CAMINHO (MIGRANTES)

Durante séculos, os portugueses destacaram-se pelas suas façanhas na navegação. Juntamente com a coragem e a técnica, os marinheiros levavam a devoção à Virgem, que então passou a ser invocada sob o título de Nossa Senhora da Boa Viagem. Em 1618, perto de Lisboa, foi construída a primeira em sua homenagem. A devoção difundiu-se entre marinheiros e pescadores de Portugal e de todas as colónias portuguesas. Relacionadas com esta devoção estão: Nossa Senhora das Estradas, do Caminho e dos Viajantes.
ORAÇÃO:
Virgem Santíssima, Senhora da Boa Viagem, esperança infalível dos filhos da Santa Igreja, sois guia e eficaz auxílio dos que correm perigos do corpo e da alma. Refugiando-nos sob o vosso olhar materno, empreendemos as nossas viagens certos do êxito que obtivestes quando vos encaminhastes para visitar a vossa prima Santa Isabel. Em ascensão crescente na prática de todas as virtudes transcorreu a vossa vida, até ao ditoso momento de subirdes gloriosa para os céus. Nós vos suplicamos pois, ó Mãe querida: velai por nós, indignos filhos vossos, alcançando-nos a graça de seguir os vossos passos, assistidos por Jesus e José, na peregrinação desta vida e na hora derradeira da nossa partida para a eternidade. Ámen.

Nossa Senhora sempre foi e sempre será modelo e guia para os cristãos. Ela conduz-nos pelos caminhos do seu Filho, orienta-nos pelo Bom Caminho. Assim surgiu a devoção a Nossa Senhora do Bom Caminho que acompanha e orienta todos os seus filhos. Monsenhor Moreira das Neves dedicou-lhe uma das suas poesias, que serve como um hino de louvor à Virgem:
ORAÇÃO:
Senhora do Bom Caminho,
não deixes de caminhar.
O mundo fica sozinho,
sem a luz do vosso olhar.

A devoção mariana foi uma profunda marca na vida de Santo Inácio de Loiola e da ordem religiosa que ele iniciou, a Companhia de Jesus. A primeira igreja fundada pelos jesuítas em Roma foi dedicada a Nossa Senhora do Caminho, devoção popular entre viajantes e peregrinos que pedem proteção enquanto trilham os seus "caminhos".
Em Portugal são muito populares os nichos de Nossa Senhora dos Caminhos, construídos desde 1963 por iniciativa de uma campanha da Mocidade Portuguesa Feminina. É também chamada Nossa Senhora da Estrada e dos Viajantes.
ORAÇÃO:
Acompanhai-nos constantemente no nosso caminho, querida Mãe, pois só assim teremos a certeza de não nos desviarmos do nosso destino. Que os nossos passos sejam sempre iluminados pelo evangelho e alimentados pelo espírito da justiça e da caridade. Ámen.

O título de Nossa Senhora da Conquista está associado às cruzadas e ao período da colonização. Os portugueses e outros povos europeus levavam consigo a imagem da Virgem nas batalhas e expedições, a fim de os proteger na conquista de novas terras. A devoção foi levada para o Brasil pelos primeiros jesuítas que lá chegaram para a criação das "reduções", uma espécie de aldeias com infraestruturas avançadas para a época, com o fim de organizar, proteger e catequizar os índios. É conhecida a história do padre jesuíta Roque González, que em 1626, com a imagem de Nossa Senhora da Conquista nas mãos, atravessou o rio Uruguai em direção a Rio Grande do Sul, fundando a redução de São Nicolau. Acabou por ser martirizado pelos índios guaranis em 1628, juntamente com o padre Afonso Rodrígues.
ORAÇÃO:
Ó Maria, que acompanhastes os soldados que lutaram em nome da fé, acompanhai cada um de nós hoje na busca da nossa realização pessoal e na conquista dos nossos sonhos e ideais, sempre fundados no Evangelho. Ámen.

