BÍBLICOS

Há referência a esta devoção em muitas paróquias de Portugal, às vezes também chamada Nossa Senhora do Anjo. O culto surgiu no século XIII, em França, quando três comerciantes foram assaltados e amarrados a uma árvore. Passaram ali a noite, sendo salvos por um anjo, logo após pedirem a intercessão de Maria.

Na Costa Rica, onde é padroeira da nação, a devoção teve início em 2 de agosto de 1635, com a aparição da imagem da Virgem na cidade de Cartago. Quando saía para recolher lenha seca, a senhora Joana Pereira viu sobre uma pedra a imagem de Maria com o Menino ao colo. Ficou surpresa, mas levou consigo a imagem, guardando-a em casa. No dia seguinte, encontrou novamente a imagem sobre a mesma pedra. O milagre repetiu-se outras vezes, até que construíram no local uma capela. Os costa-riquenhos logo se apegaram à imagem, difundindo a devoção da Virgem chamada carinhosamente de "La Negrita", em referência à cor da imagem, esculpida em pedra escura.

ORAÇÃO:

Augusta Rainha dos Céus e Senhora dos Anjos, desde o princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás. Humildemente vos rogamos que envieis as legiões celestes para que, às vossas ordens, persigam os espíritos infernais, combatendo-os por toda a parte, confundam a sua audácia e os precipitem no abismo. Ámen.  

«Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo!» (Lc 1,28) Assim começa o "anúncio" do anjo Gabriel a Maria. Ela foi agraciada por Deus, escolhida para ser a Mãe do Salvador. Gabriel anuncia que ela dará à luz o Filho de Deus para a salvação do mundo. Com o "sim" de Maria nasceu o título de Nossa Senhora da Anunciação, cuja festa é celebrada dia 25 de março, nove meses antes do nascimento de Cristo. O "sim" de Maria é como um selo que define a aliança do povo (hebreu e cristão) com Deus, por isso marca o início da Nova Aliança. Da anunciação também se origina a devoção a Maria, Mãe de Deus. O Evangelho de Lucas desenvolve, no capítulo primeiro, o tema da Anunciação.

ORAÇÃO:

O anjo do Senhor anunciou a Maria.

E Ela concebeu pelo poder do Espírito Santo.

Eis a serva do Senhor.

Faça-se em mim segundo a vossa palavra.

E o Verbo Divino encarnou.

E habitou entre nós.

Rogai por nós santa Mãe de Deus.

Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Infundi, Senhor, em nossos corações a vossa graça, vo-l´O suplicamos, a fim de que, tendo conhecido pela Anunciação do Anjo a encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, pelos merecimentos da sua Paixão e Morte, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen.

A solenidade da Assunção de Nossa Senhora é celebrada desde o século VI pelas igrejas do Oriente. Chamada inicialmente "trânsito" e "dormição de Maria", difundiu-se no Ocidente a partir do século XIV. Em 1950, o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção, reafirmando esta verdade de fé: Maria foi elevada ao céu em corpo e alma.

Foi o coroamento da sua vida imaculada, não manchada por pecado de espécie alguma. Isso mostra a estreita sintonia com o seu Filho, vencendo com Ele o pecado e a morte, e mostra o caminho de todo o fiel rumo à ressurreição.

Nesta solenidade, celebrada em 15 de agosto, estão contidos os principais ensinamentos sobre Nossa Senhora: a Imaculada Conceição, a Divina Maternidade e a Virgindade Perpétua de Maria. A Mãe de Jesus é a nova Arca da Aliança, é imagem da Igreja.

ORAÇÃO:

Ó dulcíssima Soberana, Rainha dos Anjos, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas. Sabemos também que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria e, no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais a vossa bondade para connosco.

Do alto desse trono em que reinais sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olho misericordiosos. Vede a quantas tempestades e perigos estaremos, sem cessar, expostos até ao fim da nossa vida! Pelos merecimentos da vossa bendita morte, obtende-nos aumento da fé, confiança e santa perseverança na amizade de Deus, para que possamos, um dia, beijar os vossos pés e unir as nossas vozes à dos espíritos celestes, para louvar e cantar as vossas glórias eternamente no céu. Assim seja.  

