AJUDA

Em Portugal sempre foi tradição os soldados e marinheiros homenagearem a Virgem, invocando a sua ajuda. Várias naus eram colocadas sob a proteção de Nossa Senhora da Ajuda, talvez devido à pequena ermida, existente em Lisboa, na praia do Restelo, que abrigava uma milagrosa imagem aí encontrada. É também a principal devoção mariana das Ilhas Maurício, um arquipélago localizado no litoral leste de África. Às vezes é também chamada Nossa Senhora do Socorro, da Boa Ajuda e do Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima da Ajuda, Virgem pura e imaculada, ouvi como especial advogada os nossos clamores. Mostrai-nos o vosso poder profundo. O céu e a terra, o mundo inteiro vos venera, até o inferno a vós se rende, ó Senhora! Procuramos o vosso abrigo como filhos miseráveis, pois são admiráveis os vossos prodígios. Queremos, Senhora, seguir os vossos passos. Sede sempre nossa protetora e advogada, socorrei-nos e às nossas famílias, alcançai para todos as graças que vos pedimos, e enfim a eterna felicidade do Céu. Abençoai-nos e protegei-nos, ó Virgem Mãe Santíssima. Ámen.  

No concelho de Vila Verde, arquidiocese de Braga, encontramos um santuário e a popular festa a Nossa Senhora do Alívio, com grandes romarias realizadas no primeiro e no segundo domingos de setembro. Em toda a diocese de Braga é forte a devoção, surgida certamente pela busca de segurança ("alivio") na hora de dificuldade e perigo. Noutros lugares a festa é celebrada no dia 15 de agosto.

ORAÇÃO:

Nos momentos de perigo, de insegurança, de medo e de dor, é sob o vosso manto que encontramos abrigo e proteção, querida Mãe. Continuai sempre a garantir-nos o alívio necessário para vivermos alegres e fervorosos na fé, pois assim seremos sempre melhores cristãos e seres humanos mais dignos. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Anguera é uma cidade no interior da Baía, Brasil, onde há quinze anos Nossa Senhora se tem manifestado através de várias aparições. É invocada sob o título de Rainha da Paz, Mãe dos pobres, fracos e oprimidos. Estas já são as mais prolongadas e profícuas aparições da Virgem na América. Ocorrem desde 1987, ao humilde agricultor Pedro Régis. A primeira delas, em 29 de setembro de 1987, deu-se quando ele voltava da escola, na companhia do amigo Celestino Cruz.

A Virgem pediu orações e afirmou: «Não tenhas medo, pois eu sou a Mãe de Jesus. Estou aqui porque preciso de ti para ajudar os meus pobres filhos que precisam do meu auxílio.» As aparições repetem-se quase semanalmente, sempre a pedir orações, jejum, conversão, paz e justiça. Após anotar as mensagens, Pedro lê-as aos que o acompanham sem poder ver a Virgem que os abençoa.

ORAÇÃO:

Nas vossas aparições, ó Maria, pedistes oração, jejum, conversão, paz e justiça. Com a vossa ajuda realizaremos estes e muitos outros sinais de humildade, desapego e total confiança em vós e no vosso Filho. Somos pecadores e limitados, mas com a vossa ajuda seremos santos e dignos do reino. Ámen.  

Nossa Senhora foi constantemente invocada para proteger e auxiliar os soldados cristãos nas batalhas. No ano 626, no cerco de Constantinopla pelos persas, o patriarca Sérgio invocou o nome da Virgem Maria e ao 11.º dia de batalha, o vulto de uma senhora saiu da cidade em direção ao acampamento inimigo. Pouco tempo depois, os persas desistiram da batalha.

Os cristãos atribuíram o feito à intervenção de Nossa Senhora, que vem sempre em auxílio do povo. A devoção difundiu-se, porém, no século XIX, por iniciativa de Dom Bosco e das congregações salesianas por ele fundadas. Às vezes é chamada Nossa Senhora do Auxílio ou Auxílio dos Cristãos.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem poderosa, grande e ilustre defensora da Igreja, auxílio maravilhoso dos cristãos, terrível como exército ordenado em batalha. Vós, que destruístes toda a heresia em todo o mundo, nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defendei-nos do inimigo; e na hora da morte, acolhei a nossa alma no paraíso. Ámen.  