Nossa Senhora das Descobertas é o título dado à imagem especialmente esculpida para a capela do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, construído sob o tema da expansão portuguesa. A escultura foi criada por José Pereira e sua particularidade é a posição do manto, que representa os pontos cardeais.
ORAÇÃO:
Santa Maria, Mãe de Deus e Senhora das Descobertas, nós te veneramos e agradecemos a tua ternura e doce presença na nossa vida. Assim como outrora acompanhaste os homens na descoberta de novos mundos, sê guia no nosso caminho! Ilumina os cientistas que se dedicam ao estudo e pesquisa de novos métodos para a cura dos males; fortalece e protege os médicos, os enfermeiros, os auxiliares e técnicos de saúde e todos aqueles que trabalham pelo bom funcionamento dos hospitais e dos centros similares; cuida e ampara todos os familiares e amigos dos doentes; influencia, estimula e inspira todos os doentes a avançar no caminho da sua própria cura física, psicológica e espiritual; coloca no teu colo e na tua ternura todos os doentes, de forma especial os que se encontram em situação limite de agonia.
Virgem Santíssima, Senhora das Descobertas, Acolhimento de Sabedoria e Fonte de Paz, leva-nos a teu Filho Jesus. Ámen.

Esta devoção faz referência à fuga da Sagrada Família para o Egito, retratada na Escritura (Mt 2,3ss). Avisado pelo anjo, José leva Maria e o Menino para um lugar seguro, longe de Herodes. Neste exílio forçado preparam Jesus para o seu regresso à Galileia. A Sagrada Família passou cerca de cinco anos no Egito, voltando para Nazaré depois da morte de Herodes.
A devoção foi muito forte no período colonial, talvez pelo sentimento dos portugueses de encontrar na Virgem exilada o consolo de que necessitavam para o seu próprio desterro. Em alguns lugares ela é chamada Nossa Senhora dos Imigrantes ou da Fuga para o Egito.
ORAÇÃO:
De Belém ao Egito, com o Menino recém-nascido escondido e apertado ao peito, por terras desérticas e desconhecidas, triste e silenciosa, seguindo os passos firmes de José... Eis a Mãe do Filho de Deus a caminho do Desterro. Nossa Senhora do Desterro, olhai para nós, vossos filhos, apreensivos e inseguros, neste vale de lágrimas, a caminho da Pátria definitiva. Depois deste desterro, ó Mãe carinhosa, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Nossa Senhora do Desterro, acompanhai-nos na travessia do deserto da vida, até alcançarmos o oásis eterno: o Céu. Ámen.

Esta invocação teve início no começo do século XIII, em Itália. Um desconhecido colocou um quadro com a imagem de Maria e o menino Jesus, de autoria anónima, numa capelinha à beira da estrada, logo à saída de um dos caminhos que ligava Roma ao interior. Os viajantes que por ali passavam ficaram surpresos e felizes, pois já era costume parar diante da velha capelinha para orar a Deus e pedir a sua proteção por intermédio da Virgem Maria.
Em 1541, o Papa Paulo II confiou o sítio, já bastante conhecido e com uma grande igreja, aos serviços dos jesuítas. Ao lado da igreja construíram uma casa, onde o fundador, Santo Inácio de Loiola, viveu até ao final da vida. O quadro original ainda lá se encontra. Uma das mais belas orações dedicadas a Nossa Senhora da Estrada é esta, escrita pelo Papa Pio XII, em 1957. É também chamada Nossa Senhora dos Viajantes e do Caminho.
ORAÇÃO:
Ó doce Maria, Nossa Mãe Celeste, sê guia dos nossos passos nas estradas, muitas vezes pedregosas, da nossa vida e quando esta chegar ao seu fim sê para nós porta do céu e mostra-nos o fruto bendito do teu ventre, Jesus.

