AMOR MATERNO

Devoção popular em França, a imagem de Nossa Senhora do Aconchego mostra Maria muito jovem, protegendo o seu Filho com olhar amoroso. É invocada em muitos sítios como protetora dos recém-nascidos. O título original remete ao termo "aconchego", mas pode ser também traduzido como doce carinho, proteção materna ou ternura.
ORAÇÃO:
O vosso olhar amoroso de Mãe envolve e acolhe o Menino, que em vossos braços dorme tranquilo. Dirigi a cada um de nós o mesmo olhar de ternura e carinho, envolvendo-nos na vossa maternal proteção e aconchego, querida Mãe. Ámen.

Esta invocação vem da ilha do Pico, Açores. A imagem que deu origem à devoção representa Maria com o coração à mostra e no coração vê-se cravado um punhal. Muitas vezes é identificada como Nossa Senhora das Dores e representada com uma coroa de espinhos ou cravos, símbolos da Paixão de Cristo. Há uma estreita relação com a devoção do Santo Cristo, muito estimada nos Açores.
ORAÇÃO:
Em vós, querida Mãe, encontramos amparo e compaixão. Vós nunca nos abandonais e nos momentos em que mais precisamos estais ao nosso lado, dando-nos forças e segurança. Assim como acompanhastes cada passo de Cristo rumo ao Calvário, como sentistes com Ele as dores da flagelação, acompanhai hoje cada um de nós nas nossas dores e lamentos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

A devoção surgiu no século V, em Turim, Itália. O povo começou a chamar "Consolata" (Consoladora) à imagem da Virgem com o Menino ao colo, trazida da Palestina por Santo Eusébio.
A data da celebração da Consolata, 20 de junho, deve-se a uma tradição do século XII. Conta-se que, durante uma guerra, a imagem foi perdida e só foi reencontrada décadas depois, em 20 de junho de 1104, sob as ruínas da antiga igreja, por um cego francês que teve uma visão de Nossa Senhora. Outra tradição diz que a imagem se perdeu quando os padres tentavam protegê-la dos iconoclastas. Esconderam a imagem, mas como os conflitos demoraram anos, os únicos que sabiam do seu local faleceram.
Há diversas variações deste título, tais como: Nossa Senhora da Consolação, Consoladora dos Aflitos e Consolação dos Perseguidos.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora Consoladora, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. Mãe de todos os homens, dai-me fé para seguir sempre a Jesus Cristo, vosso Filho. Quero, como vós fizestes, estar sempre perto de Jesus, em todos os momentos da vida, minha Mãe! Ajudai-me nas minhas lutas, ajudai-me nos meus trabalhos, ajudai-me a ser consciente da minha missão de cristão. Que a graça de Deus esteja sempre em mim e que eu possa comunicar essa mesma graça aos meus irmãos. Virgem Maria, eu vos saúdo, ó Mãe cheia de graça, eu vos louvo por serdes a Mãe de Cristo e nossa Mãe. Ámen.

No ano de 1932, Nossa Senhora apareceu 33 vezes em Beauraing, um povoado da Bélgica, próximo da fronteira com a França. Os agraciados com as suas visões foram cinco crianças. A primeira vez que a viram foi quando saíam da escola e as demais foi num jardim próximo da escola. A Virgem, que tinha como marca principal um "coração de ouro", identificou-se como "Mãe de Deus, Rainha do Céu". Ela perguntou-lhes: «Vocês amam-me? Pois então sacrifiquem-se por mim. Orem sempre.» O Coração de Maria deu proteção e conforto ao povo belga durante a Segunda Grande Guerra, difundindo-se enormemente a dupla devoção: Nossa Senhora do Coração de Ouro e Nossa Senhora de Beauraing.
ORAÇÃO:
Mãe de Deus, Rainha do Céu, o vosso coração de ouro é símbolo da riqueza que aí está guardada; o imenso amor pela Humanidade. Diversas vezes manifestastes esse amor por nós; então, hoje queremos retribuir mostrando o nosso grande amor por vós e pelo vosso Filho. A maneira de demonstrarmos esse nosso amor, como vós mesma dissestes, é rezando. (Reza-se o terço do Rosário)

A cidade espanhola de Valência tem como padroeira Nossa Senhora dos Desamparados. O título, juntamente com a imagem, foi criado em 1409 pelo padre Jofre. Ao andar pela cidade de Valência, o padre Jofre presenciou uma cena de grande violência contra um menino de rua. Decidiu naquele momento iniciar uma confraria para cuidar dos desamparados. Construiu um abrigo e uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados. A imagem foi esculpida por dois peregrinos e não tardou a aparecer sinais de milagres a ela associados.
ORAÇÃO:
Querida Senhora, que acolheis os pobres desamparados no calor do vosso abrigo e a todos confortais com o vosso cuidado materno, fazei que eu seja mais desprendido e sempre solidário com as necessitados e excluídos. Ámen.