Maria acompanhou Jesus nas suas pregações e estava ao seu lado no doloroso caminho do Calvário, mostrando-se sempre fiel à sua missão no plano de salvação do Pai. Aos pés da cruz, Maria chorou e foi consolada pelo Filho que a nomeou Mãe de toda a Humanidade (Jo 19,25-27).

No Calvário viveu a dor mais profunda de uma mãe: ver o seu Filho sofrer e morrer. Por isso, Nossa Senhora do Calvário é invocada pelas mães nos momentos de sofrimento e angústia.

Em Faro há a devoção a Nossa Senhora do Pé da Cruz, que é uma variação deste título.

ORAÇÃO:

Virgem Maria, Mãe da Humanidade, com o coração entristecido acompanhastes Jesus no caminho do Calvário. Consolai todas as mães que sofrem por causa dos seus filhos. Por pior que seja a situação que cada família enfrente, que as mães busquem sempre em vós o auxílio necessário para encontrar a resposta para os seus problemas. Dedicai especial atenção a mim hoje, para que eu possa, com o vosso apoio, superar este momento delicado da minha vida. Ámen.  

Candeia é uma espécie de lamparina ou vela alimentada por óleo combustível, muito comum no tempo em que não havia energia elétrica. Há duas tradições para o título de Nossa Senhora das Candeias. Uma identifica-a com Nossa Senhora da Purificação, que lembra a apresentação de Jesus no templo, quando Maria cumpriu o rito de purificação. Nesta festa de apresentação costuma realizar-se uma procissão com velas; daí o nome "das candeias".

Uma tradição diferente associa este título a Nossa Senhora da Candelária, padroeira das Ilhas Canárias, por causa do milagre acontecido no momento em que a imagem foi encontrada no local: várias candeias estavam a ser seguradas por anjos, seres invisíveis. É a mesma Senhora da Expectação, da Purificação, da Candelária, da Luz.

ORAÇÃO:

Valha-nos, ó Deus, a intercessão da sempre Virgem Maria, para que, livres de todos os perigos, vivamos na vossa paz. Ámen.  

Em 1854, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, assumido como verdade de fé já em 1439 pelo Concílio de Basileia. Ainda mais antiga é a devoção popular que considera Maria livre de qualquer pecado. Maria é a nova Eva, Mãe da Humanidade, imaculada desde a conceção. O dogma foi enaltecido quatro anos depois, com a aparição da virgem em Lourdes, onde ela declarou ser a "Imaculada Conceição", aquela que foi preservada do pecado desde o momento em que foi concebida.

Regista-se que já em 836, em Toulouse, França, Nossa Senhora apareceu ao sacerdote Gondisalve, manifestando o desejo de ser venerada sob este título. O sacerdote procurou divulgar a devoção e instituiu a festa, atualmente celebrada no dia 8 de dezembro. Nossa Senhora da Conceição foi proclamada padroeira de Portugal pelo rei D. João IV, em 1646. A partir dessa data os reis não mais puseram a coroa real na cabeça, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus. É a padroeira principal de Portugal.

ORAÇÃO:

Virgem Santíssima, que fostes concebida sem o pecado original e por isso mereceis o título de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e por terdes evitado todos os outros pecados, o anjo Gabriel saudou-vos com as belas palavras: «Ave Maria, cheia de graça.» Nós vos pedimos que nos alcanceis do vosso divino Filho o auxílio necessário para vencermos as tentações e evitarmos os pecados; e já que vos chamamos Mãe, atendei com caminho maternal a este nosso pedido. E que assim possamos viver como dignos filhos vossos. Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós. Ámen.  

Em 958, Maria apareceu a um pobre na cidade de Herford, na Alemanha, e encarregou-o de levar a um mosteiro próximo uma mensagem de penitência e de conversão. Daria um sinal para as monjas crerem: uma pomba poisaria sobre a cruz a ser levantada em frente ao mosteiro, o que realmente aconteceu. Daí surgiu o nome Nossa Senhora da Cruz.