Esta devoção recorda que a Virgem Maria guiou Jesus na sua infância e juventude e guia todos os cristãos, desde os primeiros tempos, como nos recordam os Atos dos Apóstolos, até aos nossos dias. É chamada pelos cristãos ortodoxos "Odegitria " ("Οδηγήτρια ") e a sua festa celebra-se a 15 de Agosto.
ORAÇÃO:
Ó Virgem Santíssima da Guia! A vós recorremos neste vale de lágrimas, atraídos pela fé e pelo amor que vós infundistes no nosso coração. Ó Mãe querida! Aliviai a nossa dor, consolai as nossas angústias, dai-nos o pão material e o alimento espiritual para fortalecer o nosso corpo e a nossa alma. Fazei que não nos falte um emprego estável e uma justa remuneração. Eliminai o ódio e o egoísmo do coração de todas as pessoas.
Virgem Santíssima da Guia! Iluminai o nosso caminho para que, unidos na paz e fraternidade, com todos os nossos irmãos e irmãs, continuemos a marcha gloriosa para a casa do Pai.
Abençoai, ó Mãe, todas as nações, cujos filhos cantam os vossos louvores, agora e pelos séculos dos séculos. Ámen.

No final do século XV, uma epidemia atingiu a cidade italiana de Génova e arredores. Uma piedosa senhora da região prometeu à Virgem construir-lhe um altar caso a epidemia não atingisse a sua casa. E assim aconteceu. Passado o período da doença, Maria Turchina mandou pintar a imagem de Nossa Senhora, com São Sebastião e São Roque, em frente a uma praça, num dos muros do horto que se estendia da cidade até à praia.
A imagem representa Maria a segurar o Menino com a mão esquerda, enquando a mão direita abençoa a cidade e as pessoas que por ali passam. A obra atingiu uma incomparável beleza, seja pela profunda verdade teológica que encarna, seja pela feliz disposição das figuras e pela pureza e naturalidade do colorido.
ORAÇÃO:
Virgem Maria, fostes declarada pelo Espírito Santo horto fechado e fonte segura, porque jamais admitistes outro senhor além do próprio Deus. Pela vossa fidelidade constante, lançai-nos um olhar materno e alcançai-nos de Jesus, que tendes nos braços, verdadeira conversão de vida, amor a Deus e ao próximo e também a graça particular que hoje pedimos. Ámen.

Desde os primeiros séculos, Maria foi para a Igreja a "Cheia de Graça". Aquela que, por Cristo e em Cristo, foi cumulada por Deus com toda a sorte de bênçãos espirituais.
No Concílio de Éfeso, a Virgem Maria foi proclamada Mãe de Deus, unindo a sua figura à obra libertadora de Jesus. Desde os inícios do Cristianismo foi invocada como Medianeira porque por ela chegamos a Jesus e por ela alcançamos d´Ele graça sobre graça.
Em 1946, a própria Nossa Senhora apresentou-se como Medianeira de Todas as Graças numa aparição a Bárbara Ruess, em Pfaffenhofen, na Alemanha. Pediu para que todos tivessem confiança no seu Imaculado Coração e que procurassem o perdão dos pecados recitando o Rosário.
Destacou também o seu papel de medianeira, intercessora do povo junto de Cristo e do Pai, e a sua tristeza pelo povo estar a abandonar a fé.
ORAÇÃO:
Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, nós vos veneramos como Medianeira, no mistério da Anunciação, porque foi por vosso meio que Deus veio ao mundo. Ó Senhora e Mãe nossa, concedei-nos esta graça […] e mostrai que vos apraz ser venerada sob o título de Medianeira de Todas as Graças.
Senhor Jesus Cristo, que vos dignastes a constituir a Santíssima Virgem Maria, vossa Mãe, também nossa Mãe e Medianeira junto de Vós, concedei benigno a quem suplicante se dirigir a Vós que se alegre de ter alcançado por meio de vossa Mãe tudo o que pediu. Vós que viveis e reinais por todos os séculos. Ámen.

A fuga de Maria e José para o Egito a fim de proteger o Menino Jesus da fúria de Herodes deu origem a diversas devoções marianas, entre elas a de Nossa Senhora dos Migrantes. Todos os cristãos que deixam as suas terras em busca de uma vida nova encontram na Virgem o modelo para continuar fiéis às suas tradições e fortes nas dificuldades que a migração provoca. A ela recorrem, na certeza de encontrar apoio e orientação espiritual, diante das novas difíceis situações em que se encontram. É também chamada Nossa Senhora dos Imigrantes, ou dos Emigrantes.
ORAÇÃO:
Ó querida Mãe, que migrastes com o Menino para Lhe garantir segurança, olhai hoje para cada um de nós, migrantes que estamos longe da nossa terra, da nossa família e de tudo o que nos dá segurança. Ajudai-nos a suportar os momentos de desânimo e de tristeza e conduzi-nos pelos caminhos da alegria e do sucesso nesta nova vida que assumimos. Ámen.