Na Idade Média existia em França um santuário dedicado à "Betharram", que vem do hebraico e significa "Belo Ramo". Uma lenda, porém, conta que o início da devoção se deve a uma jovem, que, em perigo após cair num rio, pediu à Virgem que a ajudasse. Logo um ramo lhe apareceu perto da mão e pôde então salvar-se. Como agradecimento, fez um ramo de ouro e pô-lo na mão da Virgem. Em 1589, um incêndio destruiu o santuário – que só foi reconstruído no século seguinte – e a imagem foi levada para a Espanha.

ORAÇÃO:

No perigo, socorreis-nos; na angústia, acalmais-nos; na tristeza, alegrais-nos... A vós recorremos em todos os momentos, querida Mãe, na certeza de sermos atendidos. Após sermos acolhidos pelo vosso amor e auxiliados nas nossas necessidades, que saibamos agradecer-vos e louvar-vos continuamente. Ámen.  

A cidade espanhola de Valência tem como padroeira Nossa Senhora dos Desamparados. O título, juntamente com a imagem, foi criado em 1409 pelo padre Jofre. Ao andar pela cidade de Valência, o padre Jofre presenciou uma cena de grande violência contra um menino de rua. Decidiu naquele momento iniciar uma confraria para cuidar dos desamparados. Construiu um abrigo e uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados. A imagem foi esculpida por dois peregrinos e não tardou a aparecer sinais de milagres a ela associados.

ORAÇÃO:

Querida Senhora, que acolheis os pobres desamparados no calor do vosso abrigo e a todos confortais com o vosso cuidado materno, fazei que eu seja mais desprendido e sempre solidário com as necessitados e excluídos. Ámen.  

A origem da devoção de Nossa Senhora Desatadora de Nós está ligada à imagem barroca pintada por volta de 1700 em Augsburg, na Alemanha. A imagem representa a Imaculada Conceição, com uma coroa de doze estrelas que simboliza as tribos de Israel e os Apóstolos. Na mão, tem uma corda com nós, entregue por um anjo, que representam o pecado original, os nossos pecados e tudo o que impede a graça de agir frutuosamente. Há uma clara referência às meditações de Santo Ireneu sobre o pecado. Nossa Senhora ajuda a desatar esses nós, e todos os "nós" que surgem na nossa vida e nos impedem de viver plenamente.

ORAÇÃO:

Santa Maria, Desatadora de Nós, cheia da presença de Deus, durante os dias da vossa vida aceitastes com toda a humildade a vontade do Pai e nunca fostes dominada pelo mal. Junto do vosso Filho, intercedestes pelas nossas dificuldades e, com toda a paciência, deste-nos o exemplo de como desenrolar as linhas embaralhadas da nossa vida. Proclamada por Jesus como nossa Mãe, colocais em ordem e fazeis mais claros os laços que nos unem a Ele.

Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, que com o coração materno desatais os nós que atrapalham a nossa vida, pedimos que recebais em vossas mãos... (dizer o próprio nome ou o nome da pessoa pela qual reza) e que a(o) livreis das amarras e confusões.

Pela graça de Deus, por vossa intercessão, com o vosso exemplo, livrai-nos de todo o mal, Senhora Nossa, e desatai os nós que nos impedem de nos unirmos a Deus. Assim, livres de toda a confusão e erro, louvemo-l´O em todas as coisas, coloquemos n´Ele o nosso coração e possamos servi-l´O sempre nos nossos irmãos. Ámen.  

A devoção a Nossa Senhora da Divina Providência teve início em Itália, no século XIII, e depois difundiu-se pelo resto da Europa, chegando até à Espanha, onde foi construído um santuário, em Terragona. Quando foi nomeado bispo de Porto Rico, monsenhor Gil Estevez y Tomas introduziu a devoção no país. Levou para a catedral uma imagem de Maria sentada, inclinada sobre o Menino que dorme. As mãos da Virgem unem-se em oração enquanto seguram a mão esquerda de Jesus. Foi declarada padroeira de Porto Rico, em 1969, pelo Papa Paulo VI.