O título, no entanto, tem grande relação com a presença de Maria aos pés da cruz de Cristo. A Virgem acompanhou o Filho até ao fim, compartilhando a sua dor e sofrimento. Esteve ao seu lado na crucificação, assim como O acompanhou durante toda a vida. Por isso hoje todos os que sofrem pedem auxílio a Maria, nossa Mãe, pois sabemos que ela nunca nos abandona; pelo contrário, consola-nos nos momentos de dor.

Veja também Nossa Senhora do Calvário.

ORAÇÃO:

Maria, que aos pés da cruz sentistes a mais terrível dor ao ver o sofrimento do vosso Filho, vinde em nosso auxílio e confortai-nos nos nossos momentos de dor e sofrimento. Ajudai-nos a carregar as nossas cruzes diárias. Ámen.  

A origem da devoção de Nossa Senhora Desatadora de Nós está ligada à imagem barroca pintada por volta de 1700 em Augsburg, na Alemanha. A imagem representa a Imaculada Conceição, com uma coroa de doze estrelas que simboliza as tribos de Israel e os Apóstolos. Na mão, tem uma corda com nós, entregue por um anjo, que representam o pecado original, os nossos pecados e tudo o que impede a graça de agir frutuosamente. Há uma clara referência às meditações de Santo Ireneu sobre o pecado. Nossa Senhora ajuda a desatar esses nós, e todos os "nós" que surgem na nossa vida e nos impedem de viver plenamente.

ORAÇÃO:

Santa Maria, Desatadora de Nós, cheia da presença de Deus, durante os dias da vossa vida aceitastes com toda a humildade a vontade do Pai e nunca fostes dominada pelo mal. Junto do vosso Filho, intercedestes pelas nossas dificuldades e, com toda a paciência, deste-nos o exemplo de como desenrolar as linhas embaralhadas da nossa vida. Proclamada por Jesus como nossa Mãe, colocais em ordem e fazeis mais claros os laços que nos unem a Ele.

Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, que com o coração materno desatais os nós que atrapalham a nossa vida, pedimos que recebais em vossas mãos... (dizer o próprio nome ou o nome da pessoa pela qual reza) e que a(o) livreis das amarras e confusões.

Pela graça de Deus, por vossa intercessão, com o vosso exemplo, livrai-nos de todo o mal, Senhora Nossa, e desatai os nós que nos impedem de nos unirmos a Deus. Assim, livres de toda a confusão e erro, louvemo-l´O em todas as coisas, coloquemos n´Ele o nosso coração e possamos servi-l´O sempre nos nossos irmãos. Ámen.  

Esta devoção faz referência à fuga da Sagrada Família para o Egito, retratada na Escritura (Mt 2,3ss). Avisado pelo anjo, José leva Maria e o Menino para um lugar seguro, longe de Herodes. Neste exílio forçado preparam Jesus para o seu regresso à Galileia. A Sagrada Família passou cerca de cinco anos no Egito, voltando para Nazaré depois da morte de Herodes.

A devoção foi muito forte no período colonial, talvez pelo sentimento dos portugueses de encontrar na Virgem exilada o consolo de que necessitavam para o seu próprio desterro. Em alguns lugares ela é chamada Nossa Senhora dos Imigrantes ou da Fuga para o Egito.

ORAÇÃO:

De Belém ao Egito, com o Menino recém-nascido escondido e apertado ao peito, por terras desérticas e desconhecidas, triste e silenciosa, seguindo os passos firmes de José... Eis a Mãe do Filho de Deus a caminho do Desterro. Nossa Senhora do Desterro, olhai para nós, vossos filhos, apreensivos e inseguros, neste vale de lágrimas, a caminho da Pátria definitiva. Depois deste desterro, ó Mãe carinhosa, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Nossa Senhora do Desterro, acompanhai-nos na travessia do deserto da vida, até alcançarmos o oásis eterno: o Céu. Ámen.  

Diversas imagens e invocações de Maria salientam o aspeto da sua dor, ao ver o sofrimento e morte do Filho. Desde muito cedo se iniciou a devoção a Nossa Senhora das Dores e atualmente é uma das mais difundidas em Portugal. A sua imagem recorda as palavras do profeta Simeão, no templo de Jerusalém, por ocasião da apresentação do Menino. «Uma espada trespassará a tua alma». O Papa Pio VII introduziu a festa no calendário litúrgico, confirmando a participação dolorosa da Mãe na redenção operada pelo Filho.