Esta devoção faz referência à fuga da Sagrada Família para o Egito, retratada na Escritura (Mt 2,3ss). Avisado pelo anjo, José leva Maria e o Menino para um lugar seguro, longe de Herodes. Neste exílio forçado preparam Jesus para o seu regresso à Galileia. A Sagrada Família passou cerca de cinco anos no Egito, voltando para Nazaré depois da morte de Herodes.
A devoção foi muito forte no período colonial, talvez pelo sentimento dos portugueses de encontrar na Virgem exilada o consolo de que necessitavam para o seu próprio desterro. Em alguns lugares ela é chamada Nossa Senhora dos Imigrantes ou da Fuga para o Egito.
ORAÇÃO:
De Belém ao Egito, com o Menino recém-nascido escondido e apertado ao peito, por terras desérticas e desconhecidas, triste e silenciosa, seguindo os passos firmes de José... Eis a Mãe do Filho de Deus a caminho do Desterro. Nossa Senhora do Desterro, olhai para nós, vossos filhos, apreensivos e inseguros, neste vale de lágrimas, a caminho da Pátria definitiva. Depois deste desterro, ó Mãe carinhosa, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Nossa Senhora do Desterro, acompanhai-nos na travessia do deserto da vida, até alcançarmos o oásis eterno: o Céu. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora da Divina Providência teve início em Itália, no século XIII, e depois difundiu-se pelo resto da Europa, chegando até à Espanha, onde foi construído um santuário, em Terragona. Quando foi nomeado bispo de Porto Rico, monsenhor Gil Estevez y Tomas introduziu a devoção no país. Levou para a catedral uma imagem de Maria sentada, inclinada sobre o Menino que dorme. As mãos da Virgem unem-se em oração enquanto seguram a mão esquerda de Jesus. Foi declarada padroeira de Porto Rico, em 1969, pelo Papa Paulo VI.
ORAÇÃO:
Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe da Divina Providência, sustentai a minha alma com a plenitude da vossa graça, governai a minha vida e dirigi-me nos caminhos da virtude, até ao cumprimento perfeito da Divina Vontade. Alcançai-me o perdão das minhas culpas; sede o meu refúgio, a minha proteção, defesa e guia na peregrinação deste mundo; consolai-me na mina aflição, sustentai-me no perigo, sede o meu seguro asilo nas tormentas da adversidade.
Ó dulcíssima Mãe da Providência, lançai um olhar materno sobre mim, porque sois a minha esperança. Fazei que eu possa saudar-vos no céu como Mãe da Glória. Ámen.

Em 1740, quando voltava para Roma, um peregrino foi surpreendido por alguns cães raivosos. Cercado, o homem vê no alto de uma torre a imagem de Nossa Senhora – a Virgem sentada no trono real, com o Menino Jesus ao colo: uma pomba desce sobre ela como símbolo do Espírito Santo, o Divino Amor. O pobre homem pede-lhe ajuda. No mesmo instante os cães acalmam-se e vão-se embora.
Logo que o miraculado chegou a Roma e contou o facto, iniciaram-se peregrinações ao castelo onde a Virgem se manifestara, a cerca de 15 km da cidade. No dia 4 de Junho de 1944, quando os aliados chegavam perto de Roma, o Papa Pio XII rezou, pedindo que Nossa Senhora do Divino Amor livrasse a cidade de bombardeamentos. Nessa mesma noite as resistências nazis caíram e os alemães deixaram Roma sem combate com os aliados. O Papa agradeceu a Nossa Senhora e proclamou-a "Salvadora de Roma".
ORAÇÃO:
Ó Maria, Mãe do Divino Amor, a vós elevamos as nossas súplicas e esperamos alcançar as graças de que necessitamos. Concedei a paz ao mundo, fazei triunfar o vosso amor, protegei o Papa, reuni na unidade perfeita todos os cristãos, iluminai com a luz do Evangelho todos os que ainda não creem, convertei os pecadores. Dai-nos a coragem do arrependimento constante e força para vencer as tentações, iluminai a nossa mente para seguirmos sempre o caminho do bem. Finalmente, quando Deus nos chamar, abri-nos as portas do céu. Que o nosso coração arda sempre no amor de Deus nesta vida, para gozarmos eternamente convosco no céu. Ámen.

