirigimos-nos a vós com toda a confiança, a implorar a vossa bênção, de modo especial pelos nossos trabalhadores, por todos aqueles que labutam no dia a dia para conseguir o sustento da própria família. Concedei-nos, nós vos pedimos, que este trabalho seja dignificante, de modo a favorecer os vossos filhos. Que haja muita consciência da nobreza do trabalho e que nenhum dos nossos irmãos seja explorado pela ganância de riquezas. Abençoai, ó Virgem do Trabalho, a nossa comunidade, as nossas famílias e cada um de nós. Intercedei, junto do vosso Filho, Jesus, concedendo-nos a graça que vos pedimos (fazer o pedido). Assim seja!

Conta a lenda que no século XII uma imagem, hoje no santuário da freguesia de Vagos, perto de Aveiro, foi resgatada de um navio françês que ali naufragou. No dia seguinte, porém, não encontraram já a imagem. Só reapareceu após a Virgem aparecer em sonho a um morador e indicar o local onde deveria ser construída uma ermida. Os diversos milagres atribuídos a Nossa Senhora de Vagos fizeram com que a devoção se difundisse rapidamente. Durante uma grande seca na região, o povo fez uma procissão e a promessa de distribuir alimentos aos pobres. A Virgem intercedeu e veio a chuva. Até hoje permanece a tradição de distribuir pão na praça do santuário.

ORAÇÃO:

Vós jamais deixastes o vosso povo sem assistência, caridosa Mãe. No momento da seca, intercedestes junto de Deus para que viesse a chuva, generosa bênção que faz brotar da terra o nosso sustento. Do mesmo modo, intercedei hoje por todos nós, a fim de que não falte o pão de cada dia, nem a caridade no nosso coração para partilhar com os menos favorecidos. Ámen.