Maria acompanhou Jesus nos momentos de dor – flagelação e crucificação – e ela própria viveu muitas dores: a perseguição de Herodes; a fuga para o Egito; a perda do Filho, aos doze anos, na peregrinação a Jerusalém; a morte e sepultura d´Ele. O povo sofrido e constantemente em contacto com as "dores" da vida identifica-se enormemente com a Virgem. Com ela também se consola e fortalece, pois o sofrimento é caminho para a glorificação.

ORAÇÃO:

Minha Mãe dolorosa, não vos quero deixar sozinha a chorar; quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Esta graça vos peço hoje: alcançai-me terna devoção à paixão Jesus e à vossa, a fim de que todos os dias que me restam me sirvam somente para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Elas alcançar-me-ão o perdão, a perseverança e o céu, onde espero cantar as misericórdias infinitas de Jesus, por toda a eternidade. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora da Encarnação está intimamente ligada à Anunciação e ao dogma da Imaculada Conceição. Maria é a personagem fundamental na Encarnação do Verbo. Por ser a escolhida para acolher no seio o Filho de Deus, Maria tornou-se também a Mãe de todos nós. Uma das igrejas mais antigas a ela dedicadas data de 1588, em Leiria. No século XVIII foi totalmente reformada, sendo revestida de azulejos que imitam os do século XVI, destruídos durante a invasão francesa, e ganhou uma enorme escadaria que hoje serve para acolher os peregrinos. Os azulejos retratam a vida da Virgem Maria. No Chiado, em Lisboa, encontramos também uma igreja barroca a ela dedicada.

ORAÇÃO:

Deus, nosso Pai, que fizestes nascer da Virgem Mãe o Salvador prometido há tantos séculos, por vossa bondade, dai-nos a graça de O reconhecer em cada ser humano. Ele que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen.  

A imagem de Nossa Senhora da Evangelização chegou a Lima, no Peru, em 1540, presenteada por Carlos V, rei de Espanha. Sob o olhar da Virgem, a Igreja peruana e latino-americana ganhou força para propagar o Evangelho no continente, especialmente do território que vai da Nicarágua ao cabo de Hornos, no Peru.

Também teve participação na independência do Peru, em 1821, sendo a ela solenemente entoado o Te Deum, após a declaração da independência pelo general San Martin. Em 1985, o Papa João Paulo II, em visita ao Peru, declarou-a padroeira da nação, colocando na imagem uma rosa de ouro.

O título "da Evangelização", no entanto, não existe desde o inicio da devoção mariana no Peru. Foi dado à pouco tempo, em homenagem aos grandes méritos na evangelização da América conseguidos com a intercessão da Virgem.

«Que Nossa Senhora da Evangelização nos acompanhe e guie no caminho da nova evangelização. Ajude-nos a ser sempre testemunhas do Evangelho da salvação.» (Papa João Paulo II)

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, que acompanhastes os Apóstolos após receberem a missão de evangelizar todos os povos e fortalecestes os missionários em nossas terras, sustentai hoje todas as iniciativas de evangelização. Protegei os missionários, os sacerdotes e religiosos, os catequistas e todos os agentes de pastoral, que continuam hoje o trabalho de evangelização, a exemplo dos Apóstolos. Ámen.  

O título de Nossa Senhora dos Impossíveis teve origem no facto de terem acontecido a Maria três coisas humanamente impossíveis: foi concebida sem pecado original; é Virgem e Mãe; é Mãe de Deus. Maria diferencia-se de todos os outros seres humanos por ter sido escolhida por Deus para ser a Mãe do seu Filho, o nosso Salvador. Para tanto, Maria não poderia estar marcada pelo pecado. Este diferencial torna-a única e especial e por isso é venerada desde os primórdios do Cristianismo. Os relatos da Sagrada Escritura e da Tradição são os fundamentos sobre os quais se apoia esta devoção.