ORAÇÃO:

Ó Maria, Virgem Imaculada, Mãe da Divina Providência, sustentai a minha alma com a plenitude da vossa graça, governai a minha vida e dirigi-me nos caminhos da virtude, até ao cumprimento perfeito da Divina Vontade. Alcançai-me o perdão das minhas culpas; sede o meu refúgio, a minha proteção, defesa e guia na peregrinação deste mundo; consolai-me na mina aflição, sustentai-me no perigo, sede o meu seguro asilo nas tormentas da adversidade.

Ó dulcíssima Mãe da Providência, lançai um olhar materno sobre mim, porque sois a minha esperança. Fazei que eu possa saudar-vos no céu como Mãe da Glória. Ámen.

Elisabeth, irmã marcelina italiana, muito fragilizada por uma doença incurável, teve uma visão de Nossa Senhora no ano de 1924. Com o Menino a chorar nos seus braços, a Virgem disse a Elisabeth que rezasse para encontrar a cura e o fim do seu sofrimento. Em nova aparição, disse que as lágrimas nos olhos do seu Filho se deviam ao facto de Ele não ser suficiente amado, procurado e desejado pelas pessoas, principalmente as consagradas. Tendo recuperado a saúde, a irmã Elisabeth passou a divulgar a mensagem de Maria pelo mundo.

ORAÇÃO:

Ó Maria, como exultava o vosso espírito diante dos milagres realizados pelo vosso Filho! Concedei a graça de... (fazer o pedido) a esta pessoa, cujo bem tanto me interessa, e procurai, deste modo, novas delícias ao vosso espírito e novas glórias a Jesus. Saúdo-vos, ó Maria, e suplico que me assistais na hora da minha morte. Ámen.  

A origem desta devoção é incerta. Uma tradição diz que a palavra "mileu" significa milagre na língua Alarave. Outra diz que o nome surgiu na época das guerras contra os mouros. Em minoria, os exércitos cristãos invocavam Nossa Senhora e gritavam: "para mil,eu" (Mil-eu). Existem também as variações Nossa Senhora de Melides ("Ide e vencei, mil ides") e de Milum ("para mil, um") que apontam para a mesma tradição. A Virgem fortalecia os soldados, dando a cada um a força de mil inimigos. Reza a lenda que em determinada luta doze cavaleiros cristãos enfrentaram doze mil soldados mouros e venceram-nos, aumentando assim a veneração à Virgem do Mileu, ou Milum.

ORAÇÃO:

Mãe Santíssima, Nossa Senhora do Mileu, fortalecei-nos nas nossas batalhas contra o mal e auxiliai-nos nas várias atividades que iremos realizar ao longo do dia de hoje. Com o vosso apoio e fortaleza seremos invencíveis, justos e dignos. Permanecei sempre ao nosso lado, especialmente nos momentos em que sentimos maior fraqueza ou desilusão, aumentando mil vezes a nossa coragem e fé. Ámen.

Maria estende a sua mão a todos os que a ela se dirigem. Não importa que tenham pecado. Ela é Mãe misericordiosa, sempre pronta a interceder pelos seus filhos. A devoção a Nossa Senhora da Misericórdia teve origem no século XII, quando o bem-aventurado Eskil, já agonizante, teve uma visão. Viu-se a cair num abismo, rumo ao inferno, e implorou a misericórdia de Maria. O seu compromisso foi: a mudança de vida, que o levou a ser bom cristão e posteriormente bispo. Existem registos em Portugal de confrarias e igrejas dedicadas a Nossa Senhora da Misericórdia desde o século XV.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, que conduzistes o bem-aventurado Eskil ao caminho da conversão e da santidade, guiai cada um de nós pelo mesmo caminho de transformação interior. Com a vossa ajuda seremos dignos herdeiros do Reino. Ámen. 