Numa tarde de 1936, Maria Natalina Kovacsics, de treze anos, viu uma bela Senhora que se aproximou e lhe disse: «Se calhar eu serei acolhida nesta casa. Até agora não encontrei nenhuma hospedagem, mesmo após ter pedido algumas vezes. Creio que esta porta seja a certa. Posso ficar por uma noite apenas, para dormir sentada numa cadeira?» A menina de Keckemet, na Hungria, respondeu que sim, antes mesmo de consultar os pais. Passaram a noite a conversar.
Aos 17 anos, Natalina tornou-se freira e continuou a ter visões: Nossa Senhora manifestou o desejo de ser venerada como Mãe Imaculada e Rainha do Mundo. Algumas imagens são chamadas Mãe Peregrina, por passarem em peregrinação por diversos lugares. Em 1995 surgiu em França um movimento de oração e de paz denominado "Nossa Senhora Peregrina". Com 108 imagens marianas peregrinas de cidade em cidade, o movimento estendeu-se por todo o mundo. Calcula-se que sejam hoje oito mil, em 120 nações, as imagens e quadros da Mãe Peregrina. Em Portugal, Nossa Senhora Peregrina é associada a Nossa Senhora de Fátima, cujas imagens também vão de casa em casa.
ORAÇÃO:
A vossa vida, querida Senhora, foi uma grande peregrinação rumo a Deus e à realização da sua vontade. Fazei que cada um de nós também seja um peregrino fiel que marcha em direção ao Reino do Pai, a realizar muitos sinais de caridade, justiça e, por onde passarmos, de paz. Ámen.

É o título de Nossa Senhora invocada na cidade de Bérgamo, em Itália. Conta-se que a origem da devoção está ligada a um episódio ocorrido com dois comerciantes da cidade. Quando voltavam para casa, estando já muitos escuro, enganaram-se no caminho e foram parar a um bosque muito perigoso. Ao tomar conhecimento da situação, puseram-se de joelhos a rezar à Virgem. Viram então uma luz a indicar o caminho para sair da mata. Chegados à cidade, viram novamente a luz, que depois tomou os traços da Virgem, sobre várias rosas. Não tardaram a construir ali um santuário, em agradecimento por tê-los livrado do perigo. O Papa Martinho V dedicou o santuário a Nossa Senhora das Rosas e Leão XIII estendeu a festa a toda a diocese de Bérgamo, fixando-a no terceiro domingo do Pentecostes.
ORAÇÃO:
Na escuridão mostrastes o caminho certo que os comerciantes de Bérgamo deveriam seguir para fugir do perigo. Igualmente, Senhora das Rosas, apontai-nos hoje a direção que devemos tomar para ir ao encontro do vosso amor e do Reino de Deus. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

Desde há muito tempo que existia, na cidade de Scutári, na Albânia, um ícone de Nossa Senhora bastante venerado pelo povo. Uma lenda conta que, no século XV, essa imagem desprendeu-se da parede da capela da cidade e foi levada pelo vento até à Itália, ao santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano. Na altura, a Albânia vivia sob a opressão dos ataque muçulmanos. Por isso, dois moradores viram no facto um sinal da Virgem que indicaria um local seguro para a imagem e para os fiéis se refugiarem. Acompanharam o ícone até à Itália, para onde se deslocaram vários albaneses refugiados. Pelo sinal e conselho dado ao povo, começou a ser venerada também como Nossa Senhora do Bom Concelho.
ORAÇÃO:
Estimada Senhora, que guiastes o povo da Albânia para um local seguro, mostrai-nos hoje o caminho que devemos seguir para não nos afastarmos do Evangelho. Dai-nos sempre bons conselhos e que nunca nos afastemos do vosso amor. Ámen.