ORAÇÃO:

Ó incomparável Senhora dos Impossíveis, Mãe de Deus, Rainha dos anjos, advogada dos pecadores, refúgio e consolação dos aflitos, livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos e ao vosso Santíssimo Filho, meu querido redentor Jesus Cristo. Virgem bendita, protegei-me a mim e à minha família de todas as doenças, da fome, dos assaltos, raios e outros perigos que nos possam atingir. Soberana Senhora, dirigi-nos em todos os assuntos espirituais e temporais. Livrai-nos das tentações do demónio para que, trilhando o caminho da virtude pelos merecimentos do preciosíssimo sangue do vosso Filho e da vossa puríssima virgindade, vos possamos ver, amar e gozar na eterna glória, por todos os séculos. Ámen.  

A origem desta devoção está associada à apresentação de Jesus no templo, quando Simeão reconhece Jesus como «luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel» (Lc 2,32). Também recebe o nome de Candeias, devido à candeia levada por Maria ao apresentar-se no templo com o Menino Jesus. Denomina-se também "Purificação de Maria", que na ocasião cumpria a lei mosaica.

Um facto ocorrido com o Português Pedro Martins, no século XV, reforçou a devoção a Nossa Senhora da Luz. Preso por piratas, Martins rezava incessantemente enquanto em Portugal todos viam uma estranha luz a surgir numa fonte. Em sonhos, a Virgem da Luz disse a Martins que no dia seguinte ele acordaria na sua terra, mas como agradecimento deveria procurar uma imagem perdida e construir no local uma igreja. A imagem fora encontrada exactamente na fonte da "luz".

ORAÇÃO:

Ó querida e gloriosa padroeira, Nossa Senhora da Luz, fomos, pela divina Providência, colocados sob a vossa especial proteção e com isso nos alegramos e nos sentimos honrados. Dignai-vos a conceder uma centelha da vossa luz, que nos ilumine a mente e nos abrase o coração, a fim de sempre mais e melhor conhecermos e amarmos a Jesus, vosso Divino Filho. Ámen.  

No ano de 431, o Concílio de Éfeso proclamou solenemente o dogma da Maternidade Divina de Maria: ela é verdadeiramente Mãe de Cristo, que é verdadeiro Filho de Deus. Maria é, assim, a Teotókos – Mãe de Deus.

A tradição e a devoção a Nossa Senhora Mãe de Deus, no entanto é muito anterior ao Concílio: estava presente na vida das primeiras comunidades cristãs.

Foi a primeira festa mariana da Igreja ocidental.

O Concílio Vaticano II reforçou o dogma, afirmando que «Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus e, não retida por qualquer pecado, abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus omnipotente o mistério da Redenção.» (cf. Lumen Gentium, 56)

Ela é portanto Mãe de Deus e Mãe de toda a Humanidade redimida por Cristo.

ORAÇÃO:

Dai-me, Senhora Mãe de Deus, um pouco da vossa força para a minha fraqueza.

Um pouco da vossa coragem para o meu desalento.

Um pouco da vossa compreensão para o meu problema.

Um pouco da vossa plenitude para o meu vazio.

Um pouco da vossa rosa para o meu espinho.

Um pouco da vossa certeza para a minha dúvida.

Um pouco do vosso Sol para o meu inverno.

Um pouco da vossa disponibilidade para o meu cansaço.

Um pouco do vosso rumo infinito para o meu extravio.

Um pouco da vossa neve para o meu barro.

Um pouco da vossa serenidade para a minha inquietude.

Um pouco da vossa chama para o meu gelo.

Um pouco da vossa luminosidade para a minha noite.

Um pouco da vossa alegria para a minha tristeza.

Um pouco da vossa sabedoria para a minha ignonância.

Um pouco do vosso amor para o meu rancor.

Um pouco da vossa pureza para o meu pecado.

Um pouco da vossa vida para a minha morte.

Um pouco da vossa transparência para o meu escuro.

Um pouco do vosso Filho de Deus para este vosso filho pecador.

Com todos esses "poucos", Senhora, eu terei tudo.

E assim seja, eternamente, com Cristo na glória. Aleluia!

Mais conhecida como Pietá, a imagem de Nossa Senhora da Piedade representa Maria a receber o corpo do seu Filho deposto na cruz. Enormemente retratada na arte cristã, a cena invoca o sofrimento de Maria ao ver o seu Filho morto. Não demorou para a devoção se propagar, visto a grande identificação do povo com o sofrimento da Mãe que chora pelo seu Filho e O leva ao sepulcro.