Em Montagnaga, cidade do Alto Ádige, em Itália, Maria apareceu à jovem Domenica Targa, enquanto esta pastoreava um rebanho de ovelhas. Era o ano de 1729. Sem nenhum motivo aparente, as ovelhas começaram a agitar-se e a correr desordenadamente. Domenica invocou Maria e Jesus para a ajudarem a acalmar o rebanho. Maria então apareceu-lhe e disse: «Tu chamaste Jesus e Maria em teu auxílio e nós vamos ajudar-te... Depois, vai à festa da Ascenção de Cristo na capela de Sant´Ana, em Montagnaga. Ali encontrarás a imagem da Virgem de Caravágio. Ajoelha-te e reza.» Na capela, a um domingo, Domenica viu novamente Maria, que lhe falou sobre o desejo de se comemorar uma festa em sua memória todos os anos nesse mesmo dia. O pároco e o povo só acreditaram na pastora algum tempo depois. Em 1750 inauguraram um santuário no local.

ORAÇÃO:

Ó querida Mãe, vós nunca nos deixastes desamparados quando, num momento de angústia e desespero, invocamos a vossa presença. Quando não temos mais forças para enfrentar os problemas, vós sois o nosso estímulo e tudo se resolve. Que nos lembremos sempre de vós e do vosso Filho nos momentos em que nos sentirmos fracos. Ámen.  

Na povoação da Soalheira, a Virgem é venerada desde o século XVII sob o título de Nossa Senhora das Necessidades. Nos momentos de maior angústia, perigo ou "necessidade", o povo recorre a ela e é atendido. Foi o que aconteceu, por exemplo, durante a invasão francesa, no ano 1808, quando a localidade ficou intacta. No dia da sua festa realiza-se sempre uma grande procissão. Conta-se que em 1979, durante a procissão, a imagem da Virgem verteu lágrimas. Este título de Nossa Senhora é celebrado em muitas outras localidades, entre as quais Alcaria, no concelho do Fundão. Na Soalheira, os devotos costumam entoar o seguinte canto em homenagem a Nossa Senhora:

HINO:

Senhora das Necessidades, à vossa porta me empino:

deitai-me a vossa bênção mai-la do vosso Menino.

Senhora das Necessidades, quem vos varreu a capela?

Foi a vossa ermitoa com um raminho de marcela.

Senhora das Necessidades, estais no altar de pé:

sois Mãe de Jesus Cristo, esposa de S. José.

Senhora das Necessidades, já cá vimos à ladeira

abri a porta, Senhora, ao povo da Soalheira.  

Um dos principais ensinamentos evangélicos é a partilha, a caridade, a doação do que se tem em prol do bem-estar do próximo. É um dos valores que devem orientar a nossa vida. Daí o título de Nossa Senhora da Partilha. Aprendamos com Maria, que sempre se mostrou caridosa, a partilhar a nossa vida, os nossos dons e os nossos bens.

ORAÇÃO:

Tudo o que tenho é vosso, amada Senhora. Por isso, ajudai-me a partilhar os meus bens e os meus dons. Que eu saiba ser generoso com os meus irmãos menos favorecidos. Que eu seja caridoso com todos os excluídos e marginalizados. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

Um ícone em estilo bizantino, pintado provavelmente no século XIV, era muito venerado na ilha de Creta. Muitos acreditavam que a imagem tinha sido pintada por São Lucas. Além da beleza da pintura, a fama de milagrosa, espalhou-se pelo mundo. Os religiosos redentoristas foram os maiores divulgadores, pois levaram cópias da imagem nas suas missões.

A história do ícone original está envolta em mistério. Sobreviveu a um naufrágio logo após ter sido roubado em Creta, na Idade Média; exposto numa igreja de Roma, não sofreu nenhum dano quando o templo foi destruído por um incêndio, no século XVIII; e ainda escapou intacto da invasão das tropas napoleónicas. Em 1866, com o apoio do Papa Pio I, foi exposto em Roma pelos redentoristas. Entre os necessitados e aflitos, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das mais populares, devido ao seu olhar acolhedor e terno, que inspira segurança e proteção.

ORAÇÃO:

Ó Santíssima Virgem Maria, que para nos inspirardes uma confiança sem limites quisestes tomar o terno e doce nome de Mãe do Perpétuo Socorro, eu vos suplico que me socorrais em todo o tempo e em todo o lugar: nas tentações, depois das quedas, nas dificuldades, em todas as misérias da minha vida, e, sobretudo, no transe da minha morte. Dai-me, ó amorosa Mãe, o pensamento e o costume de recorrer sempre a vós, porque estou certo de que, se for fiel em invocar-vos, vós sereis fiel em socorrer-me. Obtende-me, pois, a graça de vos suplicar sem cessar, com a confiança de um filho, a fim de que, pela virtude desta súplica constante, obtenha o vosso perpétuo socorro e a perseverança final. Abençoai-me, ó terna e carinhosa Mãe, e rogai por mim agora e na hora da minha morte. Ámen.  