Nossa Senhora do Doce Beijo é uma variação da Virgem "Glykofilusa", um ícone da escola cretense do século XVII. Representa Maria com olhar terno, também denominada Nossa Senhora da Ternura. As principais características do ícone, popular nas regiões gregas e ítalo-bizantinas, são as expressões de carícia no rosto de Maria e do Menino, a delicadeza com que Jesus apoia a sua mão e as vestes típicas da região onde o ícone foi pintado. Mede 49x64 cm e encontra-se atualmente no Pontifício Colégio Grego de Roma. Às vezes é chamada Nossa Senhora da Ternura, ou ainda "Glykofilusa".
ORAÇÃO:
Coração Dulcíssimo de Maria, dai-nos força e segurança na nossa caminhada na terra. Sede vós mesma o nosso caminho, porque vós conheceis a senda e o atalho certo que levam, com o vosso amor, ao amor de Jesus Cristo. Ámen.

Presente desde o início do Cristianismo, esta devoção foi oficialmente reconhecida em 656, no Concílio de Toledo. Em França existe o santuário mais antigo a ela dedicado, construido no ano 930.
De Espanha, o culto chegou a Portugal, onde se popularizou durante o período das grandes navegações. Os marinheiros invocavam a Virgem da Esperança para que os protegesse dos perigos nos mares desconhecidos. Na primeira missa celebrada no Brasil, em 26 de abril de 1500, havia sobre o altar uma imagem de Nossa Senhora da Esperança, que acompanhava a expedição de Pedro Álvares Cabral, levada no navio por Frei Henrique de Coimbra. Diz-se que esta imagem é a que hoje se encontra na Igreja da Sagrada Família, em Belmonte.
ORAÇÃO:
Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria, Senhora da Esperança, vós sois a nossa advogada perante Deus. Na minha fraqueza e no meu desânimo, apelo para os tesouros da vossa misericórdia e bondade. A vós recorro, cheio de esperança, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Abençoai as nossas famílias, protegei os nossos jovens, adultos e crianças. Amparai a nossa Pátria. Dai-nos saúde de corpo e alma e alcançai-nos a graça de que tanto necessitamos […].
Aumentai a nossa fé, esperança e caridade, para sermos dignos das promessas de Cristo. Ámen.

Jesus, Maria e José formam a Sagrada Família, modelo perfeito de convívio familiar. Cada família hoje deveria espelhar-se no exemplo dado por Maria e José no cuidado e educação do Menino Jesus. Cada filho hoje deveria seguir o exemplo de respeito, atenção e carinho que Jesus demonstrou sempre por Maria, sua Mãe, e por José, seu pai adotivo. Por tudo isso, Maria é invocada como protetora das famílias. A festa da Sagrada Família é celebrada no domingo após o Natal.
ORAÇÃO:
Virgem Maria, com humildade acorremos a vós, todos os da nossa família, certos de que não nos abandonais por causa das nossas limitações e faltas. Animados pelo vosso amor de Mãe, oferecemo-vos o nosso corpo para que o purifiqueis, a nossa alma para que a santifiqueis, o que somos e o que temos, consagrando tudo a vós. Amparai, protegei, bendizei e guardai sob a vossa maternal bondade a todos e a cada um dos membros desta família que se consagra totalmente a vós. Ámen.