Em Portugal a devoção está muito difundida. Conta a lenda que um lavrador encontrou uma imagem da Virgem da Piedade numa árvore, junto da qual um dos seus bois se ajoelhava sempre. É muito visitado o santuário de Penafiel, em estilo neogótico e bizantino.

ORAÇÃO:

Com os olhos em lágrimas e o coração angustiado pela dor, segurastes, Senhora, o vosso Filho descido da cruz, morto para a nossa redenção. Acolhei hoje a cada um de nós com o mesmo amor que demonstrastes ao segurar nos braços o corpo de Cristo maltratado pela injustiça e pela ganância. Ámen.  

Desde o início do Cristianismo, Nossa Senhora é invocada com o título "da Purificação". Esta sua festa é celebrada no dia da Apresentação do Senhor, por estar intimamente associada a esse facto. Segundo a lei mosaica, todo o filho varão devia ser apresentado no templo, quarenta dias depois do nascimento. A celebração marcaria a "purificação" da mãe, considerada impura após o parto. Mesmo não sujeita a esta lei, pois não tinha pecados, Maria submeteu-se ao ritual e foi ao templo para apresentar o Menino.

A celebração denominava-se também "das Candeias", em referência às palavras do profeta Simeão, que ao ver Jesus disse: «Os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações.» (Lc 2,30-32)

Desde o século VII, quando foi instituída a festa pelo Papa Sérgio I, surgiu a tradição das procissões das velas neste dia.

ORAÇÃO:

Ó Maria, mesmo sem estardes manchada pelo pecado e pela impureza, aguardastes o tempo previsto na lei para apresentar o Menino no Templo. Ajudai-nos a ser fiéis aos mandamentos de Deus e pacientes no cumprimento das nossas obrigações. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Maria sempre foi reconhecida e venerada como Mãe, Mestra e Rainha. De entre os muitos títulos encontramos o de Rainha dos Anjos, pela estreita relação com estes espíritos celestes. Desde a Anunciação até à Assunção da Virgem ao céu, os anjos acompanharam-na. Recordemos que na Bíblia os anjos representam sempre a voz de Deus, são os mensageiros da sua Palavra. Daí compreendemos também o quanto Maria cumpria a vontade de Deus e a sua participação no plano de salvação.

ORAÇÃO:

Augusta Rainha dos Céus e Senhora dos Anjos, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça do tentador. Nós vos pedimos humildemente: enviai as Legiões Celestes, para que, sob as vossas ordens, elas persigam os espíritos malvados, reprimindo a sua audácia. Quem é como Deus? Santos Anjos e Arcanjos, protegei-nos, defendei-nos! Ó boa e terna Mãe, vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança! Ó divina Mãe, enviai os vossos Anjos para que nos defendam e afastem de nós o cruel inimigo! Assim seja.  

Maria sempre esteve próxima dos Apóstolos, durante o ministério público de Jesus e após a sua morte e Ressurreição. Um exemplo é a presença de Maria com o grupo dos Doze quando, reunidos em oração no cenáculo, Cristo lhes envia o Espírito Santo. (cf. At 2,1-4)

O acontecimento, conhecido como Pentecostes, marca o início da evangelização, difusão da Boa Nova de Cristo. Marca também o início da devoção a Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, aquela que fortalece e anima os Apóstolos na missão.

O título está nas Ladainhas, aprovadas por São Gregório Magno, mas foi difundido principalmente por São Vicente Palloti e pelo Beato Tiago Alberione. Ambos colocaram as suas congregações sob a proteção da Rainha dos Apóstolos. Tiago Alberione fundou, a partir de 1914, um conjunto de Institutos conhecidos como "Família Paulina". Todos os membros das Congregações e Institutos por ele fundados se consagram à Rainha dos Apóstolos. A imagem, encomendada pelo Padre Alberione ao artista italiano J. B. Conti, representa Maria a segurar o Menino Jesus, num gesto de doação: entrega Jesus ao mundo. O Menino tem na mão um pergaminho, símbolo da Boa Nova que veio anunciar e do apostolado dos seus discípulos.