A região de Liège, Bélgica, é uma das mais inférteis da Europa. Ali fica a vila de Banneux, onde Mariette Beco, de doze anos, teve em 1933 uma série de visões de Nossa Senhora. A primeira aparição ocorreu em 15 de janeiro, no quintal da casa. Ao olhar pela janela, Mariette viu uma senhora muito formosa, toda iluminada; vestida como a Virgem de Lourdes. Queria ir ao seu encontro, mas foi impedida pela mãe, temerosa por não saber o que se passava. Dias depois, a Virgem aparece novamente e conduz Mariette até uma fonte. Lá diz-lhe: «Esta fonte está reservada para mim.» E desaparece. Diante da incompreensão da menina, disse noutra aparição: «Esta fonte está reservada para todas as nações, para restaurar e socorrer os doentes.» A menina perguntou também qual era o nome da Senhora, que respondeu: «Eu sou a Virgem dos pobres».

Uma simples capela foi construída junto à fonte, conforme o desejo da Virgem dos Pobres. Em 1949, as aparições foram oficialmente reconhecidas e um santuário foi construído no local.

ORAÇÃO:

Nossa Senhora, Virgem dos Pobres, acalentai o coração dos que sofrem com a pobreza e o abandono. Fazei que a justiça prevaleça sobre a injustiça, a caridade sobre o egoísmo, a solidariedade sobre o individualismo. Assim viveremos mais tranquilos e felizes. Ámen.  

É o título de Nossa Senhora invocada na cidade de Bérgamo, em Itália. Conta-se que a origem da devoção está ligada a um episódio ocorrido com dois comerciantes da cidade. Quando voltavam para casa, estando já muitos escuro, enganaram-se no caminho e foram parar a um bosque muito perigoso. Ao tomar conhecimento da situação, puseram-se de joelhos a rezar à Virgem. Viram então uma luz a indicar o caminho para sair da mata. Chegados à cidade, viram novamente a luz, que depois tomou os traços da Virgem, sobre várias rosas. Não tardaram a construir ali um santuário, em agradecimento por tê-los livrado do perigo. O Papa Martinho V dedicou o santuário a Nossa Senhora das Rosas e Leão XIII estendeu a festa a toda a diocese de Bérgamo, fixando-a no terceiro domingo do Pentecostes.

ORAÇÃO:

Na escuridão mostrastes o caminho certo que os comerciantes de Bérgamo deveriam seguir para fugir do perigo. Igualmente, Senhora das Rosas, apontai-nos hoje a direção que devemos tomar para ir ao encontro do vosso amor e do Reino de Deus. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.  

A esposa de São José, padroeira dos trabalhadores, é também invocada como Nossa Senhora do Trabalho. De facto, milhares de trabalhadores invocam-na para pedir proteção na lida diária e força para suportar a dureza e o cansaço da jornada de trabalho. Maria é invocada principalmente por desempregados em busca de trabalho. O Beato Guanella, fundador dos Servos da Caridade e das Filhas de Santa Maria da Providência, foi o criador deste título mariano.

ORAÇÃO:

Salve, Virgem Maria, nossa querida Mãe e padroeira! Como filhos, dirigimos-nos a vós com toda a confiança, a implorar a vossa bênção, de modo especial pelos nossos trabalhadores, por todos aqueles que labutam no dia a dia para conseguir o sustento da própria família. Concedei-nos, nós vos pedimos, que este trabalho seja dignificante, de modo a favorecer os vossos filhos. Que haja muita consciência da nobreza do trabalho e que nenhum dos nossos irmãos seja explorado pela ganância de riquezas. Abençoai, ó Virgem do Trabalho, a nossa comunidade, as nossas famílias e cada um de nós. Intercedei, junto do vosso Filho, Jesus, concedendo-nos a graça que vos pedimos (fazer o pedido). Assim seja!