Durante a Primeira Grande Guerra, o Papa Bento XV pediu aos católicos que rezassem a Nossa Senhora a pedir pelo fim dos conflitos. Logo depois, uma aparição da Virgem confirmou que ela não abandona o seu povo. No dia 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu na Cova da Iria, em Fátima, aos jovens pastorinhos: Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos) e aos seus primos, Francisco (nove anos) e Jacinta Marto (sete anos). «Uma mulher muito linda e brilhante apareceu sobre um pé de azinheira», declararam.
As aparições sucederam-se por seis meses, todos os dias 13. O seu único pedido era que rezassem o Terço com sinceridade de coração. Uma grande multidão começou a peregrinar ao local para ver a Virgem, mas apenas as três crianças eram capazes de a ver e ouvir. Somente no mês de outubro, com quase 70 mil pessoas reunidas, Nossa Senhora deu um sinal a todos: puderam ver o sol a fazer malabarismos no céu.
Nossa Senhora de Fátima revelou três segredos que chocaram o mundo e criaram uma expectativa por muitos anos. O primeiro foi a projeção do inferno. Os pastorinhos puderam ver a dor e o sofrimento dos que não se salvam sendo arrastados por um rio de fogo. O segundo segredo revelou o fim da Primeira Guerra Mundial, mas com a advertência de que uma nova batalha se iniciaria se os seus pedidos não fossem ouvidos. Quando os conflitos da Segunda Guerra Mundial começaram, a população lembrou-se logo de Fátima.
O terceiro segredo ficou desconhecido até ao ano 2000. Todos pensavam que se tratava de uma grande catástrofe que abalaria o mundo e geraria pânico, por isso não podia ser revelado. Ficou sob os cuidados de Lúcia e dos Papas que antecederam João Paulo II, visto que Francisco faleceu em 19 19 e Jacinta em 1920. A revelação deu-se no dia 13 de maio de 2000, no Vaticano: «A visão de um bispo branco caindo ao chão aparentemente morto, atingido por uma arma de fogo.» A visão foi associada ao atentado contra João Paulo II no dia 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro. Os tiros quase mataram o Papa, que atribuiu a sua sobrevivência à proteção da Virgem de Fátima.
ORAÇÃO:
Santíssima Virgem Maria, que na serra d´Aire, na Cova da Iria, vos dignastes a aparecer a três humildes pastorinhos e lhes revelastes os tesouros de graças contidas na reza do Terço, infundi profundamente na nossa alma o devido apreço que devemos ter por esta devoção, a fim de que, meditando os mistérios da nossa redenção, aproveitemos dos seus preciosos frutos e alcancemos as graças que vos pedimos nesta devoção, se forem para maior glória de Deus, honra vossa e salvação das almas. Ámen.

Em tempos de grande conflito entre os indígenas e os colonizadores europeus que chegavam à América, Nossa Senhora apareceu ao índio asteca Juan Diego, mostrando ser ela também protetora dos indígenas e da nova terra. Era o ano 1531. Os missionários espanhóis iniciavam o seu trabalho de evangelização. Quando se dirigia à missa, Juan Diego ouviu uma voz que o chamava. Viu então a imagem da Virgem iluminada, com roupas e traços do povo Asteca. Maria pediu-lhe que fosse dizer ao bispo que construísse ali um santuário em sua honra.
Diante da incredulidade do bispo, a Virgem realizou alguns milagres: curou o tio de Juan Diego e fez brotar rosas na colina de Tepyac, onde apareceu. Pediu ao indígena para levar as flores ao bispo. Ao entregar as rosas, Juan Diego abriu o manto (tilma) que carregava e nele, como que impressa, apareceu a mesma imagem presenciada no monte.
Nossa Senhora de Guadalupe tem os traços da América e representa a resistência da cultura nativa diante da colonização europeia. Por isso, todo o povo latino-americano se identifica com ela e a venera. Foi proclamada padroeira da América Latina e a sua festa é celebrada a 12 de dezembro.
ORAÇÃO:
Virgem Santíssima, Nossa Senhora de Guadalupe! Nós vos pedimos, ó Mãe do céu, abençoai e protegei os povos da América Latina, para que todos nós, envolvidos pelo vosso carinho maternal, nos sintamos mais perto de Deus, nosso Pai. Nossa Senhora de Guadalupe, abençoados por vós e amparados pelo vosso Filho, Jesus, teremos força para alcançar a nossa libertação. Seremos libertados da superstição, dos vícios, dos pecados e também da injustiça e da opressão que sofremos da parte dos prepotentes que exploram e dominam os seus semelhantes. Ó Mãe de Jesus, nosso Salvador, atendei benigna à nossa oração.
Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, rogai por nós.

Uma das grandes virtudes de Maria é a humildade. Foi humilde ao aceitar a missão de dar à luz o Filho de Deus, foi humilde ao servir a sua prima Isabel, ao educar Jesus, ao acompanhar a missão d´Ele, ao sofrer com Ele as dores da paixão redentora. A humildade de Maria é modelo para todos os cristãos, por isso ela é denominada Nossa Senhora dos Humildes, ou da Humildade.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora dos Humildes, que inspirais todos os cristãos na vivência da humildade e da entrega pessoal, ajudai-me a realizar a minha missão em vosso nome. Quero seguir o vosso exemplo de dedicação, doação e humildade. Inspirai-me cada dia para que eu não me desvie deste caminho. Ámen.