ORAÇÃO:

Ó Deus, que concedestes o Espírito Santo aos vossos Apóstolos, que oravam unânimes com Maria, Mãe de Jesus, fazei que também nós, protegidos por essa mesma Mãe, Mestra e Rainha, saibamos servir fielmente a vossa majestade e difundamos a glória do vosso nome, mediante a palavra e as obras. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

«Eu sou a Virgem da Revelação», disse Nossa Senhora numa aparição em Roma, no dia 12 de abril de 1947. O vidente, Bruno Cornacchiola, era um grande opositor da Igreja. Fez de tudo para combater a fé católica, tentando denegrir inclusive a imagem da Virgem. Lutou em Espanha ao lado dos comunistas; de volta a Itália, procurava difundir a ideia de que Maria não era virgem, nem imaculada, nem elevada aos céus.

Bruno brincava com os seus filhos perto de Tre Fontane, local de Roma onde se deu o martírio do Apóstolo Paulo. A Virgem apareceu primeiro aos seus filhos e por último a ele. Chocado, percebeu que tudo o que fizera não tinha sentido. Viu a Virgem com uma Bíblia na mão, sinal de que os dogmas da Virgindade, da Imaculada Conceição e da Assunção têm fundamentos bíblicos, são verdades reveladas. Facto curioso é que dez anos antes, no mesmo local, a Virgem aparecera a Luigina Sinapi e disse que voltaria ali para converter alguém que lutava contra a Igreja e planeava matar o Papa. Quando Pio XII soube da conversão, logo o associou à profecia anterior.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora da Revelação, que os dogmas da vossa Virgindade, Assunção e Imaculada Conceição sejam para todos sinais da vossa santidade e íntima participação no projeto salvífico de Deus. Iluminai-nos através da Palavra do vosso Filho, para que saibamos viver cada vez melhor a fé cristã. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora do Sim é recente, de origem francesa mas difundida principalmente pelo padre italiano Rotondi, fundador do movimento "Oásis". O carinho e devoção ao "sim" generoso de Maria diante da vontade de Deus, porém, esteve sempre presente na vida da Igreja. O sim à missão divina que aguardava por ela, o seu sim ao anjo Gabriel, que lhe anunciou a encarnação do Filho de Deus, mudou a história da Humanidade e fez de Maria a "nova Eva". Por isso a devoção a Nossa Senhora do Sim é muito rica em significados e em valores.

ORAÇÃO:

Ó Maria, com o vosso "sim" generoso ensinastes-nos a aceitar com alegria a vontade do Pai. Abri os vossos braços para receber os nossos pedidos e derramai o vosso sorriso sobre as nossas lutas quotidianas. Olhai com misericórdia para os nossos doentes que encontrem o caminho da cura. Olhai para as nossas crianças: que encontrem amor, compreensão e orientação. Olhai para os nossos jovens: que encontrem a sua vocação para dizer o sim definitivo. Olhai para todos os necessitados, para que encontrem amparo materno no vosso olhar animador. Ensinai-nos a dar um sim generoso ao Pai, para que os nossos pedidos recebam o vosso sim amoroso. Fazei que aceitemos o vosso Filho e O levemos aos irmãos, com a mesma disponibilidade com que vós O trouxestes até nós. Ámen.  

No Rosário, o segundo mistério gozoso recorda a visita da Virgem Maria à sua prima Isabel, grávida de João Batista, que haveria de ser o percursor de Jesus. A invocação de Nossa Senhora da Anunciação remete a esse facto, quando Maria, mesmo grávida, se põe ao serviço de Isabel, idosa e também grávida. Ao encontra-se com Maria, Isabel sente a presença salvífica de Deus e saúda-a como a Agraciada, a Mãe do Salvador. Nesta ocasião nasceu um dos mais belos hinos bíblicos, o Magnificat (Lc 1,46-55).

Desde o final do século XIII, a Visitação é celebrada com festa, depois introduzida no calendário romano pelo Papa Bonifácio IX.

ORAÇÃO:

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito alegra-se em Deus, meu Salvador,

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamar-me-ão bem-aventurada

todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia estende-se

de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos dos seus tronos

e exaltou os humildes.

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre.

Glória ao Pai...