3. PRINCIPAIS PRÁTICAS DE DEVOÇÃO A MARIA

115. Há várias práticas interiores da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Eis, resumidamente, as principais:

1) Honrá-La como a digna Mãe de Deus, com o culto de hiperdulia, quer dizer, estimá-La e honrá-La acima de todos os outros santos, como a obra-prima da graça e a primeira depois de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem;

2) Meditar em suas virtudes, seus privilégios e suas ações;

3) Contemplar suas grandezas;

4) Dirigir-Lhe atos de amor, de louvor e de reconhecimento;

5) Invocá-La cordialmente;

6) Oferecer-se e unir-se a Ela;

7) Fazer suas ações com o fim de Lhe agradar;

8) Começar, continuar e terminar todas as suas ações por Ela, n'Ela, com Ela e para Ela, a fim de fazê-las por Jesus Cristo, em Jesus Cristo, com Jesus Cristo e para Jesus Cristo, nosso último fim.

Explicaremos adiante esta última prática.

116. A verdadeira devoção a Nossa Senhora tem também várias práticas exteriores. Eis as principais:

1) Alistar-se nas suas confrarias e ingressar nas suas congregações;

2) Ingressar nas ordens religiosas instituídas em sua honra;

3) Publicar seus louvores;

4) Praticar esmolas, jejuns e mortificação do espírito ou do corpo em sua honra;

5) Trazer consigo suas insígnias, como o santo rosário ou o terço, o escapulário ou a correntinha;

6) Recitar, com atenção, devoção e modéstia, ou o santo rosário composto de quinze dezenas de Ave-Marias em honra dos quinze principais mistérios de Jesus Cristo, ou o terço de cinco dezenas, que é o terço do rosário, em honra dos cinco mistérios gozosos, que são: a Anunciação, a Visitação, a Natividade de Jesus Cristo, a Apresentação e o Encontro de Jesus Cristo no Templo; ou em honra dos cinco mistérios dolorosos, que são: a Agonia de Jesus Cristo no jardim das Oliveiras, sua Flagelação, sua Coroação de espinhos, o Carregamento da Cruz e sua Crucifixão; ou em honra dos cinco mistérios gloriosos, que são: a Ressurreição de Jesus Cristo, sua Ascensão, a Descida do Espírito Santo ou Pentecostes, a Assunção da Virgem Maria em corpo e alma ao Céu, e sua Coroação pelas três Pessoas da Santíssima Trindade. Pode-se rezar também um terço de seis ou sete dezenas em honra dos anos que se crê que Maria viveu na terra; ou a pequena coroa da Virgem, composta de três Pai-Nossos e doze Ave-Marias, em honra de sua coroa de doze estrelas ou privilégios; ou o ofício de Maria Santíssima, tão universalmente aceito e recitado na Igreja; ou o pequeno saltério de Nossa Senhora, composto por São Boaventura em sua honra, tão terno e tão devoto que não se pode recitá-lo sem se comover. Ou então catorze Pai-Nossos e Ave-Marias em honra de suas catorze alegrias; ou quaisquer outras preces, hinos e cânticos da Igreja, como a Salve Regina, o Alma, o Ave Regina Coelorum ou o Regina Coeli, segundo os diferentes tempos; ou o Ave Maris Stella, O gloriosa Domina, etc., ou o Magnificat ou algumas outras preces de devoção, de que os livros estão cheios;

7) Cantar e fazer cantar em sua honra cânticos espirituais;

8) Fazer-Lhe um número de genuflexões ou reverências, dizendo-Lhe, por exemplo, todas as manhãs, sessenta ou cem vezes: Ave Maria, Virgo fidelis, para obter de Deus, através d'Ela, a fidelidade às graças de Deus durante o dia. E à noite, Ave Maria, Mater misericordiae, para pedir perdão a Deus, por meio d'Ela, dos pecados cometidos durante o dia;

9) Cuidar de suas confrarias, enfeitar seus altares, coroar ou embelezar suas imagens;

10) Levar e fazer levar suas imagens em procissão, e trazer uma consigo, como uma arma poderosa contra o maligno;

11) Mandar fazer e colocar suas imagens, ou seu nome, nas igrejas, nas casas, nas portas e entradas das cidades, das igrejas e das moradias;

12) Consagrar-se a Ela de uma maneira especial e solene.

117. Há uma quantidade de outras práticas da verdadeira devoção à Santíssima Virgem que o Espírito Santo inspirou às santas almas, e que são muito santificadoras. Podem ser lidas mais extensamente em Paraíso aberto a Filágia, composto pelo Rev. Padre Paulo Barry, da Companhia de Jesus. Nesse livro, recolhe ele um grande número de devoções que os santos praticaram em honra da Santíssima Virgem, as quais servem maravilhosamente para santificar as almas, desde que sejam praticadas como se deve. Ou seja:

1) Com boa e reta intenção de só agradar a Deus e de se unir a Jesus Cristo como seu fim último, e de edificar o próximo;

2) Com atenção, sem distração voluntária;

3) Com devoção, sem precipitação nem negligência;

4) Com modéstia e compostura respeitosa e edificante do corpo.