Diversos escritores cristãos referem-se ao Imaculado Coração de Maria. Destacam-se os santos Éfrem, Jerónimo, Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino, Boaventura, Francisco de Sales. Quem popularizou a devoção, no entanto, foi São João Eudes, no século XVII, com a obra O Coração Admirável da Santíssima Mãe de Deus.
A devoção ao Imaculado Coração de Maria sempre esteve associada à do Sagrado Coração de Jesus. Por isso, as festas litúrgicas são em dias seguidos: terceira sexta-feira (Coração de Jesus) e terceiro sábado (Coração de Maria) depois do Pentecostes. As aparições de Fátima intensificaram a devoção, pois a própria Virgem manifestou o desejo de ver todos os cristãos consagrados ao seu Imaculado Coração. O Papa Pio XII, em 1942, consagrou toda a Humanidade ao Coração de Maria.
A principal característica desta devoção é exaltar o amor que Maria dedicou ao seu Filho Jesus e dedica a cada um de nós, hoje, seus filhos.
CONSAGRAÇÃO:
Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, ao vosso Coração Imaculado nos consagramos, em ato de entrega total ao Senhor. Por vós seremos levados a Cristo. Por Ele e com Ele seremos levados ao Pai. Caminharemos à luz da fé e faremos tudo para que o mundo creia que Jesus Cristo é o Enviado do Pai. Com Ele queremos levar o amor e a salvação até aos confins do mundo. Sob a proteção do vosso Coração Imaculado seremos um só povo com Cristo. Seremos testemunhas da sua Ressurreição. Por Ele seremos levados ao Pai, para glória da Santíssima Trindade, a quem adoramos, louvamos e bendizemos. Ámen.

Joana era uma jovem pastora muda da região de Sernancelhe. Viveu no século XV e tinha o costume diário de se ajoelhar e rezar em frente de uma pequena imagem da Virgem que encontrara e que trazia sempre consigo. Durante o inverno, como não podia sair de casa, Joana fazia o mesmo ritual diante da lareira. Certo dia, sua mãe, furiosa, lançou a imagem ao fogo. Nesse instante, dois milagres aconteceram: as chamas pareciam afastar-se da imagem para não a queimarem; e Joana gritou: «Ó minha mãe! Não a queimes, é a Senhora da Lapa!» Atónita, a mãe tenta tirar a imagem do fogo, mas não consegue. A filha, então, fala novamente: «Encontrei esta linda imagem no ponto mais alto da serra, escondida no fundo de uma lapa dos maiores penedos que aí se encontravam, quase impossível de se lá entrar. Brilhava no interior da lapa com um fulgor estranho e de lá retirei a minha companheira inseparável. Ela deu-me a fala. É a minha Nossa Senhora da Lapa!»
ORAÇÃO:
Nossa Senhora da Lapa, que há mais de quinhentos anos aparecestes numa imagem humilde à pastora Joana, a quem devolvestes o dom da fala e, na gruta rochosa, fizestes descer tantas graças de Deus sobre a Humanidade, sede sempre a estrela que brilha na nossa vida. Mãe Admirável, volvei para nós o vosso olhar bondoso e atendei-nos em todas as nossas necessidades. Dai a paz ao mundo, protegei as nossas famílias, amparai-nos nas horas de aflição e aumentai a nossa fé. Ámen.

Todas as fases da maternidade divina de Maria são homenageadas pelos devotos. Temos assim os títulos de Nossa Senhora da Anunciação, da Encarnação, do Bom Parto, do Ó, etc. Do mesmo modo surgiu a devoção a Nossa Senhora do Leite, ou da Lactação, pelo período que Maria amamentou o Filho de Deus, muito retratada pelos artistas da Idade Média e principalmente pelos renascentistas e barrocos, e já presente nos mosteiros do Egito no século VI. As mães hoje invocam Nossa Senhora do Leite no período da amamentação.
Na catedral de Braga encontramos uma imagem desta Senhora, tida como símbolo da cidade. A escultura é do século XVI, atribuída a Nicolau de Chanterenne.
ORAÇÃO:
Com grande alegria e dedicação, Senhora, amamentastes o Menino Jesus, preparando-O para a missão que o Pai Lhe tinha destinado. Fazei que hoje todas as mães possam amamentar os seus filhos, tornando-os mais fortes, imunes a infeções e a doenças. Abençoai também todas as crianças nesta fase de amamentação, seres frágeis e indefesos. Ámen.

