2. O ESCAPULÁRIO DO CARMO
Vivemos num mundo feito de realidades materiais cheias de simbolismo: a luz, o fogo, a água...
Na vida de cada dia existem experiências de relações entre os seres humanos, que exprimem e simbolizam coisas mais profundas como partilhar a comida (sinal de amizade), participar de uma manifestação de massa (sinal de solidariedade), celebrar junto de uma festa nacional (sinal de identidade).
Temos necessidade de sinais ou símbolos que nos ajudem a compreender e a viver os factos mais conscientes daquilo que somos como pessoas e como grupos.
Jesus é o grande dom e o sinal do amor
do Pai. Ele estabeleceu a igreja como sinal e instrumento do seu
amor. Na vida cristã também existem sinais. Jesus os utilizou: o
pão, o vinho, a água, para nos fazer compreender realidades
superiores que não vemos e não tocamos. Na celebração da
Eucaristia e demais sacramentos (baptismo, confirmação,
reconciliação, matrimónio, ordem sacerdotal, unção dos
enfermos), os símbolos (água, óleo, imposição das mãos,
alianças), exprimem o seu significado e introduzem-nos numa
comunicação com Deus, presente através deles. Além dos sinais
litúrgicos, existem na igreja outros liga-dos a um acontecimento, a
uma tradição, a uma pessoa.
Um dos sinais da tradição da Igreja,
há sete séculos, é o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo.
É um sinal aprovado pela igreja e
aceite pela Ordem do Carmo como manifestação extrema de amor a
Maria, de confiança filial nela e do compromisso de imitar a sua
vida. A palavra "Escapulário" indica uma vestimenta que os
monges usavam sobre o hábito religioso durante o trabalho manual.
Com o tempo assumiu um significado simbólico: o de carregar a cruz
de cada dia, como os discípulos e seguidores de Jesus. Em algumas
Ordens religiosas, como no Carmo, o Escapulário tornou-se um sinal
da sua identidade e vida. O Escapulário simbolizou o vínculo
especial dos carmelitas com Maria a Mãe do Senhor, que exprime a
confiança na sua materna protecção e o desejo de imitar a sua vida
de doação a Cristo e aos outros. Transformou-se assim num sinal
mariano.
Na idade média, muitos cristãos
queriam associar-se às Ordens religiosas fundadas naquele tempo:
franciscanos, dominicanos, agostinianos, carmelitas. Surgiram grupos
de leigos associados a eles, por meio das confraternidades.
Todas as Ordens religiosas desejavam
dar aos leigos um sinal de afiliação e participação do próprio
espírito e do próprio apostolado. Este sinal era constituído de
uma parte do hábito: a capa, o cordão, o Escapulário.
Entre os carmelitas estabeleceu-se o
Escapulário como o sinal de afiliação à Ordem e expressão da sua
espiritualidade.
O Escapulário funda as suas raízes na
tradição da Ordem, que o interpretou como sinal da protecção
materna de Maria. Contém em si mesmo, a partir desta experiência
plurissecular, um significado espiritual aprovado pela igreja:
representa o compromisso de seguir
Jesus como Maria, o modelo perfeito de todos os discípulos de
Cristo. Este compromisso tem a sua origem no baptismo que nos
transforma em filhos de Deus.
Por ele a Virgem Maria nos ensina a:
viver abertos a Deus e à sua vontade,
manifestada nos acontecimentos da vida;
escutar a palavra de Deus na Bíblia e
na vida, a crer nela e a pôr em prática as suas exigências;
orar em todo momento descobrindo Deus
presente em todas as circunstâncias;
viver próximos aos nossos Irmãos na
necessidade e a solidarizar-se com eles.
introduz na fraternidade do Carmelo,
comunidade de religiosos e religiosas, presentes na igreja há mais
de oito séculos, e compromete a viver o ideal desta família
religiosa: a amizade íntima com Deus através da oração.
põe-nos diante do exemplo das santas e
dos santos com os quais estabeleceu uma relação familiar de Irmãos
e irmãs.
Exprime a fé no encontro com Deus na
vida eterna pela intercessão de Maria e sua protecção.