Conta a lenda que no século XII uma imagem, hoje no santuário da freguesia de Vagos, perto de Aveiro, foi resgatada de um navio françês que ali naufragou. No dia seguinte, porém, não encontraram já a imagem. Só reapareceu após a Virgem aparecer em sonho a um morador e indicar o local onde deveria ser construída uma ermida. Os diversos milagres atribuídos a Nossa Senhora de Vagos fizeram com que a devoção se difundisse rapidamente. Durante uma grande seca na região, o povo fez uma procissão e a promessa de distribuir alimentos aos pobres. A Virgem intercedeu e veio a chuva. Até hoje permanece a tradição de distribuir pão na praça do santuário.

ORAÇÃO:

Vós jamais deixastes o vosso povo sem assistência, caridosa Mãe. No momento da seca, intercedestes junto de Deus para que viesse a chuva, generosa bênção que faz brotar da terra o nosso sustento. Do mesmo modo, intercedei hoje por todos nós, a fim de que não falte o pão de cada dia, nem a caridade no nosso coração para partilhar com os menos favorecidos. Ámen.

Desde o século VIII, há referências a esta devoção, à qual são dedicadas várias igrejas em Portugal. Em Erra, onde existe uma antiga ermida dedicada a Nossa Senhora do Vale, é tradição fazer um colar com cinco folhas de aroeira e usá-lo para pedir a intercessão da Virgem. São chamados "milagrosos colares de Nossa Senhora do Vale", em referência a um milagre ocorrido com os frades franciscanos da cidade. Uma imagem por diversas vezes apareceu no topo de uma aroeira próxima do mosteiro até que construíram sobre a árvore uma ermida, onde os devotos costumam deixar o colar após alcançar a graça, normalmente curas.

ORAÇÃO:

Querida Senhora do Vale, pelo vosso milagroso colar, protegei-nos de todos os males e curai todas as nossas enfermidades. Ele é o elo que nos liga ao vosso amor, que nos fortalece e nos aproxima de vós. Jamais nos abandoneis, querida Mãe. Concedei-me a graça que agora vos peço (fazer o pedido). Ámen.

No Rosário, o segundo mistério gozoso recorda a visita da Virgem Maria à sua prima Isabel, grávida de João Batista, que haveria de ser o percursor de Jesus. A invocação de Nossa Senhora da Anunciação remete a esse facto, quando Maria, mesmo grávida, se põe ao serviço de Isabel, idosa e também grávida. Ao encontra-se com Maria, Isabel sente a presença salvífica de Deus e saúda-a como a Agraciada, a Mãe do Salvador. Nesta ocasião nasceu um dos mais belos hinos bíblicos, o Magnificat (Lc 1,46-55).

Desde o final do século XIII, a Visitação é celebrada com festa, depois introduzida no calendário romano pelo Papa Bonifácio IX.

ORAÇÃO:

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito alegra-se em Deus, meu Salvador,

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamar-me-ão bem-aventurada

todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia estende-se

de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos dos seus tronos

e exaltou os humildes.

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre.

Glória ao Pai...

A Virgem venerada em França sob o título "das Vitórias" teve origem no século XVII, no porto de La Rochelle. Na época havia ali um importante reduto protestante, apoiado por Inglaterra. O rei Luís XIII tentou tomar o local em 1627, pedido a todas as igrejas francesas que rezassem pelaa vitória.

Após a rendição dos protestantes, o rei construiu em Paris uma igreja dedicada a Nossa Senhora das Vitórias. Segundo a tradição, nesta igreja foram feitas novenas durante dez meses para que Deus enviasse um herdeiro à rainha de França, já sem esperanças devido à idade. Em 1638 nasceu o menino que seria o rei Luís XIV, um dos mais importantes de França.

ORAÇÃO:

Em todas as batalhas, protegei-nos, ó Senhora das Vitórias. Sede a nossa força contra todos os inimigos e guiai-nos no caminho do sucesso e do êxito. Não queremos lutas armadas, mas sim a luta diária pela felicidade e pela construção do Reino de Deus, que é Reino de paz e amor. Ámen.