O título de Mãe da Igreja foi proclamado pelo Papa Paulo VI, em 21 de novembro de 1964, durante o Concílio Vaticano II. Paulo VI dizia: «Para a glória da Virgem e para o nosso conforto, proclamamos Maria Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores que lhe chamam Mãe Amorosíssima; e queremos que a Virgem seja doravante honrada e invocada por todo o povo cristão com este título suavíssimo.»
Maria sempre foi Mãe e modelo da Igreja. É Mãe porque deu o seu "sim" ao anúncio do anjo, colaborou no plano da salvação, acompanhou Jesus no seu ministério público e ouviu aos pés da cruz o próprio Jesus a dizer ao discípulo João: «Eis aí a tua Mãe.» (Jo 19,27) É modelo porque seguiu o seu Filho, esteve em oração com os discípulos, esteve disposta a receber o Espírito Santo, ouviu sempre o Pai e seguiu o seu plano de salvação.
ORAÇÃO:
Ó Deus, pelo vosso poder e bondade, a santíssima Virgem, fruto excelente da redenção, brilha como puríssima imagem da Igreja. Concedei ao vosso povo, peregrino na terra, que fixando nela os olhos, siga fielmente a Cristo, até chegar àquela plenitude de glória que com alegria contempla na Virgem Maria. Ámen.

No ano de 431, o Concílio de Éfeso proclamou solenemente o dogma da Maternidade Divina de Maria: ela é verdadeiramente Mãe de Cristo, que é verdadeiro Filho de Deus. Maria é, assim, a Teotókos – Mãe de Deus.
A tradição e a devoção a Nossa Senhora Mãe de Deus, no entanto é muito anterior ao Concílio: estava presente na vida das primeiras comunidades cristãs.
Foi a primeira festa mariana da Igreja ocidental.
O Concílio Vaticano II reforçou o dogma, afirmando que «Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus e, não retida por qualquer pecado, abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus omnipotente o mistério da Redenção.» (cf. Lumen Gentium, 56)
Ela é portanto Mãe de Deus e Mãe de toda a Humanidade redimida por Cristo.
ORAÇÃO:
Dai-me, Senhora Mãe de Deus, um pouco da vossa força para a minha fraqueza.
Um pouco da vossa coragem para o meu desalento.
Um pouco da vossa compreensão para o meu problema.
Um pouco da vossa plenitude para o meu vazio.
Um pouco da vossa rosa para o meu espinho.
Um pouco da vossa certeza para a minha dúvida.
Um pouco do vosso Sol para o meu inverno.
Um pouco da vossa disponibilidade para o meu cansaço.
Um pouco do vosso rumo infinito para o meu extravio.
Um pouco da vossa neve para o meu barro.
Um pouco da vossa serenidade para a minha inquietude.
Um pouco da vossa chama para o meu gelo.
Um pouco da vossa luminosidade para a minha noite.
Um pouco da vossa alegria para a minha tristeza.
Um pouco da vossa sabedoria para a minha ignorância.
Um pouco do vosso amor para o meu rancor.
Um pouco da vossa pureza para o meu pecado.
Um pouco da vossa vida para a minha morte.
Um pouco da vossa transparência para o meu escuro.
Um pouco do vosso Filho de Deus para este vosso filho pecador.
Com todos esses "poucos", Senhora, eu terei tudo.
E assim seja, eternamente, com Cristo na glória. Aleluia!

Medjugorje é uma vila da Bósnia-Herzegovina, antiga Jugoslávia. Nesta terra de agricultores, povo simples e trabalhador, ocorrem, desde 24 de Junho de 1981, aparições de Nossa Senhora a seis jovens: Ivanka e Vicka Ivankovic, Mirjana e Ivan Dragicevic, Matija Pavlovic e Jacov Colo. Nas primeiras aparições, que eram diárias, Maria disse: «Vim para converter o povo e reconciliar todo o mundo» e apresentou-se como Rainha da Paz. Pedia insistentemente: «A paz deve reinar entre o homem e Deus e entre os homens.»
Na época havia muita tensão por causa do regime comunista e os jovens foram perseguidos e impedidos de voltar ao monte onde viam a Virgem. Ela, porém, sempre os fortaleceu. Com uma coroa de doze estrelas na cabeça, a bela Senhora encanta os videntes, que a contemplam como que hipnotizados.
As aparições de Medjugorje são as mais longas da história. Foram muito importantes durante o longo período de guerra civil na antiga Jugoslávia, pois mantiveram os católicos unidos e confiantes na busca da paz. Medjugorje não sofreu nenhuma ataque durante toda a guerra, o que fez a fé aumentar na região. O pedido insistente mereceu à Virgem de Medjugorje o título de "Rainha da Paz".
ORAÇÃO:
Ó minha Mãe! Mãe de bondade, amor e misericórdia! Amo-vos imensamente e ofereço-me a vós. Por meio da vossa bondade, do vosso amor e da vossa misericórdia, salvai-me! Desejo ser vosso. Amo-vos imensamente e desejo a vossa proteção. Do íntimo do coração, peço-vos, ó Mãe de bondade, concedei-me a vossa bondade, para que, por meio dela, eu alcance o céu. Peço-vos, pelo vosso imenso amor, que me concedais a graça de puder amar a cada um como amastes a Jesus Cristo. Peço-vos a graça de vos ser grato. Ofereço-me completamente a vós e desejo que estejais comigo em cada passo, porque vós sois a "Cheia de Graça". Desejo nunca me esquecer da vossa graça e, se eu a perder, peço-vos que a encontre de novo. Ámen.

Maria estende a sua mão a todos os que a ela se dirigem. Não importa que tenham pecado. Ela é Mãe misericordiosa, sempre pronta a interceder pelos seus filhos. A devoção a Nossa Senhora da Misericórdia teve origem no século XII, quando o bem-aventurado Eskil, já agonizante, teve uma visão. Viu-se a cair num abismo, rumo ao inferno, e implorou a misericórdia de Maria. O seu compromisso foi: a mudança de vida, que o levou a ser bom cristão e posteriormente bispo. Existem registos em Portugal de confrarias e igrejas dedicadas a Nossa Senhora da Misericórdia desde o século XV.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, que conduzistes o bem-aventurado Eskil ao caminho da conversão e da santidade, guiai cada um de nós pelo mesmo caminho de transformação interior. Com a vossa ajuda seremos dignos herdeiros do Reino. Ámen.

A região de Liège, Bélgica, é uma das mais inférteis da Europa. Ali fica a vila de Banneux, onde Mariette Beco, de doze anos, teve em 1933 uma série de visões de Nossa Senhora. A primeira aparição ocorreu em 15 de janeiro, no quintal da casa. Ao olhar pela janela, Mariette viu uma senhora muito formosa, toda iluminada; vestida como a Virgem de Lourdes. Queria ir ao seu encontro, mas foi impedida pela mãe, temerosa por não saber o que se passava. Dias depois, a Virgem aparece novamente e conduz Mariette até uma fonte. Lá diz-lhe: «Esta fonte está reservada para mim.» E desaparece. Diante da incompreensão da menina, disse noutra aparição: «Esta fonte está reservada para todas as nações, para restaurar e socorrer os doentes.» A menina perguntou também qual era o nome da Senhora, que respondeu: «Eu sou a Virgem dos pobres».
Uma simples capela foi construída junto à fonte, conforme o desejo da Virgem dos Pobres. Em 1949, as aparições foram oficialmente reconhecidas e um santuário foi construído no local.
ORAÇÃO:
Nossa Senhora, Virgem dos Pobres, acalentai o coração dos que sofrem com a pobreza e o abandono. Fazei que a justiça prevaleça sobre a injustiça, a caridade sobre o egoísmo, a solidariedade sobre o individualismo. Assim viveremos mais tranquilos e felizes. Ámen.

Em harmonia com as festas do Coração de Jesus e de Cristo Rei, o Papa Pio XII instituiu as festas do Imaculado Coração de Maria, em 1944, e de Nossa Senhora Rainha, em 1955. Hoje, Nossa Senhora Rainha é celebrada em 22 de agosto, oito dias após a Assunção, para destacar a relação das duas festas. Maria é Rainha porque é Mãe de Cristo, o Rei, e porque supera todos os seres humanos em santidade e graça. Todos podem contemplar nela a bondade e o amor com que Deus abençoou as criaturas.
O título de Rainha exprime o pensamento de que a Santíssima Virgem alcança todos os graus de santidade e virtude. Como Rainha elevada ao céu, é reconhecida como a criatura mais perfeita e modelo de santidade. Invocamos ainda a Mãe de Deus com os títulos de Rainha dos Anjos, Rainha dos Patriarcas, Rainha dos Profetas, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha das Virgens, Rainha de Todos os Santos, Rainha Imaculada, Rainha do Santíssimo Rosário, Rainha da Paz, Rainha do Universo, Rainha do Amor, Rainha do Mundo, Rainha dos Homens...
ORAÇÃO:
Ó Deus, que fizestes a Mãe do vosso Filho nossa Mãe e Rainha, dai-nos, por sua intercessão, a possibilidade de alcançar o Reino do Céu e a glória prometida aos vossos filhos e filhas. Ámen.

Em 1985, Nossa Senhora apareceu ao italiano Renato Baron, de 53 anos, em Schio. Na ocasião, apresentou-se como Rainha do Amor e deixou a seguinte mensagem: «Tu não és o único que sofre. Os pecados são a origem de todos os males deste mundo. […] Comunica a todos os sofredores: devem sacrificar-se, levando a cruz pela conversão dos pecadores. A Humanidade não tem muito tempo para se redimir.» Muitas outras mensagens de amor se sucederam até 1991, sempre a convidar à conversão e à santidade.
ORAÇÃO:
Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a vós. E, em prova da minha devoção para convosco, vos consagro neste dia (ou nesta noite) os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E, porque assim sou vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa. Lembrai-vos de que vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa, guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa, Ámen.

De entre as várias invocações marianas, algumas destacam o espírito materno da Virgem, que tranquiliza, afaga, dá ternura. O olhar meigo e os gestos serenos de Maria conduzem Jesus ao repouso. Hoje todos nós recorremos a ela para encontrar a serenidade, o repouso físico e espiritual. Buscamos vida calma, sem aquela agitação na qual normalmente estamos envolvidos. Maria é quem nos dá esse "repouso espiritual".
ORAÇÃO:
Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer que algum
daqueles que tenha recorrido à Vossa protecção,
implorado a Vossa assistência e reclamado o Vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança,
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro, de Vós me valho,
e, gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos Vossos pés. (fazer o pedido)
Não desprezeis as minhas súplicas,
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai- Vos de as ouvir propícia
e de me alcançar o que Vos rogo. Ámen

A devoção a Nossa Senhora do Sagrado Coração foi iniciada pelo padre Chevalier, em 1854. Ele pediu ajuda à Virgem que animasse a sua obra que visava Ámenizar os males do seu tempo e levar ao povo a devoção do Coração de Jesus como fonte de salvação.
O padre Chevalier começou a invocar Maria com o mesmo título: Sagrado Coração. Segundo o próprio padre, o objetivo desta devoção é honrar Maria na relação de amor inefável entre ela e o seu Filho. Veja-se também a devoção a Nossa Senhora do Imaculado Coração.
ORAÇÃO:
Lembrai-vos, ó Nossa Senhora do Sagrado Coração, que sois a Mãe de Jesus, a bendita entre as mulheres. Temos confiança em vós, porque estais unida a Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor. Sabemos a nossa fraqueza e a nossa miséria e por isso vimos implorar a vossa proteção. Ajudai-nos, ó Mãe querida. Dai-nos força e coragem. Conservai-nos na esperança, até ao dia do nosso encontro definitivo com Deus, nosso Pai. Ó Mãe carinhosa, libertai-nos do egoísmo, alcançai para o mundo a paz e o amor. Concedei-nos em especial os favores que vos suplicamos... Apresentai ao vosso Filho estes nossos pedidos e ações de graças; e fazei, ó Maria, que venha a nós o seu Reino, vós que sois a Senhora do Sagrado Coração. Ámen.

A devoção a Nossa Senhora do Sim é recente, de origem francesa mas difundida principalmente pelo padre italiano Rotondi, fundador do movimento "Oásis". O carinho e devoção ao "sim" generoso de Maria diante da vontade de Deus, porém, esteve sempre presente na vida da Igreja. O sim à missão divina que aguardava por ela, o seu sim ao anjo Gabriel, que lhe anunciou a encarnação do Filho de Deus, mudou a história da Humanidade e fez de Maria a "nova Eva". Por isso a devoção a Nossa Senhora do Sim é muito rica em significados e em valores.
ORAÇÃO:
Ó Maria, com o vosso "sim" generoso ensinastes-nos a aceitar com alegria a vontade do Pai. Abri os vossos braços para receber os nossos pedidos e derramai o vosso sorriso sobre as nossas lutas quotidianas. Olhai com misericórdia para os nossos doentes que encontrem o caminho da cura. Olhai para as nossas crianças: que encontrem amor, compreensão e orientação. Olhai para os nossos jovens: que encontrem a sua vocação para dizer o sim definitivo. Olhai para todos os necessitados, para que encontrem amparo materno no vosso olhar animador. Ensinai-nos a dar um sim generoso ao Pai, para que os nossos pedidos recebam o vosso sim amoroso. Fazei que aceitemos o vosso Filho e O levemos aos irmãos, com a mesma disponibilidade com que vós O trouxestes até nós. Ámen.

